Fazendo missões com a Jocum e com a Ilana

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{Para ouvir enquanto lê}

Depois da Austrália, este blog ganha um sotaque español e viaja com a Ilana e com a Jocum para pregar o evangelho. O texto de hoje faz parte dos posts temáticos de janeiro: estamos falando sobre levar o Evangelho na Mochila  (leia os textos antigos aqui e aqui e aqui).

Eu conheci a Ilana no ensino médio, sentávamos na frente, subíamos nossos óculos várias vezes ao dia, nos preocupávamos feito loucas na semana das provas de física. Logo nos tornamos amigas.

Depois da Ilana, veio a Thaís – a boa e velha Metal  – com seu lápis preto, cabelo escorrido, coturno e uma voz capaz de pôr um dragão para dormir. E depois da Thaís veio a Camila, dona Akemi, cheia de felicidade e all stars rabiscados. No meio de tudo isso sempre estiveram meus amigos mais antigos: Dany e Daniel. Foi no ensino médio com todos esses amigos que a Ilana começou a nos encher de vontade de falar sobre missões, entre as tarde na sua casa estudando matemática e tocando Debussy no piano. Nesse período em que discutíamos a existência de Deus (saudades, Metal!) e os parâmetros da nossa relação com Ele.

– Eu odeio estudar elipse… – A Thaís abria o livro, enquanto mastigava um sanduíche.

– Não é tão difícil assim…  – O Daniel tendo sempre outra opinião.

– Nem sei como vou fazer prova disso – Metal dava uma nova mordida no hambúrguer, alimentação ideal e saudável antes de uma bateria de oito provas durante a tarde. – Vocês tão orando antes de comer?!

– Aham – Ilana e eu repetíamos, quase como um coral.

Foi por isso que eu fiquei muito feliz quando a Ilana – que está estudando lá na terra do Tio Sam (e da Beyoncé): Texas – concordou em dar uma entrevista para o blog falando do seu processo de jogar a mochila nas costas e levar o evangelho com a Jocum, uma das organizações mais conhecidas por seu trabalho de evangelismo com arte, em diferentes países e cidades do Brasil.

Espero que você se sinta cheio do Espírito Santo ao ler os relatos dela, porque foi exatamente assim que eu me senti. Eu parei no meio da leitura, fiz uma oração, e senti a garganta fechando em um nó de marinheiro, porque 1) eu morri de saudades e 2) eu vi, mais uma vez, que somos fontes de vida quando estamos fazendo o que Senhor planejou para nós.

Leia a entrevista e as legendas das fotos abaixo! 


Nome:  Ilana de Oliveira Santos FerreiraIlanamochila_000000

Profissão: Publicitária

Ocupação: estudante

Mora em:  Austin, Texas

Idade: 22 anos (quase trinta)

  • Como você conheceu o evangelho? Qual foi sua primeira grande experiência com Deus?

Bom, tive o privilegio de nascer em um lar cristão.  Minha primeira experiência com Deus foi com as escolas dominicais. Me lembro muito bem de como Deus se mostrava para mim. As historias da bíblia quando eram contadas, me faziam ver a dimensão do amor de Deus. Creio que minha primeira super experiência aconteceu em um acampamento, quando tinha 8 anos de idade, e lembro que lá quis entregar minha vida para Ele. Com 13 anos me batizei.

  • Como e quando você se sentiu chamada para fazer missões?

Como disse, amava as escolas dominicais.  Em uma delas, Tia Júnia ( a mulher maravilhosa responsável pelo departamento infantil) contou uma historia de um menino que sempre sonhou em ter o olho azul, e no fim foi missionário em um país e foi salvo pela cor do olho (uma linda e confusa historia que me fascinou). Nesse dia, me lembro que queria ter a coragem do menino e sair para falar Dele para o mundo.

  • Eu me lembro de que falávamos muito sobre a Jocum quando estávamos no ensino médio (e não estávamos surtando com as provas de física), como você conheceu a Jocum?

Minha historia com a Jocum é de amor hahaaha. Conheci a Jocum, porque minha mãe me via falando sobre missões e minha vontade de fazer algo em relação a isso. Com 14 anos de idade, minha mãe sentiu que eu estava pronta para ir.  Ela conhecia o líder da base da Jocum (ate então não tinha a mínima ideia do que era isso) e me levou para conhece-lo. Bom, desde então me apaixonei pela Jocum e pela sua historia no mundo e seus ministérios. Jocum significa Jovens Com Uma Missão, e ele tem diversos projetos: Kings Kids, Equipe Movel e ETD.

  • Quais os projetos você participou na Jocum e para onde você viajou com o movimento?

Comecei a fazer parte da Jocum com 14 anos  (2007), sim estou velha, e desde então continuo. Fiz parte do Kings Kids. Bom, esse projeto tem como foco adolescentes, e o objetivo dele e te fazer conhecer a Deus e assim fazer os outros conhecerem. Ele tem a visão de te fazer ter intimidade com Deus.  Posso dizer, que me ajudou muito a crescer e conhece-Lo cada vez melhor.

Minha primeira viagem foi com a base de Goiânia. Fomos para Porto Alegre. Em 2009, fui para o Chile, com a base de Campo Grande. Em 2010, a campanha foi em Goiânia  e com a base de Campo Grande. Também com a mesma base, em 2011 fomos para Argentina e 2012 Chile de novo.

Depois de 2012, me envolvi também com o grupo Kumbaiá (Passa por aqui Senhor), que é um grupo de mais de 20 anos da minha igreja. Desde então, tenho priorizado este grupo. Este ano e ano passado, com o TCC e o meu intercâmbio, tive que ficar mais quieta, e só realizei evangelismos em Goiânia, juntamente com o Kumbaiá.

  • Você começou a pregar a palavra fora da sua cidade cedo, tem muita gente jovem que tem o desejo de fazer o mesmo (Davi começou novinho, acredito que Deus realmente move os nossos corações quando somos adolescentes). Você tem alguma dica para os pais se tranquilizarem quando o assunto é deixar os filhos irem a campo para pregar?

A minha dica é a melhor e pode ser até clichê: ore! Se for da vontade de Deus, Ele vai dar paz ao coração de seus pais. Outra dica super importante é: conheça o grupo com que você vai viajar. Conheça os lideres, converse a respeito da viagem e tudo mais.

Quando se viaja pela Jocum, em geral, é necessário você preencher um formulário. Nesse formulários, eles falam um pouco de como vai ser a viagem e te conhecem um pouco melhor para ver se você tem o perfil da campanha. Em um desses formulários,  tinha uma questão mais ou menos assim: você consegue ficar sem tomar banho? Foi super interessante (o pior de tudo é que nessa campanha isso aconteceu).

  • E a curiosidade de saber como é a vida em campo me matando, minha gente?! Ilana, como era sua rotina nas viagens?

As rotinas são o máximo. Nós podemos dividir em duas etapas: na primeira etapa acordamos 7h30 da manhã, trocamos de roupa e essas coisas em 30 minutos, daí descemos e 8h em ponto temos a nossa devocional individual. 8:30, café da manha (geralmente pão com doce de leite – uma delicia), 9h é tempo de família (são tipo pequenos grupos, contendo pai e mãe (dois lideres de campanha) e 2 lideres de ação (participantes mais velhos de campanha responsável pelos outros participantes), nesses grupos compartilhamos o que Deus falou com cada um no momento de devocional.  9h30 temos louvor, 10h palavra,  11h ensaio (utilizamos como estratégia de evangelismo artes: dança, circo e teatro, então temos que ensaiar e estar preparados).  13h temos o almoço e as 14:00 manutenção (que quer dizer limpeza), as 15h mais ensaio, 17h lanche e mais ensaio. 19h banho, 20h30 jantar e por fim cama.

Na segunda semana é mais maleável por que temos as apresentações, momento de pratica. Geralmente, a manhã é a mesma coisa, só muda a parte da tarde e a noite.

  • A Jocum é conhecida por evangelizar através da arte, como é levar a palavra por meio da música, do teatro e da dança?

Cara, eu amo dançar, comecei a dançar no pré. Sempre me senti mais perto de Deus quando danço, e poder fazer isso para alcançar outras vidas é realmente maravilhoso. Saber que Deus age através da musica e dança é lindo.

  • Você tem uma experiência favorita em campo?

Já disse que amo dançar, uma vez na campanha da Argentina, eu estava dançando uma musica chamada Sacrifício e fala sobre o amor que Deus teve em mandar seu filho pra morrer por mim. Em uma parte da coreografia, nos saíamos para dançar para as pessoas na rua. Enquanto eu dançava para uma senhora, ela chorava copiosamente e no final me disse “eu vi Deus nos seus olhos”. Naquele momento, eu chorei mais do que ela, e sei que ela se converteu ao Senhor.

  • A bispa da minha igreja local brinca que quando era criança se preparava para ser missionária usando pouco shampoo hehehe… É claro que existem muitos mitos sobre as dificuldades da missão em campo, mas o que você não estava esperando e que se tornou um problema durante a experiência?

Claro, missionário é uma vida de renuncia.  Já tive campanha que fiquei em um orfanato desativado cheio de sapos, sem chuveiro, tomando banho de mangueira cronometrado em 5 minutos; outra campanha o vaso sanitário não prestava. Fazer o dois era quase impossível hahaha… Outros lugares o banheiro feminino e masculino eram compartilhados.  Porém, acho que o mais difícil é alimentação e se dar com outras pessoas. Convivência e complicado. Aceitar o outro como ele é, é um aprendizado.

  • O que você aprendeu de Deus durante esses períodos de levar o evangelho na mochila?

Em uma campanha, Deus falou muito comigo sobre Salmos 19. Nesse Salmo fala que os céus revelam a gloria de Deus, que Ele não precisa abrir a boca. Mas que ele quer me usar.  O que eu aprendi é que meu Deus é grande. Um Deus que se revela, e um Deus simples e cuidadoso.

Eu aprendo muito sobre  o que Ele é, e cada vez mais sobre como Ele age. E que cada vez mais Ele me surpreende de forma maravilhosa.  Deus é um Deus de oportunidades e é nítido isso nas campanhas da vida. Oportunidade minha de poder falar Dele, e dos outros de aceitarem. Oportunidade de estar mais perto Dele e de falar Dele.

  • Você nota que a experiência de fazer missões te ajudou em outras áreas da sua vida? Na sua profissão ou na decisão de morar fora?

Em tudo. Em missões você aprende a se virar. Você come o que tem, você toma banho em 5 minutos ou as vezes nem toma banho. Você veste a roupa pedida, você convive com pessoas diferentes de você, com línguas diferentes, você aprende a lidar dar com o dinheiro, tempo, e a ouvir o direcionamento de Deus e ver a mão Dele na sua vida.

A minha profissão foi escolhida debaixo da vontade Dele, da mesma forma que meu intercambio. Foi muiiito joelho no chão, muitos chocolates não comidos hahahha. As missões me ajudam na minha relação com a minha família, em saber lidar com os outros e colocar Deus a frente de tudo  (ainda dou uma patinada nisso, porque o coração do homem faz planos, e o meu faz muuuuitos hahaha).

  • Partimos para pergunta indiscreta-revista-caras-cadê-foto-com-roupão, como tem sido a experiência atual de morar fora?

Natânia, INCRÍVEL. Não quero mais voltar hahahaha.

Cara, no inicio não é fácil. A língua e super complicado, ainda mais no Texas, o dialeto texano é complicadooo. Mas agora, tudo é lindo.

Sinto muita falta da comida e igreja e família.

  • (Agora é aquele momento pegue a caneta e anote, amigos) Dicas para alguém que deseja muito colocar o pé na estrada para pregar?

Ore muito, converse com a sua família, porque precisamos de apoio.  Consiga um bom apoio, ótimos lideres  e pessoas para te cobrir em oração. Vá com o coração disposto e deixe a frescura de lado. Aproveite cada momento.

  • Porque escolher a Jocum?

Jocum é um ministério serio e conhecido mundialmente. O trabalho é maravilhoso e com varias áreas para se integrar. Por isso, entre em contato.

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“MINHA PRIMEIRA CAMPANHA, com 14 anos hahahaha” (Porto Alegre, 2007)
" Base da Jocum Campo Grande" (Chile, 2009).
” Base da Jocum Campo Grande” (Chile, 2009).
"Lixão em Goiânia. Continuamos fazendo o trabalho nesse lixão todo o ano." (Base Campo Grande, 2010)
“Lixão em Goiânia. Continuamos fazendo o trabalho nesse lixão todo o ano.” (Base Campo Grande, 2010)
"Para mim essa foi a campanha que mais me marcou. Que eu li milhões de vezes sobre Salmos 19." (Argentina, 2011)
“Essa foi a campanha que mais me marcou. Que eu li milhões de vezes sobre Salmos 19.” (Argentina, 2011)
"Utilizando a dança para falar do Amor de Deus." (Argentina 2011).
“Utilizando a dança para falar do Amor de Deus.” (Argentina 2011).

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"Parte do Grupo na Argentina".
“Parte do Grupo na Argentina”.
"Essa campanha foi um pouco diferente. Após o terremoto que ocorreu no Chile, a Igreja que nos recebeu ficou desamparada. Fomos os mais velhos de campanha (aqueles que já participaram mais vezes) ajudar a reestruturar a igreja. Sim, pintar, lixar muro essas coisas." (Chile, 2013)
“Essa campanha foi um pouco diferente. Após o terremoto que ocorreu no Chile, a Igreja que nos recebeu ficou desamparada. Fomos os mais velhos de campanha (aqueles que já participaram mais vezes) ajudar a reestruturar a igreja. Sim, pintar, lixar muro essas coisas.” (Chile, 2013)
"Momentos de evangelismo em outra língua hahaha"
“Momentos de evangelismo em outra língua hahaha”
"Momento de adorar a Deus através do circo."
“Momento de adorar a Deus através do circo.”
"Enrolando no portunhol hahahaha..."
“Enrolando no portunhol hahahaha…”
"Acho super interessante contar isso. Nossa primeira apresentação é para 3 cadeiras vazias. Elas simbolizam a Trindade. Queremos entregar nossas primícias a Ele. Por isso nossa primeira apresentação é para Ele. Um momento de adoração e de contemplar a Ele e dizer que se não for por Ele não adianta nada disso."
“Acho super interessante contar isso. Nossa primeira apresentação é para 3 cadeiras vazias. Elas simbolizam a Trindade. Queremos entregar nossas primícias a Ele. Por isso nossa primeira apresentação é para Ele. Um momento de adoração e de contemplar a Ele e dizer que se não for por Ele não adianta nada disso.”
"Momento de apresentação." (Chile)
“Momento de apresentação.” (Chile, 2013)
"Trabalho no Lixão Goiânia, em 2014. Ver esse olhar motiva sempre a continuar."
“Trabalho no Lixão Goiânia, em 2014. Ver esse olhar me motiva sempre a continuar.”
"Com o Kumbaiá, em 2014, para eles não ficarem com ciumes hahaha."
“Com o Kumbaiá, em 2014, para eles não ficarem com ciumes hahaha.”
"No Lixão de Goiânia sempre. Acho que essa foto foi ano passado. Sei disso por causa do óculos novo hahaha"
“No Lixão de Goiânia sempre. Acho que essa foto foi ano passado. Sei disso por causa do óculos novo hahaha”
"Aqui em Austin, Texas,  encontrei um grupo parecido. O nome é Longhorns for Christ.  Longhorns porque é o mascote da minha universidade (University of Texas at Austin). Temos reuniões todas as quartas e também fazemos ações sociais para evangelizar, ou seja, me achei. "
“Aqui em Austin, Texas, encontrei um grupo parecido. O nome é Longhorns for Christ. Longhorns porque é o mascote da minha universidade (University of Texas at Austin). Temos reuniões todas as quartas e também fazemos ações sociais para evangelizar, ou seja, me achei. “

Ilana, muito obrigada por dividir um pedacinho da sua experiência com missões por aqui. Eu oro para que Deus continue te usando, te ensinando, te fazendo cheia Dele!

Vamos orar?

Deus, que façamos tudo pelo reino. Assim como está escrito em Coríntios, que tudo seja feito para a edificação da igreja. Que nossos corações estejam disponíveis para ouvir o chamado do Senhor. Que preguemos a Tua palavra para os nossos vizinhos, nossos amigos, para o nosso país, para alguém em um cantinho do Japão. Nos ensina, Deus, como devemos alinhar o nosso coração com o seu e, assim, cumprir o ide e qualquer outra coisa que tens planejado para nós. Nós te amamos e te agradecemos por tudo, em nome do teu filho Jesus, amém.

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