Arquivo mensal: janeiro 2018

Eu me refugio nas boas noites

There is an English version of this post waiting for you after the Portuguese one : )


{Para ouvir enquanto lê}

Eu nunca fui boa em esportes, em conversar com estranhos e em deixar as pessoas saberem quando preciso de algo. Mas eu sempre fui boa em acertar.

E isso, bem, isso virou a minha coisa.

Foi um choque descobrir que a vida é incontrolável.

Eu estava num parque, abraçada a uma biografia do Tolkien, odiando ter feito meu curso na faculdade, tentando não voltar para casa.

Aquilo não podia ser real.

Mas era. Porque a vida não é fácil.

Foi o começo da era em que eu me descobri horrível em todas as coisas já listadas: esportes, conversas banais e em fazer a coisa certa.

Eu chamo aquele dia de A casa caiu, mermão.

Depois de sair da escola em que trabalhava, o segundo emprego do dia, eu andava algumas quadras e me sentava naquele parque. Abraçada com Tolkien. Literalmente. Como uma completa maluca. Algumas vezes, eu nem lia o livro. Eu simplesmente me atracava a ele, como se ele pudesse me salvar de agir ainda mais estranhamente, pulando no lago sujo do parque enquanto gritava “tudo é uma mentiiiiira!”.

Eu cogitei algumas vezes, mas eu teria que voltar para casa molhada e provavelmente teria que incinerar os jeans depois de tocarem aquela água. Só Deus sabe como eu odeio comprar Jeans… Então, Tolkien e a preguiça de comprar novas calças me mantinham longe do lago sujo diariamente.

Aquele era o princípio dos tempos difíceis. A ponta do Iceberg. O primeiro pingo de chuva.

Viriam outros.

Muitos outros.

Eu não era mais a primeira filha a entrar na faculdade, a primeira neta com um estágio legal em coisas de internet, eu era oficialmente alguém que tinha tentado e não conseguido. Eu tinha perdido minha carteirinha de fazer a coisa certa.

Eu fracassei em mais áreas do que você possivelmente possa citar desde então, mas este não é um texto de autocomiseração. Eu juro. É um texto para te dizer que a gente tá junto nessa.

Finais de ano são difíceis para quem não tem o que contar na mesa do natal. Eu entendo isso. DE VERDADE. Mas, bem, eu queria que soubesse que você é mais do que o seu trabalho, do que o seu concurso, sua faculdade, do que o seu cargo, o seu relacionamento, ou o seu checklist.

Essa é uma das coisas mais difíceis de se entender nesta vida. É preciso ser alguém. O tempo todo isso nos ronda feito presa, pronto para acertar nossos traseiros.  Mas a verdade, é que a gente precisa de muito menos do que acha.

Algumas vezes, eu acho que eu não posso suportar nem um fracasso a mais na minha lista. Algumas vezes, eu acho que é simplesmente impossível continuar. Que é como um círculo azul aberto no meio das minhas entranhas. E nesses dias eu entendo a importância do amor incondicional de Deus. Completamente. Não é um desses vídeos de gente romantizando o evangelho e a vida. Eu entendo que sem esse amor, sem experimentarmos a incondicionalidade do Eterno, a vida fica seca. Nós nos odiamos e ensinamos os outros a nos odiarem. Eu entendo que nós, humanos, nunca conseguiríamos amar alguém assim, mesmo se tentarmos muito, porque nós não suportamos nem nossos próprios fracassos, quanto mais os fracassos dos outros. Ao mesmo tempo, nós precisamos desesperadamente deste tipo de amor. Parece uma equação que não fecha, uma balança viciada. Só parece. Porque nós temos sim uma fonte deste amor: o Senhor.

Talvez o fim do ano não tenha sido o que você esperava. Talvez hoje tenha sido o pior dia da sua vida. Talvez você tenha ido negociar uma dividia no banco, talvez tenha sido humilhado no trabalho, talvez você esteja lidando com o fato de que não entrou na universidade. Talvez a vida pareça incrivelmente difícil, porque, bem, ela é. Eu só queria dizer que se você não tem nada, se você se sente completamente vazio, você, ainda sim, tem o amor do Eterno. E isso pode parecer abstrato para quem tem problemas reais, mas, algumas noites, é tudo o que eu tenho. Em outras noites, mais felizes, o amor de Deus é tudo o que eu sou. Essas são boas noites, leitor, a gente deve se segurar a elas… Sim, essas são boas noites…

 

Eu oro para que você esteja tendo uma delas. Eu oro para que você tenha muitas delas.

Alegrem-se, porém,
todos os que se refugiam em ti;
cantem sempre de alegria!
Estende sobre eles a tua proteção.
Em ti exultem os que amam o teu nome.
Salmos 5:11

 

English version 😀

I take refuge in the good nights

{To listen as you read}

I’ve never been good at sports, at talking to strangers, and letting people know when I need something. However, I’ve always been good at getting it right.

And that, well, that became my thing.

It was a shock to discover that life is uncontrollable.

I was in a park in my city, hugging a biography of Tolkien, hating my brand new college degree, trying not to go home.

That could not be real.

But it was. Because life is not easy.

It was the beginning of the age when I found myself horrible in all things already listed: sports, small talk and doing the right thing.

I call that day “the house fell, dude”, an expression that only exists in Portuguese, but you get the feeling that is bad, very bad, because there isn’t any brighter side when your house fell apart. To be more dramatic you can always say it in Portuguese: a casa caiu, mermão.

In that day, after leaving the school where I was working, the second job of the day, I walked a few blocks and sat in the park. Hugging Tolkien. Literally. Like a complete nutcase. Sometimes I did not even read the book. I just hug it, as if it could save me from acting even more strangely, jumping into the not that clean lake in the park while shouting “Everything is a liiiie!”

I wondered a few times about it , but I would have to go home wet and probably have to incinerate my jeans after touching that water. God knows how I hate buying Jeans … So Tolkien and the laziness of buying new pants kept me away from the dirty lake on a daily basis.

That was the beginning of hard times. The tip of the Iceberg. The first drop of rain.

Others would come.

Many others.

I was no longer the first daughter in college, the first granddaughter with a cool internship in internet stuff, I was officially someone who had tried and failed. I had lost my right thing card. I was no longer a member.

I have failed in more areas than you can possibly name, but this is not a self-pity post. I swear. It’s a post to tell you that we’re in this together.

The end of the year is difficult for those who have nothing to tell at the Christmas table. I get it. REALLY. However, I wanted you to know that you are more than your job, than your college,  your position, your relationship, more than your checklist.

This is one of the most difficult thing to understand in this modern life. You must be someone. That is what the world says, our families, our friends, our favorite books, that we say ourselves. However, the truth is that you need much less than you think.

Sometimes, I  think I can not stand another failure on my list. Sometimes, I think it’s just impossible to keep going. Sometimes my disappointment is so tangible that became a blue circle open in the middle of my gut. In those days, I understand the importance of God’s unconditional love. Completely. It’s not one of those videos of people romanticizing the gospel and life. I understand that without this love, without experiencing unconditionally, life will be dry. We end hating ourselves and teaching others how to hate us. I understand that we humans would never be able to love someone like that, even if we try hard, because we do not stand our own failures, let alone the failures of others. At the same time, we desperately need this kind of love. It looks like an equation without a solution, a damaged bathroom scale. However, that isn’t the truth, it just look like this. Because we do have a source of this love: the Lord.

Maybe the end of the year was not what you expected. Maybe today was the worst day of your life. Maybe you went to the bank and you have so many debts, maybe you’ve been humiliated at work, maybe you’re dealing with the fact that you didn’t get into university this year. Maybe life seems incredibly difficult, because, well, it is. I just wanted to say that if you have nothing, if you feel completely empty, you still have the love of the Lord. This may seem abstract to anyone who has real problems, but some nights it’s all I have. On other happier nights, the love of God is all I am. These are good nights, reader, we must hold on to them … Yes, these are good nights…

 

I pray you are having one of them. I pray you get tons of them.

But let all who take refuge in you be glad;
let them ever sing for joy.
Spread your protection over them,
that those who love your name may rejoice in you.

Psalm 5:11