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Este é só um texto

{Para ouvir enquanto lê}

Cem por cento das vezes: humanos.

Não há oração que nos faça outra coisa senão seres de carne.

Não nos tornamos anjos assim que abrimos nossos olhos. Nossos problemas não desaparecem como mágica, ainda somos gente que acha um monte de coisa besta engraçado, que não sabe o que fazer com a decisão de amanhã, que fica fazendo caminhos de ônibus na cabeça para tentar pegar um mais rápido e com menos pessoas (por mais que a gente saiba que essas coisas são grandezas inversamente proporcionais).

Este não é um texto sobre a beleza das coisas, não tem poesia da Adélia, não tem reflexão profunda, palavras em grego, piadinhas de pavê. Este é só um texto para dizer: nem sempre tudo vai bem. Mesmo que você ore muito por isso e que seu coração saia pelos joelhos nas madrugadas. Nosso clamor é muito poderoso sim, mas nunca mais que o Senhor. E, às vezes, nada especial acontece depois de uma noite de nariz vermelho e de composições amassadas na beirada da cama.  Não, não fizemos nada de errado. Não, Deus não nos odeia. Nós somos homens e só nos resta a vontade do Eterno. E a resposta vem quando Ele quer.

Contudo, a beleza de continuar orando nem sempre –  nunca! – está nas coisas que se recebe a partir dela. O clamor escala nossos músculos e nos vivifica. Depois de orar, muitas vezes nada parece ter mudado no mundo que posso ver e tocar, mas o meu coração mudou. De coração novo, eu enxergo minha carne – tão humana, tão perecível – mas revestida Dele. De repente, eu sou como a arca, sou feita de acácia, mas coberta de ouro.

Cem por cento das vezes: humanos. Cheios de coisas insolúveis para solucionar até o final do expediente. Todas as cem vezes coberta por Ele.

Nem sempre tudo vai bem, mas minha alma está segura.

E virão ali, e tirarão dela todas as suas coisas detestáveis e todas as suas abominações.
E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne;
Para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os cumpram; e eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus.
Ezequiel 11:18-20



Leia também (versão velharias deste blog):

Já dizia Fernando Pessoa: “O mar é a religião da natureza”



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Eu, você, um bandeirante (e um cachorro?)

{Para ouvir enquanto lê}

– Eu poderia conversar com você para sempre. – Digo em voz alta, ainda de pijamas, às seis e oito de um domingo. O sol começa a cair e eu me sinto cheia. Boba. – Eu poderia subir nos prédios e gritar o seu nome. Não… Eu poderia subir no Anhanguera, no meio do rush, e gritar que eu te amo…

Sorrio.

– E, mesmo se eu gritasse forte o suficiente para perder a voz, mesmo que eu berrasse tanto que esquecesse as palavras, ainda sim eu te amaria menos do que você me ama. Como isso é possível?!

O sol pinta as nuvens devagar e eu desisto de usar as palavras, porque as declarações Dele estão em todos os lugares. Até no laranja do céu.

Ananhanguera


Leia também:

Sim, capitão



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Nosso lugar de sempre (ou: Conferência Nova Geração)

{Para ouvir enquanto lê}

Eu e Ele estávamos na beirada do mar. Nosso lugar de sempre. O mar – que começava no infinito – ia até um deque, em que descansava um trono. O trono Dele.

Apesar de sua gloriosa cadeira, Ele se sentava comigo. Na beirada no mar. Tinha um papel na mão e um sorriso que me deixa mole.

– Você queria me ver?

Sua voz faz meus ossos tremularem. E eu desejo enxergá-lo totalmente – não apenas traços opacos e impressões no espírito. Ao mesmo tempo, estou tão feliz com os traços opacos que desejo abraçá-Lo. Eu não pulo nos seus braços, mas observo seus pés: eles se mexem pra lá e pra cá, quase encostam na água brilhante, estamos totalmente confortáveis na presença um do outro, e eu suspiro: tudo sobre Ele é maravilhoso. Até seus pés balançantes.

Nenhuma outra frase é proferida, mas eu sinto que conversamos por anos. Gerações. Minha alma parece falar desde a formação do mundo. E eu sinto sede, não do tipo que se adiciona três pedras de gelo, mas Dele. Minha garganta seca. E eu olho para seus pés novamente. E para o mar. Nosso mar.

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Abro os olhos e ainda vejo um grande palco na minha frente, pisco devagar e as letras do telão formam, em azul, Nova Geração. Há cadeiras ao meu redor. Eu olho para a pessoa que está ao lado (que neste blog já apareceu com o nome de C., mas que, provavelmente, será renomeada para senhor Chapinhístico hehe :D ) com uma cara meio besta, não que fosse possível distingui-la da minha cara de sono que eu já tinha desde às 07h, mas sim com uma cara totalmente besta e, sem conseguir organizar bem o que falar e como falar, eu sorrio. E espero que o sorriso fale como a única frase que eu ouvi de olhos fechados. Um sorrisinho que fale por gerações. Um sorriso que fale que eu tenho um lugar de sempre com Ele.

É esse mesmo sorriso que eu dou para você, agora, leitor. O mesmo.

Do trono emanavam relâmpagos, vozes e trovões. Perante Ele estavam acesas sete lâmpadas de fogo, que são os sete espíritos de Deus. E diante do trono, ainda, havia algo semelhante a um mar de vidro, translúcido como o cristal.

Apocalipse 4: 5 e 6



Se você quiser saber mais sobre a incrível Conferência Nova Geração acesse as redes sociais dos caras (link no texto). Ah, espere por 5 bilhões de referências nos posts seguintes.

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Deus é um cara galante (ou: Menina, pare de falar)

{não tem música aqui, porque ela já vem}

Lá estava eu, praticamente duas semanas atrás, em um encontro da igreja que chamamos de Revisão de Vida, tentando ouvir a voz de Deus de forma “séria”. Eu tenho escrito por aqui que Deus fala e depois de algumas experiências com Ele (leia alguns posts abaixo 🙂 ), queria ouvir Dele outra palavra com todas as letras – sim: vogal, consoante, coisa séria. A verdade é que mesmo tendo muitas coisas para saber do Eterno, eu queria mesmo era ficar com Ele. Me sentir pertinho…

– Deus eu preciso falar com o Senhor agora.

Ele deve ter pensado algo do tipo: “uai, menina, então fala”.

Eu me apressei para terminar as atividades das quais estava encarregada e fui para trás dos alojamentos em busca de um lugar sem ninguém e com sombra (Goiás, amigos, sombra é necessária hehehe). Assim que fechei os olhos, comecei a perguntar um monte de coisas em meu melhor estilo metralhadora fulminante.

O Eterno deve ter dado uma respirada. Ele tem me ensinado que, às vezes, eu não consigo escuta-Lo por que fico feito uma louca falando. É sério.

Tempos atrás, me peguei falando “Deus, por favor, eu preciso ouvir o que o Senhor pensa sobre isso” tantas vezes durante dez minutos que Ele simplesmente limpou a garganta e falou:

– Então pare de falar tanto e ouça.

Depois de bombardeá-Lo ali, atrás dos quartos, respirei e resolvi começar de novo. Coloquei uma música no meu celular (espero que baixa, qualquer coisa: desculpa, gentes) e fiquei ali, de pé, ouvindo a Steffany Frizzell, em completo silêncio por um segundinho:

E sua voz veio, macia e quentinha:

– Vamos dançar?

Eu ri.

– Deus… O Senhor está falando sério? Eu sei que a música fala de dançar, mas nem precisa… Sério? Ok…

Eu tinha certeza de que alguém chegaria naquele momento procurando sei lá o quê atrás daqueles dormitórios, mas por um milésimo nada importou e eu só disse sim.

E fiz uma pose de dança de salão, colocando suas mãos nas minhas, imaginando a diferença do toque onde os buracos feitos pelos pregos estão, e rodei algumas vezes, enquanto contava três passinhos de cá e três de lá.

Nenhum dos três – Jesus, Espírito ou o Pai – pisou no meu pé (eu me desculpo se o inverso da frase não for verdadeiro hahahaha), Eles são galantes como todos os atores que contracenaram com a linda da Audrey Hepburn.

Mais do que a dança, Deus estava, outra vez, me ensinando: tem hora que não se deve falar tanto assim, menina, só aproveite minha presença e meu sussurro.

PS: por que não parecer estranho dançando sozinho para conhecer outra uma parte doce Dele? Tenteddragontattoo4

Obrigada pelo email, desconhecido

Há uma semana recebi um email de uma pessoa que leu o blog. Um email de alguém que não conheço, que não sei se prefere água da geladeira ou do filtro. Um email que me fez perceber que não escrevo faz tempo e me fez analisar, de novo, porque eu mantenho o blog, mesmo com espaços tão gigantes entre os posts quanto os que o GRRM tem feito no meu coração, arrancando personagem por personagem de mim.

Sim, esse é um  post chato, mas às vezes eu não consigo passar por cima das picuinhas… aceitem, porque eu já aceitei, hehehe.

Bem, a principal razão de ter o blog era compartilhar experiências com o evangelho. Coisa prática, sem segredo (?), com muito drama e um pouco de humor (mas isso você leu no meu perfil, na cabeça no blog). Coisas que fazem a gente se sentir normal por não viver no céu o tempo todo, mas que nos deixem com vontade de tentar.

Lembro que dividi com alguém a primeira versão do blog e a pessoa, sabiamente, me falou que visualmente o blog parecia adolescente.

Eu ri.

Gosto de quem me fala a verdade. Gosto desgostando, mas gostando muito.

Os primeiros textos pareciam enfeitados, assim como o primeiro design. Mas chega uma hora que você acha um certo tom e vai.

– Porque eu ainda continuo escrevendo essas histórias? – Eu prossigo me perguntando.

A primeira coisa que me vem à mente é que eu continuo escrevendo por um motivo que NÃO É escrever, hehehe… Quando você trabalha com escrever coisas todos os dias, escrever – a menos que seja algo incrível, espadas, filhos da mãe ou sentimentos quebrados – se torna trabalho. Eu ligo o computador, abro o word e quase saio digitando: Hoje, (06), cinco pessoas foram presas no…. Blé.

Então, por quê?!

Eu continuo escrevendo para receber, de vez em quando, um email me lembrando que de todas as porcarias que eu já fiz na vida – e vamos encarar, umas pessoas fazem mais do que outras, e eu sou do time do que não economiza -, o blog não é uma delas. Mas, ao contrário, se eu estiver fazendo alguma coisa certa, você provavelmente entendeu que a gente sai de  quase todo buraco nessa vida (com ou sem coelhos e Alice). E que, quando parece que não tem mesmo como sair,  aí a gente usa aquela coisa do tamanho do grão de mostarda e diz que tem. Porque a desesperança é assustadora. A falta de fé me envelhece. Eu sei, porque ganhei uns cinco anos a mais em maio.

Continuo, porque dividir experiências por aqui me faz feliz. E isso é raro nesses dias de mortes rápidas e leads sujos. Me faz feliz porque eu posso mostrar para os meus amigos incríveis que, PRA MIM, Jesus não é (quase) nada do que eles costumam ver por aí.

Eu fiz esse blog para ter a oportunidade de dizer para quem acusa os outros nas redes sociais e coloca “vigia” nos comentários de desconhecidos: para com essa babaquice, cara.

Fiz esse blog para colocar uma playlist para quem divide comigo um dia longo.

Eu sei e não sei. Mas o que eu tenho absoluta certeza é que eu não conheço quase nada do Espírito, quem tem zilhões de anos e músicas ouvidas a nossa frente, mas escrever me ajuda a aprender. A gravar.

Assim como eu gravei que a área do círculo é pi x r², quero gravar que sou Dele um pouco mais nesta sexta, do que na semana passada.

 

 

 

 

Passagem Secreta (ou: desafinos que me levam para Ele)

Ache uma coisa que te faça ficar mais perto de Deus e… tcharam: você, provavelmente, descobriu sua passagem secreta para a sala do trono.

Há dias que é mais difícil se encontrar com o rei. Dias que a gente bate, bate, bate, mas a sala do trono parece fechada, ou aberta para visitação: você entra, olha e sai. Há dias que a sala parece tãaao distante… Nesse dia, você precisa da sua passagem secreta para Deus.

Quando eu falo e falo e falo e nada acontece, quando eu chamo o Espírito e não o encontro, eu começo a cantar seu nome. Assim, bem devarzinho… Fecho os olhos e o chamo por uma de suas qualidades mais lindas: santo. Encho minha boca para exaltar sua santidade. Então eu repito. Enquanto repito, meu coração parece entender como Ele é santo, como naquele exato momento meu Senhor deve estar cercado de milhares de anjos que só desejam expressar o quão maravilhosamente santa é sua presença.

E aí, eu não tenho que me preocupar em como chegar à sala do trono, porque eu estou no meio dela, prostrada, rendida, maravilhada, pois o rei quis me ver. Ele me chamou pelo nome. Aquele que é santo chamou alguém que nunca poderá ser tão limpa quanto Ele é.

Minha passagem secreta é adorá-lo.  E Ele não se importa com minha completa desabilidade com o violão, com minha falta de qualquer técnica, com o fato de que eu desafino e vou desafinando a cada vez que me sinto mais abraçada pelo Espírito. Naquele momento minha voz é apenas um grande punho batendo contra a porta da sala do trono.

Imagem (4)
Não importa quão velha seja a passagem secreta, garanto que ela vai funcionar (=

– Santo, me deixa entrar? Santo, eu preciso te ver um pouco… Santo, aqui tá frio.

Frio. É o que eu sinto sem Ele. Meus ossos ficam mais pesados e a vida começa a ficar difícil. Mas quando o meu Deus abre a porta… Ah! Como é bom falar com o Espírito. Ele me cobre com sua alegria, me esquenta com uma percepção da vida que é só Dele.

Você pode estar com frio agora. Pensando na possibilidade de tudo dar errado de novo. Você pode estar abaixando o punho antes mesmo de bater. Foi para você que eu escrevi tudo isso, porque nós somos parecidos… Levante a mão agora e bata. Não volte para casa sem que o Senhor te dê uma coberta. Ele tem muitas, é só pedir.

Se você ainda não achou sua passagem secreta, eu te empresto a minha. Comece a adorá-lo. Cante baixinho agora que você acha que Ele é a pessoa mais bonita de todo o planeta. Que você acha que o nariz imaginário Dele é a coisa mais perfeita que já existiu. Santo. Cante que Ele é santo.

O áudio abaixo é como eu faço. São meus desafinos que me levam para Ele. É um pontapé para você tentar e achar a passagem que mais te aproxime Dele.

Vou orar para que você ache um guarda-roupa mágico que te leve diretamente para Ele e, se você puder, ore para que mais pessoas se sintam quentes pela presença do Espírito.

 

 

O dia que o Espírito pintou o céu com uma cor que não existe (Desafio #2)

Quero contar os resultados do último desafio, mas não sei como começar. Tantas coisas estranhas e maravilhosas aconteceram… Ao invés de te encher com milhões de histórias, vou resumir tudo com uma só: tive um sonho. E foi incrível e inacreditável ao mesmo tempo.

Estava em uma praia junto com alguns amigos, quando o sol começou a se pôr.

Mas ele não estava apenas se pondo. O céu havia ficado com uma cor ainda não inventada por aqui… Uma cor de céu que se assemelha com um que é pintado em um dos meus clipes favoritos do Beirut. Uma grande amiga, que estava comigo na praia, aponta para cima e diz:

–  Olha, é a glória, é igualzinho o livro da Ruth!

E então a gente começa a correr, correr e correr e parece que estamos caindo, mas, na verdade, a gravidade parece ter mudado sua intensidade, nos puxando para baixo com mais força e depois com quase nenhuma, o que nos deixava pairando e depois praticamente mergulhando dentro da areia. Mas isso não era ruim ou assustador. Era maravilhoso. Era como se corrêssemos com o Espírito.

O céu se torna rosa. Rosa dourado, como o rosa das capelas e vestidos de criança.

Outra colega ri e expressa a vontade de que Jesus volte no sonho e é aí que o sol se poe de uma vez, e toda a cor do ceu vai se recolhendo em forma de círculo, até ouvir-se um “puf” e tudo estar escuro e nós caírmos na areia rindo.

Eu parecia ter acordado, mas não. A mesma amiga do início do sonho estava em uma cama ao meu lado da minha, deitada, tranquila… Ela virou para mim e disse, assim, como se explicasse algo corriqueiro:

–  A gente só não faz as coisas velhas mais por causa do Espírito.

E, aí sim, eu acordei.

Ah, o Espírito é maravilhoso! Ele me ensinou a amar o lugar que estou hoje na igreja, pois isso é honra-lo, ele me ensinou a falar com ele quando tudo o que eu quero é ler Auden durante uma tarde e meia

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.

 Funeral Blues// Auden 

Ah, como eu gosto de Funeral Blues em dias blé, mas tenho me feito gostar do Espírito ainda mais nesses dias.

Não há jeito de terminar um texto que fala sobre o Espírito Santo, porque a gente vai se lembrando e lembrando das coisas pelas quais temos que ser gratos. Por isso acabo por aqui, assim, de uma vez, concordando com Hemingway e seu cachimbo: eu aprendi muita coisa ouvindo cuidadosamente – não tão cuidadosamente quanto eu gostaria, talvez. Mas o que importa é que eu aprendi o mundo e o mar ouvindo ao Espírito.