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Não largue o rodo ainda (ou: Paulo e meus pés vacilantes)

{Para ouvir enquanto lê}

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Quando nós atravessamos o Jordão para nos limpar, dá vontade de desistir algumas milhares de vezes. Mas olhe para o alvo e continue.

Sempre que eu duvido que exista um final para a minha faxina interna (O Deus que limpa é o nosso assunto do mês, leia os textos 1,2 e 3), e meus pés começam a ter medo de dar um próximo passo, eu encontro esperança nas palavras de Paulo, em suas cartas aos Coríntios. Corinto era uma igreja difícil – cheia de orgulho, contenda entre doutrinas e pecado -, mas depois de algumas boas broncas, Paulo sempre encorajava os cristãos daquele lugar a permanecerem firmes.

Estejam vigilantes, mantenham-se firmes na fé, sejam homens de coragem, sejam fortes.
1 Coríntios 16:13

Sempre que leio o verso acima, imagino ele sendo dito em uma espécie de saudação, onde um líder grita: “sejam firmes, corajosos e fortes!” e, então, um “urra” seguido de espadas em riste fecha a história em alto som. Não se parece em nada com a realidade física de Paulo – que estava com papel na mão, escrevendo uma carta e desejando ter uma caneta Bic para facilitar aquele processo -, mas, quem sabe minha imaginação não se assemelhe com o espírito do apóstolo? Quando somos animados pela palavra de Deus, nossos espíritos se enchem de fôlego e vinho novo, estamos prontos para urrar e levantar nossas espadas novamente para, enfim, chegarmos ao outro lado do Jordão, terminando nossa faxina.

Este texto é só uma lembrança para você que decidiu começar a sua limpeza neste mês: fique firme. Não importa se é embaraçoso, dolorido, se te faz acordar às 4 da manhã e chorar sobre sua Bíblia como se fosse necessário regá-la todos os dias.

Eu quero apertar suas mãos, olhar bem nos seus olhos (se sinta encarado pela sua tela do computador hehehe), e gritar: sejam firmes, corajosos e fortes!

Ouçam as músicas abaixo (ambas legendadas) e as tomem como oração.


PS: enquanto vocês leem este post agendado, eu estou ao lado do Rio Araguaia, por isso, se eu não respondi o email de alguém esta semana, eu estou voltando jázinho com um tanto de amor de vó para responder e desejar força para todos. Já posso dizer que amo todos? Um ano e pouco de blog permite? hehehe! Beijos goianos procês ❤

[Faltam 5 dias para o Natal]

Mentiras sinceras não andam me interessando não

{Para ouvir enquanto lê}

Por aqui, eu continuo escrevendo sobre o tema deste mês – O Deus que limpa – enquanto não consigo terminar um capítulo de uma outra história com espadas, mas sem dragões… Se você leu os outros posts (o primeiro está aqui e o segundo aqui) sabe que tenho comparado a limpeza de Deus com nossa boa (?) e velha faxina. Hoje, eu gostaria de compartilhar algumas verdades não tão verdadeiras que foram removidas assim que os móveis foram voltando para os seus lugares dentro de mim.

Eu comecei a pensar sobre isso deitada, encarando minha lâmpada, que pisca de tempo em tempo mesmo apagada, como aquele último reflexo do peixe que você pescou há alguns minutos; estava ouvindo algumas palavras no WorshipU (sei que tenho falado muito sobre, mas não dá para evitar), genuinamente impressionada com o conhecimento de Deus que aquelas pessoas possuem, quando a Christa Black (de novo a lindja da Christa Black) faz um desafio:

– Pergunte a Deus coisas que não são verdades sobre a sua vida e sobre Ele mesmo.

Bem, antes um pedacinho de contexto sobre a palavra maravilhosa que estava ouvindo… Christa estava falando sobre como muitas vezes algumas ideias erradas sobre o evangelho e sobre Deus se tornam tão arraigadas em nós que até mesmo a nossa leitura da Bíblia fica prejudicada. Com essas sentenças em mente e com o desafio lançado, eu perguntei para Deus o que eu tinha entendido errado e, infelizmente, cristalizado em mim. Pois bem, Deus não me respondeu naquele dia, eu não diria que foi totalmente culpa Dele hahaha, porque eu terminei de ouvir a lição, desliguei o computador, comecei a orar e dormi entre a parte do “me sonda” e “me faz ver”.

Nos dias seguintes, não dei muita atenção ao assunto, gravei o vídeo do primeiro episódio da TV Hilário e comecei um tema novo no blog. Assim que Deus foi me dando os assuntos para os posts e eu fui fazendo meu checklist mental, Ele me jogou de uma vez um tema:

– As mentiras que vão embora quando a limpeza vai acabando.

Bum. Eu lembrei da Christa. Na hora veio aquele sentimento de gratidão que só quem gosta de ser ouvido (qualquer um na terra) entende.

– Você dorme, mas eu não.

Ok, Deus, foi sem querer.

E aí eu comecei a juntar dali e daqui os assuntos que vou colocar neste texto. Algumas mentiras você pode ler e pensar: como é que essa menina achava isso, pela barba de Abrãao?! Eu ia responder com a frase tradicional do meu pai – “cada um no seu cada qual” -, mas nem vou, ao contrário, vou relembrar que escrevo por aqui para você entender que não existem obviedades na vida (vai falar que você já não pensou que o computador do seu trabalho estava queimado e meu-Deus-e-agora-tudo-tá-ali, mas lembrou de apertar o cabo de trás e ele ligou? hehe).

Pois bem, vou enumerando e explicando, então, porque minhas mentiras sinceras não andam me interessando mais (Cazuza, é só intertextualidade, relaxa):

1 – Eu nunca vou conseguir sair dessa situação.

Resposta: 

A gente fala que Deus é poderoso e grande e majestoso, mas vez ou outra bate aquela coisa: ah, não tem jeito, é assim mesmo…

Nos dias de limpeza, Deus me mostrou que Ele é gigante e esperarmos Nele trás não só a saída para a nossa situação/crise/pecado, mas alimenta nossa fé e nos faz conhecê-Lo profundamente. Junto com essa mentira, veio uma nova verdade: Deus é muito muito grande e age por suas regras já pré-estabelecidas, então, antes de assumir uma posição de desânimo, eu devo procurar como devo me portar naquela situação, quais são as leis de Deus para aquele momento. Confissão? Jejum? Oração? Buscar mais conhecimento? A Bíblia é o grande manual de como encontrarmos essas respostas e termos um líder ou um irmão próximo na igreja pode ajudar bastante, porque talvez ele saiba exatamente a passagem em que você precisa se basear nesses dias.

Algumas situações são mais difíceis, nos levam a bater e não só a pedir e buscar, mas não diminua o tamanho de Deus, porque isso só te distancia da solução. E não se engane, nós diminuímos o poder do que Ele pode fazer todas as vezes que aceitamos uma realidade horrível na nossa vida só porque “ah, é assim mesmo, não dá para mudar”.

O Bispo Rodovalho tem um livro chamado Batalha Espiritual bem no seu início ele recria uma cena do céu, colocando imagens da Bíblias em linguagem de romance, mostrando os anjos que teriam acesso ao trono e gente… NÃO DÁ PARA SE CANSAR DE LER AQUILO. É muito rapidinho, ele logo começa o estudo, mas a leitura daquelas poucas páginas de um ficção celestial já nos dá uma ideia de QUÃO GIGANTE E PODEROSO é Deus. Dá até um frio na espinha, como diria minha vó bonitinha. A gente está acostumado com a normalidade da vida, mas Deus opera em outro nível… Eu fico imaginando Ele no trono, toda a hierarquia celestial funcionando, a noção de tempo completamente inexistente… Como nós podemos achar que nossa situação, que não é sequer do tamanho de um planeta, possa ser um assunto que não faz parte da abrangência de Deus?!

2 – Eu sou uma pessoa difícil quando o assunto é me relacionar com gente muito diferente de mim

Resposta: 

Troféu bobeira-mor vai para quem, amigos? Para mim.

– Não, você não é difícil, só é muito medrosa.

Se você acha que Jesus é só gracinha nesse blog, puufff… Ele me dá umas respostas, às vezes, que me deixam sem saber o que falar depois… Geralmente tento quebrar o gelo – bom dia aí, Altíssimo, tá de parabéns com esse bom humor de hoje -, e em seguida peço mais explicações. É uma boa receita, 65% de chance de dar tudo certo e Ele continuar a falar (hahaha).

– Por que você acha que gosta daquela igreja barulhenta? Da equipe que tem bumbo? De olhar os meninos loucos para o batismo acabar para poder pular na piscina? – Ele continuava me perguntando.

Completude. Porque todas elas me complementam.

– Graças a mim mesmo, começamos a trabalhar agora, Natânia.

E aí, lá foi uma pessoa que só teve uma matéria de psicoanálise/psicologia na faculdade ~~estudar~~ a Teoria das Personalidades. Porque é assim que eu funciono, não tem jeito, preciso ler alguma coisa, ouvir alguma coisa, para terminar de montá-la em minha mente. E não é que a tal da teoria – não vou nem correr o risco de explicar direitinho, se você quiser um resumo resumido leia aqui – me mostrou como os complementos da vida são bonitos e difíceis e bonitos de novo?! (No meio da minha busca pelo tópico achei uma psicóloga cristã, Kedma Nascimento, falando sobre os tipos psicológicos e os relacionando ao casamento, eu não conheço o programa, mas recomendo o episódio se você quiser alguém explicando os tipos de forma didática).

Mas é claro que não foi apenas a teoria a responsável por mudar a minha mente de uma hora para a outra, toda a limpeza que Deus fez me mostrou o quanto eu deixaria de crescer se ficasse na minha eterna zona de conforto, cheia de pessoas iguais a mim, e mais: o quanto eu queria essa diferença.

Às vezes, nós tomamos decisões e moldamos nossa mente por causa do medo do outro, mas o evangelho é tão maravilhoso que nos mostra que nosso mundo não pode caber dentro da gente mesmo, ele precisa se esticar até envolver o outro, que, por sua vez, vai se esticar e envolver você.

Deus sempre me traz a memória um amigo muito diferente de mim, mas por causa do tempo de convivência e da vontade de que a amizade permanecesse, nós aprendemos a combinar nossos tipos. E, gente, é muito engraçado. No final das contas, entender que o outro é diferente, mas que CALMA NÃO CRIEMOS PÂNICO, PAROU DE SURTAR AGORA, é bom demais da conta (goianidade).

Essa mentira sincera precisou de limpeza, de Deus mostrando as coisinhas antigas – “isso aqui oh foi besteira, tal pessoa é ótima, vai dar tudo certo, para de achar que tudo vai sempre dar tão errado” -, de um pouco de pesquisa e de uma decisão: não quero mais essa antiga verdade para mim não, obrigada.

03 – Segundas chances? Acho que não.

Resposta: 

No meio deste ano eu fiquei obcecada com as histórias sobre segundas chances que aparecem na Bíblia. Eu queria escrever um post enorme sobre isso, mas não dava para ser romântica sobre um assunto que eu não carregava com verdade no meu coração. Esperei.

– Eu tenho pânico mortal de tudo que não funciona da primeira vez, Deus.

– Jesus foi o plano B.

– Deus, Jesus é ótimo, mas como eu devo colocar isso em prática? Eu devo simplesmente fingir que eu não estraguei tudo da primeira vez? Devo insistir?

– Jesus não fingiu, ele consertou.

– Deus?

Eu queria falar que segundas chances doíam, mas não dava para dizer isso para alguém que entregou o filho para morrer… É claro que, às vezes, elas doíam!

– Eu não me arrependo um só segundo da segunda chance que eu dei para vocês.

Falar disso com Deus, para mim, tem um tom diferente de falar disso com Jesus. Tratar disso com o Filho é sempre correr e se jogar nos braços Dele e chorar e olhar para as mãos Dele e agradecer e me derramar… Falar disso com Deus é lidar com um cara que fez uma to do list durante anos para entregar o próprio filho para morrer, a Bíblia faz metáforas do cordeiro imaculado bem antes que todo o sangue de Jesus se esvaísse, ou que Ele tivesse nascido.

Deus não somente aceitou dar uma segunda chance para as mesmas pessoas, Ele PLANEJOU  todo o processo da nova tentativa de nos devolver ao plano original.

Como não remover essa mentira cristalizada de mim, se a minha dívida é maior do que qualquer uma que eu venha a perdoar ou ser perdoada (maioria dos casos, né, minha gente) nessa vida terrena?

Segunda chance? Vamos lá.

04 – Todas as frases feitas devem ser verdade: Músico na igreja dá trabalho, as pessoas não estão interessadas mais, trabalhar com esse tipo de gente só funciona assim ou assado

Resposta: 

Esse tópico serve para todas as mentiras generalistas que eu tinha em mim sobre o ministério baseado em opiniões alheias que a gente vai ouvindo durante a vida…

2633696209_THIS_IS_A_LIE_answer_1_xlargeUm exemplo de como elas não tem pé nem cabeça? Como eu posso acreditar que músico SÓ dá trabalho? Isso para mim sempre soava ridículo, mas, às vezes, eu me via voltando para lá, por que eu ouvi isso quando eu era menina e (inserir uma história chata aqui).

Eu sabia que não podia acreditar naquilo por um monte de razões, como: há pouca coisa nessa vida que eu gosto mais do que música, porque música é minha forma mais fácil de entrar na presença de Deus, porque eu absolutamente amo ficar tocando BEM MAL no meu quarto e conversando com Deus (eu já até postei os resultados aqui), porque eu tenho zilhões de músicas espalhadas no computador, porque os Beatles estão me olhando quando vou dormir do seu quadrinho, porque uma das coisas que eu mais queria nesta vida era ir para o college da Bethel, porque eu não realizo nenhuma atividade diária sem fone (exceto as vitais), porque eu achava o banda Koinonya a melhor coisa de todos os tempos quando era menor, porque eu passo as madrugadas ouvindo como os compositores das grandes igrejas criam canções, porque eu queria uma semana em cada pedacinho de New Orleans ouvindo gaita, porque Clair de Lune é a melhor coisa já inventada.

Ufa.

A cada célula que o Espírito se choca contra mim enquanto adoramos eu sei que essas generalizações são balela (estou vintage).

Se você tem ouvido que todo mundo na sua família não conseguiu ir muito além do que isso ou aquilo no ministério, que jovem não pode ajudar muito porque não tem constância, que os adultos não querem saber mais disso, que há jeitos de servir a Deus que são mais importantes do que outros, reflita sobre essas verdades que parecem naturais para o nosso inconsciente coletivo protestante (eeewwww) e deixe que a limpeza de Deus acabe com elas.

E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.
João 8:32

Vamos orar?

Senhor, eu coloco em Sua presença todos aqueles que decidiram limpar seus corações neste mês. Eu sou muito grata, porque o Senhor se importa conosco e destrói nossos problemas! Venha sobre o Seu povo, Eterno, destruindo todos as mentiras que nós cultivamos como verdade, Deus mude a nossa mente para que enxerguemos a SUA verdade, ilumine nosso interior com a novidade de Cristo. Assim como a Christa orou, eu faço agora: mostre para os Seus filhos as ideias que eles precisam renovar. Nós te amamos e agradecemos, em nome de Jesus, amém.

Levantando as mesinhas de centro e tapetes (ou: Batalhas secretas)

{para ouvir enquanto lê}

Continuando o tema do mês – Deus Limpa – como expliquei neste post, quero seguir com a analogia da faxina que usei de exemplo no primeiro texto sobre o assunto. Se você decidiu limpar – e usar as leggins feias – é hora do próximo passo: colocar as coisas para cima.

Você já reparou que toda faxina, para quem não está realmente ajudando, parece uma bagunça? Você entra na casa e voilà: tem cadeira em cima do sofá, tapete embrulhado e água em tudo. No início nada parece arrumado, mas faz parte do processo tirar as coisas do lugar para deixar tudo limpinho. Quando a gente começa mexer dentro da gente não é muito diferente não, tirar tudo do lugar parece pior no início, mas acredite vai chegar a hora de colocar os móveis de volta. Não caia na besteira de parar porque você se sente incomodado.

Porque jogar água e não limpar ao redor da mobília? Bem, porque limpar ao redor não vai te transformar. Se você só mantiver ok o que já está ok em você, nada irá mudar muito. Sabe aquele espacinho que o rodo desliza perfeitamente entre a parede e o sofá, como um anel do seu tamanho? Bem, aquele pedacinho não tem problemas, mas, talvez, em baixo do sofá não esteja assim tudo bom tudo bem.

Existem dois tipos de mobília da qual desejo falar hoje: mesinhas de centro (1) e tapetes (2), ou: suas experiências (1) e pecados (2):

1 – Daquela dor na lombar de carregar a mesinha de centro (ou: retire você mesmo do caminho)

Bem, quando nós começamos a limpar nós nos deparamos com perguntas que parecem sem respostas, como “porque eu sempre faço isso? sinto isso? porque eu estou sempre lidando com isso? lutando contra isso?”. A maioria das vezes a pergunta não se originou de um pecado, mas sim em como você se dá com você, em quais as experiências você se meteu (ou foi metido) durante a vida.

Durante muito tempo eu achei que as pessoas deveriam parar de culpar coisas passadas e só viverem suas vidas. Se você falasse a palavra “interior” para mim, eu podia te bater, pelo menos mentalmente. Eu vi algumas pessoas pirarem com o tópico cura interior nas igrejas e passarem suas vidas em função daquilo, não como ministério não, mas com choradeiras e culpando pessoas por estarem onde estão. Eu não queria fazer parte desse tipo de mimimi, então “não encha o saco e lide com isso” seria minha estampa de camiseta invisível favorita.

Deus tem me mostrado que tem como resolvermos nosso interior sem fazer com que a vida gire em torno disso. Eu ainda acredito que pensar que sua vida está assim ou assado por causa dos outros tem prazo de validade – talvez vença quando você complete 16 anos hehe -, mas sei que se não pararmos para nos analisarmos nós ficamos, muitas vezes, estagnados, ou pior: quando uma oportunidade de crescer –  em todas as nossas áreas – chega, nós a rejeitamos.

Então… não tem como, pegar a mesinha de centro é necessário. E nesse pegar a mesinha de centro deixar que Deus faça o trabalho pesado. Muitas vezes nós nos sentimos tão desajustados que nos vemos fazendo promessas surreais para Deus, como: eu vou me esforçar tanto para ser assim ou assado na igreja… Quando você deixa Deus tirar o pó da mesa, você está entendendo que não há esforço para se tornar um cristão *perfeito* que seja maior do que ser amada por Ele. E o Senhor vai te ajudar a lidar com o inlidável em você. E não vai ser aquela coisa cheia de acusações e culpas, Ele vai filtrar tudo, te fazer olhar para as situações como Ele olha e te mostrar que refazer pessoas é fácil para quem tem a fórmula original delas.

Bem, falando assim parece pseudo-poético, mas na prática, é mais choro e limpa móveis mesmo. Não é tão legal e talvez suas costas fiquem meio cansadas (caso sua mesinha de centro seja tão pesada como a minha, sério não sei no que as pessoas aqui de casa estavam pensando quando compraram aquilo #CadêHulk). Contudo, não dê para trás.

A maioria dessa jornada sobre nós mesmos, a gente, geralmente, passa sozinho. Se você se sente aberto para passar com alguém, que bom! Mas eu já conheci muitas pessoas que não se sentiam, ou depois de um tempo se apoiavam em alguém. Essas batalhas secretas que você trava no seu quarto parecem não dar em nada muitas vezes, mas coloque seu coração em Deus através de uma música – sempre recomendo os espontâneos da Bethel! -, através de pregações, mandando emails para desconhecidos que escrevem blogs (eu tenho respondido só com um dia de atraso, minha gente), não desista. Reconstruir nosso caráter, nossos pensamentos, nossa maneira de nos referirmos a nós, nossos sonhos, nossa esperança, não são coisas que fazemos daqui para ali. Permaneça.

Como eu sei que eu preciso limpar minha mesinha de centro? Bem, eu já tive uma colega que me perguntou isso e foi na introdução de um livro, que nem lembro o título direito, que eu achei a resposta. Quem escrevia o livro era um pastor norte-americano contando que, algumas vezes, as pessoas iam a igreja com uma vontade genuína de servir a Deus e permanecer naquele lugar, mas alguma coisa simplesmente não estava certa com aquelas pessoas, elas sempre pareciam não estarem completas. Minha experiência se encaixou com exatidão e eu expliquei mais ou menos assim para ela: Deus supostamente devia se encaixar com exatidão no buraco do nosso coração, se ainda resta espaço a gente aumentou isso de alguma forma com nossos desajustes emocionais ou maus hábitos ou declarações torpes sobre tudo ou, ou, ou, ou…

2 – Debaixo do tapete tem?… (ou: o pecado pecadinho pecadão isso não)

Quando a mesinha sai e o tapete também há aquele pó que fica em baixo de tudo deixando nossa vida cristã com renite alérgica: pecado. Além das nossas confusões, a faxina sempre tropeça em nossos pecados, aqueles que cometemos de vez em quando ou aqueles que são recorrentes.

Uma coisa que eu aprendi com a Christa Black (ela é incrível, e uma das minhas pessoas favoritas durante minhas batalhas secretas, você deveria ler o blog dela, e o livro dela e as músicas dela!) é que o melhor jeito de vencer o pecado é receber o amor de Deus. Faz sentido para você? Fez muito sentido para mim, eu aprendi diariamente que Deus não pode me amar mais do que ele já me ama, então se eu estou agindo como eu devo agir ou se eu estou no pior dia cometendo os mesmos erros Ele não consegue me amar de forma diferente. Ele não quer me amar diferente. Quando você lida com culpa (minha versão da história) é muito difícil não se tornar a louca das atividades extra-curriculares que tem medo de contar para as pessoas o quanto você erra. Mas Deus não te vê de forma diferente.

Eu me lembro de nos momentos mais loucos e errados da minha existência ligar o chuveiro e ouvir Deus me falando que Ele – quem mais me via – ainda estava lá. E eu chorei tanto quanto eu podia debaixo d´água.

Então quando achei alguém que falava a minha língua – Christa Maravilhosa Black – eu consegui entender perfeitamente que o amor de Jesus vence tudo, inclusive o pecado. O versículo de João – ” Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” – pulou diante de mim. Se Ele nos ama nos nossos piores momentos, eu O amo e é por causa desse amor que os mandamentos Dele se tornam doces e é para não perder nenhum pedacinho dessa doçura que Ele quebra o clico de pecado em mim.

Como não se apaixonar por um Deus que te ama com amor eterno quando você está errado? Que quer te fazer ficar certo e que pagou um preço sozinho por isso? Que no final quer te ajudar quando você entra em um ciclo vicioso?!

Se estão te vendendo um Deus que quer te castigar cruelmente pelo seu pecado, não é bem sobre esse cara que eu escrevo. Mas, se também estão te vendendo um Deus que não vê pecado em nada e está ok com tudo, mais uma vez: não é bem sobre esse cara que eu escrevo. Eu escrevo sobre um Deus que não muda, que nos explicou o que é certo e errado há séculos e séculos atrás e que está disposto a nos transformar em cristozinhos, mesmo que tenhamos a impaciência de Pedro, a falta de fé de Tomé, a visão errada sobre Jesus de Saulo, as pedradas de Maria.

Por que esta moolher está feliz limpando sem orr?
Por que esta moolher está feliz limpando sem orr?

PS: a música de hoje é, de novo, da Daniela Andrade – não consigo parar de ouvir todas! -, visite o canal dela 🙂

PS 2: Você pode me encontrar para conversarmos sobre tudo (incluir séries aqui) através do email nataniacarvalho@gmail.com, mas se achar que essa-menina-não-responde-nossa-já-passou-12-horas, você pode falar comigo por aqui ô:

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[Faltam 16 dias para o Natal]

Você precisa colocar sua calça leggin feia para fazer faxina

{Para ouvir enquanto lê}

Algumas coisas, por mais que a gente tente explicar para a pessoa mais íntima, simplesmente não são explicáveis. E eu começo assim, tentando te colocar no meio dessas “algumas coisas”, encarando George Harrison no meu quadro que quebrou o cantinho de forma também inexplicável. “Como eu posso escrever sobre as maiores mudanças da minha vida?”, eu me pergunto, ou pergunto para o George. Bem, vou começar com a verdade que eu aprendi com elas: Deus limpa.

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No entanto, esse fato está intrinsecamente ligado com outro, que estou prestes a dizer: ser limpo é uma decisão sua e ninguém pode começar a faxinar nada a não ser que você diga “ok, vou colocar a roupa da limpeza e nós vamos fazer isso”.

Eu sou uma pessoa bagunçada por natureza. Eu tenho quilos de papel (sério, se tivesse uma competição na cidade – ou no meu bairro, porque não vamos diminuir a doidura alheia – eu ganharia), tenho quilos de cadernos, quilos de roupa na minha cama que eu experimentei para sair e não gostei. Mas isso se resolve com uma boa tomada de vergonha na cara naquele dia da semana que você simplesmente diz: caramba, traz a água sanitária que eu vou jogar em tudo hoje (menos na roupa, amigos, porque nunca aprendi a fazer tai dai). Porém, quando se tratava da minha própria bagunça interior, raramente eu tirava um dia para pensar sobre o que fazer, e não, faxina nem cruzava minha mente.  Porque, afinal, a gente não pode tirar um dia para se resolver, mas pode tirar alguns para esfregar os rejuntes do banheiro.

Isso é uma receita para a confusão-mor, mas ninguém nunca realmente havia me falado o quão ruim pode se tornar quando nós não entendemos o quão nosso interior é importante.

– Como assim ninguém te falou? Ficar limpo não é basicamente a proposta do novo testamento?

Bem, é. Mas tem uma linha fininha entre ser limpo do pecado e simplesmente ser limpo das suas confusões e seus problemas que não são tecnicamente pecados, mas te impedem de ser feliz.

Mas hoje eu não estou aqui para falar dessas confusões, mas para tratar do primeiro principio da limpeza divina (e não é alvejante), eu o chamo gentilmente de: Você precisa colocar sua calça leggin feia para fazer faxina. Isto é: você precisa descobrir que precisa limpar, desejar limpar e parar de não me toques.

A gente vai recebendo um monte de sinais (odeio essa palavra, mais alguém? kkk) da vida de que alguma coisa tem que ser feita. Por exemplo? Se o seu problema é perto do miocárdio (não quero usar a palavra coração/emoções, porque isso aqui não é aqueles programas de rádio da meia noite né, minha gente), preste atenção se você não começa a afastar as pessoas, terminar amizades e qualquer coisa desse tipo. Se sim (eu sei é uma droga), talvez a raiz disso tudo pode estar em uma sujeira mal limpa em baixo do tapete. Mas nem só de miocárdio vive esse blog, os sinais se arrastam para todas as áreas da nossa vida e você precisa entender quando é hora de parar tudo e cuidar dos seus assuntos, porque, amigos, ninguém vai fazer isso por você.

Em abril do ano passado, um sinal gritante de que eu devia achar minhas leggins feias  quase lambia meu nariz de tão perto. E aí, no meio de tantas perguntas – e a clássica: “O que tem de errado comigo, Deus?!” – eu comecei a entender que realmente podia ter algo errado comigo.

– Você tem duas soluções – eu disse para mim mesmo – pirar ou tentar resolver isso.

Mas sou eu né, amigos, eu pirei tentando resolver isso. Até o momento que Deus começou a me lembrar de coisas de 13 anos atrás e minha reação foi a coisa mais chega-pra-lá que pode haver nessa terra:

– Cê tá de brincadeira que nós vamos descer essa rua né, Deus?

Era ali que estava o que eu precisava limpar.

Não, eu não estou falando para você agir que nem um louco regredindo na sua vida (eeww, não faça isso!), só estou te contando que minha bagunça tinha 13 anos e ca-ram-ba que preguiça de mim mesmo quando eu olhava pra lá.

Alguns meses depois (slow learner?) eu estava pronta e disse com todas as letras: eu. quero. ser. limpa.

Deus entrou com o rodo e eu entrei com o balde.

Tudo o que você precisa fazer hoje é ser muito, muito mais rápido do que eu (seja!) e perguntar para Deus o que é que tem feito você rejeitar sua felicidade? O que tem te deixado com medo de aceitar a proposta de Jesus para uma tarde (muitas) de faxina?

Quando eu demoro a responder um pedido de Deus que só irá me trazer bem, eu sempre me lembro de faraó e a história das dez pragas do Egito, quando Moisés pergunta a ele quando a praga da vez deve ser retirada e ele responde amanhã. SIM, ELE RESPONDE AMANHÃ.

O faraó mandou chamar Moisés e Arão e disse: “Orem ao Senhor para que ele tire estas rãs de mim e do meu povo; então deixarei o povo ir e oferecer sacrifícios ao Senhor”.

Moisés disse ao faraó: “Tua é a honra de dizer-me quando devo orar por ti, por teus conselheiros e por teu povo, para que tu e tuas casas fiquem livres das rãs e sobrem apenas as que estão no rio”.

“Amanhã”, disse o faraó.

Êxodo 8: 8-10

Se eu tivesse um monte de rá em cima de mim, mas olha não tinha amanhã nada era AGORA MESMO MOISÉS. Mas é bonito acusar os personagens bíblicos já mortinhos da Silva quando nós tomamos atitudes muito semelhantes a eles. Talvez você não tenha um sapo ao lado da sua cama, mas tem o mesmo problema há anos (eu sei é uma droga 2). Talvez a tristeza sem pé nem cabeça seja sua rã, sua desmotivação pelo futuro, seu problema de relacionamento, sua falta de fé de que você vai crescer profissionalmente. Talvez antigos acontecimentos tristes ainda te machuquem diariamente. Mas o evangelho é cheio de boas novas e eu estou aqui para te dar a certeza de que se você orar a Deus agora, vestir sua roupa da faxina e não desistir no meio do caminho (sem lanche no meio da limpeza), você vai poder chegar do outro lado e dizer para os outros: o meu Deus limpa e eu sei porque eu fui limpo.

Eu quero orar por você hoje:

Amado Pai, o Senhor é aquele que nos mostra o que ainda não parece com o Seu reino dentro de nós. Eu oro para que todos aqueles que estão buscando por essas respostas possam alcançá-las. Eu sei que o Senhor limpa, meu Deus, e que essa certeza atinja o coração daqueles que aceitaram e confessaram que, a partir de hoje, vão entrar em um processo de limpeza de seus corações e mentes. A Sua palavra fala que o Senhor termina o que começa em nossas vidas e nós cremos nisso. Que o Espírito, o único que convence, encha aqueles que ainda não foram capazes de deixarem que a mudança comece. Deus, nós agradecemos porque o Senhor não se preocupa somente em limpar nossos pecados, mas quer nos deixar livre de todas as coisas que nos mantém longe da nossa felicidade. Eu os abençoo para não perderem ninguém durante o processo, Jesus, eu os abençoo para serem abraçados pela Sua fidelidade todos os dias. Em seu nome oramos, amém.

[Faltam 20 dias para o Natal]