Arquivo mensal: maio 2017

Qual é o limite do humor, Eterno? (ou: Quando a quase trindade tem piadas de pavê bíblicas)

 

{Para ouvir enquanto lê}

Um pequeno silêncio, da espessura de uma folha de papel branca, pousa sobre nós.

– Oi.

Ele sorri.

– Talvez eu esteja encrencada. Bem encrencada, Eterno. Isso volta para minha cabeça a cada uma hora ou menos.

– Quarenta e dois minutos.

– Deus, para de rir, é sério.

– Você é tão séria, que é engraçado…

– “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas”

– “Eu dormia, mas o meu coração velava; e eis a voz do meu amado que está batendo: abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite.” – Ele joga outra passagem da Bíblia em mim, eu titubeio.

– Não faço o tipo Salomão.

– Faltam 40 minutos… – Ele é implicante.

– Ai, Deus, tem dias que vou te contar… Traz o Espírito, porque Ele é menos piadista.

– Será? – O Espírito ressoa sobre o meu quarto gelado de sacadas escancaradas.

– Eu desisto de vocês hoje. Vamos voltar a conversar quando vocês tiverem mais maturidade.

– “Acharam-me os guardas, que rondavam pela cidade; eu lhes perguntei: Vistes aquele a quem ama a minha alma? “- Eles riem.

– Sério?! Sério mesmo?!

Rimos.

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Pequenos milagres que aquecem

{Para ouvir enquanto lê}

Eu ainda estou de boca aberta, olhando para a tela do computador, escutando minha música favorita sem piscar…

“Que droga… Esqueci a chave”, foi a última coisa que pensei antes de entrar no ônibus, atravessar a BR, desmaiar de sono e chegar em casa. Eu estava disposta a sentar na calçada por algumas horas até que alguém chegasse. Iria pegar meu caderno e tentar resolver uma longa e aterrorizante lista de bioestatística e torcer para não ser encontrada morta por um mísero papel cheio de contas sem respostas.

Eu sequer pedi ao Eterno que algo fosse feito. Eu apenas suspirei dentro de mim.

E eu cheguei. Dei boa tarde ao motorista. Desci. Tudo isso sem lembrar do portão nem uma vez. Era um caso praticamente perdido. Passei tudo o que tinha que fazer no dia pela cabeça. Percebi que havia chovido por aqui. Me perguntei porque diabos havia uma palha de aço no meio da calçada. E o portão? O portão não fazia parte das minhas pequenas perguntas internas, que se resumiam ao dilema homem x sono x trabalho para fazer.

Atravessei a rua e dei de cara com meu portão. Antes que eu me sentasse no chão, eu a vi: uma pequena frestinha de luz. Meu coração parou. A primeira opção foi achar que alguém havia entrado na minha casa, depois mandar uma mensagem para minha mãe perguntando se ela havia deixado o portão aberto ( ela me respondeu com um singelo “tá doida, menina?”), até que eu tivesse coragem para empurrar o pedaço de ferro com trava.

Minha casa estava inteira. E aí, bem aí, meus olhos se encheram de água. Porque eu me lembrei de quando era criança e pedi a Ele que abrisse meu portão, que emperrara e nós iríamos nos atrasar. Sem mais nem menos, ele abriu. E eu estava ali, milhões de anos mais velha, com um novo portão aberto.

Eu nem queria me mexer, porque O sentia tão perto que a qualquer momento eu poderia sentir seu cheiro.

– Jesus, você tem cheiro? – Pergunto rindo, quebrando o momento.

Ele não respondeu, mas O percebia ali. Rodeando tudo ao meu redor. E eu só queria que Ele tivesse mãos, pés e tronco para abraçá-Lo pelo resto do dia.

Ele, que conhece todos os segredos das minhas chaves e todos os segredos do meu coração. Só Ele.



Esquema de sempre: você pode me encontrar através do meu email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou do meu Instagram =D

Do meu quarto. Do meu desafino. (2)

Um dia, eu estava em um culto de domingo – nós ainda morávamos em Goiânia -, quando perguntei para Deus até onde ia o rio de cristal dos céus. Segundos depois, minha mente foi cheia de uma imagem de um rio que não acabava, ele existia e existia e existia e existia…

Então, no dia seguinte, eu cantei para o Espírito o que posto aqui para vocês (projeto novo deste blog, que acontece no meu quarto) e me imaginei correndo para Ele como um rio, que existe e existe e é radiantemente feliz, porque sempre passa debaixo do trono do Eterno.

Então, o anjo me mostrou o rio da água da vida que, translúcido como cristal, fluía do trono de Deus e do Cordeiro, e que passa no meio da rua principal da cidade.”

Apocalipse 22: 1 e 2


Este projeto não é sobre cantar bem, claramente. Mas é sobre dizer coisas para Ele. Se você tem uma canção que está amando cantar para Ele, me mande (nataniacarvalho@gmail.com), vamos dividir nossos corações e sermos parte uns dos outros ❤


Leia também:

Do meu quarto. Do meu desafino. (1)

Quinta-feira

Eu me encolho no canto da biblioteca. Não há ninguém ao meu redor. Ainda não são oito da manhã e metade das minhas coisas já deram errado.

E eu? Temo o futuro. Por mais que pregue para minha própria alma, eu estou apavorada. E não consigo pensar nos lírios ou nos pássaros que não semeiam, mas são cuidados por você, Eterno. Eu só encaro aquela pilha gigante de livros e tenho medo.

Lembro de quando tinha 8 anos e o futuro parecia incrível. E canto por dentro que o meu futuro é você. Ele precisa ser você. O meu futuro não é esta faculdade. Nem a outra. O meu futuro não é escrever o que sempre quis. O meu futuro não está em nenhuma dessas coisas, o meu futuro é. O meu futuro tem nome: Eu sou.

O medo não some como veio. Mas eu paro de tremer sobre o livro de Genética e respiro fundo. Porque o próximo segundo já é o futuro e você ainda vai estar aqui. Assim como nos trilhões de próximos segundos da minha vida: você ainda estará aqui.

Se eu pudesse escrever um capítulo de Cantares hoje, ele seria assim (ou: Desculpa, Salomão, eu não sei escrever como você)

{Para ouvir enquanto lê}


 

Eu passo o dia todo expulsando você da minha cabeça.

Eu preciso estudar.

Eu preciso terminar aquela coisa ali.

E estudar de novo.

Tentar correr em paz.

No entanto, você volta.

Volta.

Como uma ideia invasiva.

Você volta.

E eu odeio.

Mas eu sorrio.

Ontem eu tentei dormir para não pensar mais.

“Vai passar com uma noite de sono”.

Eu sonhei.

Com você.

Porque até com os cílios pregados nas olheiras eu ainda deixo você escapulir do meu controle.

Controle?




Esse texto não tem intenção de adicionar nada a Bíblia, o título é só uma brincadeira da pessoa que te escreve, um pouco derretida hoje.



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