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3 anos depois: a quarta coisa favorita de V.

Este não é um texto que costumo publicar no blog, mas o V. nunca foi uma pessoa comum.


{V., para você ouvir enquanto lê}

Eu me apaixono pela história das pessoas. Talvez tenha sido essa uma das razões de ter feito meu primeiro curso. Mas eu não gosto das redações e das mesmas notícias de sempre. Eu gosto de guardar histórias e isso, amigos, não é um emprego em jornalismo.

Apesar de tudo, eu me lembrei de uma das minhas melhores experiências em jornalismo lendo um email hoje.

“Espero que você ainda tenha o mesmo email. Já faz algum tempo”

E todo o conteúdo da prova de histologia sumiu da minha frente. Eu saí correndo da biblioteca, coração no peito, batendo rápido, puxei o ar com força, me empurrando pela catraca. Sentei no chão, encarando um grafite roxo na parede. Não sabia se devia esperar para ler mais um pedacinho daquele email. Eu me lembrei da obsessão dele por limão e ri. Sozinha. No meio do campus. Feito um ponto sentada entre prédios altos e cercados de árvores.



Bem, você terá que fazer uma pausa neste texto e baixar outro para conhecer o dono do email que recebi. Na verdade, o prazer é totalmente seu, porque V. é uma pessoa incrível e me deixou escrever sobre ele em 2013:

As três coisas favoritas de um gigolô não pervertido



“Às vezes eu leio sua história sobre mim para saber que eu fiz alguma coisa no mundo”- o email continuava me costurando.

Eu segurei o choro. Juro que como não fazia há eras – glaciais. Mas agora, V., agora eu posso dizer tudo o que queria gritar para você mais cedo: escrever coisas tão pequenas sobre você me faz entender que eu existo no mundo, aquela ideia do ponto de novo, localizo meus dedos que escrevem para você. E aí parece que respiro. E existo. Porque você existe. Porque milhões de pessoas feito a gente insistem em respirar todos os dias. Nós nos levantamos. Sempre. Você me fez mais parecida com o que eu queria ser dentro de mim. Faz sentido? Espero que sim.

Em tempos de tanta gente brigando por nada, seu email é um refresco de verdades. Eu vou continuar torcendo por você. Aquecendo suas memórias. Esperando pelo dia que o sorvete da Egma estará em um copinho na nossa mão e guardanapos. Você já fez sim alguma coisa nesse mundo, meu amigo, deixe o mundo fazer alguma coisa por você em troca! Repito o que te escrevi no dia 06 de Fevereiro de 2013:

V., por me ensinar mais do que consegui escrever em meu relato acanhado, cheio de pequenos preconceitos velados ou não: obrigada. Aprendi que ter o número do celular preto e não do branco, fazer silêncio e saber o nome real das pessoas é mais bonito do que gaita. Obrigada por me deixar publicar a história, boa sorte em São Paulo. Que a nova cidade traga amor, daqueles que começam com “você vem sempre por aqui?”. Mas eu só estou sendo preconceituosa de novo, ou li contos de fadas demais… Que os romances russos nos curem. Aliás, que a gente fique forte o bastante para curarmos a nós mesmos.

Com amor,

Nat. 

 


PS: A quarta coisa favorita não é uma coisa e isso me deixa incrivelmente feliz. V., que o universo trabalhe por você e pela Heloísa. E de tempos em tempos me deixe escrever sobre você, ok? Assim a gente se certifica de que estamos vivos.