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Qual é o limite do humor, Eterno? (ou: Quando a quase trindade tem piadas de pavê bíblicas)

 

{Para ouvir enquanto lê}

Um pequeno silêncio, da espessura de uma folha de papel branca, pousa sobre nós.

– Oi.

Ele sorri.

– Talvez eu esteja encrencada. Bem encrencada, Eterno. Isso volta para minha cabeça a cada uma hora ou menos.

– Quarenta e dois minutos.

– Deus, para de rir, é sério.

– Você é tão séria, que é engraçado…

– “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas”

– “Eu dormia, mas o meu coração velava; e eis a voz do meu amado que está batendo: abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite.” – Ele joga outra passagem da Bíblia em mim, eu titubeio.

– Não faço o tipo Salomão.

– Faltam 40 minutos… – Ele é implicante.

– Ai, Deus, tem dias que vou te contar… Traz o Espírito, porque Ele é menos piadista.

– Será? – O Espírito ressoa sobre o meu quarto gelado de sacadas escancaradas.

– Eu desisto de vocês hoje. Vamos voltar a conversar quando vocês tiverem mais maturidade.

– “Acharam-me os guardas, que rondavam pela cidade; eu lhes perguntei: Vistes aquele a quem ama a minha alma? “- Eles riem.

– Sério?! Sério mesmo?!

Rimos.

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Deus é um cara galante (ou: Menina, pare de falar)

{não tem música aqui, porque ela já vem}

Lá estava eu, praticamente duas semanas atrás, em um encontro da igreja que chamamos de Revisão de Vida, tentando ouvir a voz de Deus de forma “séria”. Eu tenho escrito por aqui que Deus fala e depois de algumas experiências com Ele (leia alguns posts abaixo 🙂 ), queria ouvir Dele outra palavra com todas as letras – sim: vogal, consoante, coisa séria. A verdade é que mesmo tendo muitas coisas para saber do Eterno, eu queria mesmo era ficar com Ele. Me sentir pertinho…

– Deus eu preciso falar com o Senhor agora.

Ele deve ter pensado algo do tipo: “uai, menina, então fala”.

Eu me apressei para terminar as atividades das quais estava encarregada e fui para trás dos alojamentos em busca de um lugar sem ninguém e com sombra (Goiás, amigos, sombra é necessária hehehe). Assim que fechei os olhos, comecei a perguntar um monte de coisas em meu melhor estilo metralhadora fulminante.

O Eterno deve ter dado uma respirada. Ele tem me ensinado que, às vezes, eu não consigo escuta-Lo por que fico feito uma louca falando. É sério.

Tempos atrás, me peguei falando “Deus, por favor, eu preciso ouvir o que o Senhor pensa sobre isso” tantas vezes durante dez minutos que Ele simplesmente limpou a garganta e falou:

– Então pare de falar tanto e ouça.

Depois de bombardeá-Lo ali, atrás dos quartos, respirei e resolvi começar de novo. Coloquei uma música no meu celular (espero que baixa, qualquer coisa: desculpa, gentes) e fiquei ali, de pé, ouvindo a Steffany Frizzell, em completo silêncio por um segundinho:

E sua voz veio, macia e quentinha:

– Vamos dançar?

Eu ri.

– Deus… O Senhor está falando sério? Eu sei que a música fala de dançar, mas nem precisa… Sério? Ok…

Eu tinha certeza de que alguém chegaria naquele momento procurando sei lá o quê atrás daqueles dormitórios, mas por um milésimo nada importou e eu só disse sim.

E fiz uma pose de dança de salão, colocando suas mãos nas minhas, imaginando a diferença do toque onde os buracos feitos pelos pregos estão, e rodei algumas vezes, enquanto contava três passinhos de cá e três de lá.

Nenhum dos três – Jesus, Espírito ou o Pai – pisou no meu pé (eu me desculpo se o inverso da frase não for verdadeiro hahahaha), Eles são galantes como todos os atores que contracenaram com a linda da Audrey Hepburn.

Mais do que a dança, Deus estava, outra vez, me ensinando: tem hora que não se deve falar tanto assim, menina, só aproveite minha presença e meu sussurro.

PS: por que não parecer estranho dançando sozinho para conhecer outra uma parte doce Dele? Tenteddragontattoo4