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Alguns dias, a misericórdia do Eterno parece um beijo de um desconhecido em sua namorada, em um episódio escrito pela Shonda Rhimes (em um em que ela esteja proibida de matar qualquer personagem)

Este é um post com um texto dentro do outro e, por isso, com duas músicas.

Um beijo,

Nat.



{Para ouvir enquanto lê (1)}

É muito fácil odiar a humanidade.

Os motivos são incontáveis.

Todas as semanas milhares de novos motivos aparecem. Milhares de motivos frescos e coerentes.

Eu me lembro de quando trabalhava em uma redação de jornal online de madrugada, cada um desses motivos borbulhavam em mim. Aquele foi um período difícil. Eu odiava noticiar tudo o que escrevia. Eu odiava ligar para a polícia e fazer a “ronda” de todas as coisas horrendas que o ser humano havia conseguido fazer em um único dia. E no outro dia todo o mal começava de novo.

Um dia, quase meia noite, eu recebi a notícia de um estupro terrível na minha caixa de email. Apenas assim. Acima daquele email estava outro email bobo de uma amiga que fiz em um site de conversação em outras línguas. Ela estava me pedindo indicações musicais em português e me perguntando sobre o clima. E bem ali embaixo, bem ali, estava um release da assessoria de comunicação da polícia, explicando que eles haviam acabado de prender um homem que vinha abusando sexualmente de uma menina há anos. Os detalhes. As minucias da crueldade humana.  Eu corri para o banheiro. O jornal não tem quase ninguém durante a madrugada, por isso o barulho dos meus sapatos contra o azulejo soou tão alto quanto um insulto. Eu me tranquei ali, entre a pia e a porta, por uns dez minutos. Tentando não chorar, ou pelo menos tentando não chorar muito.

É incrivelmente fácil odiar a humanidade.

Nesta última semana, o Brasil se perguntou algumas vezes se era possível sentir algo diferente de ódio por toda a nossa raça. Confesso que não tem sido simples. Os jornais mostraram notícias tão terríveis que as pessoas nem tem coragem de transformá-las em conversas banais no elevador ou no ponto de ônibus.

Ninguém ousou dizer “Você viu aquilo no jornal?”. Todo mundo viu e todo mundo estava tão profundamente chocado que até os “bom dia” foram silenciados.

Sempre que algo assim acontece, eu pergunto para Deus como Ele pode nos amar. Como ele pode achar em nós o seu folego depois de termos sido soprados por tanta maldade.

E o texto que vem agora – uma colagem do meu dia-a-dia – é uma resposta ao amor que Deus tem derramado em mim por tudo que está a minha volta e uma carta de amor por Goiânia, que não é o que os jornais dizem. Que não pode ser apenas o que os jornais dizem.

{Para ouvir enquanto lê (2)}

Eu acordo cedo.

E comigo acorda a cidade.

As crianças choram no ônibus. Há tanta vida naqueles pulmões e melodia na cadência do seu choro.

Ainda está muito cedo. Eu cruzo o centro de prédios apertados e vendedores ambulantes. Eles gritam e me oferecem água.

“Dois reais, moça”

“Obrigada”, sorrio.

Por que cada um deles tem um tom de voz desenhado especificamente e unicamente para ele.

E por mais bobo que pareça, sei que o Eterno ama ouvi-lo.

“Olha a águaaa”, o vendedor continua oferecendo. E eu sei que aquilo é poesia para o Senhor. Porque Ele desejou as nossas pregas vocais. Ele nos fez gritando por coisas. Nós ainda gritamos por coisas terrenas, mas Ele espera pelo dia que gritaremos por coisas eternas. Pela única e verdadeira água da vida.

Há trafego e espera na cidade.

Mas as coisas de Deus também pedem por espera.

Há Ipês roxos se abrindo, há sol, há calor que faz uma gotinha de suor desavisada dançar nas costas do menino rindo na porta de casa.

“Deixa eu levar sua sacola”, uma mulher diz para a senhora, enquanto aperta a botoeira e o sinal fecha.

Risadas escandalosas no banheiro da faculdade.

Deus ama o nosso senso de humor.

Gente correndo no fim da tarde, em um parque verdinho. Os seus pés batucam o chão em um ritmo celestial. E eu imagino os anjos dançando break.

Os professores fazem poesias enquanto explicam como uma célula cardíaca é capaz de excitar a outra, e acreditando ou não no Eterno, eles explicam como as coisas Dele são incríveis.

Há um moço na livraria, ele me convida para tomar café e explica porque eu não deveria comprar o livro que queria e deveria comprar o livro que ele estava lendo. Eu rio. Porque Deus adoraria estar ali, no meio daquela discussão, falando sobre escrita, porque Ele é toda a criatividade que existe. Ele é a Shonda Rhimes dos plot twists (sem as mortes dramáticas hahaha).

Eu faço o jantar e bato nos cantos das panelas, tentando acompanhar a minha música. Obviamente, meu molho pula no fogão. E eu posso sentir que o Eterno está ali, dizendo “nós limpamos depois de terminar esse refrão, está quase ficando como eu espero”.

E ele ri de mim no dia seguinte, porque meu colega de apartamento não avisou que a resistência do chuveiro queimou e eu abri a água com tudo em cima da minha cabeça.

“FSDJFHWOHORHEDFAJSDF?!!!!!!”, berro algo que não existe em português, dentro do banheiro. A água estava uma pedra de gelo.

Ele gargalha.

E ri mais ainda quando me vê vendo tutoriais de como arrumar a resistência do chuveiro sem saber direito sequer como abrir um chuveiro.

E um outro dia começa.

E com ele todas as coisas que o Senhor ama sobre a gente. Ele nos diz que vai nos dar uma nova oportunidade. E isso, isso é misericórdia nova e fresca.

E lá vamos nós de novo, cruzando a cidade. Cheia de gente.

Gente que o Eterno ama.

Gente pela qual o Eterno mandou o seu filho.

Crianças rodando seus spinners.

Velhos comprando seus jornais.

Estudantes exaustos dormindo nas cadeiras dos ônibus.

Um moço de camisa roxa beijando sua namorada como se estivesse prestes a ir para o exílio.

O Eterno nos ama.

Não porque somos bons, mas porque nós somos Dele.

E isso, bem, isso faz toda diferença.

Eu, você, um bandeirante (e um cachorro?)

{Para ouvir enquanto lê}

– Eu poderia conversar com você para sempre. – Digo em voz alta, ainda de pijamas, às seis e oito de um domingo. O sol começa a cair e eu me sinto cheia. Boba. – Eu poderia subir nos prédios e gritar o seu nome. Não… Eu poderia subir no Anhanguera, no meio do rush, e gritar que eu te amo…

Sorrio.

– E, mesmo se eu gritasse forte o suficiente para perder a voz, mesmo que eu berrasse tanto que esquecesse as palavras, ainda sim eu te amaria menos do que você me ama. Como isso é possível?!

O sol pinta as nuvens devagar e eu desisto de usar as palavras, porque as declarações Dele estão em todos os lugares. Até no laranja do céu.

Ananhanguera


Leia também:

Sim, capitão



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Michelangelo e o espaço irritante entre Adão e Deus (ou: Até mais, Goiânia, e obrigada pelos peixes)

{Para ouvir enquanto lê}

Esses tempos li em algum lugar que o amor só é possível pelo livre-arbítrio. Mas, calma, vamos segurar isso por mais um tempo e (re)começar esse texto de uma nova forma.

O Recomeço:

Quando meus pais contaram que foram chamados para assumirem um núcleo de nossa igreja em outra cidade, nós estávamos na cozinha. Eu não lembro o que havíamos feito para o jantar, mas lembro da cara dos meus irmãos. Eu ouvi e, sem saber o que dizer, fui terminar de ler alguma coisa no computador.

– O que o Senhor quer, Deus? – Eu continuei me perguntando.

Eu me senti diferente da primeira mudança que fizemos por causa da igreja, eu não estava preocupada com meus amigos, com quem estava deixando por aqui, mas com o que era ou não a vontade de Deus para mim, como indivíduo, e não para mim, como membro da minha família.

Aquilo era o que Deus queria que EU fizesse?

Eu resolvi não contar para ninguém, inicialmente, e passei a orar sobre isso de forma insistente (desculpe, Deus hehe).

No meio das orações, o meu coração se encheu de gratidão por tudo o que o Eterno havia nos dado aqui, em Goiânia, como família, e como ministério pessoal. Eu me senti agradecida por ter aprendido a dividir meus sonhos no Reino – Daniel, te amo, migue -, aprendi a ser resiliente, aprendi a amar a casa de Deus mesmo ficando até às três da madrugada tentando colar adesivos no espelho. Eu me senti extremamente grata pela minha célula e minha liderança, capaz de entender o que meu coração ansiava em Deus e me encher de livros e ministrações que me fizessem compreender o que eu não conseguia. Grata por Deus ter me ajudado a entender quem eu sou Nele. E, principalmente, quem eu não sou e não tenho obrigação de ser.

Gratidão, mas não havia respostas sobre a nova cidade.

Mas em um culto, eu me vi revisando tudo o que Deus havia me falado nos últimos tempos, todas as canções que Ele e eu cantávamos enquanto lavávamos vasilha… E… tcharam, ali estava: “o novo de Deus vem”.

Senti suas mãos perto das minhas.

– Deus, mas o novo pode ser um monte de coisas, não só realmente mudar de cidade – retruquei mentalmente.

– Quantas vezes você cantou/escreveu essas coisas nos últimos meses?

Muitas.

Mesmo.

Eu pensei em ignorar o que estava acontecendo dentro da minha cabeça, mas eu sabia que Deus não estava me deixando fazer algo que não fosse incentivado por Ele. Se esse era o meu medo – o caminho da permissividade de Deus e não o da vontade líquida, linda e perfeita do Senhor – eu não precisava temer.

E é aqui que eu volto para o início do texto:

O livre-arbítrio nos faz livre para escolhermos o nosso caminho terreno. Podemos escolher nossas profissões e nosso estilo de vida e, na maioria das vezes, Deus irá permitir que nos o façamos, mesmo que aquilo não seja O plano que ele construiu para nós. Muitos de nós realmente vive assim. E não há nada de errado/pecaminoso/búuuu com isso, mas sinto que não alcançar o plano completo de Deus em nossas vidas nos faz incompletos de uma forma incômoda, como se você precisasse mudar ou conseguir algo grandioso e não conseguisse tocá-la. Como se vivêssemos no eterno espaço entre o dedo de Adão e o dedo de Deus na pintura de Michelangelo.

Contudo, porque eu tenho o livre-arbítrio, eu posso escolher  ouvi-Lo, e amar a sua vontade. Mesmo quando ela não se parece com os meus planos iniciais. Eu posso amar a igreja mais do que eu pensava que poderia.

E entendendo isso, assim como o maravilhoso e TÃO assustador fato de que Deus tem prazer de ir nos ensinando sua vontade ao longo do caminho e não antes de tudo, eu convido vocês que me acompanham por aqui para mudar de endereço comigo – as caixas da mudança estão em TODO lugar hehe – e de aventura, e aprender a amar o novo de Deus, pois como tudo o que Ele faz será perfeito (e mais fresquinho, já que dizem que a cidade é mais fria do que Goiânia Mil Grau).

Deus não é injusto; ele não se esquecerá do trabalho de vocês e do amor que demonstraram por ele, pois ajudaram os santos e continuam a ajudá-los.
Queremos que cada um de vocês mostre essa mesma prontidão até o fim, para que tenham a plena certeza da esperança,
de modo que vocês não se tornem negligentes, mas imitem aqueles que, por meio da fé e da paciência, recebem a herança prometida.
Hebreus 6:10-12

 

Vamos orar comigo?

Deus, que nós não vivamos algo senão sua perfeita vontade. Confia a nós os seus planos. Leva-nos para o exato lugar em que podemos ser como lamparinas sobre as mesas. Nós te amamos e queremos aprender a te amar tanto – tanto! – que o Senhor pergunte sem pestanejar: Você me ama? Apascenta as minhas ovelhas. Nós oramos no nome do teu filho, Jesus, amém.

 



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Diário de Bordo: One Pray

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{música para ler este post}

Eu mudei tanto no final de semana que me admira que ainda tenha o mesmo nome. Dois dias e pouquinho se passaram, porém sinto que  foram exatamente dois séculos e treze dias.

O Espírito Santo é lindo!

Bem, o Encontro do One Pray poderia render uns 57 posts (margem de erro? Três posts para mais ou para menos), mas tentarei resumir o que vivi aqui – lembrando que citações esporádicas ao encontro vão acontecer, lidem com isso, hehehe.

Ah, provavelmente este texto ficará imenso, mas se a jornada é pesada e te cansas  da caminhada segura nas mãos de Deus e vai.

O CONTEXTO

Fiz minha inscrição na quarta-feira. Estava chovendo e fiquei perguntando para Deus o que Ele queria de mim. Entrei no banco, quando uma senhora resolveu gritar com o caixa porque ela não havia levado a identidade, e que isso não devia ser cobrado justamente dela que era cliente daquele banco antes que o (pobre) moço que estava a atendendo houvesse nascido.

Gritaria, pessoas. Das pesadas.

Parei de falar com o Espírito e tentei não olhar para a senhora. Você NUNCA pode fazer contato visual com o promotor do barraco, porque, meu bem, ele vai começar a despejar a indignação em você e aí só vão sobrar duas opções:

1 – Concordar com a chorumela dela

ou

2 – Dizer que ela está errada, já que pedir a identidade é um procedimento padrão (minha senhora). Caso você tenha escolhido esta opção, se prepare.

Depois da lengalenga paguei minha inscrição, dobrei o comprovante e coloquei na bolsa me perguntando o quanto pareço com aquela velhinha para Deus, pedindo coisas sem ter identidade… Gritando quando podia conseguir o que preciso simplesmente seguindo as regras do reino…

Sacudi a cabeça.

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O que sobrou da rosinha

Continuei descendo a T-63 em direção ao Mercado do Pedro Ludovico (caso você more em Goiânia ou se importe) até parar em uma floricultura praticamente em frente a tal mercado e a outro banco (esperei o fantasma de outra velhinha louca, mas ele não veio). Comprei uma rosinha para colocar em minha mesa de trabalho, porque estou nas ultimas semanas neste emprego e porque era meu brilhante dia após o pior dia do ano. Achei que fazia algum sentido deixar as coisas com uma cara boa…

Continuei caminhando, sabendo que Cristo é minha esperança da glória e o encontro em Brasília seria minha expectativa dos dias seguintes.

 A VIAGEM E O CHECK IN

Peguei um ônibus às 15h10, antes das sete da noite já estava em Brasília, dentro do taxi do seu Josa (sim, Josa mesmo), um mineiro quase baiano conversando sobre pão de queijo, pamonha e sobre como ele acha engraçado chamar a sede da minha igreja de Embaixada, nome que demos a ela desde que eu me entendo por gente.

Seu Josa tinha um sotaque bom de gente de Minas. Fiquei guardando o que ele falava dentro de mim, e por mais que não parecesse haver nada de sobrenatural no que ele dizia

– Aqui no DF não tem pão de queijo não, tem polvilho e água.

eu ouvi como se fosse necessário que aquela história fosse passada para frente. Talvez fosse culpa do jeito bonitinho que ele falava, cantando, sorrindo… Ou da minha vontade de ver Jesus em todos os lugares. Abri meu caderno na bolsa, anotei algumas coisas para que eu nunca me esquecesse de seu Josa e imaginei quanto de Deus pode caber em um momento besta, em uma reclamação da falta de queijo em um pão de queijo, em uma conversa com gosto mineiro.

Com apertos de mãos dados e a promessa de que se ele viesse a Goiânia eu o levaria para comer a melhor pamonha com linguiça (ensinei que a gente chama de pamonha à moda, hehehe), eu peguei minha mala e entrei na igreja. Foi estranho fazer isso sozinha, sempre vou com alguém da família ou com um grupo de Goiânia. Mas foi um estranho bom, do tipo que a gente tem certeza de que está ali por uma motivação purificada, não se trata de acompanhar a mãe ou de fazer bagunça com os amigos. Estava ali porque… bem, porque queria ouvir de Deus o que só Ele pode falar.

Fiz o check in (foi fácil, meu nome geralmente é o único da lista, hahaha), escrevi um post animado para o blog e fiquei olhando as pessoas com seus violões, alargadores, sneakers, passos de dança e gritaria. Percebi, mais uma vez, como os membros da Sara Nossa Terra são um. Pessoas de Curitiba, de São Paulo e da Candanga são velhos amigos que nunca tiveram a oportunidade de se conhecerem.

Desde menina acho que a Sara Nossa Terra fala a mesma língua no país todo: um idioma de intensidade. Nós nos damos ao Senhor intensamente e a palavra Dele já nos diz que Deus é galardoador dos que o buscam. Temos ótimos bispos, aprendemos bem.

Finalmente chegou a hora de entrar no ônibus e cantar, batucar, conversar. Conheci uma moça chamada Daiany, ela está cursando o último período do instituto e faz parte da galera da música (:

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Check in feito!

 

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Daiany (;

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O ENCONTRO

Ao chegarmos ao encontro fomos bombardeados com o Espírito Santo. O tema desta edição era Adoração, Sacerdócio e a Arca e Deus LITERALMENTE se chocou contra nós. Sem palco, com alguns caixotes, luzes de led e abajures espalhados entre os músicos, nós adoramos. E aprendemos a tratar o Espírito como o bem mais precioso do nosso culto.

Não há como descrever todas as palavras ou ministrações, mas as experiências que o Espírito Santo nos deu foram mais preciosas do que qualquer benção que ele poderia ter preparado. Em nenhum outro lugar era mais fácil sentir a presença de Deus. E por isso, as pessoas dançavam – sim, começavam a fazer passos ensaiados junto com outros, ou simplesmente fechavam os olhos e expressavam a Deus o quão incrível Ele é do jeito que conseguiam: com passos leves, com pulos, com correria, com gritinhos (e gritões), se ajoelhando, chorando, tocando, interpretando.

Em um desses momentos abri meus braços e não tenho certeza de quanto tempo fiquei daquele jeito, até perceber que se eu simplesmente morresse nada iria mudar, eu continuaria com os braços abertos, incrivelmente abertos, sentindo o Espírito bater contra o meu peito. E foi a primeira vez que eu realmente comprei a ideia de Paulo, morrer seria lucro, porque talvez quando eu fechasse meus braços, seria em um abraço. Abraçaria ao Espírito. Abraçaria Jesus.

Nos dois dias tivemos um momento de devocional. Deveríamos estudar Romanos juntamente com mais quatro pessoas. Todos nós leríamos e comentaríamos. Era a primeira atividade da manhã, antes mesmo do café. Sentei com meninas que ainda não tinha conversado e mais uma vez a experiência foi tremenda. Conversamos sobre sentimentos que Deus nos dá, sobre amar o evangelho e as pessoas dentro dele como a intensidade de Jesus na cruz.

Lemos este versículo: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.” e eu quis abraçar e beijar o Espírito. Quis dar um cheiro em Jesus e falar o quão maravilhoso Ele é. Não somos escravos, mas amamos profundamente os laços de amor que nos envolvem e é por isso tudo que tenho vivido a MILHÕES DE LÉGUAS da religião. Amor não pode ser medido em uma reza, no tamanho do seu cabelo, em usar saias assim ou assada, me desculpem, mas o único modo de medir o amor é em Jesus. Meu amor é do tamanho de Jesus, da sua largura. Eu não sou religiosa, mas apaixonada, incrivelmente apaixonada pelo Deus que me entendeu sem nenhuma explicação.

E se esse momento de 30 minutos me fazia querer ouvir as outras pessoas do grupo para sempre, imagine o resto das palavras e dos momentos de louvor?

No tempo livre que tínhamos podíamos fazer oficinas de Música, Dança, Teatro e Cenografia. Fiz uma de música em que aprendemos sobre composição e harmonização. Também no tempo livre, podíamos ir para a piscina, dormir ou ir para a Tenda do Sobrenatural para orar e orar… Não dormi ou fui para a piscina, porque, bem, PORQUE ESSAS COISAS A GENTE FAZ EM CASA, hehehehe.

Outra coisa linda? Não existe equipe de limpeza, todas as equipes se revezam. De manhã a galera do teatro serve a comida e limpa a cozinha,  de tarde pode ser que a equipe de dança esteja lavando as vasilhas e o banheiro do refeitório e assim por diante… Todos limpam, afinal o One Pray não é só um Ministério de Artes é um Ministério de Serviço.

A VOLTA

O final do encontro foi lindo e teve aquela cara de “aaaahhhh” assim que um convidado bom sai do Programa do Jô. Voltamos no ônibus cantando Resgate e Palavrantiga <3, enquanto passávamos por lugares planejados por Niemeyer.

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Para ver mais fotos, acesse o facebook do One Pray – Brasília.

 

Deus , o Senhor, por acaso, está no Centro?

{Para ouvir enquanto lê}

Para os dias que a gente sente saudades de Deus pelos menores motivos e faz drama, bico de menino mesmo, e fica pedindo dentro do coração, baixinho, mas alto: deixa eu te achar, Deus. Para esses dias: Salmos e uma câmera. Salmos para o coração e a câmera para imaginar lugares onde o Senhor pode ter se metido…

Ó Deus, tu és o meu Deus,
eu te busco intensamente;
a minha alma tem sede de ti!
Todo o meu ser anseia por ti,
numa terra seca, exausta e sem água. Quero contemplar-te no santuário
e avistar o teu poder e a tua glória. O teu amor é melhor do que a vida!
Por isso os meus lábios te exaltarão. Enquanto eu viver te bendirei,
e em teu nome levantarei as minhas mãos. A minha alma ficará satisfeita
como quando tem rico banquete;
com lábios jubilosos a minha boca te louvará. Quando me deito, lembro-me de ti;
penso em ti durante as vigílias da noite. Porque és a minha ajuda,
canto de alegria à sombra das tuas asas. A minha alma apega-se a ti;
a tua mão direita me sustém.                                        Salmos 63:1-8

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Imaginei que o Senhor estivesse ali: segurando a mão daquele homem, no Centro da cidade
E depois desceu a rua da vidraçaria e continuou andando...
E depois desceu a rua da vidraçaria e continuou andando…
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E aí, ficou de pé sob o prédio pronto para mergulhar e nos cobrir com graça e um ventinho gelado

O oposto do amor é o medo (ou: O povo de Israel e a sandália da Xuxa)

Fico pensando no povo de Israel no meio do deserto. Sempre tão contentes por um milagre do Senhor, seja nuvem fofa que cobre o sol, maná ou fogo para as noites frias – brinquedos vendidos separadamente, quero dizer: milagres não listados em ordem – mas sempre tão reclamões. Alguns dias depois das maravilhas de Jesus, eles já estavam pressionando Moisés com a tradicional ladainha: mas tu nos tiraste do Egito para…

A) passarmos fome?

B) morrermos de sede?

C) não termos a sandália nova da Xuxa?

[dúvida cruel que corrói meus neurônios agora: a Xuxa ainda lança sandálias de plástico, gente?]

Seria fácil julgar Israel de onde escrevo agora. O clima não está tão insuportável – choveu em Goiânia! – e eu não tenho areia escondida na cabeça para minhas próximas oito gerações. Mas não o faço hoje.

Hoje, mais do que nunca, pareço ser feita do mesmo material do que aquele povo: medo.

Um material perecível, com data de validade – não importa quantos abdominais se faça – e bem do vagabundo (não é por nada não Deus, mas barro?! BRINCADEIRA!), por isso entendo os receios de Israel. Ficar sem comida no meio de um deserto? Morte. Sem água? Morte outra vez. [Sem a sandália da Xuxa? Ok, eu vou parar, mas preciso apenas dizer que segundo minhas fontes secretíssimas AINDA FAZEM SANDÁLIAS DA XUXA. E elas vêm com pochetes: reflitam.]

Sem dedo na cara de ninguém (talvez só no bezerro de ouro que o povo começou a adorar em um desses momentos “Pra Moisés é tudo ou nada?” “Naaada”), Deus tenta me ensinar uma coisa nesta semana: o problema de Israel não foi o medo, mas as murmurações e as atitudes que vieram com elas.

Por que o medo? Puf… Vencer o medo é a especialidade do Espírito. Se a Bíblia diz que o verdadeiro amor lança fora todo medo, e também diz que Deus é amor – e por dedução mais do que lógica o Senhor é o verdadeiro amor – então o amor de Jesus lança fora todo medo (Se A é igual a B e B é igual C, então A épare-com-essa-porcaria-agora).

Sim, o amor de Jesus lança fora todo medo.

Como diria certa personagem que gosto: “O oposto do amor é o medo. O ódio nunca esteve nessa história.”.

E é isso que tento – através de toda a força do mundo, rs – aprender hoje.

Como Israel temeu não alcançar Canaã e ainda morrer no caminho, sei que tememos não conquistar. Tememos o futuro. O que, afinal das contas, vai acontecer… Mas se o medo encontrar o amor de Jesus em meu coração vai ficar tudo bem.

Eu peço a Cristo hoje: me fale com sua voz certeira, calma, porém forte como o som de mil tambores: vai ficar tudo bem. E assim, todo medo vai embora. E assim, eu tomo Israel como meu nome, sem lamúrias, mas com todas as suas promessas.