Arquivo mensal: janeiro 2016

Michelangelo e o espaço irritante entre Adão e Deus (ou: Até mais, Goiânia, e obrigada pelos peixes)

{Para ouvir enquanto lê}

Esses tempos li em algum lugar que o amor só é possível pelo livre-arbítrio. Mas, calma, vamos segurar isso por mais um tempo e (re)começar esse texto de uma nova forma.

O Recomeço:

Quando meus pais contaram que foram chamados para assumirem um núcleo de nossa igreja em outra cidade, nós estávamos na cozinha. Eu não lembro o que havíamos feito para o jantar, mas lembro da cara dos meus irmãos. Eu ouvi e, sem saber o que dizer, fui terminar de ler alguma coisa no computador.

– O que o Senhor quer, Deus? – Eu continuei me perguntando.

Eu me senti diferente da primeira mudança que fizemos por causa da igreja, eu não estava preocupada com meus amigos, com quem estava deixando por aqui, mas com o que era ou não a vontade de Deus para mim, como indivíduo, e não para mim, como membro da minha família.

Aquilo era o que Deus queria que EU fizesse?

Eu resolvi não contar para ninguém, inicialmente, e passei a orar sobre isso de forma insistente (desculpe, Deus hehe).

No meio das orações, o meu coração se encheu de gratidão por tudo o que o Eterno havia nos dado aqui, em Goiânia, como família, e como ministério pessoal. Eu me senti agradecida por ter aprendido a dividir meus sonhos no Reino – Daniel, te amo, migue -, aprendi a ser resiliente, aprendi a amar a casa de Deus mesmo ficando até às três da madrugada tentando colar adesivos no espelho. Eu me senti extremamente grata pela minha célula e minha liderança, capaz de entender o que meu coração ansiava em Deus e me encher de livros e ministrações que me fizessem compreender o que eu não conseguia. Grata por Deus ter me ajudado a entender quem eu sou Nele. E, principalmente, quem eu não sou e não tenho obrigação de ser.

Gratidão, mas não havia respostas sobre a nova cidade.

Mas em um culto, eu me vi revisando tudo o que Deus havia me falado nos últimos tempos, todas as canções que Ele e eu cantávamos enquanto lavávamos vasilha… E… tcharam, ali estava: “o novo de Deus vem”.

Senti suas mãos perto das minhas.

– Deus, mas o novo pode ser um monte de coisas, não só realmente mudar de cidade – retruquei mentalmente.

– Quantas vezes você cantou/escreveu essas coisas nos últimos meses?

Muitas.

Mesmo.

Eu pensei em ignorar o que estava acontecendo dentro da minha cabeça, mas eu sabia que Deus não estava me deixando fazer algo que não fosse incentivado por Ele. Se esse era o meu medo – o caminho da permissividade de Deus e não o da vontade líquida, linda e perfeita do Senhor – eu não precisava temer.

E é aqui que eu volto para o início do texto:

O livre-arbítrio nos faz livre para escolhermos o nosso caminho terreno. Podemos escolher nossas profissões e nosso estilo de vida e, na maioria das vezes, Deus irá permitir que nos o façamos, mesmo que aquilo não seja O plano que ele construiu para nós. Muitos de nós realmente vive assim. E não há nada de errado/pecaminoso/búuuu com isso, mas sinto que não alcançar o plano completo de Deus em nossas vidas nos faz incompletos de uma forma incômoda, como se você precisasse mudar ou conseguir algo grandioso e não conseguisse tocá-la. Como se vivêssemos no eterno espaço entre o dedo de Adão e o dedo de Deus na pintura de Michelangelo.

Contudo, porque eu tenho o livre-arbítrio, eu posso escolher  ouvi-Lo, e amar a sua vontade. Mesmo quando ela não se parece com os meus planos iniciais. Eu posso amar a igreja mais do que eu pensava que poderia.

E entendendo isso, assim como o maravilhoso e TÃO assustador fato de que Deus tem prazer de ir nos ensinando sua vontade ao longo do caminho e não antes de tudo, eu convido vocês que me acompanham por aqui para mudar de endereço comigo – as caixas da mudança estão em TODO lugar hehe – e de aventura, e aprender a amar o novo de Deus, pois como tudo o que Ele faz será perfeito (e mais fresquinho, já que dizem que a cidade é mais fria do que Goiânia Mil Grau).

Deus não é injusto; ele não se esquecerá do trabalho de vocês e do amor que demonstraram por ele, pois ajudaram os santos e continuam a ajudá-los.
Queremos que cada um de vocês mostre essa mesma prontidão até o fim, para que tenham a plena certeza da esperança,
de modo que vocês não se tornem negligentes, mas imitem aqueles que, por meio da fé e da paciência, recebem a herança prometida.
Hebreus 6:10-12

 

Vamos orar comigo?

Deus, que nós não vivamos algo senão sua perfeita vontade. Confia a nós os seus planos. Leva-nos para o exato lugar em que podemos ser como lamparinas sobre as mesas. Nós te amamos e queremos aprender a te amar tanto – tanto! – que o Senhor pergunte sem pestanejar: Você me ama? Apascenta as minhas ovelhas. Nós oramos no nome do teu filho, Jesus, amém.

 



Esquema de sempre: você pode me encontrar através do meu email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou do meu Instagram =D

 

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