O seu rugido é minha canção favorita

{Para ouvir enquanto lê}

“Você não sabe o meu tamanho. Não há como você me mensurar. A sua mente não consegue. Você continua me colocando em pequenos espaços, esperando que eu faça pequenas coisas. Mover montanhas de um lado para o outro é pouco. Você não sabe o meu tamanho. ”

Enquanto Ele falava, cordas caiam de um leão que parecia estar atado. E o leão crescia. Crescia. Crescia. Sua juba se tornou selvagem, seus olhos brilhantes, havia vida, vida violenta, em cada um de seus pelos.

Ele continuou:

“Você não entende ainda. Eu sou pai, mas não sou apenas pai. Eu sou o Leão da Tribo de Judá. E as cordas do seu entendimento nunca poderão me segurar. ”

O leão rugiu e tudo pareceu incrivelmente minúsculo perto do som de sua voz.

 

 “E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos.”

Apocalipse 5:5



Leia também:

Eu preparo o chá que iremos tomar em nossa nova casa, Deus, quando finalmente o meu espírito vir o Seu

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Omelete (ou: Eu queria ser um escorredor para que as costas do Eterno se apoiassem em mim)

{Para ouvir enquanto lê}

Eu abro os olhos, e com a voz rouca, mal mal audível, tateando pela cama a procura dos óculos – eu tirei os óculos, certo? Será que eu dormi com eles?! Não, não, eles estão aqui, do meu lado -, encosto os pés no chão de madeira, passo os dedos pelas minhas costas, respiro em voz alta:

– Bom dia, Deus.

E Ele está ali. Todas as manhãs.

Fazemos café juntos.

–  Hoje acordei na hora, vai dar tempo de fazer omelete. – Explico a Ele.

Sentamos nós dois na mesinha da cozinha da minha avó – onde eu fico durante a semana. Só há uma cadeira de ferro, mas ele traz um banquinho do céu. Brilhante como Ele.

Eu corto os ovos. Nós mastigamos.

il_570xN.874872859_3i2xE tudo parece sincronizado. Eu falo. Ele responde. Eu faço silêncio. Ele cantarola. Eu lavo as vasilhas do café, Ele espera ao lado da pia. Suas costas ali, quase tocando o escorredor. E eu penso: que escorredor sortudo. E, antes que eu termine de pensar, Ele ri, porque sabe que eu espero pelo dia que os seus dedos vão me alcançar e eu sentirei.

Agora em parte. Mas, no futuro, conhecerei a Ele como também sou conhecido.

E nesses dias, em que o café da manhã parece uma propaganda oficial do céu que está por vir, eu desejo, do fundo de mim, que eu nunca o entristeça.

 

 

 

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face;
1 Coríntios 13:12

 

Do meu quarto. Do meu desafino. (3)

Algumas vezes, eu pergunto para Deus como era o coração de John Wesley. Eu passo os olhos pela sua biografia e me impressiono com o fogo que irradiava por sua pele e queimava seus ossos. “Eu me coloco em chamas, e o povo vem para me ver queimar”.

Como eu posso queimar de forma incontrolável? De forma que nunca mais tenha volta? Eu perguntei ao Senhor enquanto a letra da música abaixo ia sendo desenhada. A resposta é simples, mas, como tudo no evangelho, ela exige tudo de você.

E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo.
Hebreus 1:7

É preciso ser ministro.

Um dentista ministro. Um diácono ministro. Um economista ministro.

E foi assim que este Do meu quarto. Do meu desafino. perdeu todo o meu quarto e ganhou John Wesley.

 



Este projeto não é sobre cantar bem, claramente. Mas é sobre dizer coisas para Ele. Se você tem uma canção que está amando cantar para Ele, me mande (nataniacarvalho@gmail.com), vamos dividir nossos corações e sermos parte uns dos outros ❤


Leia também:

Do meu quarto. Do meu desafino. (1)

 Do meu quarto. Do meu desafino. (2)

Quem?

{Para ouvir enquanto lê}

Nada pode nos prender. Eu fecho os olhos com força. Respiro. Nada pode nos prender. Nem as paredes dos ônibus. Nem os livros desinteressantes sobre genes recessivos. Nada pode nos prender. Mesmo quando nossas mãos parecem atadas e os pés não vão para frente ou para trás. Andaremos em verdadeira liberdade, pois temos buscado os teus preceitos. Nada pode nos prender. Nem a vontade congelante de chorar. Nem a adrenalina pulsante que nos faz correr. Porque nossos espíritos são maiores do que as camas em que nossos corpos deitam, encarando o teto. Porque somos mais duros do que as pedras que acertam nossas carnes. Permanecemos firmes e não nos deixamos submeter novamente a um jugo de escravidão. Nada pode nos prender.  Nem o dinheiro que eles inventaram, nem a falta dele. Nós somos pequenas abelhas que saem pelas beiradas das janelas. Nós voamos pelas correntes de ar. Ele nos enviou para proclamar liberdade aos presos. Proclamadores. Vozes dispersas no deserto, batendo contra as areias geladas, chocando-se contra o mundo. Nada pode nos prender. Nós vamos passar pelas frestas. Nada pode nos prender. Somos a dúvida: onda ou partícula? Nada pode nos prender. Porque quem pode prender quem já morreu pra si?

 

 

 

E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.
Romanos 5:5

Não, obrigada

{Para ouvir enquanto lê}

Eu não estou interessado em um evangelho que mede saias, não muito obrigada. Mas também não estou interessada em um evangelho que não custa nada, porque, bem, ele não é real. Eu não quero inventar uma Bíblia que fala apenas o que eu quero ouvir, não obrigada. Eu não estou interessada em um avivamento apenas de chapação. Se não for para impedir uma mulher de apanhar, não me chamem. Eu não quero saber das suas intervenções militares e das suas ordens para o progresso. Eu quero falar dos ferrados das ruas, não me chamem para comícios de políticos que apoiam as armas que vão mata-los. Eu quero ver as salas de aulas, as varas de justiça, os laboratórios e seus tubos de ensaio, os hospitais e as esquinas cheias Dele. Eu quero ser o ombro das putas e quero ser seu pior inimigo quando você chamar qualquer uma delas desta forma; eu quero os motoristas de ônibus e os desembargadores, não eu não quero os santos e os cheios de si. Eu quero os impuros, como eu, os marcados, como eu, os que lutam com a própria cabeça todos os dias. O meu tempo, agora, está longe das conferências de relacionamento cristão, eu estou dentro da solitude de mim, lutando com coisas diferentes do que esperar. Coisas como o abuso que milhares de garotinhas sofrem por dia, garotinhas que como eu vão precisar de tempo para engolir a bola de pelo que foi enfiada em suas goelas a baixo. Eu quero aquele que julga e tem coragem de pedir ajuda, não quero quem finge não julgar. Eu quero os que se machucam e choram, porque dói, dói pra caramba levantar da cama alguns dias. Se você me chamar para sorrir e falar da moral deste mundo, me perdoe, eu precisarei inventar uma desculpa para não ir. Porque você pede pelo reino dos céus, mas, na verdade, quer a vigência dos princípios deste mundo que não te chocam. Eu fui feita para o silêncio, mas não se engane, eu não fui feita para ficar quieta. Eu não caibo dentro de quatro paredes. Eu sou a minha voz, que grita nas segundas-feiras pelas minhas mulheres machucadas, eu sou o texto que fica na internet enquanto o apocalipse não varrer tudo. Eu sou a revolução em um ponto de ônibus quando falo sobre eternidade e não sobre religião. Eu sou o que a crença banal não conseguiu conter: a igreja. Totalmente sem rejuntes. Eu não estou interessada em conversas pseudoespirituais que escodem comportamentos, não obrigada. Eu quero o feio, o sujo, o doente. Porque se eu, a pessoa mais universalmente perdida, um dia fui achada, qualquer um pode ser.

Qualquer

 um

pode

ser.

A verdade é Jesus e a gente não precisa enfeitá-la. Ser santo como Ele é. Amar como Ele amou. Perdoar como Ele perdoou. Entregar-se como Ele se entregou. E se entrega. Diariamente. Eu não estou interessado em um evangelho que fale sobre outra coisa a não ser sobre Ele.

Se não for sobre Jesus, não me chamem, muito obrigada.

 

 




PS 1: Este texto não tem a intenção de ofender ninguém, mas tem. Porque enquanto focarmos aapenas em nós mesmos e em nossas picuinhas crentes, o mundo roda o mesmo. O avivamento não é apenas para a nossa igreja física, mas é também para ela… E recebereis poder para. PARA. PARA. O poder sempre vem PARA um propósito , totalmente voltado para uma missão, SUA MISSÃO. Como você está usando o poder que recebeu hoje? Eu espero que você esteja transformando o mundo que te envolve, porque se não está, não minta para você mesmo, alguém está. Israel, marche pelo mundo e tome a terra que o Senhor já te ofereceu como herança. Saia curando, levando a salvação, dando razões para que a criminalidade diminua, para que as mulheres não sejam vítimas em seus lares, para que as crianças possam conhecê-Lo e amá-Lo antes mesmo que seus dentes de leite caiam. Israel, por favor, faça alguma coisa!

PS 2:  Um beijo para todos – para mantermos um nível de amorzinho no post hehe    ( :




Esquema de sempre: você pode me encontrar através do meu email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou do meu Instagram =D

Cinco talvez e um único parágrafo

{Para ouvir enquanto lê}

Talvez estejamos falando e escrevendo sobre muitas coisas, mas nenhuma delas mora em nós. Somos pautas de jornais. Passageiros e dispensáveis. Conversa de esquina. Prosa do bar do Seu João. Talvez a gente devesse dizer menos. Talvez no silêncio haja palavras maiores do que as ditas no barulho. Ou não. Talvez eu esteja errada. Talvez seja apenas Banks demais…

Armadura (ou: Um texto sincerão)

{Para ouvir enquanto lê}

– Às vezes, eu tenho dificuldade de ser filha.  – Digo para Ele, assim que entro no meu quarto.

Largo o sapato entre o banheiro e minha estante, piso no chão – ele está congelaante – e sinto a cabeça rodar. Entre as coisas que eu preciso fazer. As coisas que eu gostaria de fazer. Coisas. Todo tipo de coisa.

O dia todo está estranho. Levantei ao contrário. Peguei o caminho errado de ontem para hoje. Qualquer dessas expressões que você preferir, por mim, está bem.

Eu abro a boca para falar com Ele, mas tudo sai esquisito.

– Às vezes, eu tenho dificuldade de te pedir as coisas. Porque eu estou tão acostumada a correr atrás delas. Tão acostumada com o peso dos meus braços e das minhas costas…

É só como a vida é, nada é fácil – minha cabeça já interrompe a minha oração.

Chris está cantando. Eu me sento no meio do quarto. Agarro uma blusa de frio e abraço minha bíblia.

Nós voltamos a ficar em silêncio.

Flock of birds
Hovering above
Just a flock of birds
That’s how you think of love

– Eu me pergunto, milhares de vezes, como é simplesmente não acordar exausta…

– Você ama a Amora? – Deus me pergunta e eu fico bem confusa.

– Deus, o que meu cachorro tem a ver com isso?

– Você ama a Amora?

– Com todo o meu coração.

– Ela sabe que você a ama?

– Não sei. – Sorrio tossindo, uma gripe que não me deixa.

– Você acha que ela tem dúvidas de que você vai dar comida para ela? Você acha que ela tem dúvidas de que quando você chegar vai deitar no chão enquanto ela corre para pular sobre você? Ela não se pergunta nenhuma dessas coisas. Porque ela sabe que você vai fazer todas essas coisas. Ela sabe que você

– a ama – completo a frase Dele.

– Você não me pede as coisas porque não sabe se eu vou te entregá-las.

Engoli em seco.

– Eu vou sempre deitar no chão quando você chegar em casa. Eu te amo.

Cubro meu rosto com a blusa de frio. E Ele me mostra uma armadura. A armadura que tenho imaginado a semana inteira, enquanto leio um livro de rainhas e sangue. E, de repente, eu estou sem ela. E me sinto tão vulnerável que tenho vontade de rir. É como fazer um exame com uma daquelas camisolas de hospital.

– Eu não sou como nenhum deles. Eu sou Javé, eu sou o seu Jah! Está tudo bem – sinto seus olhos chorarem, eles sempre choram quando eu me lembro da cena que me deu uma armadura para a vida – eu posso ser sua armadura.

E ele gruda em mim. E me vê por dentro. E não tem medo de quem eu sou.

– Filha?

– Hmm?

– Pega outra blusa, você está tossindo.

 

 

Ele te cobre com suas plumas, e debaixo de suas poderosas asas te refugias; sua fidelidade é escudo e armadura.

Salmos 91:4

Qual é o limite do humor, Eterno? (ou: Quando a quase trindade tem piadas de pavê bíblicas)

 

{Para ouvir enquanto lê}

Um pequeno silêncio, da espessura de uma folha de papel branca, pousa sobre nós.

– Oi.

Ele sorri.

– Talvez eu esteja encrencada. Bem encrencada, Eterno. Isso volta para minha cabeça a cada uma hora ou menos.

– Quarenta e dois minutos.

– Deus, para de rir, é sério.

– Você é tão séria, que é engraçado…

– “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas”

– “Eu dormia, mas o meu coração velava; e eis a voz do meu amado que está batendo: abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite.” – Ele joga outra passagem da Bíblia em mim, eu titubeio.

– Não faço o tipo Salomão.

– Faltam 40 minutos… – Ele é implicante.

– Ai, Deus, tem dias que vou te contar… Traz o Espírito, porque Ele é menos piadista.

– Será? – O Espírito ressoa sobre o meu quarto gelado de sacadas escancaradas.

– Eu desisto de vocês hoje. Vamos voltar a conversar quando vocês tiverem mais maturidade.

– “Acharam-me os guardas, que rondavam pela cidade; eu lhes perguntei: Vistes aquele a quem ama a minha alma? “- Eles riem.

– Sério?! Sério mesmo?!

Rimos.

Pequenos milagres que aquecem

{Para ouvir enquanto lê}

Eu ainda estou de boca aberta, olhando para a tela do computador, escutando minha música favorita sem piscar…

“Que droga… Esqueci a chave”, foi a última coisa que pensei antes de entrar no ônibus, atravessar a BR, desmaiar de sono e chegar em casa. Eu estava disposta a sentar na calçada por algumas horas até que alguém chegasse. Iria pegar meu caderno e tentar resolver uma longa e aterrorizante lista de bioestatística e torcer para não ser encontrada morta por um mísero papel cheio de contas sem respostas.

Eu sequer pedi ao Eterno que algo fosse feito. Eu apenas suspirei dentro de mim.

E eu cheguei. Dei boa tarde ao motorista. Desci. Tudo isso sem lembrar do portão nem uma vez. Era um caso praticamente perdido. Passei tudo o que tinha que fazer no dia pela cabeça. Percebi que havia chovido por aqui. Me perguntei porque diabos havia uma palha de aço no meio da calçada. E o portão? O portão não fazia parte das minhas pequenas perguntas internas, que se resumiam ao dilema homem x sono x trabalho para fazer.

Atravessei a rua e dei de cara com meu portão. Antes que eu me sentasse no chão, eu a vi: uma pequena frestinha de luz. Meu coração parou. A primeira opção foi achar que alguém havia entrado na minha casa, depois mandar uma mensagem para minha mãe perguntando se ela havia deixado o portão aberto ( ela me respondeu com um singelo “tá doida, menina?”), até que eu tivesse coragem para empurrar o pedaço de ferro com trava.

Minha casa estava inteira. E aí, bem aí, meus olhos se encheram de água. Porque eu me lembrei de quando era criança e pedi a Ele que abrisse meu portão, que emperrara e nós iríamos nos atrasar. Sem mais nem menos, ele abriu. E eu estava ali, milhões de anos mais velha, com um novo portão aberto.

Eu nem queria me mexer, porque O sentia tão perto que a qualquer momento eu poderia sentir seu cheiro.

– Jesus, você tem cheiro? – Pergunto rindo, quebrando o momento.

Ele não respondeu, mas O percebia ali. Rodeando tudo ao meu redor. E eu só queria que Ele tivesse mãos, pés e tronco para abraçá-Lo pelo resto do dia.

Ele, que conhece todos os segredos das minhas chaves e todos os segredos do meu coração. Só Ele.



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