Arquivo mensal: novembro 2017

Um arquivo para vocês baixarem com amor

There is an English version of this post waiting for you after the Portuguese one : )


{Para ouvir enquanto lê}

Há mais ou menos um mês, eu encontrei um blog incrível e falei dele, rapidamente, por aqui. Eu realmente amo achar pessoas que escrevem sobre o Eterno com o seu próprio coração. Você sabe aquele sentimento mágico de ler uma página e não precisar sequer procurar o autor, porque a forma da sua escrita é tão característica que já vem com o cheirinho dele? Eu acho isso uma das coisas mais incríveis dentro do mundo de coisas incríveis – alguns dias maior, outros menor – que flutua sobre a terra.

E é por isso que eu fico tão entusiasmada quando eu encontro uma pessoa que parece ter uma voz apenas dela.

Eu acredito na individualidade em nós. E que esta individualidade nos ajuda transmitir nossa mensagem. Eu já disse algumas vezes a famosa frase do Bill Johnson no blog, que, indiretamente, é algo como: nós só temos uma única mensagem em nós, que é divida em vários pedacinhos, que distribuímos ao longa de nossas vidas. Acredito que, assim como nossa mensagem é singular, nosso meio de espalhá-la precisa ser. Tudo que é genuíno pode contar a história do perfeito e incondicional amor de Deus.

Singularidade.

Que palavra!

Ela nos leva diretamente para ideia de que conhecer a Deus e conhecer a mensagem que partilharemos a partir dele é conhecer a nós mesmos. Porque sem nossa singularidade, sem aquilo que nos torna humanos, somos sinos ressoando melodias tão iguais que são tratadas como barulho de fundo pelo resto das pessoas. Augustinho já falava sobre isso centenas de anos atrás…

Por muito tempo, infelizmente, os cristãos tentaram se adaptar a um padrão único para tudo. A singularidade era deixada de lado em busca da imagem do que era bom e “de bem”. Nós tentamos não ser humanos. Tentamos não sentir o mundo ao nosso redor. Escrever algo que seja intenso e confuso? Bem, por muito tempo não era uma escolha.

Hoje, caminhamos para um conhecimento sobre o Eterno tão mais profundo que podemos falar, abertamente, das melhores e piores coisas sem nos sentirmos mal sobre isso, porque somos amigos. E é isso que me atraiu no blog do Joel Figueroa. E é isso que me faz postar coisas todos (ou quase hehe) os meses.

Ser honesto, usando as ferramentas que te deixam feliz para fazê-lo. Ser honesto, cumprindo o seu chamado.

Acredito que essa geração de pessoas que são tão singulares na maneira com que pregam vão mudar radicalmente as coisas de lugar. Porque elas não precisam ser outra coisa se não elas mesmas e isso… Isso é apaixonante! Isso faz as pessoas se apaixonarem pelo evangelho. Jesus era quem era, e, por isso, ganhou o coração das multidões. Mas, mais do que multidões, ele ganhou o coração da sua nova família:  discípulos aliançados, comendo, rindo, viajando, tomando bronca juntos. Que nossas singularidades construam famílias em nosso meio.

Joel, autor do blog, me deu permissão para traduzir um dos seus textos e ele está aqui embaixo para você ! Espero que te inspire a ser singular no que você foi chamado para fazer.

Toc.Toc.Toc

Por Joel Figueroa

 

Um abraço apertado,

Nat.

 

English Version! 😀

A blog to add to your favorites (or: Joel Figueroa can teach you Portuguese now)

{To listen as you read}

About a month ago, I found an incredible blog and I wrote about it, quickly, in this post (sorry guys, there isn´t an English version of this one, but in Google Translator we trust). I really love finding people who write about the Lord with their own hearts. Do you know that magical feeling of reading a page and not even have to look for the author, because the writing is so distinctive that it already comes with the scent of the writer? I find this one of the most incredible things in the world of incredible things that floats on the earth.

And that’s why I get so excited when I meet a person who seems to have its own voice.

I believe in individuality, and this individuality helps us express our message. I have said a few times Bill Johnson’s famous phrase on the blog, which, indirectly, is something like: we only have a single message in us, divided into several pieces, which we distribute through all our lives. I believe that not only our message needs to be unique but also our means of spreading it. Everything that is genuine can tell the story of God’s perfect and unconditional love. Everything that is genuine can generate forgiveness.

Singularity.

What a word!

It leads us directly to the idea that knowing God and knowing the message we will share from Him is to know ourselves. Because without our uniqueness, we are ringing bells so equally that we are treated as background noise by the rest of the people. Augustine had already spoken about it hundreds of years ago…

For a long time, unfortunately, Christians have tried to adapt to a single standard of personality. We tried not to be human. We tried not to feel the world around us. And if we did, we tried to make it about blameless and coherent feelings. A post – or book – about intense, confusing and honest feelings? Well, for a long time it was not on the table.

Today, we are walking into a knowledge about the Lord so deep that we can openly talk about the best and worst things without feeling bad about it because we are friends. That is what attracted me to Joel Figueroa’s writing, and that’s what makes me post things every (almost every haha) month.

Be honest fulfilling your calling.

I believe that this generation of people who are so unique in the way they preach will radically change things. Because they do not have to be anything else if not themselves and this … This is captivating! This makes people fall in love with the gospel. Jesus was who He was, and therefore won the heart of the crowds, but more than the crowds, He gained the heart of his new family: allied disciples, eating, laughing, traveling, reprimanding together. I pray our singularities build families in our churches.

Joel, author of the blog JoelFig, gave me permission to translate one of his posts to Portuguese, but, well, if you are reading this in English it will not make a lot of sense to you haha. I will leave the link anyway down here for you, but most than teach you Portuguese with this file haha, I will like to recommend Joel´s blog in your own language (the link is also below).  I hope it inspires you to be singular in your calling!

A tight hug (yep, that is how we say Goodbye here, near to the Tropic of Capricorn, get used to the lovable invasion of your personal space),

Nat.

 

Portuguese version:

Toc.Toc.Toc

Por Joel Figueroa

 

No subtitle version

Knock. Knock. Knock

Joel Figueroa 

Pra sempre (ou: Como eu posso ficar brava com você?)

Hello! There’s an English version for you right below 🙂

(Recentemente, vi no status do blog acessos de alguns países que não falam nosso português maravilhoso, então, alguns textos terão uma versão em um inglês-gente-como-a-gente)



{Para ouvir enquanto lê}

– Não. MINHA pedra. MEU mar. Com licença? – Falo entre os dentes. A pessoa da cadeira ao lado me olha sem entender. Eu não explico.

A aula continua e eu tento voltar para o outro lado do mundo dentro de mim.

Uma pedra gigante e um mar gelado demais para entrar. Meu tipo favorito de mar: o que a gente fica encarando, enquanto abraça uma coberta fina.

Pequenos grãos de areia mandam, inicialmente, estímulos para o meu cérebro – estamos aqui! – mas, depois de alguns minutos, eles se tornam um pedaço de mim: meu sistema nervoso não acha mais necessário me dizer que os grãozinhos ainda se movem ao redor do meu dedinho do pé, assim como não me deixa notar o tecido da calça sobre minhas coxas.

Ele olha para cima, o vento faz seus cabelos vibrarem. Cabelos grisalhos e cheios.

Eu tento ignorá-lo como meu cérebro faz com a areia.

Mas Ele ainda está ali. Dentro de uma pequena fantasia que me faz civilizada o bastante para não levantar da cadeira e gritar a plenos pulmões no meio da aula.

“É irritante. Apenas… Não.” – Eu tento dizer a Ele, mentalmente.

“Eu não sei bem porque a gente veio para cá, você nem é uma pessoa de praia, mas eu gosto do vento.”.

“Meu Deus… Quer dizer, nada de Meu Deus. Só… Arg… Eu só quero ficar com a pedra e com o cobertor por três minutos…” – Eu grunho, como uma criança mimada.

“Quando você era pequena, você inventou uma história sobre uma princesa dos golfinhos, você lembra? Eu sempre achei aquilo muito engraçado, foi quando você ganhou um anel de golfinho, lembra?”

“Sim, da Tia Ló…”

“Você não quer um par deles no mar?”

“Nope.”

“Era engraçado porque você estava lavando o banheiro e cantando com um rodo, que era, também, o bastão que chamava os golfinhos…” – Minha visão periférica percebe a linha ao redor de seus olhos sorrindo, mas eu não queria me virar para Ele.

“Aquele musical foi um sucesso de bilheteria, deveria estar na Broadway”. – Quase rio.

“Ainda sem golfinhos?”

“Você se sentiria melhor se eu imaginasse dois golfinhos pulando no mar?” – Pergunto, novamente me transformando em uma criança chorona.

“Pra falar a verdade, eu me sentiria muito melhor se você imaginasse dois rodos pulando, enquanto fazem um barulho de golfinho.” – Os olhos sorridentes Dele ainda estavam ali.

“Ok, Deus, toma seus rodos” – Imaginei dois rodos de madeira cobertos por uma capinha plástica vermelha pulando no meio do oceano, enquanto um sonoro “wickickaisdhahragagagksksk”, ou seja lá o barulho que golfinhos fazem, ressoava sobre a pedra e o por do sol.

“Eu posso ficar?” – Ele não era mais Ele, mas era. Não era o pai, mas tinha a voz do meu amigo, do Espírito.

Eu odeio quando o Espírito vem e eu estou brava. Porque Ele é sim-ples-mente irresistível. Mais do que qualquer outra figura dos céus – e eu não sei se é certo dizer isso, mas o fato é que, pra mim, Ele é. Porque Ele foi enviado para nós e, enquanto não voltar para sua casa, nós somos sua casa.

“Pode…”

O professor tem um ataque de tosse.

“Você já vai?”

“Aula… Tenho que prestar atenção, eu acho…”

“Você sabe que tudo isso vai passar, não sabe?”

“O mundo e o mar e as aulas e o pé contra a areia.” – Afirmo.

“Tudo.”

“Sei, Espírito…” – E, alguns dias, eu realmente desejava que passasse mais rápido.

“Mas nós não vamos. Nós não somos um pedaço de areia no seu pé. Nós somos feitos para sermos sentidos para sempre. Um pelo outro. Pra sempre”

Balanço a cabeça. Imagino mais vento.

“Você não é areia. Eu sou sensível a você.” – Ele derrete feito cocada em dia quente.

Respiro e percebo que o mar não tem cheiro de maresia, porque eu nunca havia dito que ele deveria ter.

“Eu só…” – Me apoio em seu peito. Não há coração, mas escuto uma planta crescendo, e ela parece crescer pra sempre. – “Eu só estou cansada”.

O barulho do seu peito cresce, e cresce, até que se transforma em algo semelhante a uma canção antiga:

 

Você era uma semente
Mas olha, que cheirosa pode se tornar se for um fruto
“Pra ser um fruto, você tem que se anular”, eles disseram
Bobagem
Mas te disseram isso muitas vezes e você acreditou que se me entregasse até o que eu não pedi, eu ficaria feliz
Mas eu, eu só queria que você fosse um fruto cheiroso e não uma viúva chorona
Você  não me ouviu e velou a si mesmo algumas vezes, até que parou diante de grandes embarcações e homens barbados
O mar era o lugar em que os vikings enterravam seus heróis
Enterravam, mas não velavam, você pensou. Não velavam!
O mar era o lugar em que os vikings enterravam seus heróis – isso ocupava toda a sua cabeça
Os vikings achavam que eu não estava ali, você achava que eu não estava aqui, mas eu estou em todo lugar
Eu vi os mortos incendiados ao boiar
A terra é um lugar rápido de se dar a volta quando o tempo não importa
E eu só precisei dar três passos, passei pelos vikings, pelos arranha céus e te encontrei, aqui, no mar que não tem cheiro de maresia, mas de rodos flutuantes
Tire a esperança da água, pare de enterra-la, afoga-la, fingir não vela-la
Porque vocês são mais do que um emprego e contas para pagar
Vocês foram pagos
O meu peito cresce por você, como flor desabrochando, e tudo em mim faz barulho de planta que mal pode esperar para sair da terra, porque nós vamos viver para sempre
Você não entende o quanto o pra sempre é pra sempre
Mas vai entender
Porque a vida é maior do que toda essa água
E nós dois, juntos, somos mais bonitos do que o mar

Eu fiquei ali, em seu peito cheio de plantas, até que pudesse responder inaudivelmente o que o professor perguntava pra turma, claramente pela décima vez.

– Peptidoglicano. – Respondi do que as paredes das bactérias eram feitas, pensando sobre o dia que nossas paredes cairiam e ele cantaria suas músicas pra sempre.


English Version! 😀

Forever (or: How can I be mad at You?)

 

– No. My stone. MY SEA. Excuse me?! – I speak between my teeth. The person next to me looks  confused. I do not explain.

The class continues and I try to go back to the other side of the world, inside me.

I imagine a giant stone and a sea too cold to go into. My favorite type of sea: the one we stare at, while hugging a thin blanket.

Small grains of sand initially send stimulus to my brain – we’re here! – but after a few minutes they become a piece of me: my nervous system no longer finds it necessary to tell me that the grains still move around my little toe, just as it does not let me notice the fabric of the pants on my thighs.

He looks up, the wind makes his hair vibrate. Gray hair.

I try to ignore him just like my brain ignores the sand.

But He is still there. Inside my little fantasy that makes me civilized enough to not get out of the chair and scream at the top of my lungs in the middle of class.

“It’s annoying. Just … Don´t. ” – I try to say to him, mentally.

“I don´t know why we came here, you’re not even a beach person, but I like the wind.”

“Oh my God … I mean, none of “Oh my God”. Just … Arg … I just want to be here alone with the stone and the blanket for three minutes…” – I growl like a spoiled child.

“When you were little, you invented a story about a dolphin princess, remember? I always found it very funny, that was when you got a dolphin ring, remember? ”

“Yes, my Auntie Ló gave it to me…”

“Don’t you want a couple of them at sea?”

“Nope.”

“It was funny because you were washing the bathroom and singing with a squeegee, which was also the stick that called the dolphins…” – My peripheral vision notices the line around his eyes smiling, but I did not want to turn around for him.

“That musical was a hit, it should be on Broadway.” – I was almost laughing.

“Still no dolphins?”

“Would you feel better if I imagined two dolphins jumping in the sea?” I ask, again turning into a crying child.

“To tell you the truth, I would feel a lot better if you imagined two squeegees jumping as they make a dolphin noise.” His smiling eyes were still there.

“Okay, God, here we go.” – I imagined two wooden squeegees covered by a red plastic cap jumping in the middle of the ocean, while a “wickickaisdhahragagagksksk”, or whatever is the noise made by dolphins, resounded on the stone and on the sundown.

“Can I stay?” – He was not He anymore, but He was. It was not the father, but my friend, the Spirit.

I hate when the Spirit comes and I’m angry. Because He is simply irresistible. More than any other figure – and I do not know if it is right to say this, but the fact is that, for me, He is. Because He has been sent to us and, as long He can’t return to his house, we are his home.

“You can…”

The teacher had a coughing attack.

” Where are you going?”

“Class … I have to pay attention, I think …”

“You know all this will pass, don’t you?”

“The world and the sea and the classes and the foot against the sand.” – I said.

“All.”

“I know, Spirit …” – And, some days, I really wanted them to pass faster.

“But we will not. We are not a bit of sand on your foot. We are meant to be felt forever. One by the other. Forever.”

I agree with my head and I imagine more wind.

“You’re not sand. I’m sensitive to you. “- He melts like a candy in a hot day. So sweet. So real.

I breathe and realize that the sea does not smell like sea, because I had never said that it should have.

“I just …” – I lean against his chest. There is no heart, but I hear a plant growing, and it seems to grow forever. – “I’m just tired.”

The noise of his chest grows, and grows, until it turns into something like an old song:

You were a seed
But look, what a scented thing you can become if you turn into a fruit
“To be a fruit, you have to vanish”, they said
Nonsense
But they told you that so many times and you believed that if you gave in things I didn’t even asked, I would be happy
But I, I just wanted you to be a smelling fruit and not a crying widow
You did not hear me and therefore you grieve yourself a few times, until you stopped in front of great vessels and bearded men
The sea was the place where the Vikings buried their heroes
They buried, but they did not grief, you thought. They did not grief!
The sea was the place where the Vikings buried their heroes – this occupied your whole head
The Vikings did not think I was there, you did not think I was here, but I’m everywhere
I saw the dead in the sea
Earth is a quick place to turn around when time does not matter
And I only had to take three steps, I went through the Vikings, through the skyscrapers and I found you here, in the sea that does not smell like sea, but like floating squeegees
Take your hope out of the water, stop burying it, drown it, pretend not to grieving it
Because you are more than a job and bills to pay
You have been paid
My chest grows for you like blossoming flower, and everything in me makes this noise, the noise of a plant that can hardly wait to leave the earth, because we will live forever
You do not understand how forever is forever
But you will
Because life is bigger than all this water
And the two of us, together, are more beautiful than the sea

 

I stood there in his chest full of plants until I could answer what the teacher was asking the class, clearly, for the tenth time.

–  Peptidoglycan. – I replied, almost inaudible. That was what bacteria’s walls were made of. But I was not thinking in microbiology, I was thinking about the day our walls would finally fall and He would sing his songs forever.