Quinta-feira

Eu me encolho no canto da biblioteca. Não há ninguém ao meu redor. Ainda não são oito da manhã e metade das minhas coisas já deram errado.

E eu? Temo o futuro. Por mais que pregue para minha própria alma, eu estou apavorada. E não consigo pensar nos lírios ou nos pássaros que não semeiam, mas são cuidados por você, Eterno. Eu só encaro aquela pilha gigante de livros e tenho medo.

Lembro de quando tinha 8 anos e o futuro parecia incrível. E canto por dentro que o meu futuro é você. Ele precisa ser você. O meu futuro não é esta faculdade. Nem a outra. O meu futuro não é escrever o que sempre quis. O meu futuro não está em nenhuma dessas coisas, o meu futuro é. O meu futuro tem nome: Eu sou.

O medo não some como veio. Mas eu paro de tremer sobre o livro de Genética e respiro fundo. Porque o próximo segundo já é o futuro e você ainda vai estar aqui. Assim como nos trilhões de próximos segundos da minha vida: você ainda estará aqui.

Anúncios

Se eu pudesse escrever um capítulo de Cantares hoje, ele seria assim (ou: Desculpa, Salomão, eu não sei escrever como você)

{Para ouvir enquanto lê}


 

Eu passo o dia todo expulsando você da minha cabeça.

Eu preciso estudar.

Eu preciso terminar aquela coisa ali.

E estudar de novo.

Tentar correr em paz.

No entanto, você volta.

Volta.

Como uma ideia invasiva.

Você volta.

E eu odeio.

Mas eu sorrio.

Ontem eu tentei dormir para não pensar mais.

“Vai passar com uma noite de sono”.

Eu sonhei.

Com você.

Porque até com os cílios pregados nas olheiras eu ainda deixo você escapulir do meu controle.

Controle?




Esse texto não tem intenção de adicionar nada a Bíblia, o título é só uma brincadeira da pessoa que te escreve, um pouco derretida hoje.



Esquema de sempre: você pode me encontrar através do meu email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou do meu Instagram =D

Jesus na Subway?

Este não é um texto cheio de revelações e coisas inesperadas. Ele é calmo e rotineiro, como a maior parte dos meus últimos dias, e, ao mesmo tempo, novo, como uma música que acabo de compor e não me lembro direito das estrofes e isso me deixa maluca. Simplesmente maluca.


{Para ouvir enquanto lê}

Eu imagino Jesus entrando na Subway. Não em uma Subway randômica, mas exatamente na que estou. Quem sabe em todas as Subways de todo o planeta ao mesmo tempo, inclusive na que eu encosto os cotovelos na mesa? O fato é que imagino Ele caminhando pelas portas transparentes, enquanto eu estou ali, comendo cookie às 01h23 da madrugada.

Ele vem devagar, arrastando suas roupas e sua calma no chão. E eu estou absorta nos seus olhos escuros e cabelos bagunçados. Porque Ele é a coisa mais bonita que podia existir. Ele tira meu fôlego. E vez ou outra eu esqueço o quanto Ele mexe comigo, até que ali está o Cristo. E eu me derreto. Suspiro feito adolescente, mas amo feito adulto.

O rei caminha entre as mesas da filial como se estivesse em seu palácio, tocando sobre as cadeiras vazias como criança curiosa passa a mão pelos portões alheios na rua. Ele vê uma mulher grávida, duas mesas distante da minha, e ri. Imagino sua risada. Porque Ele é a criatividade com pernas, Ele ama tudo o que é novinho em folha. A mãe passa a mão pela barriga e eu sei que aquele bebê já conhece a voz do seu melhor amigo, mesmo que precise aprender, mil vezes, durante a vida, suas tonalidades.

Então, depois de olhar para cada pessoa do lugar, ele senta na minha mesa. Exatamente na cadeira vazia. Imagino Ele olhando para mim e para as pessoas que estavam comigo e rindo. Porque nós falávamos sobre Ele e sobre o Reino. Imagino seu rosto resplandecendo e suas mãos nos afagando.

Imagino o próprio Cristo colocando suas mãos nas minhas unhas e me ensinando sobre tempo, o tempo que não tive para nada nesta semana, nem para tirar meu esmalte. Imagino Ele lendo “o que vale ganhar o mundo?”, e então tudo começa a passar mais devagar. Os carros desaceleram, as rugas demoram a se formar. E somos nós dois no universo. Andando devagar. Eu não tenho que correr ou conquistar as coisas com tanto suor. Eu tenho que amar a Ele. Depois de tocar minhas mãos, Ele passa as mãos sobre a barba de G., que estava logo a  minha frente, como o próprio G. faz várias vezes, se você prestar atenção (não que você o conheça, leitor, mas vamos manter desse modo para efeito poético). E depois de triscar em sua barba, Cristo diz: “e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.” Finalmente, Ele para e tira coisas de dentro para fora de M., outra pessoa da mesa, e Jesus parece muito satisfeito com o que está fazendo. Como se mostrasse “olhe só o que você tem dentro de você agora! É isso que virá para fora agora!”.

Ele não pede o baratíssimo do dia, mas nos observa e se diverte com tudo o que criou.

E, assim, com uma brincadeira boba de imaginar Jesus passeando em meio ao molho barbecue e parmesão, eu entendo um pouco mais sobre a viração do dia de Adão e Eva. Eu entendo que é crepúsculo sempre que eu quiser no meu coração. A todo momento, eu posso chamá-lo para perto de mim, e isso muda tudo.

Tema a lei, mas ame ainda mais ao Eterno

Meus amigos, porque o evangelho não tem alcançado os nossos corações de forma completa?

Nestes dias, tenho me perguntado porque a igreja gosta tanto de andar no limite entre o que é ou não pecado. Porque valorizamos a cultura da lei? Se eu tocar até aqui não é pecado, mas se eu for um centímetro para lá estarei pecando. Porque não nos mantemos a metros daquilo que o Eterno não preparou para nós? Porque não deixamos de vigiar e punir nossos irmãos e começamos a pensar no amor que se derrete do nosso peito para o peito de Deus?

Quando eu reflito sobre o relacionamento que tenho construído com o Espírito, eu não quero saber se a lei diz que eu devo ir exatamente até aqui, eu quero perguntar para Ele se, para começar, eu devo fazer aquilo ou não. E, pasmem, às vezes o meu melhor amigo diz não.  Não é pecado, mas eu não deveria fazê-lo, simplesmente porque Ele me disse.

Que nós paremos com as perguntas superficiais e com as acusações que só mostram que nossa alma não se abstém de coisas por amor, mas por medo. Por favor, parem de perguntar se tatuagem é pecado, parem de destilar julgamento se uma irmã vai a um festival, parem de se esconder atrás de uma religião  sem fundamentos de amor e fé.

Antes, meus amigos, olhem para o Espírito, que quer nos levar a níveis mais profundos Nele. Olhem para o Senhor Jesus, que deu a vida pela sua missão. Olhem para o Deus Eterno, que deseja muito mais de nós do que um livro de regras.

Devemos sim seguir os mandamentos das escrituras, mas, meus amigos, não usem da lei para ferir e para se manterem ocupados e nunca descobrirem mais do seu propósito nessa terra. Sejam cura. Sejam o evangelho. Sejam amor e ombro para essa geração. Sejam o melhor apresentador de Jesus que seus amigos já viram.

Meus amigos, eu oro para que o Senhor mostre a vocês as necessidades do reino que pulsam em Seu coração,  tudo fica pequeno diante delas. Principalmente nossas mesquinharias.

Às vezes (ou: casinha)

Às vezes, eu estou tão freneticamente produtiva, que eu não me sinto eu. Correndo de um lado pro outro em ônibus cheio, decorando nome de músculos nos horários vagos, dormindo encostada no box. Às vezes, eu preciso conversar um monte de besteira com o Eterno e rir, deitada no chão da minha cozinha, enquanto meus cachorros lambem a ponta do meu nariz. Às vezes, eu preciso perguntar para Deus se Ele quer ouvir Rubel comigo na sacada do meu quarto. E lá, do nada, do nada mesmo, perguntar se Ele lembra de uma cena que o Christopher Abbot fez e que eu amo.
– Na verdade, eu amo o Christopher Abbot. – Reconheço e rio. Com Ele ali.
Porque, às vezes, eu só preciso ficar com o meu melhor amigo e não fazer absolutamente nada. Às vezes, eu só preciso existir, sem decorar acidentes ósseos, sem esperar o ponto em que eu devo descer, sem dar parágrafo no texto. Às  vezes, eu penso em me mudar para uma casinha no meio do mato e ficar só com Ele, mas Ele sempre me lembra de que a nossa casinha é o mundo. Às vezes, só às vezes, confesso que continuo pensando na casinha, e decoro a nossa sala mentalmente. Hoje, nosso sofá é azul, Espírito, e as paredes são de madeira.

Playlist para a semana (:

 

Para caso você queira cantar junto com a minha playlist da semana:

1)  Sarah Juers – Anchor

2) Hannah Barnett – Nails

 

3) Ryan Ellis – Never Changing

4) The Brilliance – Yahweh

5) Laura Souguellis – Tudo é para tua Glória

6) Jeremiah Bowser – Meu Coração É Teu

7) Kye Kye – People  

8) Earth, Wind & Fire – September

Pode ficar aí me julgando ou começar a dançar com essa música maravilhosa haha 😀

9) Lucy Rose – Shiver

10) Ella Fitzgerald and Louis Armstrong – Ella and Louis (1956)

Não dá para explicar esse álbum. Põe na playlist da vida!

11) The Lumineers – Dead Sea

12) Dwayne Johnson – You’re Welcome (From “Moana”)

Sim, eu estou obcecada por Moana.



Esquema de sempre: você pode me encontrar através do meu email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou do meu Instagram =D

Do meu quarto. Do meu desafino. (Ou: Projeto novo)

{Para ouvir enquanto lê}

Eu nunca consegui ter um canal no Youtube para complementar o blog. Juro que eu tentei há uns anos atrás, mas nunca deu certo…  Sim, inclusive apaguei muitos vídeos que estavam por lá…

Esses dias, eu estava pensando cá com meus botões que seria legal tentar de novo. De novo. Mas que eu precisaria, pelo menos no início, de um formato que fosse familiar para mim. Como o blog. E aí surgiu o Do meu quarto. Do meu desafino. Algo mais calmo e tranquilo – mais próximo do que eu já faço aqui há tantos anos…

O que eu trago de diferente nesse conteúdo – além do meu quarto e da minha inabilidade em tocar violão, mas acho que você já entendeu essa parte, porque, bem… por causa do título hehe – são algumas composições. Mas nem isso é tão diferente assim, porque você já me lê.

Neste primeiro episódio, eu queria que você pensasse em Amós, em religiosidade, em pecados escondidos, mas, acima de tudo, que você pensasse no eterno amor do Senhor por Israel. Apesar de todo o juízo, Ele é apaixonado por aquela cidade, que hoje sou eu e você. Deus está sempre buscando uma maneira de reconstruir Israel, de nos encher de plenitude, de finalmente nos colocar na terra em que moraremos para sempre.

Reli Amós depois de uma palavra que nosso bispo nos deu, em minha igreja local. Uma palavra que animou nosso espírito e esquentou nossos corações. Depois de uma temporada muito complicada, o Senhor estava nos dando tijolos novos, e, assim, surgiu a canção Amós 9. Espero que você se interesse por esse novo pedacinho do blog no Youtube.

Aquilo que não pode ser explicado

{Para ouvir enquanto lê}

Eu me sinto completa quando penso Nele. Não sinto medo por haver alguém que minha compreensão não consegue pesar, medir, saber a cor do cabelo… Mas me sinto abraçada por tudo que olho. E oro a Ele, como se pudesse ser qualquer parte do universo e, ainda assim, amá-lo como eu O amo agora.

Na semana passada, estava mandando um áudio gigante para uma amiga sobre o tipo de amor que dedicamos ao Eterno e, bem, a verdade é que nada é como esse tipo de amor. E eu não falo isso de forma poética, mas de forma bastante pragmática. O meu amor por Ele não se parece com o amor que dedico a mais ninguém. É como calda quente e água fria  – tudo ao mesmo tempo. Como um abraço de braços macios e cimento que me tapa por dentro.

Você já pensou sobre o amor que entrega para Deus? Ah… Isso me deixa tão animada e tão assustada… Tão assustada que eu não sei como eu poderia viver sem ama-Lo… Como passar por esta terra sem sentir aquilo que não pode ser explicado?

Eu tento colocar em palavras o melhor nó que há dentro de mim, mas é simplesmente impossível. Talvez somente Davi e Adélia Prado conseguiram descrevê-lo… Ao que eu poderia comparar o amor que sinto por Ele? Ao dia que meu pai conseguiu subir um lance de escadas depois de uma longa temporada de enfermidade. Ao momento em que minha melhor amiga me mandou a foto do seu jaleco pronto. A risada da minha mãe. Ao companheirismo dos meus irmãos. E a nenhuma dessas coisas… Porque… Porque, se nada disso existisse, eu sinto, profundamente em mim,  que eu O amaria da mesma forma.

Amar você, Eterno, não é sempre a coisa mais fácil, mas eu não saberia como não fazê-lo.

Os 5 últimos dias

{Para ouvir enquanto lê}

Na quinta, agarrei metade do meu cabelo, medi uns centímetros pra cá e outros pra lá e cortei. Balancei ele de um lado pro outro e deixei minha melhor tesoura, a vermelha, em cima da pia do banheiro.

Na sexta, acordei mais cedo que minha irmã e corri pela rua. Sozinha. No frio. Meus passos ressoavam até a esquina, meus fones vibravam nos ouvidos. Tuc. Tuc. Tuc. Uma. Duas. Sete esquinas de uma vez. Parei. Respirei e voltei andando pelo bairro que começava a se agitar.

No sábado, eu abri a janela do uber, o vento batia contra mim.

– Moça, você quer ouvir alguma coisa?

David Dunn saia do autofalante do carro que cheirava a sauna. Obrigado, universo, pelo bluetooth.

E nós cruzamos a cidade com a mesma música se repetindo e minha mão para fora do uber, controlando o vento da cidade.

– Você tá tão feliz, moça, aconteceu alguma coisa?

– Não. – Sorri.

No domingo, eu sentei com as crianças do ministério infantil e elas me perguntaram se Deus ainda multiplica peixes nas redes. Sorri de novo. Nós somos os peixes e as redes. Nós somos as mãos dos discípulos. Nós somos Cristos em formação.

– Você não faz ideia de como ele multiplica, Mateus… – Ele correu satisfeito com a resposta.

Na segunda, fiquei observando meu avô ler o jornal e minha avó ligar para ver se alguém estava melhor de saúde, enquanto eu fazia almoço para os dois. Mexendo o feijão e olhando os meus velhinhos, existindo há anos no espaço um do outro.

– Você não vai acreditar em quem foi preso! – Ele balançou o jornal, minha avó tentava desligar o celular e eu experimentava o feijão, que estava sem sal. – A irmã tá melhor, Ivone?

Nada mudou por fora. Tudo ainda está igual. A vida ainda está cheia de incertezas e problemas. A alegria que me alimenta é estranha e me chama para uma nova fase Nele. Eu nutro a esperança de comer de algo alegre e fresco. Não porque sou otimista com o futuro das coisas e deste mundo, que se mantém unido pelo ódio, mas espero porque Gálatas diz que se não nos cansarmos de fazer o bem, um dia colheremos todo ele. Essa semana foi como uma lembrança que veio sem avisar de que a esperança do bem está chegando. Eu e minha nuca quase de fora continuaremos a semear.

 “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido”

Gálatas 6:9



Esquema de sempre: você pode me encontrar através do meu email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou do meu Instagram =D