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Um daqueles posts inúteis (ou: Jesus, não sou pedreiro, mas o Senhor é melhor que Toddy, hein?!)

Quase duas semanas sem postar nada e eu venho com algo inútil (aêêê!), parabéns, moça, vencendo na vida. Mas você já abriu o link mesmo, fica que vai ter bolo, digo: Toddy.

Bem, todo mundo conhece a parábola dos talentos e do não enterre isso, use aquilo (Mateus capítulo 25, amigos)… Definitivamente tocar violão não é um dos meus talentos. Sério, Jesus até grita:

– Tá permitido enterrar esse aí pelamor de mim mesmo.

– Homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; – Retruco, brincando.

A verdade é que não importa, porque descobri que saber umas 3 notas nesse maravilhoso instrumento é muito útil, pois aumenta em um milhão de vezes as formas de você irritar seus irmãos descrevendo toda sua rotina, só que cantando. Do tipo: agora estou indo para sala – notas – quando voltar quero ver seu quarto limpo – notas, seguidas de reclamações – e indo para cozinha – nota – esquentando comida no microondas –  notas, seguidas de reclamações, hahaha. Aprendi, também, que dá para fazer isso com Deus, por exemplo: cantar cinco minutos de “não estou te ouvindo hoje, fale mais alto, não estou te ouvindo hoje, fale mais alto, não estou te ouvindo hoje, fale mais alto”.

É emocionantemente irritante e acho que todos deveriam tentar (na terceira ameaça de serem expulsos de casa, sugiro que parem por um dia ou dois, hahaha).

E foi brincando disso que surgiu a pior composição de todos os tempos – mas que fala de gostar de Deus mais do que de Toddy, então achei válido (?) postar.

Vergonhas a parte, boa sexta-feira!

(:

 

Feliz Natal! (Parte 1)

O Natal traz, de alguma forma, o verdadeiro evangelho até nós, que não é aquela conversa acusadora que ouvimos em grande parte dos nossos dias: seja assim, não seja assado (não vale para o chester).

É uma data ótima, mais um desculpa para ouvir Sinatra alto, para comer doces e rasgar papel de presente na sala, mas ela é, especialmente, o dia em que um cara revolucionário nasceu.  Acredito que o verdadeiro evangelho é tão político, quanto espiritual, é tão sentimental, quanto simbólico. Abro os quatro primeiros livros do novo testamento e vejo um homem que se importava com os pobres, que tinha que ajudar pescadores a ter o que comer e que, ainda assim, não pregava dinheiro. Acredito que Jesus nunca pregou pobreza, ou julgou fortuna; Jesus simplesmente falou: cara, você não tem que passar necessidade e amigo, você que é rico, só precisa manter seu coração no lugar certo. A verdade é que milionários e mendigos podem colocar o dinheiro como o centro de suas vidas e Jesus pregava o Reino como início, meio e fim de nossa existência.

E adivinha? Ele ainda prega.

O nascimento de Jesus é incrível, reis do oriente vieram vê-lo, enquanto outro rei tentava matá-lo. Espadas, fugas, grandes presentes e amores incondicionais. Esse é o nascimento que celebro. Meu rei foi seguido por cegos, almoçou com ladrões e sua morte foi chorada por prostitutas. Esse é o meu Natal, esse é o meu evangelho.

Temos uma oportunidade de jogar nossa ideia aguada de religião fora nesse período do ano. Um rei não viria a terra instaurar uma religião, porque isso é pequeno e mesquinho, um rei instaura um REINO, oras. Uma nova maneira de se entender como gente. Estar debaixo de um reino é tão diferente e libertador do que estar debaixo de uma religião… O Natal é isso, dia intergaláctico de gritar: PAREM DE NOS ENGANAR COM ESSAS RELIGIÕES E CERIMÔNIAS, ESSAS ORAÇÕES CONFUSAS, ESSE LERO-LERO. É tempo de entender o “venha nós o teu reino”, porque quando ele vier o “seja feita a tua vontade” vai deixar de ser uma oração, uma bolinha que nós passamos em sequencia de outra e de outra…

Todo final de ano, ajudamos uns aos outros, como a primeira igreja fazia, festejamos, damos e ganhamos presentes, isso deveria ser reino, e eu me pergunto: quando é que tornamos tudo isso religião? Quando é que nos metemos em algum concílio? Quando é que decidimos que lutaríamos guerras que não eram para o reino? No Natal, tudo isso faz menos sentido ainda… Porque pensamos em Jesus em uma manjedoura, rodeado de pastores e anjos que cantavam pelo menino. E é isso que quero ser,  parte de um presépio, quero ser o peixe que levava uma moeda – estáter – na boca, para que Jesus pagasse seus impostos (Leia Mateus 17: 27!), quero ser a adúltera que se jogou aos pés do Rei. Porque me vale muito mais conhecer seus pés, mãos, palavras e vontades, do que me encher de ritos e tradições que nunca me farão ver quem Ele é.

Que Jesus venha de novo e traga o reino como fez da primeira vez. Yeshua, nós te esperamos com corações quentes, como manjedouras cujo feno foi cuidadosamente afofado.

Seja feita a tua vontade? (ou: Sim, senhor)

Seja feita a tua vontade.

Quantas vezes você já orou isso? Sempre quis saber se isso sai de forma natural pela boca das pessoas. Porque da minha? Não mesmo!

Algumas coisas simplesmente deslizam de nossas bocas fazendo loopings no ar. Exemplo? Elogio para quem faz bem para a gente, um grito bem dado para o amigo parar de te irritar (Murillo, te amo, hahaha!), uma música da Billie Holiday. Mas o tal do seja feita sua vontade, ah esse sai um oitavo acima de minha voz, rasgando minhas cordas vocais e meu gênio ao meio.

Alguns parágrafos e você já percebeu que eu não sou das mais fáceis. E não sou mesmo. Turrona. Cheia de razão. Colérica. Como diria meu pai: professora de Deus. Por isso, nunca foi fácil entender porque a vontade de Deus poderia, algum dia, ser diferente da minha.

Mas na maioria das vezes, ela é. E venho aprendendo que lidar diariamente com isso é fundamental se  quero criar raízes no evangelho.

Tenho um amigo que diz que você comprova se alguém está mesmo interessado  em você se ele aceita sair em um domingo durante a tarde ou enfrentar uma hora de trânsito para almoçar com você. Acho que Deus faz isso comigo algumas vezes.  Meus domingos têm sido produzir, para Ele, coisas “do mundo real” que consigo fazer para servir a igreja.  

Eu quero trabalhar para Jesus, eu ouço algumas de vezes, mas você quer trabalhar no que Jesus quer que você faça e nas horas que Ele precisa?

Ah, não, eu sou voluntário, as pessoas tem que entender que eu tenho meu horário. Já escutei essa outra também e, geralmente, das mesmas pessoas que falaram a primeira sentença. Não sei você, e cada um entende o serviço da igreja como pode e tem capacidade de fazê-lo, mas para mim, a vontade de Deus é clara: eu sou devedor aos homens. Então, todas as vezes que preciso escolher entre meu bem estar e trabalhar nos domingos para Deus, eu preciso escolher não assistir Mad Men e por a cabeça para trabalhar.

Seja feita a sua vontade.

Mas e quando a vontade de Deus interfere naquela parte do mundo que você não acha que envolva muito Mateus, Marcos, Lucas e João? Meu amigo, aí o bicho pega (estou vintage). Quando Deus fala: não faça intercâmbio nesse ano. E aí?

– Mas Deus… Mas…

Silêncio.

Geralmente, Deus me dá uma ordem uma vez, depois ele simplesmente se cala por um longo tempo sobre esse assunto. [Queria aproveitar o espaço, Jesus, para dizer que essa é uma prática bem desagradável, caso você esteja de bobeira na wifi da sala do trono e esteja me lendo]. O fato é que entendendo isso assim: eu já falei. 

Às vezes, ele me explica depois, às vezes não. E eu não tenho o direito de me sentir ofendida. Eu sou a filha, não o pai, sou eu quem tem que aprender a comer rúcula sem reclamar.

Seja feita a tua vontade.

Poderia citar muitos exemplos em que eu aceitei a vontade de Deus e vi, muuuito tempo depois,como ela era boa (como foi a minha experiência de mudar de cidade para que meus pais pudessem ter seus ministérios ampliados. O resultado, para mim, só começou a chegar um ano depois…). Ou exemplos em que o resultado chega alguns segundos depois de obedecer a Deus, como a vez que Jesus pediu que eu desse um pirulito a uma criança que estava perto de mim no oftalmologista. Ela sorriu na hora. Voilá, ali estava minha resposta.

Sem contar os exemplos negativos, nos quais eu ouvi o que Ele dizia, entendi e fiz o que meus amigos chamam de “egípcia” para o Senhor. Ignorei sua vontade, fiz a minha e… fiquei toda sem graça pedindo ajuda para arrumar o malfeito um tempo depois. 

O fato é que negar minha própria vontade, sem um gráfico explicativo e porcentagens mostrando o porquê é melhor eu não seguir minha opinião, não é algo absolutamente automático, mesmo depois de anos servindo a Deus. Entretanto, tenho aprendido que quanto menos pimenta, tempero – e ingrediente x – tiver minha gênio, mais fácil fica dizer: sim senhor. Ou, pelo menos, um: eu vou fazer, mas se fosse por mim…

– Fique quieta, Natânia.

– Sim senhor.

Mateus, aquele apóstolo que não brincava de Pique no Ar

Você já fez alguma coisa para testar se Deus te odiaria um pouco que fosse naquele dia?

Eu já.

Quando era pequena, creio que por volta dos seis ou sete anos, li, pela primeira vez, a passagem de Mateus que nos adverte a nunca chamar nossos irmãos de tolos.

Lembro direitinho do dia.

Eu estava dormindo na casa de uma – grande! – amiga e fomos fazer a leitura da palavra depois de brincarmos com a casinha da Barbie (ela também tinha o carro rosa da Barbie e nós ficávamos horas dirigindo aquilo). Abri minha primeira Bíblia escrita, como eu chamava Bíblias que não tinham desenhos, ou seja, minhas anteriores, e li os primeiros capítulos de Mateus. E… tcharam! Li a tal passagem do tolo. Primeiro fiquei preocupada, preocupadíssima, será que eu, do alto dos meus sete anos, já tinha feito tamanho ato de imbecilidade?

Minha amiga perguntou algo sobre conseguirmos brincar mais um pouco sem que ninguém nos ouvisse, duvidei disso e fomos dormir. Alguns dias depois, estávamos em frente a nossa igreja depois do culto, nessa época no interior, e em uma discussão muito acalorada, mais uma vez do alto dos meus sete anos, eu disse indignada:

– É claro que aqui é pique, por que é uma mureta e todo mundo sabe que mureta é estar no ar e a gente está brincando de PIQUE. NO. AR.  você é… você é…

Eu podia ter dito qualquer coisa, mas escolhi uma palavra que nunca usaria em meu cotidiano:

– Você é tolo?!

O menino bufou, aceitou que ele ainda era o pego, contudo eu não conseguia mais prestar atenção na brincadeira. Queria saber se Deus estava zangado comigo. Se ele ainda continuava me amando da mesma forma como fizera quando eu acordei.

Uma tentativa, daquelas bestas, de entender: afinal, onde acaba um amor infinito? Sim, ficou bem parecido com aquela ideia de imortal que não morre no final (beijos, Sandy), mas me desculpe, incondicionalidade não é um conceito fácil para mim.

Incomodava-me a ideia de alguém me amando sem que eu mereça.  Ou me amando sem um limite. Pensar em alguém que nunca te olha com cara de vá te catar de vez é meio maluco…

– Jesus, você odiou isso, não? – Eu pensava vez ou outra na minha cabeça, geralmente sem resposta. Mesmo anos depois do episódio que, nada imparcialmente, apelidei: Mateus, seu fanfarrão, pegue leve com as crianças de seis ou sete anos.

Um dia, de forma desavisada, recebi uma resposta. Daquelas diretas e que você sabe que não foi seu subconsciente culposo:

– Eu não vou te odiar por isso. Isto sequer diminui o quanto eu te amo. Mas também não diminui o quanto me machuca sua falta de habilidade em receber o meu amor.

Não sou insensível, vim de uma família normal e amorosa, daquelas que têm avós maravilhosas e tias que brigam no natal, mas isso não diminuía o incomodo que às vezes tinha em receber o amor de Jesus. Puro, simples, direto e mais intenso do que qualquer outra coisa que vai existir. No entanto, quando Ele disse que minha falta de receptividade o machucava, levei um susto.

Daqueles sustos que dão raiva. Exatamente como quando minha irmã fica agachada durante, aproximadamente, 87 horas esperando que eu vá até o quarto, para ela, já com cãibra, pular em cima de mim enquanto grita. O tipo de susto que podia ser evitado, razão pela qual o odiamos.

A minha incapacidade em ganhar o amor de Deus por completo O machuca, porque ela esconde a vontade de merecer algo que nunca conseguirei: Jesus.

É engraçado como Deus nos desconstrói com jeitinho. É claro que o problema era eu o tempo todo, mas ele sabe como descosturar as mentiras dos nossos corações sem causar outros danos a eles. Para mim, uma das melhores formas de fazer isso é lendo pessoas que estudam a Bíblia e escrevem livros de estudo. Uma dessas pessoas é A. W. Pink, quando você for íntimo dele poderá chama-lo de “um cara durão da fé”.

pink
O britânico Arthur Pink

Sério, o seu Arthur era certeiro em suas pregações e por isso começou a não dar certo nos sermões (as pessoas convidavam ele a se retirar da igreja), achavam que ele falava demais. Apesar dos pesares sou uma defensora de Pink, acho que ele tinha tanto a falar que até seus dedos foram contaminados e ele começou a escrever livros, revistas, artigos e estudos da palavra de Deus.

Essa foi uma biografia bem resumida e bagunçada de A. W. Pink para introduzir uma de suas frases que mais gosto e que me ajudou a mudar minha mente em relação a minha polêmica pessoal do tolo VS. amor:

“Não há maneira pela qual, por nós mesmos, possamos gerar santificação. Nossa santificação é Cristo. Não há maneira pela qual possamos ser bons. Nossa bondade é Cristo. Não há maneira pela qual possamos ser santos. Nossa santidade é Cristo.”

Não há maneira pela qual eu possa merecer o amor de Deus. Esse amor é Cristo.

Que maravilhoso!

Talvez você sempre tenha aceitado a Deus de maneira fácil e não consegue entender como tem um cisco no meu olho neste exato momento. E dos grandes. No entanto, se você tem o sentimento, pequeno que seja, de que precisa merecer tudo o que tem, entende a poeira repentina nos meus olhos e como é libertador aceitar que o amor do Senhor nos constrange e está tudo bem, não tem nada de errado com isso. Eu não preciso cantar, escrever, obrigar as pessoas a me ouvirem tocar teclado – coitadas –, ele me ama quando estou de pijamas, ele me ama quando eu pulo o Si menor das minhas músicas, porque não faço ideia de como tocar isso no violão. Ele me ama quando tenho o melhor dia no trabalho ou quando faço uma pergunta idiota para uma fonte, quando oro por horas, ou quando durmo cinco minutos depois de dizer “oi, Deus, foi tudo bem aí ou você teve que parar uma corrida sensacional que dois anjos estavam fazendo para ver quem chegava à sala do trono primeiro?”.

Ele. Me. Ama. Há! Eu. Sim, a mim (me da licença, mas vou fazer a dança do Chandler para comemorar). Aceitar isso não torna o amor de Deus rotineiro, mas algo para ser lembrado todos os dias.