Arquivo mensal: fevereiro 2017

Aquilo que não pode ser explicado

{Para ouvir enquanto lê}

Eu me sinto completa quando penso Nele. Não sinto medo por haver alguém que minha compreensão não consegue pesar, medir, saber a cor do cabelo… Mas me sinto abraçada por tudo que olho. E oro a Ele, como se pudesse ser qualquer parte do universo e, ainda assim, amá-lo como eu O amo agora.

Na semana passada, estava mandando um áudio gigante para uma amiga sobre o tipo de amor que dedicamos ao Eterno e, bem, a verdade é que nada é como esse tipo de amor. E eu não falo isso de forma poética, mas de forma bastante pragmática. O meu amor por Ele não se parece com o amor que dedico a mais ninguém. É como calda quente e água fria  – tudo ao mesmo tempo. Como um abraço de braços macios e cimento que me tapa por dentro.

Você já pensou sobre o amor que entrega para Deus? Ah… Isso me deixa tão animada e tão assustada… Tão assustada que eu não sei como eu poderia viver sem ama-Lo… Como passar por esta terra sem sentir aquilo que não pode ser explicado?

Eu tento colocar em palavras o melhor nó que há dentro de mim, mas é simplesmente impossível. Talvez somente Davi e Adélia Prado conseguiram descrevê-lo… Ao que eu poderia comparar o amor que sinto por Ele? Ao dia que meu pai conseguiu subir um lance de escadas depois de uma longa temporada de enfermidade. Ao momento em que minha melhor amiga me mandou a foto do seu jaleco pronto. A risada da minha mãe. Ao companheirismo dos meus irmãos. E a nenhuma dessas coisas… Porque… Porque, se nada disso existisse, eu sinto, profundamente em mim,  que eu O amaria da mesma forma.

Amar você, Eterno, não é sempre a coisa mais fácil, mas eu não saberia como não fazê-lo.

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Os 5 últimos dias

{Para ouvir enquanto lê}

Na quinta, agarrei metade do meu cabelo, medi uns centímetros pra cá e outros pra lá e cortei. Balancei ele de um lado pro outro e deixei minha melhor tesoura, a vermelha, em cima da pia do banheiro.

Na sexta, acordei mais cedo que minha irmã e corri pela rua. Sozinha. No frio. Meus passos ressoavam até a esquina, meus fones vibravam nos ouvidos. Tuc. Tuc. Tuc. Uma. Duas. Sete esquinas de uma vez. Parei. Respirei e voltei andando pelo bairro que começava a se agitar.

No sábado, eu abri a janela do uber, o vento batia contra mim.

– Moça, você quer ouvir alguma coisa?

David Dunn saia do autofalante do carro que cheirava a sauna. Obrigado, universo, pelo bluetooth.

E nós cruzamos a cidade com a mesma música se repetindo e minha mão para fora do uber, controlando o vento da cidade.

– Você tá tão feliz, moça, aconteceu alguma coisa?

– Não. – Sorri.

No domingo, eu sentei com as crianças do ministério infantil e elas me perguntaram se Deus ainda multiplica peixes nas redes. Sorri de novo. Nós somos os peixes e as redes. Nós somos as mãos dos discípulos. Nós somos Cristos em formação.

– Você não faz ideia de como ele multiplica, Mateus… – Ele correu satisfeito com a resposta.

Na segunda, fiquei observando meu avô ler o jornal e minha avó ligar para ver se alguém estava melhor de saúde, enquanto eu fazia almoço para os dois. Mexendo o feijão e olhando os meus velhinhos, existindo há anos no espaço um do outro.

– Você não vai acreditar em quem foi preso! – Ele balançou o jornal, minha avó tentava desligar o celular e eu experimentava o feijão, que estava sem sal. – A irmã tá melhor, Ivone?

Nada mudou por fora. Tudo ainda está igual. A vida ainda está cheia de incertezas e problemas. A alegria que me alimenta é estranha e me chama para uma nova fase Nele. Eu nutro a esperança de comer de algo alegre e fresco. Não porque sou otimista com o futuro das coisas e deste mundo, que se mantém unido pelo ódio, mas espero porque Gálatas diz que se não nos cansarmos de fazer o bem, um dia colheremos todo ele. Essa semana foi como uma lembrança que veio sem avisar de que a esperança do bem está chegando. Eu e minha nuca quase de fora continuaremos a semear.

 “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido”

Gálatas 6:9



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