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Não, obrigada

{Para ouvir enquanto lê}

Eu não estou interessado em um evangelho que mede saias, não muito obrigada. Mas também não estou interessada em um evangelho que não custa nada, porque, bem, ele não é real. Eu não quero inventar uma Bíblia que fala apenas o que eu quero ouvir, não obrigada. Eu não estou interessada em um avivamento apenas de chapação. Se não for para impedir uma mulher de apanhar, não me chamem. Eu não quero saber das suas intervenções militares e das suas ordens para o progresso. Eu quero falar dos ferrados das ruas, não me chamem para comícios de políticos que apoiam as armas que vão mata-los. Eu quero ver as salas de aulas, as varas de justiça, os laboratórios e seus tubos de ensaio, os hospitais e as esquinas cheias Dele. Eu quero ser o ombro das putas e quero ser seu pior inimigo quando você chamar qualquer uma delas desta forma; eu quero os motoristas de ônibus e os desembargadores, não eu não quero os santos e os cheios de si. Eu quero os impuros, como eu, os marcados, como eu, os que lutam com a própria cabeça todos os dias. O meu tempo, agora, está longe das conferências de relacionamento cristão, eu estou dentro da solitude de mim, lutando com coisas diferentes do que esperar. Coisas como o abuso que milhares de garotinhas sofrem por dia, garotinhas que como eu vão precisar de tempo para engolir a bola de pelo que foi enfiada em suas goelas a baixo. Eu quero aquele que julga e tem coragem de pedir ajuda, não quero quem finge não julgar. Eu quero os que se machucam e choram, porque dói, dói pra caramba levantar da cama alguns dias. Se você me chamar para sorrir e falar da moral deste mundo, me perdoe, eu precisarei inventar uma desculpa para não ir. Porque você pede pelo reino dos céus, mas, na verdade, quer a vigência dos princípios deste mundo que não te chocam. Eu fui feita para o silêncio, mas não se engane, eu não fui feita para ficar quieta. Eu não caibo dentro de quatro paredes. Eu sou a minha voz, que grita nas segundas-feiras pelas minhas mulheres machucadas, eu sou o texto que fica na internet enquanto o apocalipse não varrer tudo. Eu sou a revolução em um ponto de ônibus quando falo sobre eternidade e não sobre religião. Eu sou o que a crença banal não conseguiu conter: a igreja. Totalmente sem rejuntes. Eu não estou interessada em conversas pseudoespirituais que escodem comportamentos, não obrigada. Eu quero o feio, o sujo, o doente. Porque se eu, a pessoa mais universalmente perdida, um dia fui achada, qualquer um pode ser.

Qualquer

 um

pode

ser.

A verdade é Jesus e a gente não precisa enfeitá-la. Ser santo como Ele é. Amar como Ele amou. Perdoar como Ele perdoou. Entregar-se como Ele se entregou. E se entrega. Diariamente. Eu não estou interessado em um evangelho que fale sobre outra coisa a não ser sobre Ele.

Se não for sobre Jesus, não me chamem, muito obrigada.

 

 




PS 1: Este texto não tem a intenção de ofender ninguém, mas tem. Porque enquanto nos focarmos em nós e em nossas picuinhas crentes, o mundo roda o mesmo. O avivamento não é apenas para a nossa igreja física, mas é também para ela… E recebereis poder para. PARA. PARA. O poder sempre vem PARA um propósito , totalmente voltado para uma missão, SUA MISSÃO. Como você está usando o poder que recebeu hoje? Eu espero que você esteja transformando o mundo que te envolve, porque se não está, não minta para você mesmo, alguém está. Israel, marche pelo mundo e tome a terra que o Senhor já te ofereceu como herança. Saia curando, levando a salvação, dando razões para que a criminalidade diminua, para que as mulheres não sejam vítimas em seus lares, para que as crianças possam conhecê-Lo e amá-Lo antes mesmo que seus dentes de leite caiam. Israel, por favor, faça alguma coisa!

PS 2:  Um cheiro para todos vocês – para mantermos um nível de amorzinho no post hehe    ( :




Esquema de sempre: você pode me encontrar através do meu email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou do meu Instagram =D

Empatia tem gosto de pão quentinho na chapa

{Para ouvir enquanto lê}

Eu imagino Cristo tomando os nossos pecados, dores e enfermidades na cruz.

Seu rosto se contorce ao presenciar um dos piores dia da minha vida. Ele engole seco. Eu estou sentada na cama. Minha versão de oito anos, sete talvez… Ele sente o buraco azul se abrindo em meu peito. Ele começa a respirar fundo. Como eu fiz.

Ele sente os abusos domésticos a que centenas de brasileiras são submetidas. O marido de uma das suas mulheres se aproxima e o tapa ressoa em sua face. Jesus se assusta. Se apavora.

Sua pele queima por doenças ainda desconhecidas em seu tempo. Seu coração se despedaça e o braço adormece, era o infarto do meu pai ali. Aquele homem que comia peixes, pão e um bolo feito de azeite infarta como um de nós que devoramos um hambúrguer por semana.

Ele se sente sozinho. Com medo. Por que nós nos sentimos sozinhos e com medo. Ele nos conhece por dentro. Ele divide nosso fígado e nossos sentimentos. E, enquanto isso, sangra sobre um pedaço de madeira.

Jesus é a própria figura da empatia.

Mas nós? Nós não. Nós julgamos as pessoas por relatos. Nós preferimos ter razão. Tripudiar sobre o sofrimento do outro.

E Ele ressuscitou, brilhando pela glória de Seu pai, e nos chamou para fazer coisas maiores, mas nós julgamos. E fazemos textos imensos em nossas redes sociais cheios de ódio.

“A mão do Senhor vai pesar sobre essa geração”, eles escrevem na rede social azul.

Mas eu peço desesperadamente que não. Senhor, não pese sua mão sobre nós.

Eu tento imagina-lo em cima de uma rocha falando sobre amor, e eu me derreto. Choro feito criança. Fico boba. Eu me imagino ao lado da pedra e eu quero ser como Ele, eu quero amar, eu quero ter compaixão, eu quero escrever textos que falem do seu amor.

A justiça de Deus existe. É claro que sim. Mas há em nós alguma justiça ou temos escondido nossas vinganças atrás de passagens soltas das Escrituras?

É mais fácil julgar do que se compadecer. A compaixão produz em nós a pequena grande dor de se importar, e se importar, nos dias de hoje, é uma gota de mirra, um pão quentinho na chapa. Compadecer-se significa parar de olhar para você e sentir o que o outro está sentindo, não o que você acha que ele deveria estar sentindo. Compaixão é uma obrigação cristã, mas nunca uma obrigação religiosa.

Jesus teve compaixão deles e tocou nos olhos deles. Imediatamente eles recuperaram a visão e o seguiram.  Mateus 20:34

Tenho compaixão desta multidão; já faz três dias que eles estão comigo e nada têm para comer. Marcos 8:2

Ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e disse: “Não chore”. Lucas 7:13

Quando Jesus saiu do barco e viu tão grande multidão, teve compaixão deles e curou os seus doentes. Mateus 14:14

Porque hoje é dia do beijo (ou: Sobre se apaixonar por Jesus)

{Para ouvir enquanto lê}

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Hoje é dia do que? Sim, você leu o título e sabe que a resposta é do beijo – embora para mim tenha sido dia de descobrir que estou com dengue e o mistério das minhas dores no corpo ser desvendado (Agatha Christie das doenças tropicais).

A Bíblia é um livro dos mais românticos… E eu não estou falando de Salomão e todos os seus elogios peculiares. O evangelho é, para mim, uma declaração de amor. Mateus, Marcos, Lucas e João escreveram, juntos, uma grande carta sobre se apaixonar.

Você já parou para pensar que esses quatro homens eram apaixonados por Jesus? Calma lá, quero voltar mais um pouco: você já parou para pensar que Jesus era um cara normal nessa época? Ele não tinha filmes, fama, quadros… Ele era apenas um nazareno não caucasiano, queimadinho de sol e dono de palavras justas e doces. E foi necessário que esses homens conhecessem a ele. Foi necessário que esses homens fizessem perguntas bobas sobre o reino e sobre ser grande dentro dele – porque ninguém nunca as tinham feito antes. Foi preciso que esses homens dividissem casa, comida e um barco quase naufragando para que algo dentro de seus corações fizesse click e eles pensassem: caramba, eu amo esse cara.

Se apaixonar por alguém não é um processo rápido. Mateus levou 28 capítulos para nos mostrar isso. Eu aprendi que você vai encontrando pequenas trilhas nas pessoas até encontrar, verdadeiramente, seus corações. Eu imagino Jesus fazendo esse tour pelo interior de Pedro, até achar o coração pulsante aonde a igreja iria se apoiar. Jesus faz isso conosco. Ele desentulha nossas estradas para entender o que é o amor. A cada dia que entendemos mais um pouco, tudo muda. TUDO MUDA. O amor de Jesus me fez mudar minha ideia de amor. E amar a Jesus me fez mais amorosa.

Acredito que quanto mais os discípulos conheciam Jesus, mais eles o amavam. Sabe quando você admira alguém a ponto de, sem perceber, decorar a forma com que ela se move ao redor das outras pessoas? Você sabe como ela ri, sabe como ela conversa, você sabe, até mesmo, que ela se mexe de um lado para o outro quando ela ora. Os discípulos deviam ser assim. Saber o sotaque de Jesus, saber a sua comida preferida, saber como era seu sorriso depois de um milagre.

Um dia ouvi que o amor de Jesus era a única coisa que podia colocar nosso interior no lugar. Eu estava em uma fase blé quando me disseram isso, há alguns anos, e por mais que soubesse que a frase era verdade, não entendia como colocar em prática. Bem, acontece que eu amava a Jesus, mas ele queria me ensinar a amar segundo o seu amor. Não apenas para corresponder a Ele, mas para que eu pudesse amar aos outros com o mesmo amor.

Sabe alguém na Bíblia que eu creio que amava a Jesus com o amor que vem do próprio Jesus? A mulher que lavou os pés do Senhor na casa do fariseu:

 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos de sua cabeça.

Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés.

Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento.

Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.

Lucas 7: 44 – 47

Que passagem incrível! Mesmo com a cabeça latejando – dengue é muito divertido, amigos – eu consigo pintar a reação desta mulher diante das palavras de Jesus. Eu consigo vê-la beijando seus pés. E de passagem em passagem, beijo em beijo, vamos nos tornando cristãos no mais íntimo dessa palavra: amor.

Manhã

Eu acordo cedo, procuro uma música e arrumo os cabelos cantando com você. Minha casa toda está dormindo, as luzes estão desligadas e eu tropeço ao abrir o guarda-roupa cantando com você. E um sorriso cansado e preguiçoso sai da minha boca, porque eu começo a entender que deixei de fazer as coisas somente PARA você, sempre correndo de um lado para o outro, esgotada de tanto tentar… Passei a fazer tudo COM você, qualquer coisa virou uma atividade do Reino, porque você está ali. Mesmo quando eu estou pendurada em um único dedo no ônibus, às 06h45 da manhã, procurando um motivo para não me mudar para uma montanha, ter uma dispensa cheia de cereja e chá de hortelã e nunca mais ver trânsito na vida, mesmo assim você está ali. Eu sei que você está ouvindo meus pensamentos sem pé nem cabeça, eu amo a sensação viva, que rasteja entre minha nuca e entendimento, de saber que você está comigo.  Nós estamos ali, juntos, sem falar nada. Eu vejo a rua do trabalho, espero o ponto em que devo descer COM você e me levanto.


PS: Esse post não faz parte dos textos temáticos do mês, se você está procurando por eles, clique aqui,  aqui e aqui.

O dia que Deus colocou um pano que tremia no meu telhado

{Para ouvir enquanto lê}

Esse post vai crescer e virar um vídeo, que fará parte do novo desafio que o Senhor tem me dado durante esta semana. E eu torço para que ele transforme sua mente como fez comigo. Enquanto o vídeo e o desafio não aparecem por aqui, queria deixar um pedaço da minha noite de ontem.

Eu estava ouvindo uma palavra no Worship U (outra coisa que merece um post!), uma plataforma de escola de adoração ABSOLUTAMENTE INCRÍVEL da Bethel, ministrada pela Christa Black, quando ela e seu esposo nos desafiaram a entrar em uma atmosfera de conexão com Deus. Se vocês conhecem a Bethel sabem que eles são muito intensos e que a maioria das pessoas (incluindo a que vos escreve) que vai atrás de conteúdo deles quer entender esse mover e mais do que isso: sentir esse tipo urgente de evangelho e a presença constante do Espírito de Deus.

Então, assim que a ministração acabou, eu fechei meus olhos estirada na cama, no meio do calor desumano que Goiânia tem conhecido, e pedi que o Senhor falasse comigo. Durante a “lesson”, como as aulas são intituladas no site, Christa pregou que você não precisa retroceder quando o assunto é falar com Deus, você deve sempre retornar na sua MAIOR experiência com Ele e continuar dali. Imediatamente me lembrei de uma das experiências com Deus que mais gosto: um sonho em que eu podia literalmente sentir a presença do espírito e ver ela se transformar em cores e no sol se pondo e pessoas flutuando.

Com as palmas das mãos viradas para cima, mas ainda encostadas no colchão, cantando (baixo porque tenho vizinhos e família e já eram duas da manhã, hehehe) e orando pude ouvir o espírito dizendo que naquela mesma posição em que tantas vezes já havia sofrido opressões, ele iria falar comigo. Opressões-o-quê? Bem, você já sonhou que estava sendo esmagado e não conseguia falar e ao acordar não conseguia se mexer? Isso, amigo, é um tipo de opressão. Eu acordei várias vezes com esses mesmos sintomas, com o adicional (de calda e mais ovomaltine) das frases que pulavam na minha cabeça: Quem você vai chamar? Você não consegue chamar ninguém.

Mas Jesus veio para mudar nossa sorte. Toda ela.

Ele me mostrou um pano branco que tremulava sem vento nenhum, e esse pano se transformou nesse imenso amontoado de tecido, que às vezes ficava quase transparente, cobrindo todo o telhado da minha casa. Tremeluzindo, como se acompanhasse o ritmo de uma fogueira, como se estivesse usando um vento que vinha direto das praias nordestinas desse Brasil-de-meodeos para vibrar acima da minha casa.

– Eu virei sobre toda a sua casa essa noite, por que você invocou meu nome. Sobre todos os cômodos.

Eu tenho orado pela minha casa, minha família, de forma mais intensa durante esses dias e no momento em que o Senhor disse isso eu tive aquela sensação maravilhosa: Ele me escutou. É claro que Ele nos escuta. Todos nós sabemos disso. Entretanto, se descobrirmos como ele ama sempre dizer que seus ouvidos estão inclinados para a terra, esperando que clamemos pela graça do trono, se descobrirmos o quanto podemos chamá-Lo durante o dia, ah, se nos descobrirmos…

Eu gostaria de te incentivar a buscá-Lo hoje. Se você está lendo isso, cara, eu tenho uma novidade para você: se prepare para a atmosfera do impossível. Imagine o cenário mais impossível no qual você poderia se encontrar com Jesus?

ELE É SEU.

Eu já me chateei várias vezes querendo que Deus falasse comigo sobre uma determinada coisa ou outra, ontem eu aprendi que se eu buscá-Lo eu não terei que chorar pelas respostas, porque todas elas vem com o dono delas.

– Se alguém me busca, por que eu não iria me entregar? – Ele me perguntou antes que toda essa experiência começasse, durante a tarde, quando eu ainda estava limpando minha casa (se eu fosse escrever um livro hoje, ele provavelmente se chamaria Chorando com o rodo na mão, hahaha).

Se você tem sentido que deve procurar por Ele, o caminho está aberto. Feche os olhos e imagine Jesus (juro que fica mais fácil!), o cumprimente, segure sua mão, e então escute, veja, sinta, ponha seus pés na experiência do céu. Ela é sua. E se algum pensamento de não merecimento te afligir, se lembre da cruz, toque no sangue que nunca seca sobre sua cabeça. Sempre quente, sempre poderoso.

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Feliz Natal! (Parte 1)

O Natal traz, de alguma forma, o verdadeiro evangelho até nós, que não é aquela conversa acusadora que ouvimos em grande parte dos nossos dias: seja assim, não seja assado (não vale para o chester).

É uma data ótima, mais um desculpa para ouvir Sinatra alto, para comer doces e rasgar papel de presente na sala, mas ela é, especialmente, o dia em que um cara revolucionário nasceu.  Acredito que o verdadeiro evangelho é tão político, quanto espiritual, é tão sentimental, quanto simbólico. Abro os quatro primeiros livros do novo testamento e vejo um homem que se importava com os pobres, que tinha que ajudar pescadores a ter o que comer e que, ainda assim, não pregava dinheiro. Acredito que Jesus nunca pregou pobreza, ou julgou fortuna; Jesus simplesmente falou: cara, você não tem que passar necessidade e amigo, você que é rico, só precisa manter seu coração no lugar certo. A verdade é que milionários e mendigos podem colocar o dinheiro como o centro de suas vidas e Jesus pregava o Reino como início, meio e fim de nossa existência.

E adivinha? Ele ainda prega.

O nascimento de Jesus é incrível, reis do oriente vieram vê-lo, enquanto outro rei tentava matá-lo. Espadas, fugas, grandes presentes e amores incondicionais. Esse é o nascimento que celebro. Meu rei foi seguido por cegos, almoçou com ladrões e sua morte foi chorada por prostitutas. Esse é o meu Natal, esse é o meu evangelho.

Temos uma oportunidade de jogar nossa ideia aguada de religião fora nesse período do ano. Um rei não viria a terra instaurar uma religião, porque isso é pequeno e mesquinho, um rei instaura um REINO, oras. Uma nova maneira de se entender como gente. Estar debaixo de um reino é tão diferente e libertador do que estar debaixo de uma religião… O Natal é isso, dia intergaláctico de gritar: PAREM DE NOS ENGANAR COM ESSAS RELIGIÕES E CERIMÔNIAS, ESSAS ORAÇÕES CONFUSAS, ESSE LERO-LERO. É tempo de entender o “venha nós o teu reino”, porque quando ele vier o “seja feita a tua vontade” vai deixar de ser uma oração, uma bolinha que nós passamos em sequencia de outra e de outra…

Todo final de ano, ajudamos uns aos outros, como a primeira igreja fazia, festejamos, damos e ganhamos presentes, isso deveria ser reino, e eu me pergunto: quando é que tornamos tudo isso religião? Quando é que nos metemos em algum concílio? Quando é que decidimos que lutaríamos guerras que não eram para o reino? No Natal, tudo isso faz menos sentido ainda… Porque pensamos em Jesus em uma manjedoura, rodeado de pastores e anjos que cantavam pelo menino. E é isso que quero ser,  parte de um presépio, quero ser o peixe que levava uma moeda – estáter – na boca, para que Jesus pagasse seus impostos (Leia Mateus 17: 27!), quero ser a adúltera que se jogou aos pés do Rei. Porque me vale muito mais conhecer seus pés, mãos, palavras e vontades, do que me encher de ritos e tradições que nunca me farão ver quem Ele é.

Que Jesus venha de novo e traga o reino como fez da primeira vez. Yeshua, nós te esperamos com corações quentes, como manjedouras cujo feno foi cuidadosamente afofado.

Já dizia Fernando Pessoa: “O mar é a religião da natureza”

{Para ouvir enquanto lê}

Sempre tive uma coisa com o mar.

Talvez seja por que nado tão bem quanto tia-avó e tudo que é maior que a gente encanta tanto que hipnotiza, para o bem ou para o mal. Tenho uma lista de músicas sobre o mar, tenho Camelo gritando na minha cabeça “Nos mares por onde andei, devagar dedicou-se mais o acaso a se escondeeeeeer”, tenho melodias do Sigur Rós que batem dentro de mim como ondas.

Talvez o mar seja o bonito e o feio de mim. Calmaria, dia limpo, vento que bate na vela, água que afoga e mata.

Para mim, todo mundo que se preze é o mar. Jesus era o mar. Não que ele tenha algum pedacinho feio sequer, mas Ele era Ele e o mar não engana ninguém. Não há coisa mais chata do que gente que ilude. O mar não finge temperança em dia de tempestade. Ele é para gente que cresceu, pirata bom é pirata velho.

Quando estou na presença do Espírito preciso ser o Atlântico: correr para Ele sem voz impostada, sem coração cheio de couraça. Se algo não está bem, eu digo. Se estou me sentindo ótima, que bom!  E aí, quando sou exatamente o que sou – sal na boca, ardor nos olhos -, Jesus pode ser quem é comigo.

Podemos gritar, chorar, rir e ficar no canto de casa em silêncio sem medo de nada. Como um oceano menor, me curvo em sua direção, ignorando toda a maré de minhas vontades.

O ministério de Jesus esteve ensopado de água e verdade. Então, eu prendo a respiração e mergulho, expondo quem eu sou, rindo da ideia de algumas pessoas de serem sempre bonança. Há algo em mim que vai ser sempre dilúvio, algo que vai se parecer sempre com a tempestade pintada por William Turner, mas não há medo em minha alma, já diria outra música “se as águas do mar da vida, quiserem te afogar…”.

***

PS: a frase de Pessoa que está no título foi encontrada rabiscada num pedaço de papel, como frase isolada. 

Diário de Bordo: One Pray

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{música para ler este post}

Eu mudei tanto no final de semana que me admira que ainda tenha o mesmo nome. Dois dias e pouquinho se passaram, porém sinto que  foram exatamente dois séculos e treze dias.

O Espírito Santo é lindo!

Bem, o Encontro do One Pray poderia render uns 57 posts (margem de erro? Três posts para mais ou para menos), mas tentarei resumir o que vivi aqui – lembrando que citações esporádicas ao encontro vão acontecer, lidem com isso, hehehe.

Ah, provavelmente este texto ficará imenso, mas se a jornada é pesada e te cansas  da caminhada segura nas mãos de Deus e vai.

O CONTEXTO

Fiz minha inscrição na quarta-feira. Estava chovendo e fiquei perguntando para Deus o que Ele queria de mim. Entrei no banco, quando uma senhora resolveu gritar com o caixa porque ela não havia levado a identidade, e que isso não devia ser cobrado justamente dela que era cliente daquele banco antes que o (pobre) moço que estava a atendendo houvesse nascido.

Gritaria, pessoas. Das pesadas.

Parei de falar com o Espírito e tentei não olhar para a senhora. Você NUNCA pode fazer contato visual com o promotor do barraco, porque, meu bem, ele vai começar a despejar a indignação em você e aí só vão sobrar duas opções:

1 – Concordar com a chorumela dela

ou

2 – Dizer que ela está errada, já que pedir a identidade é um procedimento padrão (minha senhora). Caso você tenha escolhido esta opção, se prepare.

Depois da lengalenga paguei minha inscrição, dobrei o comprovante e coloquei na bolsa me perguntando o quanto pareço com aquela velhinha para Deus, pedindo coisas sem ter identidade… Gritando quando podia conseguir o que preciso simplesmente seguindo as regras do reino…

Sacudi a cabeça.

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O que sobrou da rosinha

Continuei descendo a T-63 em direção ao Mercado do Pedro Ludovico (caso você more em Goiânia ou se importe) até parar em uma floricultura praticamente em frente a tal mercado e a outro banco (esperei o fantasma de outra velhinha louca, mas ele não veio). Comprei uma rosinha para colocar em minha mesa de trabalho, porque estou nas ultimas semanas neste emprego e porque era meu brilhante dia após o pior dia do ano. Achei que fazia algum sentido deixar as coisas com uma cara boa…

Continuei caminhando, sabendo que Cristo é minha esperança da glória e o encontro em Brasília seria minha expectativa dos dias seguintes.

 A VIAGEM E O CHECK IN

Peguei um ônibus às 15h10, antes das sete da noite já estava em Brasília, dentro do taxi do seu Josa (sim, Josa mesmo), um mineiro quase baiano conversando sobre pão de queijo, pamonha e sobre como ele acha engraçado chamar a sede da minha igreja de Embaixada, nome que demos a ela desde que eu me entendo por gente.

Seu Josa tinha um sotaque bom de gente de Minas. Fiquei guardando o que ele falava dentro de mim, e por mais que não parecesse haver nada de sobrenatural no que ele dizia

– Aqui no DF não tem pão de queijo não, tem polvilho e água.

eu ouvi como se fosse necessário que aquela história fosse passada para frente. Talvez fosse culpa do jeito bonitinho que ele falava, cantando, sorrindo… Ou da minha vontade de ver Jesus em todos os lugares. Abri meu caderno na bolsa, anotei algumas coisas para que eu nunca me esquecesse de seu Josa e imaginei quanto de Deus pode caber em um momento besta, em uma reclamação da falta de queijo em um pão de queijo, em uma conversa com gosto mineiro.

Com apertos de mãos dados e a promessa de que se ele viesse a Goiânia eu o levaria para comer a melhor pamonha com linguiça (ensinei que a gente chama de pamonha à moda, hehehe), eu peguei minha mala e entrei na igreja. Foi estranho fazer isso sozinha, sempre vou com alguém da família ou com um grupo de Goiânia. Mas foi um estranho bom, do tipo que a gente tem certeza de que está ali por uma motivação purificada, não se trata de acompanhar a mãe ou de fazer bagunça com os amigos. Estava ali porque… bem, porque queria ouvir de Deus o que só Ele pode falar.

Fiz o check in (foi fácil, meu nome geralmente é o único da lista, hahaha), escrevi um post animado para o blog e fiquei olhando as pessoas com seus violões, alargadores, sneakers, passos de dança e gritaria. Percebi, mais uma vez, como os membros da Sara Nossa Terra são um. Pessoas de Curitiba, de São Paulo e da Candanga são velhos amigos que nunca tiveram a oportunidade de se conhecerem.

Desde menina acho que a Sara Nossa Terra fala a mesma língua no país todo: um idioma de intensidade. Nós nos damos ao Senhor intensamente e a palavra Dele já nos diz que Deus é galardoador dos que o buscam. Temos ótimos bispos, aprendemos bem.

Finalmente chegou a hora de entrar no ônibus e cantar, batucar, conversar. Conheci uma moça chamada Daiany, ela está cursando o último período do instituto e faz parte da galera da música (:

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Check in feito!

 

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Daiany (;

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O ENCONTRO

Ao chegarmos ao encontro fomos bombardeados com o Espírito Santo. O tema desta edição era Adoração, Sacerdócio e a Arca e Deus LITERALMENTE se chocou contra nós. Sem palco, com alguns caixotes, luzes de led e abajures espalhados entre os músicos, nós adoramos. E aprendemos a tratar o Espírito como o bem mais precioso do nosso culto.

Não há como descrever todas as palavras ou ministrações, mas as experiências que o Espírito Santo nos deu foram mais preciosas do que qualquer benção que ele poderia ter preparado. Em nenhum outro lugar era mais fácil sentir a presença de Deus. E por isso, as pessoas dançavam – sim, começavam a fazer passos ensaiados junto com outros, ou simplesmente fechavam os olhos e expressavam a Deus o quão incrível Ele é do jeito que conseguiam: com passos leves, com pulos, com correria, com gritinhos (e gritões), se ajoelhando, chorando, tocando, interpretando.

Em um desses momentos abri meus braços e não tenho certeza de quanto tempo fiquei daquele jeito, até perceber que se eu simplesmente morresse nada iria mudar, eu continuaria com os braços abertos, incrivelmente abertos, sentindo o Espírito bater contra o meu peito. E foi a primeira vez que eu realmente comprei a ideia de Paulo, morrer seria lucro, porque talvez quando eu fechasse meus braços, seria em um abraço. Abraçaria ao Espírito. Abraçaria Jesus.

Nos dois dias tivemos um momento de devocional. Deveríamos estudar Romanos juntamente com mais quatro pessoas. Todos nós leríamos e comentaríamos. Era a primeira atividade da manhã, antes mesmo do café. Sentei com meninas que ainda não tinha conversado e mais uma vez a experiência foi tremenda. Conversamos sobre sentimentos que Deus nos dá, sobre amar o evangelho e as pessoas dentro dele como a intensidade de Jesus na cruz.

Lemos este versículo: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.” e eu quis abraçar e beijar o Espírito. Quis dar um cheiro em Jesus e falar o quão maravilhoso Ele é. Não somos escravos, mas amamos profundamente os laços de amor que nos envolvem e é por isso tudo que tenho vivido a MILHÕES DE LÉGUAS da religião. Amor não pode ser medido em uma reza, no tamanho do seu cabelo, em usar saias assim ou assada, me desculpem, mas o único modo de medir o amor é em Jesus. Meu amor é do tamanho de Jesus, da sua largura. Eu não sou religiosa, mas apaixonada, incrivelmente apaixonada pelo Deus que me entendeu sem nenhuma explicação.

E se esse momento de 30 minutos me fazia querer ouvir as outras pessoas do grupo para sempre, imagine o resto das palavras e dos momentos de louvor?

No tempo livre que tínhamos podíamos fazer oficinas de Música, Dança, Teatro e Cenografia. Fiz uma de música em que aprendemos sobre composição e harmonização. Também no tempo livre, podíamos ir para a piscina, dormir ou ir para a Tenda do Sobrenatural para orar e orar… Não dormi ou fui para a piscina, porque, bem, PORQUE ESSAS COISAS A GENTE FAZ EM CASA, hehehehe.

Outra coisa linda? Não existe equipe de limpeza, todas as equipes se revezam. De manhã a galera do teatro serve a comida e limpa a cozinha,  de tarde pode ser que a equipe de dança esteja lavando as vasilhas e o banheiro do refeitório e assim por diante… Todos limpam, afinal o One Pray não é só um Ministério de Artes é um Ministério de Serviço.

A VOLTA

O final do encontro foi lindo e teve aquela cara de “aaaahhhh” assim que um convidado bom sai do Programa do Jô. Voltamos no ônibus cantando Resgate e Palavrantiga <3, enquanto passávamos por lugares planejados por Niemeyer.

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Para ver mais fotos, acesse o facebook do One Pray – Brasília.

 

O oposto do amor é o medo (ou: O povo de Israel e a sandália da Xuxa)

Fico pensando no povo de Israel no meio do deserto. Sempre tão contentes por um milagre do Senhor, seja nuvem fofa que cobre o sol, maná ou fogo para as noites frias – brinquedos vendidos separadamente, quero dizer: milagres não listados em ordem – mas sempre tão reclamões. Alguns dias depois das maravilhas de Jesus, eles já estavam pressionando Moisés com a tradicional ladainha: mas tu nos tiraste do Egito para…

A) passarmos fome?

B) morrermos de sede?

C) não termos a sandália nova da Xuxa?

[dúvida cruel que corrói meus neurônios agora: a Xuxa ainda lança sandálias de plástico, gente?]

Seria fácil julgar Israel de onde escrevo agora. O clima não está tão insuportável – choveu em Goiânia! – e eu não tenho areia escondida na cabeça para minhas próximas oito gerações. Mas não o faço hoje.

Hoje, mais do que nunca, pareço ser feita do mesmo material do que aquele povo: medo.

Um material perecível, com data de validade – não importa quantos abdominais se faça – e bem do vagabundo (não é por nada não Deus, mas barro?! BRINCADEIRA!), por isso entendo os receios de Israel. Ficar sem comida no meio de um deserto? Morte. Sem água? Morte outra vez. [Sem a sandália da Xuxa? Ok, eu vou parar, mas preciso apenas dizer que segundo minhas fontes secretíssimas AINDA FAZEM SANDÁLIAS DA XUXA. E elas vêm com pochetes: reflitam.]

Sem dedo na cara de ninguém (talvez só no bezerro de ouro que o povo começou a adorar em um desses momentos “Pra Moisés é tudo ou nada?” “Naaada”), Deus tenta me ensinar uma coisa nesta semana: o problema de Israel não foi o medo, mas as murmurações e as atitudes que vieram com elas.

Por que o medo? Puf… Vencer o medo é a especialidade do Espírito. Se a Bíblia diz que o verdadeiro amor lança fora todo medo, e também diz que Deus é amor – e por dedução mais do que lógica o Senhor é o verdadeiro amor – então o amor de Jesus lança fora todo medo (Se A é igual a B e B é igual C, então A épare-com-essa-porcaria-agora).

Sim, o amor de Jesus lança fora todo medo.

Como diria certa personagem que gosto: “O oposto do amor é o medo. O ódio nunca esteve nessa história.”.

E é isso que tento – através de toda a força do mundo, rs – aprender hoje.

Como Israel temeu não alcançar Canaã e ainda morrer no caminho, sei que tememos não conquistar. Tememos o futuro. O que, afinal das contas, vai acontecer… Mas se o medo encontrar o amor de Jesus em meu coração vai ficar tudo bem.

Eu peço a Cristo hoje: me fale com sua voz certeira, calma, porém forte como o som de mil tambores: vai ficar tudo bem. E assim, todo medo vai embora. E assim, eu tomo Israel como meu nome, sem lamúrias, mas com todas as suas promessas.