Arquivo mensal: março 2015

Você é muito ocupado ou está se ocupando demais? (ou: Falando a verdade sobre nossas rotinas)

Começo esse post com o coração quente e agradecido pelo tempo de quem me manda um recadinho pelo email/comentários. Quando criei este blog, para amigos e conhecidos, não sabia que ele poderia chegar até pessoas totalmente diferentes do meu ciclo social e que essas pessoas teriam interesse em mandar um olá-eu-te-leio-sem-te-conhecer. Por favor, mandem os links dos seus blogs no final dos emails, para que a leitura seja recíproca! ❤


{Para ouvir enquanto lê}

“Para a maioria de nós, não é a heresia ou apostasia que fazem nossa fé sair dos eixos. São as preocupações da vida. Você tem de consertar o carro. O aquecedor de água pifa. A criançada precisa ir ao médico. Você ainda não conseguiu fazer sua declaração de imposto de renda. Sua conta no banco está sem saldo. Você se atrasou em escrever notas de agradecimento. Você prometeu à sua mãe que iria para a casa dela dar um jeito de consertar a torneira. Você está atrasado no planejamento para seu casamento. O concurso ou seu exame da OAB está chegando. Tem de mandar imediatamente mais currículos. O prazo da sua dissertação de mestrado está se esgotando. O tanque está vazio. O gramado precisa ser aparado. As cortinas da casa não estão colocadas. A lavadora de roupa está sacudindo e fazendo um barulho assustador. Esta é a vida para a maioria de nós, e está sufocando nossa vida espiritual.”

Kevin Young

Eu decidi falar sobre rotina neste mês, depois de fevereiro jogar na minha cara, quarto e escrivaninha o quanto eu sou desorganizada. Não é segredo para quem me lê que eu sempre tenho uma jaqueta em cima da cama e muitos alguns livros espalhados na escrivaninha, mas fevereiro me deu um belo chute no traseiro (queria falar chute na bunda, mas achei ofensivo. Procede?). Mais do que desorganizada com minha vida de escolher uma roupa para sair, eu me descobri desorganizada com meu tempo e isso significa aquele velho sentimento “estou muito ocupada para”.

Isso vinha me atrapalhando bastante, porque na hora de descansar, eu estava pensando em alguma coisa que tinha que resolver – não apenas do trabalho, mas nossas obrigações diárias – e na hora de realizar tais obrigações eu estava cansada. E eu não estou sozinha, dei uma olhada em posts por aí, e olha: isso é muito comum. Talvez até mais comum do que suspirar por As Time Goes By, em Casablanca (é como abrir a boca, só falar e já estou suspirando).

– Bem, Deus, talvez isso signifique que você quer me ajudar a ser menos confusa-cheia-de-coisas-pra-fazer.

Com isso em mente,  procurei textos embasados na Bíblia sobre a desculpa favorita de todos os ocidentais relacionadas a sua rotina: EU SOU MUITO OCUPADO. Foi assim que eu tropecei em um livro que, praticamente-literalmente hehe, tem o nome da desculpa ocidental. Super Ocupado, é uma livro do Pastor Kevin Young, como conheço pouquíssimo do que ele tem feito, não posso indicar outras coisas de sua autoria, mas esse livro especificamente fala do tema de forma bastante prática e, sim, creio que você pode tirar proveito dele. Mas, calma lá, antes de você me falar que está muito ocupado para ler o livro, deixa eu te explicar como vou falar dele neste post.

super-ocupado-ve

Super Ocupado possui dez capítulos e eu os agrupei – não de acordo com a forma que foram escritos e apresentados no volume – em três temas que me ajudaram a entender minha rotina. Espero que eles se encaixem com a sua também.

1) Eu sou mesmo tão ocupado assim? 

Esse primeiro tópico barra pergunta parece idiota, mas na verdade ele nos mostra o quanto usamos nosso tempo de forma errada. No primeiro capítulo do livro, Kevin conta a história de uma mulher estrangeira que ao chegar nos Estados Unidos passa a se apresentar como “Very busy”, porque isso era o que ela ouvia assim que tentava se comunicar com outros.

Nós colocamos um super selo de que nosso tempo está totalmente tomado, mas, se pararmos e colocar tudo o que fazemos no papel e em quanto tempo faríamos isso se não nos enchemos de distrações, como o capítulo sete cita (mídias que consumimos e que consomem nossas horas), podemos perceber que, bem, nós podemos sim ir na igreja naquela terça-feira a noite.

Mas não são apenas aqueles quinze minutos que tiramos para olhar o feed do Instagram e descansar a cabeça que rouba TODO o nosso tempo, claramente. Esses capítulos nos mostram que a força da nossa declaração de “não dá, estou ocupado”, não nos faz pensar em formas de otimizar nossas atividades e buscar uma solução. Então, curtindo algumas fotos dos amigos ou não, você já se predispôs a estar cheio de coisas para fazer.

2) Eu realmente sou muito ocupado, não é desculpa, é sério 

Minha gente, isso é uma realidade. Muitos de nós somos INCRIVELMENTE cheios de coisas para fazer. Um exemplo? Você já chegou do trabalho sabendo que absolutamente tudo na sua casa ainda está para fazer e adivinhe? Você ainda tem que checar o email e ver se aquele freela foi aprovado. Pois bem, depois de passar pela pergunta do tópico 1 e ter chegado a conclusão de que você é ocupado-não-é-desculpa-é-sério, agora nós precisamos descobrir novas coisas:

– Porque eu sou tão ocupado?

A) Porque eu sou orgulhoso.

COMO ASSIM, NATÂNIA, O QUE VOCÊ TÁ FALANDO? Sim, segundo Kevin, estar muito ocupado pode ser uma condição de quem é muito orgulhoso. Você já viu aquela pessoa cujos olhos brilham quando ela fala que tem que ir no banco na hora do almoço e nem vai ter como comer? Pois é. Nós nos tornamos viciados na rotina de nunca ter tempo, de estarmos sempre fazendo algo, de descansar apenas no domingo pela manhã e olhe lá. O livro joga essa carta também no meio da igreja. Ele fala sobre aquelas pessoas que estão tãaaao ocupadas com as coisas da igreja que já se esqueceram o porquê fazem isso. “Eu estou tentando fazer o bem ou ser visto?”, ele nos pergunta o capítulo três.

No capítulo 5 ele nos lembra que Jesus podia ter se tornado aquele cara ocupado em fazer milagres, mas o tempo de Jesus não era gasto saciando sua necessidade de aprovação – que calma, todo mundo tem -, mas era gasto seguindo o direcionamento do Espírito Santo.

B) Porque estou fazendo um trabalho que não é meu

Um capítulo depois, Kevin explica que muitos na igreja sofrem da síndrome do “isto é o que bons cristãos fazem”, querendo fazer tudo na instituição, quando, na verdade, nem todo “bem” deve ser feito especificamente por você, por isso a igreja é um corpo, para que cada um faça o bem para que foi designado. O exemplo foi relacionado ao mundo cristão, mas muitas vezes tentamos fazer o trabalho dos outros em nossas empresas e até em casa. Falando em casa, o autor dá a bronca no capítulo 6: você precisa parar de enlouquecer por causa dos seus filhos. Eu ainda não tenho filhos, mas vendo o quanto meus pais fazem por mim e por meus irmãos, sei que isso pode acrescentar muitas horas a mais no seu checklist mensal de horas.

3)  Porque estar muito ocupado é prejudicial?

Sua saúde física, talvez, seja a primeira a responder isso com enxaquecas, dores nas costas e tantas outras coisas que vem da nossa falta de descanso. No entanto, Kevin nos dá outros motivos pelos quais precisamos desacelerar nossa rotina. O primeiro deles é a que ficar ocupado demais nos deixa mais tristes e a palavra de Deus nos chama para exalarmos alegria.

“Esta é a ameaça espiritual mais imediata e óbvia. Como cristãos, nossas vidas deviam ser caracterizadas pela alegria (Filipenses 4.4), com sabor de alegria (Gálatas 5.22) e cheias da plenitude da alegria (João 15.11). Ocupação em demasia ataca tudo isso. Um estudo diz que pessoas que viajam diariamente a serviço experimentam maior nível de estresse do que pilotos de aviões de bombardeio ou policiais. É isso que estamos enfrentando. Quando nossa vida está frenética e desvairada, somos mais propensos à ansiedade, ressentimentos, impaciência e irritabilidade. Enquanto eu trabalhava neste livro, pude perceber em meu interior um espírito melhorado. Não por meus escritos, mas pelo tempo de folga que recebi para fazer o trabalho de escrever. Durante aquelas semanas sem as pressões de viajar, reuniões e constante preparo de sermões, descobri estar mais paciente com meus filhos, mais atento e sensível para com minha esposa, mais disposto a ouvir de Deus. É óbvio que todo mundo tem semanas e meses em que tudo que pode dar errado, e dá mesmo errado. Nesses períodos teremos de lutar com força para ter alegria no meio de muita ocupação. Mas poucos de nós lutarão agora mesmo em prol da alegria da próxima semana, enfrentando os hábitos desnecessários de ocupação atarantada que tornam a maioria das semanas em infeliz perturbação.” (Super Ocupado)

O segundo motivo pelo qual a super ocupação deve ser evitada é porque ela sufoca nosso coração. Fazendo analogia a parábola do semeador (se você não conhece, por favor, leia Mateus 13), Kevin nos explica que as preocupações com este mundo são um dos grandes espinhos capazes de destruir nossa fé por um simples motivo: estarmos ocupados demais para alimentá-la.

“Por mais que oremos contra o diabo e oremos pela igreja perseguida, no pensamento de Jesus a maior ameaça ao evangelho é a mera exaustão. A situação de estar ocupado demais mata mais cristãos do que balas. Quantos sermões perdem seu poder por causa de excessivas preparações de almoços ou jantares e jogos de futebol profissionais? Quantos momentos de dor são desperdiçados porque nunca paramos tempo suficiente para aprender com eles? Quantas vezes o culto particular e familiar foi esmagado por projetos de escola ou jogos de futebol? Precisamos guardar, vigiar o coração. A semente da Palavra de Deus não cresce para frutificação sem ser podada por repouso, calma e quietude.” (Super Ocupado)

O último motivo listado é a capacidade que nós temos de nos esconder em nossas agendas. Quando estamos cheios de coisas para fazer, nós não tiramos o tempo necessário para analisar situações, entender verdadeiramente o que está acontecendo conosco, nós podemos facilmente esconder nossa podridão.

“ ‘Ocupação em demasia serve como uma espécie de segurança existencial, um muro contra o vazio’, escreve Tim Kreider em seu artigo viral, “The ‘Busy’ Trap”, [A armadilha do ocupado] para o New York Times. “É óbvio que a sua vida não pode ser tola, trivial ou sem sentido se você estiver atarefado, de agenda completamente cheia, procurado para atender algo em todas as horas do dia”.O maior perigo com estar ocupado que nem louco é que podem existir perigos que você nunca teve tempo de considerar. “Super ocupado” não significa que você seja um cristão fiel ou frutífero. Só quer dizer que você está ocupado, como todo mundo.” (Super Ocupado)

Kevin termina o livro falando de Maria, irmã de Lázaro, que queria apenas ouvir o Senhor, enquanto Marta se desesperava com o trabalho a ser realizado. Nós devemos aprender a engrandecê-Lo com as horas de nossos dias.  Devemos nos ocupar com o amor sacrificial, devemos ter tempo para descansar, e, claro, tempo para trabalhar, afinal, a palavra diz que quem quer tomar sorvete de pistache deve trabalhar (o versículo de verdade: “Quando ainda estávamos com vocês, nós ordenamos isto: Se alguém não quiser trabalhar, também não coma.” 2 Tessalonicenses 3:10).

Termino o texto com um vídeo do próprio Kevin Young, postado no canal do Ministério Fiel, responsável pela publicação do livro no Brasil. No final do post passado, eu coloquei um link para comprá-lo no site da Editora Fiel, você pode conferir aqui. Maaas, se você é familiarizado com leituras em inglês, a compra do ebook deste livro na língua inglesa  – intitulado na gringa de Crazy Busy – está valendo muito a pena. O link é da Amazon,sugiro que você baixe o aplicativo do Kindle em seu smartphone, caso não tenha o gadget da Amazon para ler (eu faço assim e não acho que a leitura fique prejudicada). Gentes, querem uma dica velha, porém verdadeira? Se o dinheiro estiver contadinho no mês, vale a pena investir em ebooks em inglês. Sério, baixem o aplicativo e tentem.

Vamos orar?

Senhor, a tua palavra diz que todas as estações da nossa vida se encontram guardadas em ti. Não nos deixe viver como se elas não existissem. Deus, não deixe que nós invistamos nosso tempo e nosso coração nos lugares errados. Que nós aproveitemos as oportunidades que o Senhor nos dá, como diz o livro de Efésios. Que a renovação da nossa mente traga também uma ruptura com a cultura de estar sempre atarefado, Pai. Eu quero ter tempo para te conhecer, para te adorar, para rir com você. Eu quero ter tempo para descobrir o que o Senhor está falando, quero ter tempo para amar aqueles que o Senhor colocou na minha vida, quero ter tempo para tua igreja, para servir ao meu próximo. Ensina-nos sobre prioridades e o sobre a maior delas: você. Nós te amamos e te agradecemos pelo dia de hoje. Em teu nome oramos, amém.

“Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus”

Efésios 5.16


PS: Sim, o livro vem com aquele caderno de atividades para você responder, isso não funciona para mim, amigos, por isso não falei sobre no post, mas se funciona para você, por favor, responda 🙂

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Março: vamos falar de rotina? (ou: Planos reais, sérios, de verdade para este mês no blog)

 

{Para ouvir enquanto lê}

Se vocês leram meus últimos dois posts (aqui e aqui), podem encontrar um tema comum aos dois: rotina. Rotina? Sim, e este é oficialmente meu tópico para março. No último mês, nós ficamos sem tema – ôô fevereiro empacado, sem or – e foi esse ficar sem tema que me ajudou a construir um novinho para março. Quero conversar com vocês sobre como nossa rotina diária e nossa vida cristã tem mais a ver uma com a outra do que nós prestamos atenção. Aliás, conversar sobre como nós sequer prestamos atenção em nossa rotina.

Além dos posts, eu também vou falar sobre os meus livros de janeiro, fevereiro e março neste mês. Comecei os posts de leitura em novembro do ano passado, contando um pouquinho do que li no mês – o que foge do assunto principal do blog, mas segurem na minha mão, porque adoro essas resenhas e quero continuá-las por aqui.

Planejamento pronto, até o próximo post!


PS: Vou usar algum livro para fazer post este mês? Mas é claro! Caso você queira comprar para me acompanhar, o livro se chama Super Ocupado, do Kevin DeYoung – “Um livro (misericordiosamente) pequeno sobre um problema (realmente) grande”. Você pode encontrá-lo na Editora Fiel por aquele preço legal que te permite não suspender o sanduíche do final de semana.

PS 2: Ca-ram-ba, nunca falei tantas vezes “mês” em um único post.

Conversas com meu Beatle favorito (ou: Todas as coisas deste mundo vão passar)

geor

Hoje eu acordei meio George Harrison, meio com cara do disco All Things Must Pass. Você já sentiu aquele estalo na cabeça no meio do dia? Aquele estalo perturbador:

esse tempo não vai voltar

Esse tempo em que estamos nos estressando, gritando por causa do papel que sempre trava dentro da impressora – e da mancha preta que pula para a roupa quando você tenta mexer nela – esse tempo já era. Esse tempo em que passamos fazendo pequenos jogos para não amar quem realmente amamos e não perdoar ou pedir perdão tentando segurar aquele fio da reclamação diária sobre como a vida pode ser injusta, bem esse tempo nunca mais vai voltar.

Nesses dias, o evangelho faz sentido pra caramba. Ele grita na minha cara. Ele me pergunta: em que você tem sido diferente das pessoas que vivem, riem e se desesperam apenas por este mundo? A hipocrisia de cantar que desejo viver para Jesus na noite anterior, na igreja, e a vontade de querer viver por mim na manhã seguinte.

Não, Deus, eu não quero viver por mim. Não quero viver por coisas que vão passar. Aumento o volume e ouço Geor(ge), meu Beatle favorito, me afagando: That is not what you are here for.

– Exatamente, George – confirmo, balançando a cabeça.

Aquele dia que Paulo pregou tanto que um cara literalmente caiu morto de sono

{para ouvir enquanto lê}


Amigos, conhecidos ou pessoas que ainda não conheço, mas me mandam emails amorosos: como estão vocês?!

Sim, desenterrem a morta que ela está falando.

Não morri (muito), estou aqui, com saudades de escrever neste blog e cheia de me-desculpem-pelo-vácuo! Muitos quase posts estão prontos, mas por pura bagunça ao organizar meu tempo, não terminei nenhum deles (fuén). Mas eu vim aqui contar como sou incrivelmente ruim em responder mensagem na hora, terminar checklist, planejar a semana e cumprir minha promessa de só dormir depois de ter terminado tudo? Não, senhores. Eu vim contar a história de um cara que estava sentado em uma janela, dormiu e morreu. Tudo isso enquanto escutava uma pregação.

Não é piadinha sem graça não, é verdade. Aconteceu com Paulo (sim, estou em uma coisa meio não paro de falar de Paulo,  I ❤ Paulo, cadê camiseta?). Vou voltar a história, colocar a passagem bíblica e aí a gente começa de novo.

E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à meia-noite.
E havia muitas luzes no cenáculo onde estavam juntos.
E, estando um certo jovem, por nome Ežutico, assentado numa janela, caiu do terceiro andar, tomado de um sono profundo que lhe sobreveio durante o extenso discurso de Paulo; e foi levantado morto.
Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está. E subindo, e partindo o pão, e comendo, ainda lhes falou largamente até à alvorada; e assim partiu. E levaram vivo o jovem, e ficaram não pouco consolados.
Atos 20:7-12

Gente, alguém literalmente morreu de sono ouvindo Paulo pregar. E é sobre isso que quero falar com vocês hoje.
Comecei a pensar sobre Eutico assim que reli Atos, no mês de Janeiro. Desde então, iniciei uma caça a blogs, textos e indicações de livros que pudessem me ajudar a entender o que é que eu ainda não havia enxergado na história desse rapaz… Vou começar listando as duas lições (oi, Esopo) básicas que conseguimos facilmente entender com uma leitura rápida do capítulo e da Internet:

1) Pregadores, peguem leve, as coisas tem horário para terminar por um motivo: ninguém quer um adolescente morrendo no culto. Grata.

2) Caras, prestem atenção na palavra, quem dorme dança (desculpa, gente, o vocabulário de tiozão está saindo e não consigo parar).

Algumas páginas depois no Google, eu vi algumas interpretações bem diferentonas, do tipo os jovens e a janela do mundo, mas quem sou eu para regular a interpretação das pessoas… Vi, também, um livro chamado Saving Eutychus [Salvando Êutico], com foco na homilética, ensinando os pregadores a envolverem melhor o ouvinte (se vocês já tiverem lido, por favor me indiquem ou não). No entanto, eu não sentia que devia escrever um post sobre pregadores exagerados, jovens dorminhocos e sem motivação e muito menos um post sobre homilética… Então, eu fiz o que eu faço de melhor: comecei a ter aquele discurso mental com Deus sobre o que eu acho da história.

– A verdade, Deus, é que eu fiquei bem chocada da primeira vez que li a história e achei que Paulo foi bem indelicado em continuar pregando até a manhã (inserir uma conversa sobre coitado do menino, coitado de Paulo, como ele não se desesperou, e o povo que ouvia a pregação?).

Não satisfeita (aka: ainda sem entender minha veia da história), peguei o versículo e o destrinchei, até ter os pontos:

a. Eutico: jovem. Seu nome era comum a escravos, segundo estudiosos, e, por mais incrível que pareça, tal nome significa afortunado [aquele que tem um bom destino].

b. O lugar estava iluminado. A Bíblia fala que havia muitas luzes no cenáculo. Então, Eutico não dormiu porque estava escurinho e propício.

c. Paulo era um pregador especial, todos estavam animados por estarem com ele, desejando ouvi-lo, provavelmente Eutico também estava.

Pensando nas coisas anteriores, comecei a entender o meu  foco no texto.

– Deus, como Eutico poderia ter morrido com a queda se ele tinha vida em si?

Sim! Esse é o meu tema. Seguindo a linha de pensamento de alguns estudiosos, Eutico era um trabalhador, talvez escravo, extremamente fatigado pelo dia, tomou uma decisão ruim (quem nunca?) de se sentar na janela e a próxima coisa que ele viu foi Paulo na sua frente e todo mundo gritando “tá vivo!”. Mas essa afirmação (que eu apenas imagino que aconteceu, porque a Bíblia não nos fala que eles gritaram “tá vivo!”, né, amigos – eu pessoalmente acho Lucas, o escritor, um cara meio durão para diálogos), bem essa afirmação não podia estar mais correta. Ele estava vivo, porque sua alma estava viva e sua alma estava viva por causa do Evangelho.

Meu ponto é: nós só nos deixamos morrer, quando não temos mais as maravilhas contadas pelo evangelho dentro de nós. Na maioria dos dias – principalmente lá pelas 20h da noite -, eu me sinto um tanto Eutica: morta de cansaço e prestes a cair da janela do ônibus. Eu só quero chegar em casa do trabalho e dormir. Isso acontece com a maioria de nós (abraço, proletariado, que hoje é segunda). Adicione a este cansaço do cotidiano alguns problemas não cotidianos e nós teremos nossa própria equação euticaniana. O sentimento que, muitas vezes, nós temos nestas situações é que a gente não consegue mais. Estamos caindo da janela, estamos muito cansados para isso tudo, mas atenção: NOSSA ALMA VIVE.

Somos enganados pelo mito nada cristão chamado busque ao senhor quando não estiveres cansado e todas as vasilhas estiverem limpas. Nosso dia a dia é estressante, nós vamos estar exaustos na maioria das terças-feiras, mas, calma lá, lembrar que vai tudo bem com minha alma, lembrar que quem me ressuscita deste cotidiano louco não sou eu, não é meu café forte ou minhas oito horas de sono (embora tudo isso seja sempre bom!), me faz entender porque Paulo não pirou quando viu um menino caindo da janela.

“Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está.”, que você se lembre disso quando estiver se sentido morto da silva (tiozão detected) nesta semana. Se sua alma for avivada por Jesus, num culto que você foi mesmo muito cansado, por exemplo, suas forças serão renovadas – assim como as forças daquele jovem foram renovadas e ele foi capaz de ouvir Paulo pregando até a manhã, depois de ter sido ressuscitado dos mortos.

Para terminar, quero lembrar outra passagem da Bíblia, desta vez de João (menos direto nas descrições e mais cheio diálogos amorosos – não que estejamos em uma competição, Lucas):

Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma.

3 João 1:2

Que incrível! Quando nossa alma vai bem, somos ressuscitados de nossos problemas, cansaços e má escolhas. Quando nossa alma vai bem, nossa saúde também vai bem. Que este seja um tempo de nos preocuparmos com o que temos alimentado nosso interior, fortalece-lo de palavras de fé, das maravilhas feitas por Jesus para que estejamos sempre vivos. Que no final de nosso dia, o Espírito possa dizer: não se preocupe não, terça-feira, ele tá meio morto, mas a sua alma nele está.