Carta do dia 8 de março (ou: Para todos os sexistas da igreja)

{Para ouvir enquanto lê}

Caro sexista que faz piada sobre mulher e lavar louças nos encontros e retiros, que acha que a equivalência de direitos já existe na prática, que tem medo de discutir abuso, que não sabe o que sua filha já ouviu entre um ônibus e outro, que não faz nada em casa: você não tem ideia do que seja amor. E sem conhecer amor, você não pode conhecer a Cristo e sem conhecer a Cristo seu cristianismo é vazio. Freira sem oração.

Sim, você que acha que é o centro do mundo, você conhece tão pouco do evangelho… Jesus era aquele que dizia que o menor seria o maior. Jesus era aquele que não dividia mulheres entre santas e putas com um belo dedão na cara e um grito de “mas também, desse jeito, como você queria não ser estuprada?!”. Jesus derrubava pedras e egos para proteger as suas mulheres. E suas mulheres mal puderam esperar o sábado acabar para visitar o seu túmulo.

Mas sabe querido você, o evangelho é transformador, ele vira a gente de cabeça para baixo, nos faz melhores, mais amorosos, mais justos – o evangelho de verdade, eu digo -, então, ele pode te ensinar a respeitar as mulheres como Jesus as respeitava, ele pode te ensinar a amar sua esposa como a Palavra diz: como Cristo amava a Igreja. E caramba, como Jesus amava e ama a igreja… O evangelho pode te ensinar a não julgar para não ser julgado, a ouvir e a ser companheiro enquanto elas travam uma longa luta por direitos que, ainda hoje, são invisíveis. E quando você não entender algo, não dê um de discípulo desavisado – como aconteceu com a mulher de Betânia, que quebrou um perfume nos pés de Cristo. Porque Jesus sabe que somos determinadas, fortes, que invadimos reuniões e convenções sociais para quebrar nosso frasco de alabastro nos pés Daquele a quem mais amamos, e se você tentar desfocar nossas vitórias, Ele vai perguntar a mesma coisa que perguntou muitos – muitos! – anos atrás, em Mateus 26:10:

“Por que vocês estão perturbando essa mulher?”

Atenciosamente,

A mulher do seu lado em qualquer culto, que podia ser Débora, a adoradora dançante, que podia ser Maria Madalena, discípula presente, que podia ser Raabe, a prostituta que salvou a pele dos espias e futuros habitantes de Canaã, que podia ser Rute, aquela que abandonou seus costumes e conheceu a Deus, que podia ser Ester, aquela que tinha nome de planta e salvou o povo do Eterno, que podia ser Maria, aquela que foi escolhida como mãe de Jesus.  A mulher do seu lado em qualquer culto, que pode ser como qualquer outra da sua família.



 

Este texto não tem intenção de generalizar homens ou mulheres cristãs, mas de refletir o quanto da cultura sexista temos perpetuado em nossos templos. Que sejamos iguais em direitos e em amor, homens e mulheres. Feliz dia da mulher! (:

Esquema de sempre: você pode me encontrar através do meu email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou do meu Instagram =D

 

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