Arquivo mensal: junho 2017

Quem?

{Para ouvir enquanto lê}

Nada pode nos prender. Eu fecho os olhos com força. Respiro. Nada pode nos prender. Nem as paredes dos ônibus. Nem os livros desinteressantes sobre genes recessivos. Nada pode nos prender. Mesmo quando nossas mãos parecem atadas e os pés não vão para frente ou para trás. Andaremos em verdadeira liberdade, pois temos buscado os teus preceitos. Nada pode nos prender. Nem a vontade congelante de chorar. Nem a adrenalina pulsante que nos faz correr. Porque nossos espíritos são maiores do que as camas em que nossos corpos deitam, encarando o teto. Porque somos mais duros do que as pedras que acertam nossas carnes. Permanecemos firmes e não nos deixamos submeter novamente a um jugo de escravidão. Nada pode nos prender.  Nem o dinheiro que eles inventaram, nem a falta dele. Nós somos pequenas abelhas que saem pelas beiradas das janelas. Nós voamos pelas correntes de ar. Ele nos enviou para proclamar liberdade aos presos. Proclamadores. Vozes dispersas no deserto, batendo contra as areias geladas, chocando-se contra o mundo. Nada pode nos prender. Nós vamos passar pelas frestas. Nada pode nos prender. Somos a dúvida: onda ou partícula? Nada pode nos prender. Porque quem pode prender quem já morreu pra si?

 

 

 

E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.
Romanos 5:5

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Não, obrigada

{Para ouvir enquanto lê}

Eu não estou interessado em um evangelho que mede saias, não muito obrigada. Mas também não estou interessada em um evangelho que não custa nada, porque, bem, ele não é real. Eu não quero inventar uma Bíblia que fala apenas o que eu quero ouvir, não obrigada. Eu não estou interessada em um avivamento apenas de chapação. Se não for para impedir uma mulher de apanhar, não me chamem. Eu não quero saber das suas intervenções militares e das suas ordens para o progresso. Eu quero falar dos ferrados das ruas, não me chamem para comícios de políticos que apoiam as armas que vão mata-los. Eu quero ver as salas de aulas, as varas de justiça, os laboratórios e seus tubos de ensaio, os hospitais e as esquinas cheias Dele. Eu quero ser o ombro das putas e quero ser seu pior inimigo quando você chamar qualquer uma delas desta forma; eu quero os motoristas de ônibus e os desembargadores, não eu não quero os santos e os cheios de si. Eu quero os impuros, como eu, os marcados, como eu, os que lutam com a própria cabeça todos os dias. O meu tempo, agora, está longe das conferências de relacionamento cristão, eu estou dentro da solitude de mim, lutando com coisas diferentes do que esperar. Coisas como o abuso que milhares de garotinhas sofrem por dia, garotinhas que como eu vão precisar de tempo para engolir a bola de pelo que foi enfiada em suas goelas a baixo. Eu quero aquele que julga e tem coragem de pedir ajuda, não quero quem finge não julgar. Eu quero os que se machucam e choram, porque dói, dói pra caramba levantar da cama alguns dias. Se você me chamar para sorrir e falar da moral deste mundo, me perdoe, eu precisarei inventar uma desculpa para não ir. Porque você pede pelo reino dos céus, mas, na verdade, quer a vigência dos princípios deste mundo que não te chocam. Eu fui feita para o silêncio, mas não se engane, eu não fui feita para ficar quieta. Eu não caibo dentro de quatro paredes. Eu sou a minha voz, que grita nas segundas-feiras pelas minhas mulheres machucadas, eu sou o texto que fica na internet enquanto o apocalipse não varrer tudo. Eu sou a revolução em um ponto de ônibus quando falo sobre eternidade e não sobre religião. Eu sou o que a crença banal não conseguiu conter: a igreja. Totalmente sem rejuntes. Eu não estou interessada em conversas pseudoespirituais que escodem comportamentos, não obrigada. Eu quero o feio, o sujo, o doente. Porque se eu, a pessoa mais universalmente perdida, um dia fui achada, qualquer um pode ser.

Qualquer

 um

pode

ser.

A verdade é Jesus e a gente não precisa enfeitá-la. Ser santo como Ele é. Amar como Ele amou. Perdoar como Ele perdoou. Entregar-se como Ele se entregou. E se entrega. Diariamente. Eu não estou interessado em um evangelho que fale sobre outra coisa a não ser sobre Ele.

Se não for sobre Jesus, não me chamem, muito obrigada.

 

 




PS 1: Este texto não tem a intenção de ofender ninguém, mas tem. Porque enquanto focarmos aapenas em nós mesmos e em nossas picuinhas crentes, o mundo roda o mesmo. O avivamento não é apenas para a nossa igreja física, mas é também para ela… E recebereis poder para. PARA. PARA. O poder sempre vem PARA um propósito , totalmente voltado para uma missão, SUA MISSÃO. Como você está usando o poder que recebeu hoje? Eu espero que você esteja transformando o mundo que te envolve, porque se não está, não minta para você mesmo, alguém está. Israel, marche pelo mundo e tome a terra que o Senhor já te ofereceu como herança. Saia curando, levando a salvação, dando razões para que a criminalidade diminua, para que as mulheres não sejam vítimas em seus lares, para que as crianças possam conhecê-Lo e amá-Lo antes mesmo que seus dentes de leite caiam. Israel, por favor, faça alguma coisa!

PS 2:  Um beijo para todos – para mantermos um nível de amorzinho no post hehe    ( :




Esquema de sempre: você pode me encontrar através do meu email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou do meu Instagram =D

Cinco talvez e um único parágrafo

{Para ouvir enquanto lê}

Talvez estejamos falando e escrevendo sobre muitas coisas, mas nenhuma delas mora em nós. Somos pautas de jornais. Passageiros e dispensáveis. Conversa de esquina. Prosa do bar do Seu João. Talvez a gente devesse dizer menos. Talvez no silêncio haja palavras maiores do que as ditas no barulho. Ou não. Talvez eu esteja errada. Talvez seja apenas Banks demais…

Armadura (ou: Um texto sincerão)

{Para ouvir enquanto lê}

– Às vezes, eu tenho dificuldade de ser filha.  – Digo para Ele, assim que entro no meu quarto.

Largo o sapato entre o banheiro e minha estante, piso no chão – ele está congelaante – e sinto a cabeça rodar. Entre as coisas que eu preciso fazer. As coisas que eu gostaria de fazer. Coisas. Todo tipo de coisa.

O dia todo está estranho. Levantei ao contrário. Peguei o caminho errado de ontem para hoje. Qualquer dessas expressões que você preferir, por mim, está bem.

Eu abro a boca para falar com Ele, mas tudo sai esquisito.

– Às vezes, eu tenho dificuldade de te pedir as coisas. Porque eu estou tão acostumada a correr atrás delas. Tão acostumada com o peso dos meus braços e das minhas costas…

É só como a vida é, nada é fácil – minha cabeça já interrompe a minha oração.

Chris está cantando. Eu me sento no meio do quarto. Agarro uma blusa de frio e abraço minha bíblia.

Nós voltamos a ficar em silêncio.

Flock of birds
Hovering above
Just a flock of birds
That’s how you think of love

– Eu me pergunto, milhares de vezes, como é simplesmente não acordar exausta…

– Você ama a Amora? – Deus me pergunta e eu fico bem confusa.

– Deus, o que meu cachorro tem a ver com isso?

– Você ama a Amora?

– Com todo o meu coração.

– Ela sabe que você a ama?

– Não sei. – Sorrio tossindo, uma gripe que não me deixa.

– Você acha que ela tem dúvidas de que você vai dar comida para ela? Você acha que ela tem dúvidas de que quando você chegar vai deitar no chão enquanto ela corre para pular sobre você? Ela não se pergunta nenhuma dessas coisas. Porque ela sabe que você vai fazer todas essas coisas. Ela sabe que você

– a ama – completo a frase Dele.

– Você não me pede as coisas porque não sabe se eu vou te entregá-las.

Engoli em seco.

– Eu vou sempre deitar no chão quando você chegar em casa. Eu te amo.

Cubro meu rosto com a blusa de frio. E Ele me mostra uma armadura. A armadura que tenho imaginado a semana inteira, enquanto leio um livro de rainhas e sangue. E, de repente, eu estou sem ela. E me sinto tão vulnerável que tenho vontade de rir. É como fazer um exame com uma daquelas camisolas de hospital.

– Eu não sou como nenhum deles. Eu sou Javé, eu sou o seu Jah! Está tudo bem – sinto seus olhos chorarem, eles sempre choram quando eu me lembro da cena que me deu uma armadura para a vida – eu posso ser sua armadura.

E ele gruda em mim. E me vê por dentro. E não tem medo de quem eu sou.

– Filha?

– Hmm?

– Pega outra blusa, você está tossindo.

 

 

Ele te cobre com suas plumas, e debaixo de suas poderosas asas te refugias; sua fidelidade é escudo e armadura.

Salmos 91:4