Todos os posts de nataniacarvalho

Um texto sobre nada, sobre tudo, sobre umbigos (Ou: Margarida. Eu chamaria nossos umbigos de Margarida)

{Para ouvir enquanto lê}

O universo me impressiona.

A existência dos dentes.

Os nossos dois olhos.

O corpo envelhecendo e ainda sim gerando tecido conjuntivo para enfiar nas nossas cicatrizes.

Cicatrizes me impressionam.

Tudo sara.

Mesmo que não funcionalmente.

E isso… isso tudo me impressiona.

De uma forma em que tudo é ridículo, de uma forma em que tudo é maravilhoso.

Eu sempre quis ser como outra gente, queria ter outro olho, falar melhor, escrever de outro jeito, correr todo fim de tarde, rir mais baixo.

Hoje, hoje eu me impressiono comigo.

Eu estou de pé, mesmo depois de tudo isso.

Tudo isso que deita montanhas e erosiona pedaços de rochas.

Mas eu, feita de cipós mais densos que o vento, eu resisto, quase intacta, faltando apenas um pedaço aqui e outro aculá.

Assim como eu não tombo, milhares de pessoas também permanecem de pé.

Sim, as pessoas me impressionam.

Tão graciosas com seus passos de dança, tão imbecis com suas armas em punho, tão dedicadas criando suas proles, tão apavorantes decidindo pelo fim das outras.

No mesmo dia, choraram copiosamente, empurraram seu primeiro carrinho de brinquedo, ganharam o pior não da sua vida, foram tão felizes quanto um beijo de saudade, tão miseráveis quanto velório de mãe, tão pessoas quanto qualquer um pode ser.  Assim como eram 345 anos atrás, como serão daqui a 345 anos.

Tudo muda, tudo é igual.

Enquanto escrevo, tudo nunca mais vai ser como é, tudo irá se repetir eternamente.

Escrever me impressiona.

Ainda que metade dos meus rascunhos estejam encantoados em pastas perdidas em pendrives não identificados, eu me guardo o direito de chorar quando uma frase sai exatamente como eu mastiguei e cuspi em meu coração. Eu aumento o volume de Clair de Lune e continuo digitando, em busca de me sentir assim para sempre.

Debussy me impressiona.

E sobre isso não há mais complementos.

Complementos me impressionam.

Porque eles são a prova de que gostaríamos de dizer mais sobre a vida do que o que já foi dito.

A vida me impressiona, leitor, porque para percebê-la eu preciso tirar meus olhos do buraco redondo da minha barriga. Buraco que chamam de umbigo, mas que, por mim, tinha outro nome.

 

English version

A post about nothing, about everything, about navels (or: Daisy. I would call our navels Daisy)

 

{To listen as you read}

 

The universe impresses me.

The existence of teeth.

Our two eyes.

The body is aging and still generating connective tissue to stick to our scars.

Scars impress me.

Everything heals.

Even though not functionally.

And this … this all impresses me.

In a way that everything is ridiculous, in a way that everything is wonderful.

I always wanted to be someone else, I wanted to have another eye, to speak better, to write in another way, to run every afternoon, to laugh without making so much noise.

Today, today I am impressed with myself.

I’m standing, even after all this. All this was able to throw mountains and make rocks into pieces. However I, who am made of lianas denser than the wind, I resist, almost intact, missing only a little piece here and there.

Just as I do not fall, thousands of people also stand.

Yes, people impress me.

So graceful with their dance steps, so foolish with their guns in their hands, so dedicated in raising their children, so terrifying deciding the end of the others.

On the same day, they wept copiously, they pushed their first toy car, they got the worst “no” of their life, they were as happy as a longing kiss, as miserable as the day that their mothers died, they were as people as anyone can be. Just as they were 345 years ago, as they will be in 345 years.

Everything changes, everything is the same.

As I write, nothing will ever be the same and everything will repeat itself forever.

Writing impresses me.

Even though half of my drafts are abandoned in unidentified flash drives, I keep the right to cry when the sentence comes out exactly as I chewed and spit in my heart. I turn up Clair de Lune volume and keep typing, searching to feel this way forever.

Debussy impresses me – and to this phrase, complements are not needed.

Complements impress me.

Because they are proof that we would like to say more about life than what has already been said.

Life impresses me, reader, because in order to perceive it I need to take my eyes off the round hole of my belly. Hole they call a navel, but if it was up to me, it had another name.

Astronauta de máquinas de lavar

{Para ouvir enquanto lê}

– Segure-se na rocha, criança.
Você me diz, mas o mundo gira muito rápido. Meus cabelos, em segundos, estão pendurados de cabeça para baixo, balançando em direção a gravidade.
Eu prendo a respiração.
– Segure-se na rocha, criança.
Você continua falando, enquanto eu tento apenas colocar os dois pés no chão.
– Quando as coisas vão parar de rodar?
– Segure-se na rocha, criança.
Eu pareço uma astronauta dentro de uma maquina de lavar. O mundo é desesperador e sufocante e ele cai sobre mim feito areia de ampulheta.

– DEUS?… DEEEEEEEEUS?

Eu berro dentro daquele lugar, de dentro deste lugar, de dentro de qual lugar?
– EU NEM SEI COMO SEGURAR. – Continuo rodando e gritando.
– Segure-se na rocha, criança.
O mundo exterior continua cirandeando, mas você, você que é humilde de coração, você que é um rocha, se aproxima de mim. Perto, cada vez mais perto. Seu nariz parece um planeta e eu começo a orbitar em você.

– Aprenda de mim, criança. Aprenda de mim.

 

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

Mateus 11:28-30

 

 

 

English Version 😉

An astronaut inside a washing machine

{To listen as you read}

–  Hold on to the rock, child.
You tell me, but the world turns very fast. My hair, in seconds, hangs upside down, swinging toward gravity.
I hold my breath.
– Hold on to the rock, child.
You keep talking while I try to just put both feet on the floor.
– When will things stop spinning?
– Hold on to the rock, child.
I look like an astronaut inside a washing machine, in a desperate and suffocating world that falls on me like hourglass sand.

– GOD? GOOOOOOOOOD?
I scream in that place… but what is that place?
– I DO NOT KNOW HOW TO HOLD ON.  – I keep spinning and screaming.
– Hold on to the rock, child.

The outside world keeps on ringing, but you, you who are humble in heart, you who are a rock, come close to me. Closer and closer. Your nose looks like a planet and I start to orbit around you.

– Learn from me, child. Learn from me.

 

Come to me, all you who are weary and burdened, and I will give you rest.  Take my yoke upon you and learn from me, for I am gentle and humble in heart, and you will find rest for your souls. For my yoke is easy and my burden is light.

Matthew 11: 28 – 30

Até que você me seque

{Para ouvir enquanto lê}

Eu me sinto como a água próxima a uma canoa no meio do Araguaia.

Ela se estapeia com força contra o casco da pequena embarcação.

Pluft.

De novo e de novo.

Ela não escolheu o barco, não conhece seus passageiros, não está usando coletes salva-vidas.

A água apenas se lança contra a canoa, impotente, chacoalhando-se.

Quando a decisão dos outros, mais canoas do que eu, mesmo que corretas, me lançam contra um pedaço de alumínio pintado e com cheiro de peixe, eu não sei o que fazer. Eu choro, como se eu fosse realmente água. Eu me derreto no chão do banheiro e sobre a cama. Me despejo perto da máquina de lavar e meu cachorro lambe uma lágrima perto da minha mandíbula.

Pluft.

Eu penso nos Salmos e imagino Davi, ruivo e franzino, cantando suas letras em profunda tristeza. Nessas horas, eu me pergunto se ele já se sentiu água, escorrendo por toda Israel.

Não tenho resposta.

Ainda molhada, eu olho para o Senhor. Ele está completamente calado, respiro fundo.

– Ele é bom. – Digo para mim mesma, em voz alta.

Ele é, para sempre, toalha.

 

English version

Until you dry me

I feel like the water next to a canoe in the middle of the Araguaia, slamming into the hull of the small boat.

Pluft.

Again and again.

That water did not choose to be near the boat, it does not know its passengers, it is not wearing life jackets.

The water just leaps against the canoe, powerless, shaking.

When the decision of others, more canoes than me, even if correct, throw me against a piece of painted aluminum , I do not know what to do. I cry, like I’m really water. I melt on the floor of the bathroom and on the bed. I overflow near the washer and my dog ​​licks a tear near my jaw.

Pluft.

I think of the Psalms and imagine David, red-haired and thin, singing his lyrics in deep sadness. At these times, I wonder if he ever felt water, running all over Israel.

I do not have an answer.

Still wet, I look to the Lord. He is completely silent, I breathe deeply.

– He is good. – I say to myself, out loud.

He is, forever, a towel.

Completamente inexplicável, maravilhosamente boa

Talvez a vontade Dele seja exatamente (ou quase exatamente) como minha obsessão por ler biografias de físicos sem ter NENHUMA habilidade para o assunto em si. Inexplicável e, ainda sim, eu viro outra página, fascinada por Isaac.

“Não me peça para calcular nada”, eu imploro a Ele, mas quem é que pode moldar a vontade do Eterno se não Ele mesmo?

 

English version

 

Completely inexplicable, wonderfully good

Perhaps His will is exactly (or almost exactly) my obsession with reading biographies of physicists without having ANY skill in the subject itself. Inexplicable, and yet, I turn  another page, fascinated by Isaac.

“Do not ask me to calculate anything,” I implore Him, but who can shape the will of the Lord if not Himself?

Feliz quinto aniversário para a gente! (Ou: O pedaço de Deus em cada um de nós)

Este é um texto bem bem bem maior do que costumo postar, mas perdoa vai, é nosso aniversário 😀


{Para ouvir enquanto lê}

 

5

 

Inacreditavelmente, cinco anos se passaram desde que eu escrevi meu primeiro texto neste blog. Cinco anos muito loucos.

Você que me lê me viu de todas as formas possíveis – jornalista, professora, estudante de novo. Você me viu muito feliz e muito triste. Você me viu em duas cidades, e me vê trançando de uma para outra diariamente. Foi com você que eu dividi meus versículos preferidos e minhas angústias menos prediletas. É você quem sabe minhas histórias mais curiosas com o Espírito – como aquele dia da chave – e as verdades mais simples de um evangelho ainda mais simples: levantar e continuar andando, um passo de cada vez, até que Aquele que é perfeito venha.

Eu aprendi a te responder por email como se fossemos velhos conhecidos e senti o seu cuidado por mim quando demorava postar algo.

Você me costurou enquanto eu te costurava. Nós nos tornamos uma colcha maravilhosa de CENTENAS de posts.

Eu não poderia ser mais grata por você. Pela sua pessoa real – e não apenas pelas suas letras lidas na minha tela.

Família. Uma família bloguística incrível e que eu nunca podia imaginar conhecer quando eu decidi sentar e preencher a pergunta do wordpress: qual o nome do seu blog?

Para falar a verdade, o blog começou anos antes que o blog realmente começasse. Desde que eu me entendo como alguém capaz de decodificar o alfabeto, nada é tão satisfatório quanto escrever. Parágrafo atrás de parágrafo. A primeira linha de um livro, a primeira letra no word. A página deixando de ser branca. A sensação de escolher uma palavra, como se ela estivesse ali, no cantinho do meu cérebro, coberta em caramelo, ansiosamente esperando para ser colocada entre um sujeito e um verbo qualquer. Quando eu era adolescente, eu me pegava anotando coisas que hoje posto por aqui, no canto dos meus cadernos da escola. É como eu me conecto com o mundo e com Deus. Eu já disse isso no blog, mas antes que eu pudesse me entender com os formatos dos textos, lá pelos sete ou oito anos, eu escrevia grandes-gigantes-enormes-pergaminescas cartas para o Eterno e as jogava da janela, esperando que tivessem sumido pela madrugada. Quase nenhuma sumia, mas eu sabia que Ele havia lido.

Nos últimos cinco anos, eu mandei muitas cartas para o Senhor por aqui, e eu recebi muitas respostas delas. O melhor: elas deixaram de ser apenas cartas e se transformaram em uma rede de peixes.

Eu me pescava e te pescava, enquanto éramos embalados pelos ventos calmos – ou extremamente agitados – da nossa caminhada cristã.

Eu aprendi muito! Sim, esses cinco anos me ensinaram diversas lições, desde as mais simples (não pule no lago do vaca-brava/ não espere um 263 vazio/ não dê seu coração temerosamente / não seja tão orgulhoso assim/ não deixe o tempo te fazer um expert em cristianismo, surpreenda-se com o Senhor/ escolha sempre amaciante concentrado/ não tenha medo das suas dúvidas teológicas/ não dá MESMO para agradar muita gente, mas desagradar todo mundo é muita babaquice/ pagar língua é uma prestação do oxigênio, se você está respirando ainda tem muita língua para ser paga), até uma das mais complexas: não é contra carne e o sangue.

E se não é contra a carne, é sobre ser a favor das pessoas. Cinco anos aprendendo, dentro de minhas limitações tão limitantes, a amar as pessoas, cinco anos aprendendo que Aquele  que é Todo Poderoso, o Guarda de Sião, o Nosso Pastor vive em pessoas e não, simplesmente, nas ideias delas.

Não é apenas sobre enxergar o melhor nos outros, mas sobre ver o Senhor dentro deles. Esta é minha mensagem de aniversário: o Espírito vive dentro das pessoas. Parece extremamente óbvio, mas não é tanto assim… É sobre parar e encontrar partes incríveis escondidas do Eterno em nós.

– Venha me encontrar. – O Filho ri, correndo como uma criança.

Eu tenho corrido atrás Dele e o achado, também, dentro das pessoas.

O meu presente de cinco anos para você é dividir três pessoas que realmente são cheias de Deus e demonstram isso fortemente através de algumas de suas características. Hoje, eu vou apresentar para você, amigo leitor, um pouco da sabedoria, dos sonhos e da mansidão de Deus através de  pequenas entrevistas .

Seja bem-vindo ao O Espírito que vive dentro de três incríveis pessoas que conheço (inserir um jingle do tipo roda-roda, ou qualquer coisa meio SBT). Os personagens do nosso minijogo de aniversário são Evania, a sábia; Vitor, o manso e Luiz, o sonhador.

—–  Evania

Quando a Evania começa a falar, eu sei que tem algo novo de Deus ali. Simples assim. Eu me lembro de um dia muito, muito, blé, eu corri para a igreja no meu horário de almoço, eu precisava orar, eu precisava desesperadamente de qualquer coisa, e ela estava ali. Nós fomos para o altar juntas e um rio, verdadeiramente um rio, de águas do céu se dissolveram da sua boca. É fácil ver sabedoria nela. É fácil ver essa partezinha do Senhor pulsando através dela. E foi exatamente isto que eu perguntei a ela. Como, meu Deus como, ser guiada em sabedoria?

Evania – “Eu não percebo essa sabedoria nata em mim, porém eu percebo essa sabedoria em Deus, e a própria palavra nos diz que aquele que precisa de sabedoria pode pedir. Então eu me vejo diante de duas escolhas: eu posso continuar vivendo minha vida normal e fazer minhas escolhas ou eu posso buscar uma sabedoria em Deus e fazer minhas escolhas com a sabedoria Dele. Eu decidi. Eu não quero viver do meu próprio entendimento mais, eu quero ir além. Se Deus habita em mim, eu posso desenvolver a sabedoria.

Isso é um desafio diário, principalmente no início, porque eu tive que romper com a minha lógica, com o que eu tinha como certo e errado. O Espírito me dava direções e elas iam ao contrário do que eu faria normalmente. Foi muito desafiador para mim abrir mão da minha lógica, quebrar um ciclo. Hoje em dia, não é tão difícil, como eu decidi obedecer, eu comecei a discernir de forma mais clara quando era a voz de Deus ou não.

Ser guiada em sabedoria impactou não só a minha vida, mas a vida de outras pessoas. Às vezes, o Espírito me pedia que eu respondesse de uma certa maneira para alguma pessoa e não era bem aquilo que eu queria dizer, mas quando eu respondia segundo a sabedoria Dele, eu sentia que a pessoa experimentava um impacto muito grande e isso voltava imediatamente para mim e era como se eu mesma houvesse sido aconselhada.

Há também momentos que não acontecem todos os dias, que são mais raros, que não tem relação com minhas escolhas, algo mais sobrenatural, em que eu sinto que eu estou falando algo que vai além da minha sabedoria, algo que vai além do que eu já tive acesso, e eu sei que vem direto de Deus. Ele é dono de toda sabedoria. ”

—– Vitor

Eu conheci o Vitor recentemente em um núcleo de oração da Faculdade e acreditem: ele é, possivelmente, um dos seres humanos mais calmos que já existiram (cuidado Moisés, hehe). É algo extremamente natural. A confiança de quem ele é no Reino vem do Eterno e parece ter sido liberada desde a sua conversão. O Vitor se converteu no Ensino Médio, através de uma professora, nos seus momentos de dúvida, ela o encorajou biblicamente pelo extinto msn (escutar o barulhinho de uma janela subindo aqui). Mas, antes mesmo de eu saber toda essa história, era impossível não perceber que o Senhor era o dono da sua calma, e foi exatamente sobre isto que nos conversamos e ele explicou como ser calmaria, mansidão de Deus, como ter certeza de que tudo realmente coopera para o nosso bem, em um mundo desesperado.

Vitor – “É preciso lembrar das verdades da palavra de Deus. Vai com a certeza de que você já ganhou, a gente não vai para uma batalha duvidando da vitória. Eu vou fazer uma prova de vestibular, de monitoria, com a certeza de que eu já passei, de que eu sou mais do que vencedor. Eu acho que uma das coisas mais poderosas, mais fortes que eu aprendi a respeito da Bíblia, é declarar a palavra. Eu não peço para ser abençoado, eu já sou abençoado, você tem que declarar. Se Deus se preocupa com um passarinho, em vestir um lírio, como o Senhor não vai se preocupar em cuidar de nós? E a palavra ainda diz que todas as coisas cooperam para aquele que ama a Deus, você tem que declarar! Você entende esse versículo quando realmente entende que Jesus te amou, quando entende que Deus mandou Jesus para morrer em seu lugar.

Quando você aceita a Jesus, quando Deus olha para você, na verdade, Ele vê a Cristo, então eu tenho essa certeza de que as coisas vão dar certo, não por algo que faço, mas porque a justiça de Cristo foi colocada em mim. Jesus foi colocado como propiciatório da arca, a tampa da arca, e isso significa que Cristo está acima do sentimento da vergonha que temos ao nos compararmos com a Lei, acima da rebelião de Corá e da nossa negação da provisão de Deus; quando Deus nos olha, Ele vê a tampa, que é o próprio Jesus. Quando você olhar para você mesmo, você precisa ver Jesus, não seus erros, suas rebeliões e negações, quando você olha para você é claro que parece que nada realmente vai dar certo, mas o segredo é olhar para Cristo. Virão dias difíceis, mas a certeza de que tudo vai dar certo é maior. Deus é o meu pai e o meu pai me ama.”

—– Luiz

Luiz, um amigo e antigo companheiro do ministério de mídia, o homem das teologias, das coisas ~diferenciadas~, o novo baixista da Irlanda e dono da habilidade de sonhar vai te explicar, leitor, como começou a acreditar nesta partezona do coração de Deus: os sonhos.

Luiz – “Eu gosto de dividir minha vida em músicas, acho que você entende né? ”

OBS: ESTE É O LUIZ TENTANDO GANHAR NO MEU PRÓPRIO JOGO MUSICAL DA VIDA, VAMOS DEIXAR ELE IMAGINAR QUE PODE, PORQUE ELE É O CONVIDADO hehehe.

“Quando você fala sobre sonhar, eu me lembro de No Longer Slaves, e não só por causa da letra, mas pelo o que ela representa para mim: uma parte da minha vida em que eu cresci muito como cristão. Eu me lembro que aquela foi uma época complexa para mim, eu era muito jovem, muito confuso, eu queria fazer muitas coisas – quando a gente é jovem, a gente está na nossa época de maior potencial, você pode ser o que quiser, mas, ao mesmo tempo, você está tão confuso que fica com medo de não virar nada.

Eu me lembro que estava em uma dessas partes da minha vida, confuso, e com dificuldades no meu ministério, eu não conhecia muito a Bethel, um dos meus discípulos me apresentou, eu encontrei o álbum que tinha No Longer Slaves e eu comecei a ouvir o dia inteiro. Nessa época, eu ouvia essa música e orava sem parar, umas três horas por dia – saudades, queria ter tempo de orar três horas por dia, risos. Eu realmente me aproximei de Deus, mudei muitos conceitos errados que eu tinha sobre quem Deus era e o seu relacionamento comigo, sobre quem eu mesmo era no Reino e no mundo, eu aprendi que não havia um limite para que eu me aproximasse Dele. Nunca ia chegar um dia em que eu estaria tão próximo que eu poderia parar de busca-Lo, parar de me parecer mais com Ele. O amor Dele é como um oceano imenso, eu nunca conseguiria viver o suficiente para chegar até o seu fim.

Quando eu percebi isso, junto com a música, eu percebi que eu não precisava ter medo de nada, toda limitação era muito irrelevante, que o amor de Deus sempre estaria ali por mim, tudo dando certo ou não. Isso me permitiu sonhar. Deus me ama tanto, que se o que eu estiver sonhando faz parte dos planos Dele vai dar certo, e se não, foi o melhor. A falha é insignificante. Eu não preciso ter medo de sonhar.

Os sonhos que a gente tem medo de tentar, porque são grandes demais, eles são pequenos diante de quem é o nosso Deus.

Se há uma coisa extraordinária dessas, como o criador do universo querer um relacionamento de intimidade comigo, então qualquer outro sonho na nossa vida é muito pequeno e cabe na palma da nossa mão. É fácil sonhar. Nós não temos nada a perder.”

 

As pessoas têm tanto para jorrar de Deus em nós. Elas são pedaços do Deus vivo esperando para serem manifestos.

E isso me faz querer escrever ao redor dos meus cadernos para sempre.

Este é fim do nosso jogo O Espírito que vive dentro de três incríveis pessoas que conheço, mas, quem sabe, é o começo de outros novos cinco anos.

Obrigada por estar comigo, leitor. Obrigada por ser a mão invisível que me balança para o braço mais poderoso que já existiu. Eu apenas espero que possa fazer o mesmo por você.

Um abraço amassador de costelas,

Nat.

 

Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus.

Romanos 8:19

Vermelho-marte

{Para ouvir enquanto lê}

Eu não costumo ganhar muita coisa de graça na vida, a maioria delas vem com um bocado de água – suor, lágrimas, pode escolher o grau de sal favorito -, então, quando eu te percebo em mim, tão gratuitamente bom, eu fico paralisada. Como estou agora, enquanto estudo e olho para fora da biblioteca.

Depois da janela de vidro, onde encaro, há uma árvore cujas folhas começam a secar, o sol bate sobre todas elas – espalhando um brilho vermelho amarelado – e é como se cada uma daquelas coisinhas ressecadas fosse Marte, comportando bilhões de tonalidades de vermelho, comportando o próprio Deus vivo.

O universo está cheio de você. Completamente cheio de você, Deus.

Eu fecho meus olhos com força, procurando a eternidade e a noção de não sofrer. Nela não há preocupações passageiras, mas há a intoxicante certeza de que todas as folhas cairão, Marte e todos os planetas virarão contas do seu colar, todo o tempo escrevendo e decorando doenças e alterações desaparecerão e só sobraremos nós dois e o indecifrável sentimento de que você é gratuitamente bom.

Meus olhos se descolam e eu espero o momento em que você vai me pedir para chorar e suar e chorar e suar, como absolutamente tudo o que faço na vida, mas o sol sai de trás da árvore-planeta e esquenta minhas orelhas.

Seu amor é quente.

Não porque não haja lágrimas e suor e muito mais água para ser perdida durante a vida, mas porque Yeshua, porque você, Yeshua, venceu o mundo sendo gratuitamente bom. Você me deu a eternidade, que é gratuitamente boa. Você é a graça gratuita. Tudo o que você é é bondoso.

Pisco.

Uma

     lágrima

           cai sobre o livro de patologia e o general de Israel cai sobre mim.

Aleluia, Cristo pagou tudo para que eu me assustasse com o que é de graça.

Eu olho para cima e boio

{Para ouvir enquanto lê}

O sino da igreja perto de casa bate.

O pássaro voa no céu.

A velha vem assobiando pela rua, procurando suas chaves, carregando o alho que vai bater no pilão pro almoço.

E o sino

bate.

bate.

bate.

O universo não tem pressa.

Ele boia em cima do oceano como se não tivesse nada para fazer.

Ele boia em cima do oceano como se tivesse tudo – absolutamente tudo – para fazer.

 

 

Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro.
O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra.
Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não tosquenejará.
Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel.

 

English version ;D

{To listen as you read}

I look up and float

The church bell near my house rings.

The bird flies in the sky.

The old woman is whistling down the street, looking for her keys, while carrying a garlic package she will use to make lunch.

And the bell

rings

rings

rings.

The universe is in no hurry.

It floats on the ocean as if it had nothing to do.

It floats on the ocean as if it had everything – absolutely everything – to do.

I will lift up my eyes to the hills,
    from where does my help come?
My help comes from the Lordwho made heaven and earth.

He will not let your foot slip; He who keeps you will not slumber.
Behold, He who guards Israel shall neither slumber nor sleep.

Ficai aqui, e vigiai comigo

Jesus subiu ao monte para orar, aflito, mas os discípulos dormiam.

– Nem ao menos uma hora pudestes vigiar comigo? – Eu repito as palavras de Jesus, sentada na cama, chorando.

Às vezes, o ministério é solitário. Eu tenho aprendido sobre isso. E está tudo bem, porque o ministério é maior do que eu, ele é maior do que meu conforto. Às vezes, ele não me faz pular de alegria, pelo contrário, me faz pensar e pensar, sem nunca encontrar respostas, quando alguém desiste dos planos do Eterno.

Apesar de tudo, o ministério é tudo o que eu preciso. Eu poderia ser feliz sem ele? Talvez… Mas eu nunca, nunca, seria completa.

Respiro fundo, ainda na minha cama, e escuto o que o Senhor ainda está falando. Pedro – discípulo para o qual Jesus direciona unicamente a pergunta que imitei há poucos segundos, mesmo havendo outros dois discípulos que também dormiam – iria ser o firme fundamento da igreja.

– A igreja pode dormir, mas ela sempre acorda, Natânia. Você pode dormir, mas sempre acorda. A missão, algumas vezes, parece de um homem só, mas não se engane:  ela não pertence a nenhum de vocês, não sozinhos, a missão é minha. – A Trindade ressoa alta e barulhenta no meu quarto para que eu nunca me esqueça de quem é o chamado.

Às vezes, o ministério é solitário, mas eu repito: Graças a Deus, nunca estamos sozinhos.

English version 😀

Sit here while I go over there and pray

Jesus went up to the Gethsemane to pray in sorrow, but the disciples slept.

“Couldn’t you men keep watch with me for one hour?” –  I repeat the words of Jesus, sitting on the bed, crying.

Sometimes the ministry is lonely, I’ve learned about it, and it’s all right, because it is greater than I, it is greater than my coziness. Sometimes it does not make me jump for joy, on the contrary, it makes me think and think, without ever finding answers, when someone gives up the plans of the Lord.

Despite it all, the ministry is all I need. Could I be happy without it? Maybe … But I would never be complete.

I take a deep breath, still in my bed, and I listen to what the Lord is talking. Peter – the disciple to whom Jesus addresses the question that I echoed a few seconds ago (and the question was only to him, even though there were two other disciples who slept too), – Peter would be the firm foundation of the church.

“The church can sleep, but it will always wake up, Natânia. You can sleep, but you will always wake up. The mission sometimes looks like a one man only thing, but make no mistake: it does not belong to any of you, not alone, it’s my mission.” The Trinity resounds louder in my room so I will never forget who it is the owner of the callings.

Sometimes the ministry is lonely, but I repeat: Thank God, we’re never alone.

 

Nem mil estátuas perfeitamente construídas por Michelangelo podem imitar a sua beleza, Jesus

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{Para ouvir enquanto lê}

Ele não é lindo?

Imagino Jesus, pele escura, nariz protuberante, pés calejados e sequinhos, 1,75, barba com areia de deserto, sobrancelhas grossas, uma ruguinha entre as sobrancelhas grossas – daquelas ruguinhas de repreender discípulo.

Eu me abaixo, amarro suas sandálias e, ao levantar, nossos olhos se acham. Tipo imã, dedo de criança e tomada, ventilador e um verão no Centro-Oeste.

Eu perco o ar.

Porque de um mundo inteiro de pessoas muito melhores do que eu – com menos medos e bobeiras – sou eu, eu, que estou olhando para aqueles grandes olhos redondos.

Ele

é

tão

lindo.

Eu o sinto dentro do meu coração – como um fogo estalando e lançando fagulhas, como o sopro no rosto de um bebê – e sei que eu nunca direi o suficiente:

Ele não é lindo?

 

English Version 😀

 

Not even a thousand statues perfectly built by Michelangelo can mimic your beauty, Jesus

{To listen as you read}

Isn’t he handsome?

I imagine Jesus, dark skin; protuberant nose; dry, calloused feet; a five-foot-seven man; a beard with desert sand; thick eyebrows; a wrinkle between this thick eyebrows.

I lower myself, tie his sandals, and as I stand up, our eyes meet. Like magnet, child finger and power outlet, fan and summer in the Brazilian Midwest.

I lose the ability of breathing.

Because in this whole world of people far better than me – with fewer fears and nonsense – it’s me, me, I’m looking at those big round eyes.

He

is

so

handsome.

I feel him inside my heart – like a fire crackling, like a puff on a baby’s face – and I know I will never say it enough:

Isn’t he handsome?

Quem?

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{Para ouvir enquanto lê}

Eu decido não alimentar minha carne. Ela grita. Reclama. Berra. Espuma pelos poros. Contudo, eventualmente, perde as forças. Se torna murcha e flácida.

E assim, com o coração de um menino, mas a carne enrugada e seca de um velho, eu consigo me esgueirar pelo caminho, que não mudou de tamanho porque os tempos são amplos e permissivos, que continua pequeno como o buraquinho de uma agulha.

Meu corpo se arrasta pelas bordas da agulha, e, às vezes, sinto que o caminho é bem menor do que eu poderia aguentar se estivesse sozinha. Mas eu, eu nunca estou só. E o cheiro do que há de vir continua me chamando para atravessar o buraco da agulha, ele continua me perguntando:

Quem você trouxe para atravessar com você hoje?

 


Leia também Seríamos mais bonitos do que a NGC 2997 se não estivéssemos ocupados em retirar rins e intestinos


English Version 😀

{To listen as you read}

I decide not to feed my flesh. It screams. It complains. It foams through the pores. However, eventually, it loses its strength. It becomes wilted and flaccid.

Therefore, with the heart of a boy, but the wrinkled and dried flesh of an old man, I can sneak up through the path, which has not changed in size because the times are large and permissive, which remains as small as a needle-hole.

My body crawls along the edges of the needle, and sometimes I feel the way is much smaller than I could handle if I were alone. But I, I’m never alone. And the smell of what is to come keeps calling me to cross the needle hole, it keeps asking me:

“Who did you bring to cross with you today?