Arquivo mensal: abril 2017

Jesus na Subway?

Este não é um texto cheio de revelações e coisas inesperadas. Ele é calmo e rotineiro, como a maior parte dos meus últimos dias, e, ao mesmo tempo, novo, como uma música que acabo de compor e não me lembro direito das estrofes e isso me deixa maluca. Simplesmente maluca.


{Para ouvir enquanto lê}

Eu imagino Jesus entrando na Subway. Não em uma Subway randômica, mas exatamente na que estou. Quem sabe em todas as Subways de todo o planeta ao mesmo tempo, inclusive na que eu encosto os cotovelos na mesa? O fato é que imagino Ele caminhando pelas portas transparentes, enquanto eu estou ali, comendo cookie às 01h23 da madrugada.

Ele vem devagar, arrastando suas roupas e sua calma no chão. E eu estou absorta nos seus olhos escuros e cabelos bagunçados. Porque Ele é a coisa mais bonita que podia existir. Ele tira meu fôlego. E vez ou outra eu esqueço o quanto Ele mexe comigo, até que ali está o Cristo. E eu me derreto. Suspiro feito adolescente, mas amo feito adulto.

O rei caminha entre as mesas da filial como se estivesse em seu palácio, tocando sobre as cadeiras vazias como criança curiosa passa a mão pelos portões alheios na rua. Ele vê uma mulher grávida, duas mesas distante da minha, e ri. Imagino sua risada. Porque Ele é a criatividade com pernas, Ele ama tudo o que é novinho em folha. A mãe passa a mão pela barriga e eu sei que aquele bebê já conhece a voz do seu melhor amigo, mesmo que precise aprender, mil vezes, durante a vida, suas tonalidades.

Então, depois de olhar para cada pessoa do lugar, ele senta na minha mesa. Exatamente na cadeira vazia. Imagino Ele olhando para mim e para as pessoas que estavam comigo e rindo. Porque nós falávamos sobre Ele e sobre o Reino. Imagino seu rosto resplandecendo e suas mãos nos afagando.

Imagino o próprio Cristo colocando suas mãos nas minhas unhas e me ensinando sobre tempo, o tempo que não tive para nada nesta semana, nem para tirar meu esmalte. Imagino Ele lendo “o que vale ganhar o mundo?”, e então tudo começa a passar mais devagar. Os carros desaceleram, as rugas demoram a se formar. E somos nós dois no universo. Andando devagar. Eu não tenho que correr ou conquistar as coisas com tanto suor. Eu tenho que amar a Ele. Depois de tocar minhas mãos, Ele passa as mãos sobre a barba de G., que estava logo a  minha frente, como o próprio G. faz várias vezes, se você prestar atenção (não que você o conheça, leitor, mas vamos manter desse modo para efeito poético). E depois de triscar em sua barba, Cristo diz: “e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.” Finalmente, Ele para e tira coisas de dentro para fora de M., outra pessoa da mesa, e Jesus parece muito satisfeito com o que está fazendo. Como se mostrasse “olhe só o que você tem dentro de você agora! É isso que virá para fora agora!”.

Ele não pede o baratíssimo do dia, mas nos observa e se diverte com tudo o que criou.

E, assim, com uma brincadeira boba de imaginar Jesus passeando em meio ao molho barbecue e parmesão, eu entendo um pouco mais sobre a viração do dia de Adão e Eva. Eu entendo que é crepúsculo sempre que eu quiser no meu coração. A todo momento, eu posso chamá-lo para perto de mim, e isso muda tudo.

Tema a lei, mas ame ainda mais ao Eterno

Meus amigos, porque o evangelho não tem alcançado os nossos corações de forma completa?

Nestes dias, tenho me perguntado porque a igreja gosta tanto de andar no limite entre o que é ou não pecado. Porque valorizamos a cultura da lei? Se eu tocar até aqui não é pecado, mas se eu for um centímetro para lá estarei pecando. Porque não nos mantemos a metros daquilo que o Eterno não preparou para nós? Porque não deixamos de vigiar e punir nossos irmãos e começamos a pensar no amor que se derrete do nosso peito para o peito de Deus?

Quando eu reflito sobre o relacionamento que tenho construído com o Espírito, eu não quero saber se a lei diz que eu devo ir exatamente até aqui, eu quero perguntar para Ele se, para começar, eu devo fazer aquilo ou não. E, pasmem, às vezes o meu melhor amigo diz não.  Não é pecado, mas eu não deveria fazê-lo, simplesmente porque Ele me disse.

Que nós paremos com as perguntas superficiais e com as acusações que só mostram que nossa alma não se abstém de coisas por amor, mas por medo. Por favor, parem de perguntar se tatuagem é pecado, parem de destilar julgamento se uma irmã vai a um festival, parem de se esconder atrás de uma religião  sem fundamentos de amor e fé.

Antes, meus amigos, olhem para o Espírito, que quer nos levar a níveis mais profundos Nele. Olhem para o Senhor Jesus, que deu a vida pela sua missão. Olhem para o Deus Eterno, que deseja muito mais de nós do que um livro de regras.

Devemos sim seguir os mandamentos das escrituras, mas, meus amigos, não usem da lei para ferir e para se manterem ocupados e nunca descobrirem mais do seu propósito nessa terra. Sejam cura. Sejam o evangelho. Sejam amor e ombro para essa geração. Sejam o melhor apresentador de Jesus que seus amigos já viram.

Meus amigos, eu oro para que o Senhor mostre a vocês as necessidades do reino que pulsam em Seu coração,  tudo fica pequeno diante delas. Principalmente nossas mesquinharias.

Às vezes (ou: casinha)

Às vezes, eu estou tão freneticamente produtiva, que eu não me sinto eu. Correndo de um lado pro outro em ônibus cheio, decorando nome de músculos nos horários vagos, dormindo encostada no box. Às vezes, eu preciso conversar um monte de besteira com o Eterno e rir, deitada no chão da minha cozinha, enquanto meus cachorros lambem a ponta do meu nariz. Às vezes, eu preciso perguntar para Deus se Ele quer ouvir Rubel comigo na sacada do meu quarto. E lá, do nada, do nada mesmo, perguntar se Ele lembra de uma cena que o Christopher Abbot fez e que eu amo.
– Na verdade, eu amo o Christopher Abbot. – Reconheço e rio. Com Ele ali.
Porque, às vezes, eu só preciso ficar com o meu melhor amigo e não fazer absolutamente nada. Às vezes, eu só preciso existir, sem decorar acidentes ósseos, sem esperar o ponto em que eu devo descer, sem dar parágrafo no texto. Às  vezes, eu penso em me mudar para uma casinha no meio do mato e ficar só com Ele, mas Ele sempre me lembra de que a nossa casinha é o mundo. Às vezes, só às vezes, confesso que continuo pensando na casinha, e decoro a nossa sala mentalmente. Hoje, nosso sofá é azul, Espírito, e as paredes são de madeira.