Arquivo mensal: outubro 2014

Meninos e enroladinhos (ou: Sim, é texto sobre política)

Eu não sou uma cientista social ou política, então, o que você vai ler é só uma opinião, não fique louco da vida, amigo, se você achar babaca não é a primeira ou a última vez que isso vai acontecer, hehehe 🙂


{para ouvir enquanto lê}

Na semana em que meu pai perdeu a eleição, ele chegou contando que viu um garoto no mercadinho perto de casa pedindo para tirar alguns enroladinhos de sua sacola até que o peso desse o que ele tinha de dinheiro enroladinho na mão, com seus dedos sujos de graxa.

“Esse mundo é tão injusto, né? Gente com tanto e outros com menos do que precisam para viver”, meu pai intercalou a história, eu pisquei devagar.

Para mim, fazer política sempre teve um pé nisso: prestar mais atenção no garoto do que no pão quentinho da padaria. Se perguntar, ele consegue comprar os 5 enroladinhos que precisa? O dinheiro dele ainda valerá a mesma coisa, ou daqui a alguns dias ele só vai poder comprar 4 com a mesma quantia? E daqui um ano, o garoto vai ter alcançado uma forma de comprar 6 enroladinhos? Um dia ele vai perguntar por que nós chamamos enroladinho de enroladinho? Ele vai tentar dar outro nome para enroladinho? Vai se negar a comer enroladinho enquanto ele não se chamar embrulhadinho? O menino vai se perguntar o quanto de farinha se desperdiça para se enrolar um enroladinho? Ele vai sugerir uma solução para que gastemos menos?

Nunca consegui separar ideologicamente os estágios entre ser cidadão e fazer política, então, em minha versão Policarpo Quaresma da zoeira, o fazer político deveria ser um espelho para a cidadania e os benefícios de se ser um cidadão em sua completude. Se eu me preocupo com os enroladinhos e com o menino, o menino, quando deixar a meninice, vai se preocupar com outros meninos e com outros enroladinhos (ou embrulhadinhos).

E eu fico aqui pensando se nós realmente entendemos de enroladinhos e de meninos ou se nós (eu) fazemos textos no conforto de nossas camas pretendendo entender. Se nós fingimos ser politizados por um período, se nós entendemos que não se trata de esmola, mas de empoderamento.

Uma amiga disse que não sabe como encarar as pessoas do trabalho mais, “elas postavam coisas tão preconceituosas sobre o nordeste”, ela confessou e eu entendo o seu sentimento. Como você pode considerar seu enroladinho mais importante do que de outro alguém por causa da direção que a bússola aponta? Não importa o seu lado nessas eleições, porque o que a maioria das pessoas fez não foi política, passou bem perto de crime e bem longe da racionalidade de aceitar que a cidadania que defendemos não esbarra em um único ponto de vista, mas protege todos de serem confessados (babaquice não incluída aqui, porque vocês tem que começar a pesquisar o que é liberdade de expressão e o que não é, galerE).

 Eu não sei descrever o que essa última eleição representou, ao certo, para nossas redes sociais, mídias, ou parentes distantes mandando vídeos duvidosos pelo whatsapp, mas posso dizer que todas as noites mais acordadas do que dormindo me perguntando se o meu pai estava ok viajando pelo interior do Estado com seu projeto político, simplesmente se acalmaram com os enroladinhos a mais que aquele menino levou para casa.

Mais uma vez endosso: ajudar o garoto a comprar outros enroladinhos não é questão de mendicância não, mas a forma com que meu pai tem me ensinado de que na política, assim como na vida, pensar no outro antes de si é essencial. Escolher um plano político para o outro deve ser mais importante do que escolhê-lo, simplesmente, para si.

Com minhas dúvidas ou não, desejo 4 anos de um país que cresce em recursos financeiros, humanos e de probidade. Escrevi todas essas coisas só para chegar aqui: não envie ódio, já está difícil amar as pessoas no fim deste outubro. Pense antes de sair por aí falando e postando coisas das quais você vai se arrepender. Sabe aquele “calma lá, minha gente”?  Use para você, quando o menor dos sentimentos de desrespeito ao outro surgir. Pensou em falar uma bobeira separatista… Buum: calma lá, minha gente, vou ali separar meu lixo para coleta seletiva que minha cidade ganha mais.

Não sou sempre uma otimista, mas espero que nosso interesse pela natureza política das coisas cresça e dure, que ele nos faça estudar e que ele sempre diminua a quantidade de baboseira que falamos todos os dias.

Fora isso tudo, o recado é o mesmo: ame o próximo como se ele tivesse votado no seu candidato como a ti mesmo.

E viva a revolução, calma lá, minha gente,  é BRIMMKS.

eleições

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De ontem (ou: Confie no Senhor, minha alma)

Confiar nem sempre é fácil. Confiar em Deus tudo o que você é (e não só as partes que todo mundo vê aos domingos), confiar a Deus o seu futuro e os sonhos da sua família.

Tudo o que eu não consegui te falar ontem, Deus, por um milhão de motivos, eu coloquei em alguns minutos de música hoje. Como todas as vezes passadas: um desafino só,  três notas mal batidas e uma casa barulhenta, mas pregando para minha alma que confie no Senhor em TODAS as circunstâncias.


Caso você não queira me ouvir, mas queira saber a letra:

É difícil te dar dar alguns pedaços que há em mim

Te mostrar como sou, alguns segredos que escondi

É difícil deixar que a graça abunde onde ainda há dor

Onde há choro, onde não há perdão, onde há dúvidas sobre o teu amor

Ontem não consegui falar, 

Então pus nessa música

Que é para quando você escutar, Deus

Você entenda que eu

Te amo mais do que os outros podem ver

Porque o que eles nunca viram você sabe de cor

Te amo mais do que a falsa ideia de que tudo está bem

Porque eu sei que um dia vai ficar

Eu escrevo essas coisas para você nunca se entristecer 

Quando eu tiver que chorar nas madrugadas, Deus

Porque de vez em quando a gente vai sofrer

Mas logo vem você pra me fazer feliz

E quando isso tudo desaparecer

Seremos somente eu e você.

Segure o forninho e ande (ou: Falta um dia para 05 de outubro)

Contudo, o Senhor espera o momento
de ser bondoso com vocês;
ele ainda se levantará
para mostrar-lhes compaixão.
Pois o Senhor é Deus de justiça.
Como são felizes todos
os que nele esperam!
Isaías 30:18


{para ouvir enquanto lê}

A sinceridade dos nossos corações no silêncio entre um dia e outro é sempre uma coisa linda de se ouvir. Quando a casa inteira dorme e os pensamentos soam aaaaltos e secos.

Eu nunca realmente fico sem barulho, geralmente escuto música antes de dormir (e quando acordo, e quando me arrumo, e quando lavo um mísero garfo, é um vício, orem por mim hahaha), mas mesmo com Iron & Wine tocando naquele aplicativo lindo chamado Spotify, consigo ouvir meus pensamentos se remoendo até formar uma única frase: é necessário esperar.

Não precisei de meio segundo para entender o que estava por trás daquele pensamento. Falta um dia. Ainda é necessário esperar. Sento na cama com o computador e começo a escrever este texto, porque é necessário esperar. Eu acredito que esperar é isso: não ficar parada. É estranho, parece paradoxal, mas esperar em Deus, como a gente ouve tanto, nunca foi, para mim, sinônimo de olhar para o teto do meu quarto, porque isso é o que eu geralmente faço quando eu não sei o que fazer. Se esperar em Deus tem alguma relação com Deus (e tem, porque né, minha gente, é esperar em DEUS), a ação precisa ser diferente do que algo que faria normalmente, a ação precisa vir com movimento.

Por isso, no momento em que estou esperado em Deus, escrevo para você que, quem sabe, se encontre esperando. Escrevi para dizer que talvez sua resposta demore mais para chegar do que a minha, que vem logo amanhã, no dia 05 de outubro, mas que estou por aqui para te fortalecer em amor e amizade.

O processo não é fácil, agora mesmo eu nem sei se serei capaz de pregar os olhos – já fui até os meus armários, peguei mil cremes, passei até ficar com a cara de um fantasma, voltei para os livros, criei uma teoria sobre os X-Men, procurei uma estante nova na internet, trisquei no rosto e lembrei que ele está melecado, continuei digitando o texto -, mas irá fazer sentido se buscarmos conforto um nos outros e naquele que guarda nossa fé.

Eu espero me movendo. Eu espero esperando estar te abraçando onde é que você esteja, leitor, e dizendo algo estúpido, do tipo: segure o forninho, Giovana. Segure o forninho e ande.  Aquilo que é de Deus sempre vem, e a sua resposta não é diferente.