Arquivo mensal: abril 2015

Não sei se você notou, mas eu ando falando sobre amor (ou: Amor x Medo)

{Para ouvir enquanto lê}

loveQuem leu meu último post (que foi um pouco “é-o-quê?”, porque eu queria tentar descrever o que eu estava entendendo da palavra na hora da agitação) e o penúltimo post, pode perceber que eu estou falando de amor neste mês de abril. Esse é um assunto recorrente nos meus textos, e os anos têm me feito acreditar no que o pastor Bill Johnson, sênior da Bethel Church, costuma falar: nós temos uma grande mensagem dentro de nós e vamos a dividindo em milhões de pedaços. A minha mensagem definitivamente se conecta com amor, e quanto mais vou progredindo na fé, e como gente, mais entendo que os assuntos de Deus nunca se acabam, por isso a Bíblia é viva, por isso eu sempre acho que há mais sobre amor para falar.

E bem, vamos começar logo este texto com Peninha: quando a gente ama é claaro que(i) a gente cuuuuidaa. Hoje eu queria falar da face do amor de Deus que nos faz sentirmos seguros, cuidados (agora vou cantar a música do Peninha mentalmente até o fim do dia sem or). A face que nos possibilita ser abrigo para os outros.

A minha tendencia é ser uma pessoa medrosa. Sempre amei ler histórias com heróis badass, mas confesso que não sei como agiria no lugar deles – se eu fosse Frodo, por exemplo, provavelmente jogaria aquele maldito anel Condado abaixo, já na saída de casa. Por isso, aprendi na prática, renegando os meus temores, que o meu Deus é escudo e glória.

Quero dividir o nosso post em dois tipos de medo que nos acometem e que o amor de Deus se faz presente para dissipá-los, e terminar falando sobre assimilar essa característica em nosso caráter.

1) O medo do que ainda não aconteceu (ou: Vidente do “ihhh não vai dar certo”)

Se eu fosse vidente (oi-Natânia-o-quê-está-acontecendo-?), provavelmente você não gostaria nadinha do que eu teria para te dizer. Isso porque eu sempre penso nas 55 coisas que podem dar errado antes de seguir em frente com algo e quando eu presto atenção eu já estou quase colocando minha fé que as coisas realmente não vão dar certo. “Isso é falta de fé e não colocar sua fé”, você pode dizer, mas olha, eu digo que não é não, é uma fé usada para o mau (uma fé Darth Veder). Quer saber porque que digo isso? A Bispa Lúcia Rodovalho (<3) disse, hoje, no twitter:

A fé é crer naquilo que você não pode ver. A recompensa dessa fé é ver aquilo em que você crê!

Bem, isso é maravilhoso se você acreditar nas promessas, na bondade, na resolução e na alegria das coisas novas, no entanto, se você crê que aquilo já está falido antes de se desenvolver, bem, sua recompensa é ver um projeto que nasce morto. Viu só como é possível lançar sua fé para o mau?

Eu já tive e tenho inúmeras conversas com Deus perguntando, falando, pedindo uma explicação para minha insegurança crônica com muitas coisas na vida, mas um dia senti que devia apenas confiar. Confiar sem explicações, pelo menos no início. Decidi aceitar o desafio de não temer depois de algumas decisões erradas, por medo de tomar as certas. Você já fez isso? Jogar uma coisa pro alto com medo de levá-la adiante e ela dar errado? AGORA ME DIZ, QUAL É A LÓGICA DISSO?!

Nenhuma.

E eu decidi que eu não iria ter medo do que ainda não aconteceu. E isso não é fácil. Todos os dias eu preciso me lembrar que o amor do Eterno é tão grande que pode vencer o meu temor. Algumas vezes, Deus, em misericórdia, já me disse: sossega, vai ficar tudo bem, siga em frente com essa decisão. Maaaaas milhares de vezes, Ele não falou. E, conforme você vai ficando mais maduro no relacionamento com o Senhor, vai entendendo que ficar chateado por ter que vencer seu medo não faz o coração de Deus se voltar para você com mais facilidade. Pise na água, mesmo que você pense “caramba tô sentindo que vou descer diretinho para a zona abissal”. Não tema algo de graça, mas peça entendimento.

Muitas vezes, Deus tem planos tão específicos para nós, mas nos desviamos muito deles por medo de insistir em um caminho, por medo de oportunidades que se abrem. Para vencer meu medo, eu oro. Choro. Oro. Grito “Spirit  break ooooooout“. Leio Salmos 3. Assim, não preciso de uma palavra direta de Deus para parar de temer, eu começo a profetizar o que já está na Bíblia: o verdadeiro amor lança fora todo medo. De novo. De novo. E coloco meus pés nos planos futuros.

O medo é algo viciante. Você se vê voltando sempre e sempre e sempre para ele, até o dia que perde algo tão importante que mal pode acreditar. O amor de Deus é capaz de cauterizar a raiz do nosso temor, Ele nos dá segurança e nos reveste de coragem. Não de uma coragem tola, mas de uma coragem com cara, cheiro e gosto do Reino: aquela que nos faz viver o evangelho no máximo.

Se você sente tanto medo do futuro que seus pés e planos congelam-nível-frozen e você se vê conformado com uma realidade horrível, do fundo do meu coração eu te desejo o que eu desejo para mim diariamente: seja livre. Que seus pés encontrem o amor de Deus e que esse amor se choque contra o seu coração, que ele quebre seus ossos e te faça mais resistente, mas, ao mesmo tempo, mais suave e perceptivo para a realidade do céu, que está tão longe do medo, quanto eu, geograficamente, da J.K.

2) O medo das situações terríveis que já estão acontecendo

Muitas vezes, nós vivemos momentos tão ruins na vida que pensamos que é ok temer naquela hora. Sabe o que Deus tem me ensinado? Não é ok, não.

Quando meu pai ficou doente (eu já contei um pouco sobre isso aqui), eu fiquei com medo. Às vezes, eu me pego com medo ainda hoje. Mas Deus me cerca de palavras na Bíblia e me cerca de palavras na igreja que me fazem lutar contra esse sentimento. Me lembro de chegar no culto um dia, quando ele não podia ir à igreja e estava bastante abatido, começar a participar do louvor e ficar tomada de medo. Eu pensei: bem, talvez, eu precise ir para casa, descansar a cabeça um pouco. Mas Deus me disse para ir até o banheiro. Eu me ajoelhei no chão de uma das cabines e comecei a chorar, de repente o sentimento de que Deus era poderosamente maior do que tudo aquilo me invadiu. Você já sentiu que é imensamente minúsculo quando a presença de Deus desce sobre você? Não pequeno como quem não é útil, ou é menor e pode ser esmagado… Mas pequeno do tipo: Filho, você cabe nas minhas palmas e elas irão te proteger.

Eu precisava lutar contra o medo. Não com minhas armas – meu positivismo já foi discutido acima hahaha -, mas com as armas do Eterno. E eu pedia para que ele me falasse sobre amor. E ele ria comigo e me falava sobre seu grande amor. Ele me explicava que não há nada melhor do que quando nós nos derramamos sobre Ele. E o seu amor preenche o que o medo rasgou.

Quantos de nós estamos enfrentando situações realmente apavorantes agora?… Sabe, gentes, nossos ombros podem tentar por algum tempo, mas eles não são e nunca serão escudos.

Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários! São muitos os que se levantam contra mim.

Muitos dizem da minha alma: Não há salvação para ele em Deus. (Selá.)

Porém tu, Senhor, és um escudo para mim, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça.

Com a minha voz clamei ao Senhor, e ouviu-me desde o seu santo monte. (Selá.)

Eu me deitei e dormi; acordei, porque o Senhor me sustentou.

Não temerei dez milhares de pessoas que se puseram contra mim e me cercam.

Levanta-te, Senhor; salva-me, Deus meu; pois feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes aos ímpios.

A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção. (Selá.)

Salmos 3

O amor de Deus o faz levantar do seu trono. Aleluia, nós temos um Deus que se preocupa em cuidar de nós!

>> Cuide de alguém que enfrenta o medo

Sabe o que é brilhante no evangelho? Se você levar a coisa a sério, você fica parecido com Jesus. Dá para pedir algo melhor do que adquirir as características do caráter de Deus? Quanto mais você deixa Deus te ensinar a não temer, a viver abundantemente, mais você pode ensinar alguém. E quando eu falo ensinar, bem, você precisa entender o que eu acredito que seja ensinar: andar perto de alguém todos os dias, de tal forma que o seu coração seja repartido com aquela pessoa pelas palavras, ações e comida que compartilham.

Quando você é um Cristo em andamento, você se preocupa com as pessoas. Você diz coisas que deixem seus corações quentes e longe do medo. Você não precisa dar um sermão – elas não vão lembrar -, mas se você for com elas, exortando, cuidando, amando, alertando sobre a liberdade do Espírito e a prisão do medo, elas verão uma parte do próprio Deus protetor manifesto na igreja.

Paulo (<3) fala diversas vezes sobre seu cuidado com a igreja, e agradece a Deus por Tito também apresentar um coração voltado para seus irmãos:

Agradeço a Deus ter ele posto no coração de Tito o mesmo cuidado que tenho por vocês,
2 Coríntios 8:16

Ande sempre com quem pode alimentar sua fé, com quem profetiza uma vida longe do medo, com quem te abrace no dia mal e te chame para ver Friends no final de uma semana difícil (Friends por minha conta, migs, Evangelho de mim mesmo capítulo 2).

Sempre se lembre do amor de Deus e da igreja por você, onde é que você esteja nesse mundo de meodeos.

Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo.
Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve.
Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro.
Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.
Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.
Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.
Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.
Amados, se Deus assim nos amou, também nòs devemos amar uns aos outros.
Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor.
Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito.
E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.
Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus.
E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele.
Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo.
No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.
Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro.
1 João 4:4-19

Vamos orar?

Pai, quantas vezes nós já conversamos sobre medo? Em todas elas o Senhor foi fiel. Seu santo nome é escudo e âncora para nossos corações e almas. Eu profetizo amor sobre os que estão tomados pelo medo hoje, e que o amor corroa as amarras que nos mantém aprisionados, que o amor dissolva o temor, que ele instaure o Reino em nossos corações. Deus, eu quero apoiar meus amigos e irmãos no momento em que eles não conseguirem crer no melhor de Deus, e que eles também desejem cuidar de outros. Em teu nome nós oramos. Amém!

Pacientemente, amor (ou: Pão de queijo quentinho)

{Para ouvir enquanto lê}

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Ainda não sei escrever um post sobre a manhã de hoje. Estava eu lendo um livro do Fernandinho – em breve quero falar sobre ele por aqui – no ônibus, em direção ao trabalho, depois de uma longa semana de dengue, exames de sangue e horas esperando minhas consultas, quando eu li 1 Coríntios 13. Eu, sinceramente, não sei quantas vezes já li esse texto, ouvi alguém lendo esse texto, pregando sobre esse texto, e exemplos parecidos…

Inúmeras vezes.

No entanto, hoje uma parte dele pareceu fazer um sentido absurdo pra mim.

O amor é paciente

1 Coríntios 13:4

Sim. Ele é. E sabe, acho que quando a gente descobre um pouco mais sobre o amor vemos que essa é uma característica intrínseca dele. O amor não desiste, ele não joga tudo para cima, ele está ali, todos os dias, esperando e por isso ele tudo suporta, e por isso ele tudo crê, tudo espera, tudo sofre. O amor enfrenta tudo, pois ele é paciente para alcançar o seu fim.

Eu estou apenas repetindo os versículos, amigos, porque ainda não consigo explicar a certeza que invadiu meu coração. Em dias em que nada pode esperar, o amor pode. No mundo em que se não for para agora não serve, o amor é paciente. Eu amo pacientemente, como quem abre um pão de queijo recém assado e espera enquanto uma fumacinha cheirosa sobe até o teto. Uma hora a gente morde o pão de queijo, uma hora o perfeito vai chegar, e o que é imperfeito vai desaparecer.

Porque hoje é dia do beijo (ou: Sobre se apaixonar por Jesus)

{Para ouvir enquanto lê}

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Hoje é dia do que? Sim, você leu o título e sabe que a resposta é do beijo – embora para mim tenha sido dia de descobrir que estou com dengue e o mistério das minhas dores no corpo ser desvendado (Agatha Christie das doenças tropicais).

A Bíblia é um livro dos mais românticos… E eu não estou falando de Salomão e todos os seus elogios peculiares. O evangelho é, para mim, uma declaração de amor. Mateus, Marcos, Lucas e João escreveram, juntos, uma grande carta sobre se apaixonar.

Você já parou para pensar que esses quatro homens eram apaixonados por Jesus? Calma lá, quero voltar mais um pouco: você já parou para pensar que Jesus era um cara normal nessa época? Ele não tinha filmes, fama, quadros… Ele era apenas um nazareno não caucasiano, queimadinho de sol e dono de palavras justas e doces. E foi necessário que esses homens conhecessem a ele. Foi necessário que esses homens fizessem perguntas bobas sobre o reino e sobre ser grande dentro dele – porque ninguém nunca as tinham feito antes. Foi preciso que esses homens dividissem casa, comida e um barco quase naufragando para que algo dentro de seus corações fizesse click e eles pensassem: caramba, eu amo esse cara.

Se apaixonar por alguém não é um processo rápido. Mateus levou 28 capítulos para nos mostrar isso. Eu aprendi que você vai encontrando pequenas trilhas nas pessoas até encontrar, verdadeiramente, seus corações. Eu imagino Jesus fazendo esse tour pelo interior de Pedro, até achar o coração pulsante aonde a igreja iria se apoiar. Jesus faz isso conosco. Ele desentulha nossas estradas para entender o que é o amor. A cada dia que entendemos mais um pouco, tudo muda. TUDO MUDA. O amor de Jesus me fez mudar minha ideia de amor. E amar a Jesus me fez mais amorosa.

Acredito que quanto mais os discípulos conheciam Jesus, mais eles o amavam. Sabe quando você admira alguém a ponto de, sem perceber, decorar a forma com que ela se move ao redor das outras pessoas? Você sabe como ela ri, sabe como ela conversa, você sabe, até mesmo, que ela se mexe de um lado para o outro quando ela ora. Os discípulos deviam ser assim. Saber o sotaque de Jesus, saber a sua comida preferida, saber como era seu sorriso depois de um milagre.

Um dia ouvi que o amor de Jesus era a única coisa que podia colocar nosso interior no lugar. Eu estava em uma fase blé quando me disseram isso, há alguns anos, e por mais que soubesse que a frase era verdade, não entendia como colocar em prática. Bem, acontece que eu amava a Jesus, mas ele queria me ensinar a amar segundo o seu amor. Não apenas para corresponder a Ele, mas para que eu pudesse amar aos outros com o mesmo amor.

Sabe alguém na Bíblia que eu creio que amava a Jesus com o amor que vem do próprio Jesus? A mulher que lavou os pés do Senhor na casa do fariseu:

 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos de sua cabeça.

Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés.

Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento.

Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.

Lucas 7: 44 – 47

Que passagem incrível! Mesmo com a cabeça latejando – dengue é muito divertido, amigos – eu consigo pintar a reação desta mulher diante das palavras de Jesus. Eu consigo vê-la beijando seus pés. E de passagem em passagem, beijo em beijo, vamos nos tornando cristãos no mais íntimo dessa palavra: amor.

Leituras de Janeiro, Fevereiro e Março

{Para ouvir enquanto lê}

Este é aquele post em que eu te conto o que eu andei lendo. Sei que este blog não é literário, no entanto continue lendo, quem sabe você não se interessa por um dos volumes? Eu vou dividir o post em duas partes, a primeira são livros que eu chamo de “da vida”, eles não são relacionados a Deus, e a segunda parte livros que leio para a construção dos posts e que, portanto, falam sobre nossas vidas à luz da Bíblia.

PARTE 1

>> Aniquilação, de Jeff VanderMeer

aniquiCARAMBA. É a primeira coisa que tenho para falar sobre esse autor. Aniquilação é uma daquelas coisas da vida que ou você ama ou você odeia. E eu amei! A história, que chamo de horror cósmico, mas que também é classificada como horror barra ficção científica, conta a história de uma expedição que vai até o sul dos Estados Unidos até uma área denominada de X – já deu para entender que a gente não sabe aonde é com a escolha da letra, certo? – um lugar onde uma catástrofe ambiental ocorreu. Porém, essa não é a primeira expedição que é mandada para este terreno, mas a 12ª. E nenhuma delas foi bem sucedida. Alguns não voltaram, outros voltaram, mas não voltaram, e outros, ainda, retornam com câncer. Não é bem para ir para lá que vocês ficam dando F5 em site de passagem, amigos.

A vontade de ler este livro surgiu quando eu descobri que todas as personagens eram mulheres. Sim, sem nenhum romance na área, sem triângulos, sem diálogos que, muitas vezes, aprisionam as narradoras femininas a um universo único de pretensões amorosas. Aquele era um livro sobre quatro profissionais em uma missão. Uma bióloga – nossa narradora curta e grossa -, uma topógrafa, uma psicóloga e uma antropóloga. Todas sem nome durante a história.

O que começou como algo meio girl power, logo nas primeiras páginas se tornou medo dos bons, amigos, quase do tipo lovecraftiano.

“Eu lhes diria os nomes das outras três, se isso tivesse alguma importância, mas apenas a topógrafa vai durar mais um ou dois dias.”

O desconhecido, se mistura a sentimentos universais, e aí o pavor da personagem se torna o seu próprio pavor. Estou tentando não contar muito do plot, porque grande parte da graça de entender um pouco do que está acontecendo na área X é não saber de nada, mas o que posso dizer é que a escrita de Jeff é fantástica. Suas descrições criavam em mim um pânico e uma admiração, muitas vezes. Uma das melhores de toda a obra, pra mim, é a descrição da piscina da biografa, incrível mesmo. Eu, que não gosto de ler horror contemporâneo, cheio de pessoas sendo rasgadas no meio, amei sentir medo não de morrer estripada, mas sentir medo do universo, de seu tamanho, de todo o desconhecido, de qualquer fungo que via pela frente, sentir medo de falar sobre a história das nossas vidas, medo dos nossos primeiros nomes. Lovecraft de novo.

“Quando passamos a ver beleza na desolação, algo muda dentro de nós. A desolação tenta nos colonizar.”

O livro faz parte de uma trilogia, Comando Sul, então há mais coisas para se descobrir… Os outros dois livros ainda não chegaram por aqui e, infelizmente, agora é esperar. Indico com certeza.

Bônus: li uma parte que me deixou tão mais tão absorta na padaria perto do meu trabalho, e agora sempre que entro no lugar procurando pão de queijo, me lembro do livro.

>> Mentirosos, E. Lockhart

106589elockSó digo uma coisa: fiquei com ozói cheio d´água. Eu li esse livro durante a Conferência de Carnaval da minha igreja, na verdade, eu terminei o volume no horário do almoço, entre as palavras da manhã e da tarde. Tinha levado uma toalha vermelha de picnic para comer lendo, deitei na grama, mas o clima não estava bucólico não. Eram as últimas trinta páginas e olha não chorar foi um exercício de muito imagina-civil-wars-lançando-outro-disco. É uma obra YA? É. Mas gente, vale a pena. Tem um romance superestimado? Tem. Mas continua valendo a pena. Tanto que já emprestei para um amigo, porque preciso comentar sobre!

Vamos a sinopse (vai parecer uma leitura blé, mas não confiem em quem escreveu isso, é um livro muito bom e essa sou eu sendo parcial como sempre, aceitem kkk):

“Cadence vem de uma família rica, chefiada por um patriarca que possui uma ilha particular no Cabo Cod, onde a família toda passa o verão. Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat (os quatro “Mentirosos”) são inseparáveis desde os oito anos. Durante o verão de seus quinze anos, porém, Cadence sofre um misterioso acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos, tentando juntar as lembranças sobre o que aconteceu.”

Dona Lockhart tem uma escrita envolvente  – ela te deixa uma trilha de pães sobre o que aconteceu no verão dos 15 – e reflexiva; ela faz a gente pensar em como só vemos parte de nossas vidas pela ótica que nossa emoção consegue lidar/suportar. Você vai chutar algumas teorias durante a leitura de Mentirosos,  vai se lembrar de como odeia alguns tipos de comportamentos elitistas, e, se for um pouco parecido comigo, vai querer chorar no final. E depois rir, pois a última página do livro é um selinho contra spoiler, eles falam que o há um fórum no site do livro para você falar sobre ele e evitar encher suas amizades de spoiler.

>> Batman 66, de Jeff Parker com arte de Jonathan Case, Ty Templeton, Joe Quinones e Sandy Jarrel [mais conhecido como: obrigada, Dany, pelo presente de Natal]

Batman_'66_Vol_1_1_Textless“Santa baboseira maquiada, Batman!”

Você sabe de quem é a frase acima, certo? É do menino prodígio. Bem, a HQ Batman 66 é uma homenagem ao seriado do Batman de 1966.

Conhecido pelo entretenimento inocente, engraçado e cheio de “pufts”, o seriado, sem grandes questões humanas, trazia um batman nada sombrio e cheio de bat-objetos, um Robin sempre disposto a fazer uma piadinha e vilões que queriam dominar o mundo e ganhar muito dinheiro com as maldades das horas vagas. A HQ carrega exatamente o mesmo tom do show de TV.

Vale a pena pelo sentimento de nostalgia (daquele tempo não vivido, quem nunca?) e pelas ilustrações, quem são uma belezura.

>> O Teorema Katherine, de John Green

Pra mim, este é um livro sobre o medo do fracasso. E não, não é o melhor livro do João Verde. Mas antes de tudo, vou deixar a resenha da obra feita por uma booktuber brasileira. Conheça a história de O Teorema Katherine:

Apesar de ser um livro sobre fins de relacionamentos, o que mais me chamou a atenção nele foi a necessidade de reconhecimento do personagem principal. O Colin é como aquele pedacinho do nosso cérebro que nos pergunta todos os dias por que não somos gênios, por que não escrevemos uma teoria nunca vista pela humanidade ainda, por que não somos milionários antes dos trinta? O combate vivido por muitos entre descobrir o que você verdadeiramente é e o que você deveria ser para parar de receber olhadelas pedantes no Natal. O Colin é aquela parte de nós que usa a expressão medonha e nojenta “ser alguém na vida”.

No entanto, há alguns problemas no decorrer da história, como a lentidão da mesma e personagens interioranos cujos sotaques são transcritos para o livro de uma forma não natural – gente “uuhaá sô!” em um diálogo apenas não. É claro que sei que a tradução nesse caso de expressões muda tudo, talvez eu tente ler o livro em inglês para saber se pecamos em nossa edição…

capa_teoremaAmigos, além desses problemas, quando você lê uma obra catalogada como Young Adult deve saber no que está se metendo: romance mais diluído. Mas quem já leu outros livros do John Green sabe que ele balanceia isso com uma escrita super agradável.

Gostei de o rodapé fazer parte da história e de que o teorema matemático foi feito realmente por um matemático. No entanto, a história não nós faz devorar o livro.  Tem road trip no livro? Sim. Tem um personagem muçulmano adolescente engraçado e amoroso (e own)? Yep. Tem pé na bunda? Tem também. Tem personagem principal super inteligente e que faz milhões de referências? Aham. Mas, ainda sim, ela corre tão devagar quanto aquele primeiro dia pós fim de relacionamento. Confesso que empaquei com ele algumas vezes e que, ao contrário de alguns comentários que vi por aí, não achei o livro subestimado, achei mesmo que ele não é tão bom quanto outros que já li do mesmo autor.

Se eu recomendo? Gentes, todo mundo devia ler tudo que puder, nem que seja para me dizer que eu estou louca (beijos, Eduardo).

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Além dos livros acima, reli Harry Potter e a Pedra Filosofal, da [maravilhosa] JK. De tempos em tempos, eu volto para Harry. ❤ Pretendo reler todos os sete livros neste ano, mas comecei o projeto Victor Hugo, então vamos acompanhar se realmente farei os dois hehe…

PARTE 2

Para apresentar os livros que ajudam a construir os posts do blog nos últimos meses, não irei fazer um resuminho de cada um deles, mas vou colocar um link em que vocês podem conferir o texto em que eu já falei sobre o livro.

>> Super Ocupado, do Pastor Kevin Young

Tem textão resenha dele aqui Ô.

>> Historical Geography of Bible Lands, de Wycliffe

Quem leu algum post antigo sabe que eu não leio este livro de uma vez, e sim dou uma olhada sempre que quero estudar alguma partezinha da Bíblia em especial. Nesses meses eu usei para aprender sobre as viagens missionárias de Paulo e escrever um dos meus posts favoritos de todos os tempos. Qual post? Esse aqui.

>> Atos, de Lucas (aquele Lucas famoso da Bíblia)

Suspiros à postos? Eu absolutamente amo Paulo. Atos não é meu livro favorito da Bíblia, no entanto, ele está na disputa, porque conhecer a rotina da igreja primitiva, de Paulo e seus discípulos, entender quanto amor alguém pode ter pelo evangelho derrete meu coração em um nível maior do que ouvir Billie Holiday, Natalie Cole ou Etta James cantando The Very Thought of You, me derrete em um nível maior do que ouvir gente que sabe tocar violão sem pretensão nenhuma, dedilhando o instrumento quase de forma murmurante…

Múltiplas declarações de amor a parte, leia meu post sobre uma das histórias que encontramos no livro de atos. E por que parar no texto da linha anterior? Leia logo Atos todo!




PS: Tem livro para me indicar? Envie um recado no meu email: nataniacarvalho@gmail.com