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Ficai aqui, e vigiai comigo

Jesus subiu ao monte para orar, aflito, mas os discípulos dormiam.

– Nem ao menos uma hora pudestes vigiar comigo? – Eu repito as palavras de Jesus, sentada na cama, chorando.

Às vezes, o ministério é solitário. Eu tenho aprendido sobre isso. E está tudo bem, porque o ministério é maior do que eu, ele é maior do que meu conforto. Às vezes, ele não me faz pular de alegria, pelo contrário, me faz pensar e pensar, sem nunca encontrar respostas, quando alguém desiste dos planos do Eterno.

Apesar de tudo, o ministério é tudo o que eu preciso. Eu poderia ser feliz sem ele? Talvez… Mas eu nunca, nunca, seria completa.

Respiro fundo, ainda na minha cama, e escuto o que o Senhor ainda está falando. Pedro – discípulo para o qual Jesus direciona unicamente a pergunta que imitei há poucos segundos, mesmo havendo outros dois discípulos que também dormiam – iria ser o firme fundamento da igreja.

– A igreja pode dormir, mas ela sempre acorda, Natânia. Você pode dormir, mas sempre acorda. A missão, algumas vezes, parece de um homem só, mas não se engane:  ela não pertence a nenhum de vocês, não sozinhos, a missão é minha. – A Trindade ressoa alta e barulhenta no meu quarto para que eu nunca me esqueça de quem é o chamado.

Às vezes, o ministério é solitário, mas eu repito: Graças a Deus, nunca estamos sozinhos.

English version 😀

Sit here while I go over there and pray

Jesus went up to the Gethsemane to pray in sorrow, but the disciples slept.

“Couldn’t you men keep watch with me for one hour?” –  I repeat the words of Jesus, sitting on the bed, crying.

Sometimes the ministry is lonely, I’ve learned about it, and it’s all right, because it is greater than I, it is greater than my coziness. Sometimes it does not make me jump for joy, on the contrary, it makes me think and think, without ever finding answers, when someone gives up the plans of the Lord.

Despite it all, the ministry is all I need. Could I be happy without it? Maybe … But I would never be complete.

I take a deep breath, still in my bed, and I listen to what the Lord is talking. Peter – the disciple to whom Jesus addresses the question that I echoed a few seconds ago (and the question was only to him, even though there were two other disciples who slept too), – Peter would be the firm foundation of the church.

“The church can sleep, but it will always wake up, Natânia. You can sleep, but you will always wake up. The mission sometimes looks like a one man only thing, but make no mistake: it does not belong to any of you, not alone, it’s my mission.” The Trinity resounds louder in my room so I will never forget who it is the owner of the callings.

Sometimes the ministry is lonely, but I repeat: Thank God, we’re never alone.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Nem mil estátuas perfeitamente construídas por Michelangelo podem imitar a sua beleza, Jesus

There is an English version of this post waiting for you after the Portuguese one


{Para ouvir enquanto lê}

Ele não é lindo?

Imagino Jesus, pele escura, nariz protuberante, pés calejados e sequinhos, 1,75, barba com areia de deserto, sobrancelhas grossas, uma ruguinha entre as sobrancelhas grossas – daquelas ruguinhas de repreender discípulo.

Eu me abaixo, amarro suas sandálias e, ao levantar, nossos olhos se acham. Tipo imã, dedo de criança e tomada, ventilador e um verão no Centro-Oeste.

Eu perco o ar.

Porque de um mundo inteiro de pessoas muito melhores do que eu – com menos medos e bobeiras – sou eu, eu, que estou olhando para aqueles grandes olhos redondos.

Ele

é

tão

lindo.

Eu o sinto dentro do meu coração – como um fogo estalando e lançando fagulhas, como o sopro no rosto de um bebê – e sei que eu nunca direi o suficiente:

Ele não é lindo?

 

English Version 😀

 

Not even a thousand statues perfectly built by Michelangelo can mimic your beauty, Jesus

{To listen as you read}

Isn’t he handsome?

I imagine Jesus, dark skin; protuberant nose; dry, calloused feet; a five-foot-seven man; a beard with desert sand; thick eyebrows; a wrinkle between this thick eyebrows.

I lower myself, tie his sandals, and as I stand up, our eyes meet. Like magnet, child finger and power outlet, fan and summer in the Brazilian Midwest.

I lose the ability of breathing.

Because in this whole world of people far better than me – with fewer fears and nonsense – it’s me, me, I’m looking at those big round eyes.

He

is

so

handsome.

I feel him inside my heart – like a fire crackling, like a puff on a baby’s face – and I know I will never say it enough:

Isn’t he handsome?

Eu ainda sou muito brasileira sim

There is an English version of this post waiting for you after the Portuguese one (but be aware that it is a post about Brazilian politics : )


{Para ouvir enquanto lê}

Eu acredito no Brasil. E isso nunca vai mudar. Está no meu DNA – enrolado em algum lugar junto com a timina e a guanina.

Como cristã, eu nunca me desconecto do meu país. Eu não caio no engano de me esquecer de que a igreja está dentro do território brasileiro. Nós não estamos no céu. Nós temos um código postal. Nós temos um povo. Você tem um povo. Então pare de fingir que não tem.

Esse texto nasceu de uma grande indignação. De ver cristãos apoiando candidatos que fazem apologias a discursos odiosos e ao armamento do país, cristãos que não se incomodam com crianças que ainda estão na primeira série e já sendo brutalmente revistadas no Rio de Janeiro. Famílias subindo o morro e tendo que se identificar para entrarem em suas próprias casas. Repórteres tendo que se afastar pelos gritos do exército.

Façais tudo para a glória de Deus. Todo mundo repete este versículo. Mas… assim… tudo menos arregaçar as mangas e fazer política. Eu não gosto de política, você diz revirando os olhos, e eu rio, porque política é tudo o que vivemos, política é o seu vizinho que está esperando uma cirurgia há meses e não consegue, política é a, ainda, enorme diferença de aprovados no Enem dos que cursaram um ensino médio particular e dos que cursaram o público. Política é, até mesmo, o que acontece depois da morte e a falta de vagas em um cemitério público.

A igreja não saiu do Brasil, não se engane, porque sua omissão é a noite de choro de mães desesperadas em filas de hospitais, a sua omissão é o caos do Rio de Janeiro e a solução maluca que envolve fuzis e o exército – sim,  em um país cuja democracia é recente e que conheceu a tortura e a falta de liberdade.

Como você tem mudando o seu país?

Não, eu não sou ufanista. Eu não acho que uma única pessoa pode mudar uma nação, mas tenho a convicção de que é nossa obrigação fazer algo por aqueles que estão a nossa volta. Escolha cinco pessoas ao menos, mas, pelo amor de Deus, faça alguma coisa.

Leve o pão e o cuidado, mas leve, também, informação.

O quanto você sabe sobre o cenário que temos vivido? O quanto você sabe que não veio  de grupos de whatsapp?

Daniel foi escolhido porque era preparado. Você é? Ou você repete o discurso maçante do “esse político é o menos pior”?

Só a sabedoria pode salvar nosso país de repetir os mesmos erros. Peça por sabedoria e logo em seguida busque conhecimento. Vá conhecer os principais índices do seu país, vá procurar soluções para os nossos problemas. Eu sei que você sabe dos nossos problemas, todo mundo sabe – eu acordo e tenho que pegar um ônibus em que eu não passo pela catraca, às 06 da manhã, e pagar quatro reais pela passagem, eu também sei os nossos problemas… Mas quando nós não buscamos soluções, nós vamos aceitar qualquer falácia. Descubra essas soluções e descubra representantes políticos que tenham propostas semelhantes para resolver as nossas dificuldades. Leia a história do Brasil, da América Latina, e se pergunte: como não fazer tudo de novo?

Depois, reparta essas informações! Minha oração é para que nós não esqueçamos nossa nação e que nós não sejamos preguiçosos. A cidadania dá trabalho – dá mesmo! – , ela incomoda pessoas que querem agradar todo mundo. Não é hora de festa, é hora de trocarmos as nossas ataduras e olharmos bem para a nossa ferida. Sem desviar o rosto. O jornal é muito triste, eu não vou nem ver. Ah, cara… Triste é viver na situação em que nós vivemos. Eu vou ver sim o que está acontecendo. E eu vou orar sim. Isto aqui não é terra de quem quiser não, meu amigo, isto aqui é terra com lei e com Senhor.

Com os joelhos no chão e os braços na luta, eu sigo, sigo acreditando no Brasil. Eu disse que esse sentimento é pegajoso e não sai de mim… Eu acredito que vai surgir uma geração que vai parar de se omitir e de votar em candidatos que vão se batizar no Jordão algumas semanas antes de fazerem campanha para ganharem votos de uma igreja despolitizada e despreparada. Eu acredito que homens e mulheres vão se levantar em seus ciclos sociais para expor a crueldade que nossos meninos tem vivido.

Eu acredito que você que está lendo este texto vai parar de se esconder atrás da religiosidade e vai se responsabilizar na hora de votar. Ninguém sabe verdadeiramente da vida com Deus que os candidatos tem, é impossível saber isso com certeza, MAS VOCÊ PODE PESQUISAR QUE TIPO DE VIDA POLÍTICA ESSE CANDIDATO TEM. É fácil. Vá ver seus projetos, vá checar os escândalos em que ele está envolvido, vá ter certeza de que o choro de crianças assustadas não cai sobre seu terno. Vá ver as manchetes que ele estampa.

Comece a escutar o que esta terra tem dito. Acorde chorando no meio da noite. Porque sim, a terra tem clamado, o sangue dos justos derramado sobre ela tem batido como tambor no meio do silêncio. Este som não voltará vazio.

 

English Version 😀

Yeap, I’m still very Brazilian.

{To listen as you read}

I believe in Brazil, and this will never change. It is in my DNA – curled somewhere along with thymine and guanine.

As a Christian, I am never detached from my country. I do not fall into the trap of forgetting that the church is within Brazilian territory. We are not in heaven. We have a zip code. We have a people. You have a people. So stop pretending you do not have it.

This text was born of a great indignation: I see Christians supporting candidates who make apologies to hateful speeches and the armament of the country, Christians who do not bother seen children – kindergarten children – being brutally searched in Rio de Janeiro. Families going up to the favela and having to identify themselves to enter their own homes. Reporters having to get away from the army shouts.

Do all in the name of the Lord Jesus. Everyone repeats this verse. But … Well … Do all but roll up your sleeves and do politics. I do not like politics, you say rolling your eyes, and I laugh, because politics is everything we live, politics is your neighbor who’s suffering and do not have health insurance, politics is still the huge difference between who attended a private high school and those who attended a public one when the issue is to be accepted in a university through Enem (Brazilian SAT). Politics is even what happens after death and the lack of vacancies in a public cemetery.

How have you been changing your country?

No, I’m not a crazy and blind patriotic. I do not think a single person can change a nation, but I am convinced that it is our duty to do something for those around us. Choose at least five people, but, for Christ’s sake, do something.

Bring the bread and care for the people, but also bring information.

How much do you know about the scenario we’ve been through? How much do you know that did not come from WhatsApp groups?

Daniel was chosen because he was prepared. Are you?  Or do you repeat the irritating speech of “this politician is the least worst”?

Only wisdom can save our country from repeating the same mistakes. Ask for wisdom and then seek knowledge. Search the main indicators of your country, go look for solutions to our problems. I know you know about our problems, everyone knows – I wake up and I have to get a bus so crowded I can’t go through the turnstile at 6 am and pay four reais for the ticket, so I also know our problems … But when we do not seek solutions, we will accept any misleading notion. Discover these solutions and discover political agents who have similar proposals to solve our difficulties. Read the story of Brazil, the story of Latin America, and ask yourself: how not to do it all over again?

Then share this information! My prayer is that we do not forget our nation and we do not be lazy. Social responsibility is hard work – it really is! -, it bothers people who want to please everyone. It’s not party time, it’s time to change our bandages and look well to our wound. Without looking away. The newspaper is very sad, I will not even see it. Oh, man … Sad is to live in the situation we live in. Yes, I’ll see what’s going on, and yes I’m going to pray about it. This is not a land of wherever, my friend, this is a land with law and with a Lord.

With my knees on the ground and my arms in the fight, I still believe in Brazil. I said that this feeling is sticky and does not leave me … I believe that there will arise a generation that will stop omitting and voting for candidates who will be baptized in the Jordan a few weeks before they campaign to win votes of a one depoliticized and unprepared church. I believe men and women will rise in their social cycles to expose the cruelty our boys and girls have lived.

I believe that you who are reading this text will stop hiding behind religiousness and will take responsibility when it comes to voting. No one truly knows the life with God that the candidates have, it is impossible to know this for sure, BUT YOU CAN SEARCH WHAT KIND OF POLITICAL LIFE THIS CANDIDATE HAS. Is easy. Go see his/her projects, go check the scandals he/she is involved in, go make sure that the cry of scared children does not fall on his/her suit. Go see the headlines.

Start listening to what the earth is saying. Wake up crying in the middle of the night. Because the earth has cried! The blood of the righteous poured out upon it has struck like a drum in the midst of silence and, make no mistake, this sound will not come back empty.

 

Quem?

There is an English version of this post waiting for you after the Portuguese one : )


{Para ouvir enquanto lê}

Eu decido não alimentar minha carne. Ela grita. Reclama. Berra. Espuma pelos poros. Contudo, eventualmente, perde as forças. Se torna murcha e flácida.

E assim, com o coração de um menino, mas a carne enrugada e seca de um velho, eu consigo me esgueirar pelo caminho, que não mudou de tamanho porque os tempos são amplos e permissivos, que continua pequeno como o buraquinho de uma agulha.

Meu corpo se arrasta pelas bordas da agulha, e, às vezes, sinto que o caminho é bem menor do que eu poderia aguentar se estivesse sozinha. Mas eu, eu nunca estou só. E o cheiro do que há de vir continua me chamando para atravessar o buraco da agulha, ele continua me perguntando:

Quem você trouxe para atravessar com você hoje?

 


Leia também Seríamos mais bonitos do que a NGC 2997 se não estivéssemos ocupados em retirar rins e intestinos


English Version 😀

{To listen as you read}

I decide not to feed my flesh. It screams. It complains. It foams through the pores. However, eventually, it loses its strength. It becomes wilted and flaccid.

Therefore, with the heart of a boy, but the wrinkled and dried flesh of an old man, I can sneak up through the path, which has not changed in size because the times are large and permissive, which remains as small as a needle-hole.

My body crawls along the edges of the needle, and sometimes I feel the way is much smaller than I could handle if I were alone. But I, I’m never alone. And the smell of what is to come keeps calling me to cross the needle hole, it keeps asking me:

“Who did you bring to cross with you today?

 

Eu me refugio nas boas noites

There is an English version of this post waiting for you after the Portuguese one : )


{Para ouvir enquanto lê}

Eu nunca fui boa em esportes, em conversar com estranhos e em deixar as pessoas saberem quando preciso de algo. Mas eu sempre fui boa em acertar.

E isso, bem, isso virou a minha coisa.

Foi um choque descobrir que a vida é incontrolável.

Eu estava num parque, abraçada a uma biografia do Tolkien, odiando ter feito meu curso na faculdade, tentando não voltar para casa.

Aquilo não podia ser real.

Mas era. Porque a vida não é fácil.

Foi o começo da era em que eu me descobri horrível em todas as coisas já listadas: esportes, conversas banais e em fazer a coisa certa.

Eu chamo aquele dia de A casa caiu, mermão.

Depois de sair da escola em que trabalhava, o segundo emprego do dia, eu andava algumas quadras e me sentava naquele parque. Abraçada com Tolkien. Literalmente. Como uma completa maluca. Algumas vezes, eu nem lia o livro. Eu simplesmente me atracava a ele, como se ele pudesse me salvar de agir ainda mais estranhamente, pulando no lago sujo do parque enquanto gritava “tudo é uma mentiiiiira!”.

Eu cogitei algumas vezes, mas eu teria que voltar para casa molhada e provavelmente teria que incinerar os jeans depois de tocarem aquela água. Só Deus sabe como eu odeio comprar Jeans… Então, Tolkien e a preguiça de comprar novas calças me mantinham longe do lago sujo diariamente.

Aquele era o princípio dos tempos difíceis. A ponta do Iceberg. O primeiro pingo de chuva.

Viriam outros.

Muitos outros.

Eu não era mais a primeira filha a entrar na faculdade, a primeira neta com um estágio legal em coisas de internet, eu era oficialmente alguém que tinha tentado e não conseguido. Eu tinha perdido minha carteirinha de fazer a coisa certa.

Eu fracassei em mais áreas do que você possivelmente possa citar desde então, mas este não é um texto de autocomiseração. Eu juro. É um texto para te dizer que a gente tá junto nessa.

Finais de ano são difíceis para quem não tem o que contar na mesa do natal. Eu entendo isso. DE VERDADE. Mas, bem, eu queria que soubesse que você é mais do que o seu trabalho, do que o seu concurso, sua faculdade, do que o seu cargo, o seu relacionamento, ou o seu checklist.

Essa é uma das coisas mais difíceis de se entender nesta vida. É preciso ser alguém. O tempo todo isso nos ronda feito presa, pronto para acertar nossos traseiros.  Mas a verdade, é que a gente precisa de muito menos do que acha.

Algumas vezes, eu acho que eu não posso suportar nem um fracasso a mais na minha lista. Algumas vezes, eu acho que é simplesmente impossível continuar. Que é como um círculo azul aberto no meio das minhas entranhas. E nesses dias eu entendo a importância do amor incondicional de Deus. Completamente. Não é um desses vídeos de gente romantizando o evangelho e a vida. Eu entendo que sem esse amor, sem experimentarmos a incondicionalidade do Eterno, a vida fica seca. Nós nos odiamos e ensinamos os outros a nos odiarem. Eu entendo que nós, humanos, nunca conseguiríamos amar alguém assim, mesmo se tentarmos muito, porque nós não suportamos nem nossos próprios fracassos, quanto mais os fracassos dos outros. Ao mesmo tempo, nós precisamos desesperadamente deste tipo de amor. Parece uma equação que não fecha, uma balança viciada. Só parece. Porque nós temos sim uma fonte deste amor: o Senhor.

Talvez o fim do ano não tenha sido o que você esperava. Talvez hoje tenha sido o pior dia da sua vida. Talvez você tenha ido negociar uma dividia no banco, talvez tenha sido humilhado no trabalho, talvez você esteja lidando com o fato de que não entrou na universidade. Talvez a vida pareça incrivelmente difícil, porque, bem, ela é. Eu só queria dizer que se você não tem nada, se você se sente completamente vazio, você, ainda sim, tem o amor do Eterno. E isso pode parecer abstrato para quem tem problemas reais, mas, algumas noites, é tudo o que eu tenho. Em outras noites, mais felizes, o amor de Deus é tudo o que eu sou. Essas são boas noites, leitor, a gente deve se segurar a elas… Sim, essas são boas noites…

 

Eu oro para que você esteja tendo uma delas. Eu oro para que você tenha muitas delas.

Alegrem-se, porém,
todos os que se refugiam em ti;
cantem sempre de alegria!
Estende sobre eles a tua proteção.
Em ti exultem os que amam o teu nome.
Salmos 5:11

 

English version 😀

I take refuge in the good nights

{To listen as you read}

I’ve never been good at sports, at talking to strangers, and letting people know when I need something. However, I’ve always been good at getting it right.

And that, well, that became my thing.

It was a shock to discover that life is uncontrollable.

I was in a park in my city, hugging a biography of Tolkien, hating my brand new college degree, trying not to go home.

That could not be real.

But it was. Because life is not easy.

It was the beginning of the age when I found myself horrible in all things already listed: sports, small talk and doing the right thing.

I call that day “the house fell, dude”, an expression that only exists in Portuguese, but you get the feeling that is bad, very bad, because there isn’t any brighter side when your house fell apart. To be more dramatic you can always say it in Portuguese: a casa caiu, mermão.

In that day, after leaving the school where I was working, the second job of the day, I walked a few blocks and sat in the park. Hugging Tolkien. Literally. Like a complete nutcase. Sometimes I did not even read the book. I just hug it, as if it could save me from acting even more strangely, jumping into the not that clean lake in the park while shouting “Everything is a liiiie!”

I wondered a few times about it , but I would have to go home wet and probably have to incinerate my jeans after touching that water. God knows how I hate buying Jeans … So Tolkien and the laziness of buying new pants kept me away from the dirty lake on a daily basis.

That was the beginning of hard times. The tip of the Iceberg. The first drop of rain.

Others would come.

Many others.

I was no longer the first daughter in college, the first granddaughter with a cool internship in internet stuff, I was officially someone who had tried and failed. I had lost my right thing card. I was no longer a member.

I have failed in more areas than you can possibly name, but this is not a self-pity post. I swear. It’s a post to tell you that we’re in this together.

The end of the year is difficult for those who have nothing to tell at the Christmas table. I get it. REALLY. However, I wanted you to know that you are more than your job, than your college,  your position, your relationship, more than your checklist.

This is one of the most difficult thing to understand in this modern life. You must be someone. That is what the world says, our families, our friends, our favorite books, that we say ourselves. However, the truth is that you need much less than you think.

Sometimes, I  think I can not stand another failure on my list. Sometimes, I think it’s just impossible to keep going. Sometimes my disappointment is so tangible that became a blue circle open in the middle of my gut. In those days, I understand the importance of God’s unconditional love. Completely. It’s not one of those videos of people romanticizing the gospel and life. I understand that without this love, without experiencing unconditionally, life will be dry. We end hating ourselves and teaching others how to hate us. I understand that we humans would never be able to love someone like that, even if we try hard, because we do not stand our own failures, let alone the failures of others. At the same time, we desperately need this kind of love. It looks like an equation without a solution, a damaged bathroom scale. However, that isn’t the truth, it just look like this. Because we do have a source of this love: the Lord.

Maybe the end of the year was not what you expected. Maybe today was the worst day of your life. Maybe you went to the bank and you have so many debts, maybe you’ve been humiliated at work, maybe you’re dealing with the fact that you didn’t get into university this year. Maybe life seems incredibly difficult, because, well, it is. I just wanted to say that if you have nothing, if you feel completely empty, you still have the love of the Lord. This may seem abstract to anyone who has real problems, but some nights it’s all I have. On other happier nights, the love of God is all I am. These are good nights, reader, we must hold on to them … Yes, these are good nights…

 

I pray you are having one of them. I pray you get tons of them.

But let all who take refuge in you be glad;
let them ever sing for joy.
Spread your protection over them,
that those who love your name may rejoice in you.

Psalm 5:11

Um arquivo para vocês baixarem com amor

There is an English version of this post waiting for you after the Portuguese one : )


{Para ouvir enquanto lê}

Há mais ou menos um mês, eu encontrei um blog incrível e falei dele, rapidamente, por aqui. Eu realmente amo achar pessoas que escrevem sobre o Eterno com o seu próprio coração. Você sabe aquele sentimento mágico de ler uma página e não precisar sequer procurar o autor, porque a forma da sua escrita é tão característica que já vem com o cheirinho dele? Eu acho isso uma das coisas mais incríveis dentro do mundo de coisas incríveis – alguns dias maior, outros menor – que flutua sobre a terra.

E é por isso que eu fico tão entusiasmada quando eu encontro uma pessoa que parece ter uma voz apenas dela.

Eu acredito na individualidade em nós. E que esta individualidade nos ajuda transmitir nossa mensagem. Eu já disse algumas vezes a famosa frase do Bill Johnson no blog, que, indiretamente, é algo como: nós só temos uma única mensagem em nós, que é divida em vários pedacinhos, que distribuímos ao longa de nossas vidas. Acredito que, assim como nossa mensagem é singular, nosso meio de espalhá-la precisa ser. Tudo que é genuíno pode contar a história do perfeito e incondicional amor de Deus.

Singularidade.

Que palavra!

Ela nos leva diretamente para ideia de que conhecer a Deus e conhecer a mensagem que partilharemos a partir dele é conhecer a nós mesmos. Porque sem nossa singularidade, sem aquilo que nos torna humanos, somos sinos ressoando melodias tão iguais que são tratadas como barulho de fundo pelo resto das pessoas. Augustinho já falava sobre isso centenas de anos atrás…

Por muito tempo, infelizmente, os cristãos tentaram se adaptar a um padrão único para tudo. A singularidade era deixada de lado em busca da imagem do que era bom e “de bem”. Nós tentamos não ser humanos. Tentamos não sentir o mundo ao nosso redor. Escrever algo que seja intenso e confuso? Bem, por muito tempo não era uma escolha.

Hoje, caminhamos para um conhecimento sobre o Eterno tão mais profundo que podemos falar, abertamente, das melhores e piores coisas sem nos sentirmos mal sobre isso, porque somos amigos. E é isso que me atraiu no blog do Joel Figueroa. E é isso que me faz postar coisas todos (ou quase hehe) os meses.

Ser honesto, usando as ferramentas que te deixam feliz para fazê-lo. Ser honesto, cumprindo o seu chamado.

Acredito que essa geração de pessoas que são tão singulares na maneira com que pregam vão mudar radicalmente as coisas de lugar. Porque elas não precisam ser outra coisa se não elas mesmas e isso… Isso é apaixonante! Isso faz as pessoas se apaixonarem pelo evangelho. Jesus era quem era, e, por isso, ganhou o coração das multidões. Mas, mais do que multidões, ele ganhou o coração da sua nova família:  discípulos aliançados, comendo, rindo, viajando, tomando bronca juntos. Que nossas singularidades construam famílias em nosso meio.

Joel, autor do blog, me deu permissão para traduzir um dos seus textos e ele está aqui embaixo para você ! Espero que te inspire a ser singular no que você foi chamado para fazer.

Toc.Toc.Toc

Por Joel Figueroa

 

Um abraço apertado,

Nat.

 

English Version! 😀

A blog to add to your favorites (or: Joel Figueroa can teach you Portuguese now)

{To listen as you read}

About a month ago, I found an incredible blog and I wrote about it, quickly, in this post (sorry guys, there isn´t an English version of this one, but in Google Translator we trust). I really love finding people who write about the Lord with their own hearts. Do you know that magical feeling of reading a page and not even have to look for the author, because the writing is so distinctive that it already comes with the scent of the writer? I find this one of the most incredible things in the world of incredible things that floats on the earth.

And that’s why I get so excited when I meet a person who seems to have its own voice.

I believe in individuality, and this individuality helps us express our message. I have said a few times Bill Johnson’s famous phrase on the blog, which, indirectly, is something like: we only have a single message in us, divided into several pieces, which we distribute through all our lives. I believe that not only our message needs to be unique but also our means of spreading it. Everything that is genuine can tell the story of God’s perfect and unconditional love. Everything that is genuine can generate forgiveness.

Singularity.

What a word!

It leads us directly to the idea that knowing God and knowing the message we will share from Him is to know ourselves. Because without our uniqueness, we are ringing bells so equally that we are treated as background noise by the rest of the people. Augustine had already spoken about it hundreds of years ago…

For a long time, unfortunately, Christians have tried to adapt to a single standard of personality. We tried not to be human. We tried not to feel the world around us. And if we did, we tried to make it about blameless and coherent feelings. A post – or book – about intense, confusing and honest feelings? Well, for a long time it was not on the table.

Today, we are walking into a knowledge about the Lord so deep that we can openly talk about the best and worst things without feeling bad about it because we are friends. That is what attracted me to Joel Figueroa’s writing, and that’s what makes me post things every (almost every haha) month.

Be honest fulfilling your calling.

I believe that this generation of people who are so unique in the way they preach will radically change things. Because they do not have to be anything else if not themselves and this … This is captivating! This makes people fall in love with the gospel. Jesus was who He was, and therefore won the heart of the crowds, but more than the crowds, He gained the heart of his new family: allied disciples, eating, laughing, traveling, reprimanding together. I pray our singularities build families in our churches.

Joel, author of the blog JoelFig, gave me permission to translate one of his posts to Portuguese, but, well, if you are reading this in English it will not make a lot of sense to you haha. I will leave the link anyway down here for you, but most than teach you Portuguese with this file haha, I will like to recommend Joel´s blog in your own language (the link is also below).  I hope it inspires you to be singular in your calling!

A tight hug (yep, that is how we say Goodbye here, near to the Tropic of Capricorn, get used to the lovable invasion of your personal space),

Nat.

 

Portuguese version:

Toc.Toc.Toc

Por Joel Figueroa

 

No subtitle version

Knock. Knock. Knock

Joel Figueroa 

Pra sempre (ou: Como eu posso ficar brava com você?)

Hello! There’s an English version for you right below 🙂

(Recentemente, vi no status do blog acessos de alguns países que não falam nosso português maravilhoso, então, alguns textos terão uma versão em um inglês-gente-como-a-gente)



{Para ouvir enquanto lê}

– Não. MINHA pedra. MEU mar. Com licença? – Falo entre os dentes. A pessoa da cadeira ao lado me olha sem entender. Eu não explico.

A aula continua e eu tento voltar para o outro lado do mundo dentro de mim.

Uma pedra gigante e um mar gelado demais para entrar. Meu tipo favorito de mar: o que a gente fica encarando, enquanto abraça uma coberta fina.

Pequenos grãos de areia mandam, inicialmente, estímulos para o meu cérebro – estamos aqui! – mas, depois de alguns minutos, eles se tornam um pedaço de mim: meu sistema nervoso não acha mais necessário me dizer que os grãozinhos ainda se movem ao redor do meu dedinho do pé, assim como não me deixa notar o tecido da calça sobre minhas coxas.

Ele olha para cima, o vento faz seus cabelos vibrarem. Cabelos grisalhos e cheios.

Eu tento ignorá-lo como meu cérebro faz com a areia.

Mas Ele ainda está ali. Dentro de uma pequena fantasia que me faz civilizada o bastante para não levantar da cadeira e gritar a plenos pulmões no meio da aula.

“É irritante. Apenas… Não.” – Eu tento dizer a Ele, mentalmente.

“Eu não sei bem porque a gente veio para cá, você nem é uma pessoa de praia, mas eu gosto do vento.”.

“Meu Deus… Quer dizer, nada de Meu Deus. Só… Arg… Eu só quero ficar com a pedra e com o cobertor por três minutos…” – Eu grunho, como uma criança mimada.

“Quando você era pequena, você inventou uma história sobre uma princesa dos golfinhos, você lembra? Eu sempre achei aquilo muito engraçado, foi quando você ganhou um anel de golfinho, lembra?”

“Sim, da Tia Ló…”

“Você não quer um par deles no mar?”

“Nope.”

“Era engraçado porque você estava lavando o banheiro e cantando com um rodo, que era, também, o bastão que chamava os golfinhos…” – Minha visão periférica percebe a linha ao redor de seus olhos sorrindo, mas eu não queria me virar para Ele.

“Aquele musical foi um sucesso de bilheteria, deveria estar na Broadway”. – Quase rio.

“Ainda sem golfinhos?”

“Você se sentiria melhor se eu imaginasse dois golfinhos pulando no mar?” – Pergunto, novamente me transformando em uma criança chorona.

“Pra falar a verdade, eu me sentiria muito melhor se você imaginasse dois rodos pulando, enquanto fazem um barulho de golfinho.” – Os olhos sorridentes Dele ainda estavam ali.

“Ok, Deus, toma seus rodos” – Imaginei dois rodos de madeira cobertos por uma capinha plástica vermelha pulando no meio do oceano, enquanto um sonoro “wickickaisdhahragagagksksk”, ou seja lá o barulho que golfinhos fazem, ressoava sobre a pedra e o por do sol.

“Eu posso ficar?” – Ele não era mais Ele, mas era. Não era o pai, mas tinha a voz do meu amigo, do Espírito.

Eu odeio quando o Espírito vem e eu estou brava. Porque Ele é sim-ples-mente irresistível. Mais do que qualquer outra figura dos céus – e eu não sei se é certo dizer isso, mas o fato é que, pra mim, Ele é. Porque Ele foi enviado para nós e, enquanto não voltar para sua casa, nós somos sua casa.

“Pode…”

O professor tem um ataque de tosse.

“Você já vai?”

“Aula… Tenho que prestar atenção, eu acho…”

“Você sabe que tudo isso vai passar, não sabe?”

“O mundo e o mar e as aulas e o pé contra a areia.” – Afirmo.

“Tudo.”

“Sei, Espírito…” – E, alguns dias, eu realmente desejava que passasse mais rápido.

“Mas nós não vamos. Nós não somos um pedaço de areia no seu pé. Nós somos feitos para sermos sentidos para sempre. Um pelo outro. Pra sempre”

Balanço a cabeça. Imagino mais vento.

“Você não é areia. Eu sou sensível a você.” – Ele derrete feito cocada em dia quente.

Respiro e percebo que o mar não tem cheiro de maresia, porque eu nunca havia dito que ele deveria ter.

“Eu só…” – Me apoio em seu peito. Não há coração, mas escuto uma planta crescendo, e ela parece crescer pra sempre. – “Eu só estou cansada”.

O barulho do seu peito cresce, e cresce, até que se transforma em algo semelhante a uma canção antiga:

 

Você era uma semente
Mas olha, que cheirosa pode se tornar se for um fruto
“Pra ser um fruto, você tem que se anular”, eles disseram
Bobagem
Mas te disseram isso muitas vezes e você acreditou que se me entregasse até o que eu não pedi, eu ficaria feliz
Mas eu, eu só queria que você fosse um fruto cheiroso e não uma viúva chorona
Você  não me ouviu e velou a si mesmo algumas vezes, até que parou diante de grandes embarcações e homens barbados
O mar era o lugar em que os vikings enterravam seus heróis
Enterravam, mas não velavam, você pensou. Não velavam!
O mar era o lugar em que os vikings enterravam seus heróis – isso ocupava toda a sua cabeça
Os vikings achavam que eu não estava ali, você achava que eu não estava aqui, mas eu estou em todo lugar
Eu vi os mortos incendiados ao boiar
A terra é um lugar rápido de se dar a volta quando o tempo não importa
E eu só precisei dar três passos, passei pelos vikings, pelos arranha céus e te encontrei, aqui, no mar que não tem cheiro de maresia, mas de rodos flutuantes
Tire a esperança da água, pare de enterra-la, afoga-la, fingir não vela-la
Porque vocês são mais do que um emprego e contas para pagar
Vocês foram pagos
O meu peito cresce por você, como flor desabrochando, e tudo em mim faz barulho de planta que mal pode esperar para sair da terra, porque nós vamos viver para sempre
Você não entende o quanto o pra sempre é pra sempre
Mas vai entender
Porque a vida é maior do que toda essa água
E nós dois, juntos, somos mais bonitos do que o mar

Eu fiquei ali, em seu peito cheio de plantas, até que pudesse responder inaudivelmente o que o professor perguntava pra turma, claramente pela décima vez.

– Peptidoglicano. – Respondi do que as paredes das bactérias eram feitas, pensando sobre o dia que nossas paredes cairiam e ele cantaria suas músicas pra sempre.


English Version! 😀

Forever (or: How can I be mad at You?)

 

– No. My stone. MY SEA. Excuse me?! – I speak between my teeth. The person next to me looks  confused. I do not explain.

The class continues and I try to go back to the other side of the world, inside me.

I imagine a giant stone and a sea too cold to go into. My favorite type of sea: the one we stare at, while hugging a thin blanket.

Small grains of sand initially send stimulus to my brain – we’re here! – but after a few minutes they become a piece of me: my nervous system no longer finds it necessary to tell me that the grains still move around my little toe, just as it does not let me notice the fabric of the pants on my thighs.

He looks up, the wind makes his hair vibrate. Gray hair.

I try to ignore him just like my brain ignores the sand.

But He is still there. Inside my little fantasy that makes me civilized enough to not get out of the chair and scream at the top of my lungs in the middle of class.

“It’s annoying. Just … Don´t. ” – I try to say to him, mentally.

“I don´t know why we came here, you’re not even a beach person, but I like the wind.”

“Oh my God … I mean, none of “Oh my God”. Just … Arg … I just want to be here alone with the stone and the blanket for three minutes…” – I growl like a spoiled child.

“When you were little, you invented a story about a dolphin princess, remember? I always found it very funny, that was when you got a dolphin ring, remember? ”

“Yes, my Auntie Ló gave it to me…”

“Don’t you want a couple of them at sea?”

“Nope.”

“It was funny because you were washing the bathroom and singing with a squeegee, which was also the stick that called the dolphins…” – My peripheral vision notices the line around his eyes smiling, but I did not want to turn around for him.

“That musical was a hit, it should be on Broadway.” – I was almost laughing.

“Still no dolphins?”

“Would you feel better if I imagined two dolphins jumping in the sea?” I ask, again turning into a crying child.

“To tell you the truth, I would feel a lot better if you imagined two squeegees jumping as they make a dolphin noise.” His smiling eyes were still there.

“Okay, God, here we go.” – I imagined two wooden squeegees covered by a red plastic cap jumping in the middle of the ocean, while a “wickickaisdhahragagagksksk”, or whatever is the noise made by dolphins, resounded on the stone and on the sundown.

“Can I stay?” – He was not He anymore, but He was. It was not the father, but my friend, the Spirit.

I hate when the Spirit comes and I’m angry. Because He is simply irresistible. More than any other figure – and I do not know if it is right to say this, but the fact is that, for me, He is. Because He has been sent to us and, as long He can’t return to his house, we are his home.

“You can…”

The teacher had a coughing attack.

” Where are you going?”

“Class … I have to pay attention, I think …”

“You know all this will pass, don’t you?”

“The world and the sea and the classes and the foot against the sand.” – I said.

“All.”

“I know, Spirit …” – And, some days, I really wanted them to pass faster.

“But we will not. We are not a bit of sand on your foot. We are meant to be felt forever. One by the other. Forever.”

I agree with my head and I imagine more wind.

“You’re not sand. I’m sensitive to you. “- He melts like a candy in a hot day. So sweet. So real.

I breathe and realize that the sea does not smell like sea, because I had never said that it should have.

“I just …” – I lean against his chest. There is no heart, but I hear a plant growing, and it seems to grow forever. – “I’m just tired.”

The noise of his chest grows, and grows, until it turns into something like an old song:

You were a seed
But look, what a scented thing you can become if you turn into a fruit
“To be a fruit, you have to vanish”, they said
Nonsense
But they told you that so many times and you believed that if you gave in things I didn’t even asked, I would be happy
But I, I just wanted you to be a smelling fruit and not a crying widow
You did not hear me and therefore you grieve yourself a few times, until you stopped in front of great vessels and bearded men
The sea was the place where the Vikings buried their heroes
They buried, but they did not grief, you thought. They did not grief!
The sea was the place where the Vikings buried their heroes – this occupied your whole head
The Vikings did not think I was there, you did not think I was here, but I’m everywhere
I saw the dead in the sea
Earth is a quick place to turn around when time does not matter
And I only had to take three steps, I went through the Vikings, through the skyscrapers and I found you here, in the sea that does not smell like sea, but like floating squeegees
Take your hope out of the water, stop burying it, drown it, pretend not to grieving it
Because you are more than a job and bills to pay
You have been paid
My chest grows for you like blossoming flower, and everything in me makes this noise, the noise of a plant that can hardly wait to leave the earth, because we will live forever
You do not understand how forever is forever
But you will
Because life is bigger than all this water
And the two of us, together, are more beautiful than the sea

 

I stood there in his chest full of plants until I could answer what the teacher was asking the class, clearly, for the tenth time.

–  Peptidoglycan. – I replied, almost inaudible. That was what bacteria’s walls were made of. But I was not thinking in microbiology, I was thinking about the day our walls would finally fall and He would sing his songs forever.

Alguns dias, a misericórdia do Eterno parece um beijo de um desconhecido em sua namorada, em um episódio escrito pela Shonda Rhimes (em um em que ela esteja proibida de matar qualquer personagem)

Este é um post com um texto dentro do outro e, por isso, com duas músicas.

Um beijo,

Nat.



{Para ouvir enquanto lê (1)}

É muito fácil odiar a humanidade.

Os motivos são incontáveis.

Todas as semanas milhares de novos motivos aparecem. Milhares de motivos frescos e coerentes.

Eu me lembro de quando trabalhava em uma redação de jornal online de madrugada, cada um desses motivos borbulhavam em mim. Aquele foi um período difícil. Eu odiava noticiar tudo o que escrevia. Eu odiava ligar para a polícia e fazer a “ronda” de todas as coisas horrendas que o ser humano havia conseguido fazer em um único dia. E no outro dia todo o mal começava de novo.

Um dia, quase meia noite, eu recebi a notícia de um estupro terrível na minha caixa de email. Apenas assim. Acima daquele email estava outro email bobo de uma amiga que fiz em um site de conversação em outras línguas. Ela estava me pedindo indicações musicais em português e me perguntando sobre o clima. E bem ali embaixo, bem ali, estava um release da assessoria de comunicação da polícia, explicando que eles haviam acabado de prender um homem que vinha abusando sexualmente de uma menina há anos. Os detalhes. As minucias da crueldade humana.  Eu corri para o banheiro. O jornal não tem quase ninguém durante a madrugada, por isso o barulho dos meus sapatos contra o azulejo soou tão alto quanto um insulto. Eu me tranquei ali, entre a pia e a porta, por uns dez minutos. Tentando não chorar, ou pelo menos tentando não chorar muito.

É incrivelmente fácil odiar a humanidade.

Nesta última semana, o Brasil se perguntou algumas vezes se era possível sentir algo diferente de ódio por toda a nossa raça. Confesso que não tem sido simples. Os jornais mostraram notícias tão terríveis que as pessoas nem tem coragem de transformá-las em conversas banais no elevador ou no ponto de ônibus.

Ninguém ousou dizer “Você viu aquilo no jornal?”. Todo mundo viu e todo mundo estava tão profundamente chocado que até os “bom dia” foram silenciados.

Sempre que algo assim acontece, eu pergunto para Deus como Ele pode nos amar. Como ele pode achar em nós o seu folego depois de termos sido soprados por tanta maldade.

E o texto que vem agora – uma colagem do meu dia-a-dia – é uma resposta ao amor que Deus tem derramado em mim por tudo que está a minha volta e uma carta de amor por Goiânia, que não é o que os jornais dizem. Que não pode ser apenas o que os jornais dizem.

{Para ouvir enquanto lê (2)}

Eu acordo cedo.

E comigo acorda a cidade.

As crianças choram no ônibus. Há tanta vida naqueles pulmões e melodia na cadência do seu choro.

Ainda está muito cedo. Eu cruzo o centro de prédios apertados e vendedores ambulantes. Eles gritam e me oferecem água.

“Dois reais, moça”

“Obrigada”, sorrio.

Por que cada um deles tem um tom de voz desenhado especificamente e unicamente para ele.

E por mais bobo que pareça, sei que o Eterno ama ouvi-lo.

“Olha a águaaa”, o vendedor continua oferecendo. E eu sei que aquilo é poesia para o Senhor. Porque Ele desejou as nossas pregas vocais. Ele nos fez gritando por coisas. Nós ainda gritamos por coisas terrenas, mas Ele espera pelo dia que gritaremos por coisas eternas. Pela única e verdadeira água da vida.

Há trafego e espera na cidade.

Mas as coisas de Deus também pedem por espera.

Há Ipês roxos se abrindo, há sol, há calor que faz uma gotinha de suor desavisada dançar nas costas do menino rindo na porta de casa.

“Deixa eu levar sua sacola”, uma mulher diz para a senhora, enquanto aperta a botoeira e o sinal fecha.

Risadas escandalosas no banheiro da faculdade.

Deus ama o nosso senso de humor.

Gente correndo no fim da tarde, em um parque verdinho. Os seus pés batucam o chão em um ritmo celestial. E eu imagino os anjos dançando break.

Os professores fazem poesias enquanto explicam como uma célula cardíaca é capaz de excitar a outra, e acreditando ou não no Eterno, eles explicam como as coisas Dele são incríveis.

Há um moço na livraria, ele me convida para tomar café e explica porque eu não deveria comprar o livro que queria e deveria comprar o livro que ele estava lendo. Eu rio. Porque Deus adoraria estar ali, no meio daquela discussão, falando sobre escrita, porque Ele é toda a criatividade que existe. Ele é a Shonda Rhimes dos plot twists (sem as mortes dramáticas hahaha).

Eu faço o jantar e bato nos cantos das panelas, tentando acompanhar a minha música. Obviamente, meu molho pula no fogão. E eu posso sentir que o Eterno está ali, dizendo “nós limpamos depois de terminar esse refrão, está quase ficando como eu espero”.

E ele ri de mim no dia seguinte, porque meu colega de apartamento não avisou que a resistência do chuveiro queimou e eu abri a água com tudo em cima da minha cabeça.

“FSDJFHWOHORHEDFAJSDF?!!!!!!”, berro algo que não existe em português, dentro do banheiro. A água estava uma pedra de gelo.

Ele gargalha.

E ri mais ainda quando me vê vendo tutoriais de como arrumar a resistência do chuveiro sem saber direito sequer como abrir um chuveiro.

E um outro dia começa.

E com ele todas as coisas que o Senhor ama sobre a gente. Ele nos diz que vai nos dar uma nova oportunidade. E isso, isso é misericórdia nova e fresca.

E lá vamos nós de novo, cruzando a cidade. Cheia de gente.

Gente que o Eterno ama.

Gente pela qual o Eterno mandou o seu filho.

Crianças rodando seus spinners.

Velhos comprando seus jornais.

Estudantes exaustos dormindo nas cadeiras dos ônibus.

Um moço de camisa roxa beijando sua namorada como se estivesse prestes a ir para o exílio.

O Eterno nos ama.

Não porque somos bons, mas porque nós somos Dele.

E isso, bem, isso faz toda diferença.

Querido JoelFig, eu não te conheço, mas obrigada

{Para ouvir enquanto lê}

 

Depois de passar o dia na biblioteca da universidade estudando, fui para o ponto de ônibus e ele não passou na hora que deveria. Novidade…

“Eu odeio poucas coisas como o 105, Deus…”, pensei.

105, o ônibus que se atrasa, está sempre cheio e é impossível de se escapar.

Então, eu comecei a abrir coisas aleatórias no meu celular, curtir fotos de amigos dos quais tenho saudades todos os dias, comecei a me perguntar porque a vida nos dá tantos pratos para girar ao mesmo tempo e como seria bom deixar alguns caírem para ver todos esses amigos todas as semanas.

E bem… foi mexendo aqui e ali no Instagram que eu achei. Eu achei. Sim, eu achei.

“O que pelo amor de Deus?!”, você me pergunta.

Bem, eu achei um dos melhores blogs que eu já li em muito tempo.

Sério.

Eu não tinha pretensão nenhuma naquele dia: eu só precisava chegar em casa, tomar um banho, estudar um pouco mais. Mas eu fui invadida pela presença de Deus. De uma forma intensa.

Enquanto eu lia um dos melhores textos que li em eras sobre o Eterno, a maior chuva de todas começou a cair.

As pessoas do ponto de ônibus começaram a reclamar, agarrar as suas mochilas, começaram a a se amontoar no centro do lugar, tentando ficar o mais longe possível do temporal gelado. E eu? Eu estava ali, feito uma maluca, tomando chuva. O vento fazia meu cabelo dar piruetas, as gotas respingavam no meu celular, e eu tentava não chorar ou rir muito alto.

Deus pode nos encontrar das formas mais incríveis. Como o autor do blog escreveu: He is a wild thing.

Eu e o cara mais incrivelmente selvagem que eu conheço nos molhamos  e entramos sorrindo no 105, coisa que as pessoas não costumam fazer naquele ônibus.

E qualquer um que me visse naquele dia sabia que eu era só Dele e Ele era só meu.




Por favor, leia esse blog: Joelfig 😉