Arquivo mensal: janeiro 2017

“ninguém tirará essa alegria de vocês”

{Para ouvir enquanto lê}

Quase todo dia, eu favorito um link para mostrar pro meu irmão. Coisas bestas, mas que me fazem ter uma crise de riso e outra de tosse. Então, do nada – tipo estralo de dedo barulhento bem na sua cara-, lembro que ele não mora mais por aqui e, depois de algum tempo, eu esqueço de novo e estou salvando séries na minha lista, como se ele fosse chegar mais tarde para assistirmos.

Somos imagem Dele e aprendemos, com seu sopro, a sentir falta. Se nós, imperfeitos e, muitas vezes, quebrados, sentimos falta de passarmos quarenta e dois minutos destruindo todos os aspectos de uma série com alguém, que dirá Ele… O Eterno, aquele que nos criou de dentro pra fora e de fora para dentro, sente a nossa falta constantemente quando deixamos de visitá-lo. O seu coração se enche da saudade original – que se dividiu e formou a que está dobrada em nós – e Ele nos espera. Nos chama. Salva todo o catálogo da Netflix. Favorita vídeos de gatos fazendo coisas impensáveis.

Ele é a fonte de todos os sentimentos puros e nós somos alvos de tamanho amor. Que Ele sinta, cada vez menos, saudade de nós. Que apareçamos sem ligar antes, até o dia que nos veremos perfeitamente. O melhor, mais alegre e mais gráfico dia de todos.

Não sinta saudades de mim, Espírito, me sinta sempre perto, trançando suas barbas imaginárias e esquentando suas mãos furadas.

Assim acontece com vocês: agora é hora de tristeza para vocês, mas eu os verei outra vez, e vocês se alegrarão, e ninguém tirará essa alegria de vocês.
João 16:22

Mesmo quando eu não entendo: obrigada por mudar minha rota

{Para ouvir enquanto lê}

Você me vira de ponta cabeça, Eterno. Não apenas uma vez. Sempre. E por mais que eu tenha pânico de sentir o meu sangue inverter seu fluxo em meu corpo, sem pestanejar ou formar qualquer outro pensamento, eu pularia de todos os telhados com você, correria sobre a telha avermelhada de desconhecidos e flutuaria sobre o que nunca vi todos os dias, porque não há bagunça mais confiável do que a sua ou mudança mais aceitável do que seus planos. Venha o seu reino, a sua vontade e a sua cambalhota, que tira tudo do lugar, que coloca tudo no lugar.

Ele é um copo de água cheio (ou: máscara facial de argila com o Eterno)

{Para ouvir enquanto lê}

E quem quiser pode vir e beber de mim. Ele fala. Mas nós não bebemos. Nós compramos títulos feitos de números – 10 passos para… -, assistimos tudo o que podemos por Streaming, mergulhamos em livros de detetives, mas nada muda dentro de nós. Não porque tudo o que consumimos é errado, mas  simplesmente porque precisamos de água. Nossos corpos têm sede, mas nós oferecemos para ele uma conversa sem graça no celular. Se você quiser, pode vir e beber de mim. Ele diz mais uma vez, mais alto. Mas nós saímos de casa, porque temos uma vida para ganhar. Nós corremos o dia inteiro. Nos seguramos no chacoalhar do ônibus, às seis da tarde, ou encostamos a testa nos volantes, quando o congestionamento parece não passar. E abrimos a geladeira e as abas no Chrome. Procuramos passagens de viagens que não vamos fazer. Procuramos receitas que não vamos fazer. E nada, mesmo que perfeitamente bom, é o suficiente. Por mais que tentemos muito. O problema é você – nossos amigos dizem, cansados. E se o problema é a gente, como se soluciona? Resolvemos colocar uma máscara verde na cara e tirar um tempo para nós mesmos, mas o silêncio começa a assustar, como se descosturasse as nossas carnes. E aí precisamos ouvir algo, ver algo, um vlog bobo, uma review de vela de baunilha, um desafio imbecil. Nossa boca está seca e os ouvidos tapados, mas Ele ainda grita: quem quiser pode vir e beber de mim. Se nós escutássemos ficaríamos molhados feito terra na chuva e nossa alma pararia de procurar por Ele, não porque Ele não esteja em nenhuma das atividades listadas, mas porque Ele precisa estar em nós. Diariamente. Dividindo uma máscara de argila verde ou uma oração. Se quiser, você pode beber de mim – Ele sorri com os dentes do coração.

E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba.
João 7:37

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Aproveite o início do ano para se relacionar com Ele de forma cotidiana. Diariamente tire um tempo para conversar e beber Dele, que é doce e tem barulho de onda do mar. 5, 10, 15 minutos… O que for suficiente para encher o seu coração.




Esquema de sempre: você pode me encontrar através do meu email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou do meu Instagram =D

Sobre os planos de ano novo

{Para ouvir enquanto lê}

A vida não te deve nada e quanto mais rápido você descobrir isso, melhor vai conseguir entender o (seu) mundo. Mesmo que você tenha estudado por anos, mesmo que você aceite balinha como troco, mesmo que você tenha planejado seus próximos 54 anos.

Que simples isso parece, mas não é. E é porque a gente acha que alguém nos deve alguma coisa que nunca somos felizes ou verdadeiramente tristes por nós e nossas escolhas. É por transferir essa dívida para Deus que esperamos que nossas vidas sigam exatamente o que planejamos e que Ele, de uma maneira miraculosa, faça nossos planos acontecerem.

A vida, o Espírito e o universo não são pequenas coisas que você precisa convencer para fazer as suas vontades darem certo. Deus não pode ser acionado com três esfregadas em uma lâmpada.

Depois do Natal, voltando da casa da minha avó, passamos na fazenda de um tio avô. Sol forte, vento que balança árvore e cachorros para todo lado. A simplicidade da vida e do Eterno ali. Eu imaginei um daqueles placares de jogo de basquete acima de nós, de um lado meus planos, do outro os planos Dele. Meu placar alto, o Dele nem tanto. Olhei ao redor, lembrei da passagem de Mateus – Não andeis cuidadosos da vossa vida pelo que haveis de comer ou beber, nem do vosso corpo pelo que haveis de vestir; não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta; não valeis vós muito mais do que elas? – e, de repente, os meus  números do placar começaram a diminuir rapidamente. Um atrás do outro. Logo estava no zero e um ploc encheu minha imaginação: o placar de Deus subira um número.

Eu 0 x Ele 1

– O que o Senhor quer que eu faça este ano?

– Finalmente essa pergunta.

E foi aí que me apaixonei mais um pouco por colher e plantar e entendi um cadinho melhor sobre as leis amorosas do universo criadas por Ele e que podem fazer meu ano mais feliz. Foi aí que aprendi que apresentar seus planos para o Senhor é um bom começo, mas perguntar quais os planos Dele para este novo ano tem uma força estranha, grande, impulsionadora.

Nós devemos sim sonhar com coisas novas para o novo ano, mas nosso coração não pode esperar que a vida nos entregue obrigatoriamente nosso sonho,  não podemos achar que o Eterno está com cada uma de nossas aspirações. A beleza de envelhecer ao lado de Deus é refletir… refletir sobre o seu agir em nós e nas coisas, refletir sobre os seus desígnios e vontades, combinar nossas vidas, aceitar seu coração e todos os sonhos que vem com ele. Envelhecer com Ele é aprender a sonhar igual, é perguntar o que sonhar.

O que você estiver com fome para este ano, plante. O que você não quer mais comer, não semeie. E, de novo, parece tão óbvio… mas a falta de se lembrar disso periodicamente nos faz amargos e decepcionados com a vida e com o Senhor. Feche os olhos e sonhe coisas incríveis para este ano, mas pergunte a Ele quais os sonhos você não conseguiu alcançar com sua mente humana de comedor de bolacha recheada (ou de coisas sem glúten, que é para incluir todas as faixas humanoides).

Que Cristo nos liberte de nossas frustrações pela falta de saber o que Ele pensa de nossos planos. Que nós entendamos que a simplicidade da Bíblia foi desenhada para nos fazer felizes e não amargurados.


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Um post que deseja feliz 2017!

{Para ouvir enquanto ler}

2016 foi um ano bem maluco. Não sei para vocês, mas para mim só faltou aparecer gnomo com a voz do duo do Seafret.

Eu aprendi um bocado de coisas, como:

1 – Fazer uma torta de pão de forma e parar de desperdiçar o primeiro e o último pão do pacote.

2 – Que aquela coisa que as pessoas falam sobre a vida correr pelos olhos é verdade, no minuto em que alguém me falou que meu pai tinha sofrido um infarto isso aconteceu. Depois eu subi numa moto e nem me lembro como cheguei em casa.

3 – Que meu couro é mais grosso do que o pé de muita gente que anda descalço por aí. A vida, às vezes, nos dá uns tapas de novela mexicana: mão aberta, bem estralado. Mas ela se engana se acha que ganhou a discussão. Querida vida, eu já assisti A Usurpadora, e eu não sou Paulina.

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Yo soy Paola Bracho!

4 – Viajar de uma cidade para outra todo dia não é como pegar um ônibus na mesma cidade. Não importa o quanto você me diga que demora mais do que eu para chegar em casa, eu ainda moro em outra cidade. Não venha com mimimi.

5 – Morar perto da igreja significa alguém pegando a chave toda hora aqui em casa, e depois da terceira vez você simplesmente entrega de pijama. Desculpa, amigos que pegam a chave, eu não tenho forças para trocar de roupa.

6 – Valorizar as pessoas que não vociferam qualquer opinião nas redes sociais e que entendem que textão contra a igreja não faz dela melhor, só faz alguém dentro dela machucado.

7 – Aprendi que saudades de um grupo de oração era uma categoria que ainda não conhecia direito, mas sinto, todos os sábados, quando lembro da minha antiga célula. Mas aprendi, também, que existem pessoas maravilhosas para se amar em cada cidade para qual nos mudamos.

8 – Aprendi o melhor lugar para sentar e ouvir o cara do piano da faculdade.

9 – Aprendi que a gente não se desculpa pelas coisas que fazem a gente a gente. Sapatilha, milhões de planos de viagens, livros de gentes que conhecem a Deus como os defeitos da própria sobrancelha, tour por todos os karaokês-pop-chiclete-maravilhosos na cidade e silêncio quando odeio admitir que estava errada para Ele.

10 – Que Deus trata a gente como mulher, quando deixamos as coisas de menina.

11 – Aprendi que, às vezes, o melhor é continuar andando e nunca olhar para trás. Nem de relance. Continuar caminhando. Um passo. E outro. Até que a gente esteja longe da nossa própria bagunça e consiga voltar para limpar.

12 – Aprendi que Deus vê tudo. Tudo. Absolutamente tudo. Mesmo que ninguém veja. Saiba. Faça ideia. Eu e Ele temos uma piada, em que somos nós dois, guardando os chapéus e casacos daqueles que chegam na nossa festa imaginária. Eu e ele. Ninguém nos vê, porém os casacos e chapéus estão sempre em ordem. E a gente ri. É a piada mais sem graça do mundo, mas a gente se diverte com ela todas as vezes.

2016 foi um ano bem maluco, mas Ele nos ajudou. Porque Aquele que nos colocou na aventura mais louca de todas nunca vai nos abandonar, mesmo quando um gnomo com a voz do duo do Seafret aparecer com um plano para dominar o mundo.

Feliz ano novo!


PS: Nenhuma criatura mitológica foi maltratada na feitura deste post e os amigos do Seafret mandam avisar que não tem envolvimento com nenhuma delas, hehe   😉


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