Levantando as mesinhas de centro e tapetes (ou: Batalhas secretas)

{para ouvir enquanto lê}

Continuando o tema do mês – Deus Limpa – como expliquei neste post, quero seguir com a analogia da faxina que usei de exemplo no primeiro texto sobre o assunto. Se você decidiu limpar – e usar as leggins feias – é hora do próximo passo: colocar as coisas para cima.

Você já reparou que toda faxina, para quem não está realmente ajudando, parece uma bagunça? Você entra na casa e voilà: tem cadeira em cima do sofá, tapete embrulhado e água em tudo. No início nada parece arrumado, mas faz parte do processo tirar as coisas do lugar para deixar tudo limpinho. Quando a gente começa mexer dentro da gente não é muito diferente não, tirar tudo do lugar parece pior no início, mas acredite vai chegar a hora de colocar os móveis de volta. Não caia na besteira de parar porque você se sente incomodado.

Porque jogar água e não limpar ao redor da mobília? Bem, porque limpar ao redor não vai te transformar. Se você só mantiver ok o que já está ok em você, nada irá mudar muito. Sabe aquele espacinho que o rodo desliza perfeitamente entre a parede e o sofá, como um anel do seu tamanho? Bem, aquele pedacinho não tem problemas, mas, talvez, em baixo do sofá não esteja assim tudo bom tudo bem.

Existem dois tipos de mobília da qual desejo falar hoje: mesinhas de centro (1) e tapetes (2), ou: suas experiências (1) e pecados (2):

1 – Daquela dor na lombar de carregar a mesinha de centro (ou: retire você mesmo do caminho)

Bem, quando nós começamos a limpar nós nos deparamos com perguntas que parecem sem respostas, como “porque eu sempre faço isso? sinto isso? porque eu estou sempre lidando com isso? lutando contra isso?”. A maioria das vezes a pergunta não se originou de um pecado, mas sim em como você se dá com você, em quais as experiências você se meteu (ou foi metido) durante a vida.

Durante muito tempo eu achei que as pessoas deveriam parar de culpar coisas passadas e só viverem suas vidas. Se você falasse a palavra “interior” para mim, eu podia te bater, pelo menos mentalmente. Eu vi algumas pessoas pirarem com o tópico cura interior nas igrejas e passarem suas vidas em função daquilo, não como ministério não, mas com choradeiras e culpando pessoas por estarem onde estão. Eu não queria fazer parte desse tipo de mimimi, então “não encha o saco e lide com isso” seria minha estampa de camiseta invisível favorita.

Deus tem me mostrado que tem como resolvermos nosso interior sem fazer com que a vida gire em torno disso. Eu ainda acredito que pensar que sua vida está assim ou assado por causa dos outros tem prazo de validade – talvez vença quando você complete 16 anos hehe -, mas sei que se não pararmos para nos analisarmos nós ficamos, muitas vezes, estagnados, ou pior: quando uma oportunidade de crescer –  em todas as nossas áreas – chega, nós a rejeitamos.

Então… não tem como, pegar a mesinha de centro é necessário. E nesse pegar a mesinha de centro deixar que Deus faça o trabalho pesado. Muitas vezes nós nos sentimos tão desajustados que nos vemos fazendo promessas surreais para Deus, como: eu vou me esforçar tanto para ser assim ou assado na igreja… Quando você deixa Deus tirar o pó da mesa, você está entendendo que não há esforço para se tornar um cristão *perfeito* que seja maior do que ser amada por Ele. E o Senhor vai te ajudar a lidar com o inlidável em você. E não vai ser aquela coisa cheia de acusações e culpas, Ele vai filtrar tudo, te fazer olhar para as situações como Ele olha e te mostrar que refazer pessoas é fácil para quem tem a fórmula original delas.

Bem, falando assim parece pseudo-poético, mas na prática, é mais choro e limpa móveis mesmo. Não é tão legal e talvez suas costas fiquem meio cansadas (caso sua mesinha de centro seja tão pesada como a minha, sério não sei no que as pessoas aqui de casa estavam pensando quando compraram aquilo #CadêHulk). Contudo, não dê para trás.

A maioria dessa jornada sobre nós mesmos, a gente, geralmente, passa sozinho. Se você se sente aberto para passar com alguém, que bom! Mas eu já conheci muitas pessoas que não se sentiam, ou depois de um tempo se apoiavam em alguém. Essas batalhas secretas que você trava no seu quarto parecem não dar em nada muitas vezes, mas coloque seu coração em Deus através de uma música – sempre recomendo os espontâneos da Bethel! -, através de pregações, mandando emails para desconhecidos que escrevem blogs (eu tenho respondido só com um dia de atraso, minha gente), não desista. Reconstruir nosso caráter, nossos pensamentos, nossa maneira de nos referirmos a nós, nossos sonhos, nossa esperança, não são coisas que fazemos daqui para ali. Permaneça.

Como eu sei que eu preciso limpar minha mesinha de centro? Bem, eu já tive uma colega que me perguntou isso e foi na introdução de um livro, que nem lembro o título direito, que eu achei a resposta. Quem escrevia o livro era um pastor norte-americano contando que, algumas vezes, as pessoas iam a igreja com uma vontade genuína de servir a Deus e permanecer naquele lugar, mas alguma coisa simplesmente não estava certa com aquelas pessoas, elas sempre pareciam não estarem completas. Minha experiência se encaixou com exatidão e eu expliquei mais ou menos assim para ela: Deus supostamente devia se encaixar com exatidão no buraco do nosso coração, se ainda resta espaço a gente aumentou isso de alguma forma com nossos desajustes emocionais ou maus hábitos ou declarações torpes sobre tudo ou, ou, ou, ou…

2 – Debaixo do tapete tem?… (ou: o pecado pecadinho pecadão isso não)

Quando a mesinha sai e o tapete também há aquele pó que fica em baixo de tudo deixando nossa vida cristã com renite alérgica: pecado. Além das nossas confusões, a faxina sempre tropeça em nossos pecados, aqueles que cometemos de vez em quando ou aqueles que são recorrentes.

Uma coisa que eu aprendi com a Christa Black (ela é incrível, e uma das minhas pessoas favoritas durante minhas batalhas secretas, você deveria ler o blog dela, e o livro dela e as músicas dela!) é que o melhor jeito de vencer o pecado é receber o amor de Deus. Faz sentido para você? Fez muito sentido para mim, eu aprendi diariamente que Deus não pode me amar mais do que ele já me ama, então se eu estou agindo como eu devo agir ou se eu estou no pior dia cometendo os mesmos erros Ele não consegue me amar de forma diferente. Ele não quer me amar diferente. Quando você lida com culpa (minha versão da história) é muito difícil não se tornar a louca das atividades extra-curriculares que tem medo de contar para as pessoas o quanto você erra. Mas Deus não te vê de forma diferente.

Eu me lembro de nos momentos mais loucos e errados da minha existência ligar o chuveiro e ouvir Deus me falando que Ele – quem mais me via – ainda estava lá. E eu chorei tanto quanto eu podia debaixo d´água.

Então quando achei alguém que falava a minha língua – Christa Maravilhosa Black – eu consegui entender perfeitamente que o amor de Jesus vence tudo, inclusive o pecado. O versículo de João – ” Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” – pulou diante de mim. Se Ele nos ama nos nossos piores momentos, eu O amo e é por causa desse amor que os mandamentos Dele se tornam doces e é para não perder nenhum pedacinho dessa doçura que Ele quebra o clico de pecado em mim.

Como não se apaixonar por um Deus que te ama com amor eterno quando você está errado? Que quer te fazer ficar certo e que pagou um preço sozinho por isso? Que no final quer te ajudar quando você entra em um ciclo vicioso?!

Se estão te vendendo um Deus que quer te castigar cruelmente pelo seu pecado, não é bem sobre esse cara que eu escrevo. Mas, se também estão te vendendo um Deus que não vê pecado em nada e está ok com tudo, mais uma vez: não é bem sobre esse cara que eu escrevo. Eu escrevo sobre um Deus que não muda, que nos explicou o que é certo e errado há séculos e séculos atrás e que está disposto a nos transformar em cristozinhos, mesmo que tenhamos a impaciência de Pedro, a falta de fé de Tomé, a visão errada sobre Jesus de Saulo, as pedradas de Maria.

Por que esta moolher está feliz limpando sem orr?
Por que esta moolher está feliz limpando sem orr?

PS: a música de hoje é, de novo, da Daniela Andrade – não consigo parar de ouvir todas! -, visite o canal dela 🙂

PS 2: Você pode me encontrar para conversarmos sobre tudo (incluir séries aqui) através do email nataniacarvalho@gmail.com, mas se achar que essa-menina-não-responde-nossa-já-passou-12-horas, você pode falar comigo por aqui ô:

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[Faltam 16 dias para o Natal]

2 comentários em “Levantando as mesinhas de centro e tapetes (ou: Batalhas secretas)

  1. Ai meu coração novamente!
    Eu tinha visto esse post, mas não tive tempo de lê-lo. E está aí uma coisa que eu ouvi hoje no culto: tudo bem que faz pouco tempo que congrego e tals, mas ainda sou muito Pedro em minha vida. 😦 Seus posts são muito esclarecedores *-* sério! Acho que preciso levar meu tapete para a calçada para uma lavadinha depois dessa haha Obrigada 😉

    1. Nicole, você é uma lindja (intimidades nos comentários, sou dessas hahaha), que bom que tem sido
      esclarecedor para você! Estou te acompanhando também, é ótimo ver que mais e mais pessoas estão
      falando de Jesus nessa internetcha.
      Beijo 😉

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