Arquivo mensal: setembro 2014

Ele não vai mudar por você

(Este texto é para mim, é tão para mim que, quem sabe, pode ser seu… Ele nasceu de meses esquisitos, nasceu de pessoas queridas perdidas e de um curso de vida que não poderia ser outro, e terminou há uma semana, quando ouvi uma pregação do meu pai dizendo que Cristo podia ser ‘uma pedra de tropeço’ e eu só queria sentar no chão da igreja, porque sou dramática.)


{Para ouvir enquanto lê}

Há algum tempo atrás, durante um processo de sair de alguns projetos e entrar em outros, me vi rodeada de escolhas que eu não era capaz de fazer.  E comecei a pedir que Deus abrisse exceções para mim, querendo que Ele mudasse de opinião, querendo que ele fosse como nós.

Mas “Deus não é filho do homem para que minta; nem filho do homem para que se arrependa; porventura diria ele, e não faria? Ou falaria, e não o confirmaria?”.

Deus não mudou. Ele permaneceu como as escrituras dizem que Ele permaneceria. E eu surtei, e escolhi encontrar a solução em mim mesma.

No mesmo período, meus pais escolheram algo melhor: seguir o chamado de Deus com todas as forças. Meu pai se envolveu com sua candidatura política e minha mãe o apoiou.

Sem tempo para as minhas picuinhas com Deus, segui. Fazendo as mídias para o meu pai, trabalhando, e vendo o esforço realizado pela nossa família para fazer isso funcionar. E tem funcionado. E irá funcionar.

Apesar de tudo, Deus continua um cara misericordioso. E ele coloca a minha frente todas as chances de entender o que Ele quer de mim, mesmo quando não pode realmente falar comigo, porque meu coração está a milhões de metros, medidos em profundidade marítima. A política foi só uma das formas. Não somente porque ela me mostrou o esforço do meu pai em cumprir um propósito, mas porque me mostrou que as pessoas, a quem eu vinha valorizando mais do que as opiniões fortes e certeiras de Deus, não possuem a fidelidade forte e certeira Dele.

Durante alguns dias eu abri as redes sociais e mensagens como “política e ética religiosa nunca irão combinar!”, e outras mais feias apareciam (e me desculpe se eu não te respondi e você está lendo isso, eu só queria dizer que no momento em que eu me senti machucada fui capaz de ouvir a voz do Espírito, de uma forma estranha: obrigada). Então Deus, de uma forma doida, falava com uma pessoa que estava ainda mais louca com tudo. Porque surgiam na minha cabeça trechos em que o povo orava a Deus por um governo mais humano, um governo que não o massacrasse. Eu pensei durante um tempo que a lembrança das histórias era força do hábito, quando você lê e ouve sobre a Bíblia esse tipo de coisa pode acontecer, certo?

Mas Deus continuava me levando por situações que só podiam ser definidas como: 6 tão de brincadeira comigo, né, migues?!

Até que um belo dia realmente a situação foi com um migue. Sem polêmica e sem discussões. Eu só comecei ouvir o que ele falava e digitava e meu coração começou a pensar: não. Ele não está certo, isso nunca vai acontecer, eu creio. No que eu cria? Como eu podia crer? E ele continuava falando que a culpa de tudo era das igrejas por aí, que nós somos fundamentalistas e eu fiquei tão sem rumo que nem sei explicar.

Mas eu sabia que Deus não mudaria e que aquela pessoa nunca estaria certa sobre o assunto em discussão, não porque ela não tivesse todos os argumentos humanos possíveis, não porque ela não tivesse conhecimento, ou que o seu discurso não fizesse sentido – porque fazia todo o sentido deste mundo, mas simplesmente porque Deus não muda. E este mundo já era.

Deus falou comigo quando uma amiga me disse que confiava que quando o Senhor voltasse fosse diferente do que ela esperava, mas eu sabia: não seria. Deus inspirou a Bíblia e mesmo que não consigamos entender Ele não muda, nem o que a há naquele livro.

E isso para mim era frustrante. Tão frustrante quanto estar duvidando das certezas de Deus, quanto ainda culpá-Lo por um assunto abusivo que aconteceu há 12 anos, quanto perder pessoas queridas porque nós nunca seríamos capazes de concordar em assuntos muito sérios, porque eu vou preferir a palavra do eterno, mesmo a milhares de metros medidos em profundidade marítima. Como eu podia duvidar Dele e ainda sim saber que eu nunca poderia concordar com alguém que discordasse Dele?

PORQUE ELE NÃO MUDA.

Semana passada meu pai pregou sobre ser pedra de tropeço. Quando Jesus é a pedra de tropeço. Quando as suas ideias se chocam contra as ideias deste mundo e nos coloca em um péssimo e necessário lugar: o de escolha.

Aquilo me acertou em cheio. Como uma pedrada no meio da testa.

Nunca é fácil mudar nossa mente, mas não há cristianismo sem renovação da nossa mente. Não é fácil deixar um pensamento que virou um vício, não é fácil deixar o medo, mas o que é o evangelho senão uma segunda chance? Segundas chances são doloridas, a nossa custou sangue, mas porque eu não deveria me dar uma segunda chance e pedir: por favor, renove a minha mente neste aspecto, porque eu quero pensar como Cristo.

Às vezes eu ainda sonho com todas as coisas erradas que já fiz na vida, com todas as oportunidades que eu perdi, com todas as vezes que deveria ter renovado a minha mente, e acordo meio assustada, me arrastando para o banheiro para lavar o rosto. Todas as vezes que eu começo com isso sei que a acusação não leva ao arrependimento e a renovação, mas ao velho ciclo de duvidar e pedir que o Senhor se transforme.

Não, Ele é perfeito, não precisa mudar uma ruguinha sequer de seu rosto de milhares e milhares de anos.

Minha pedra de tropeço – que me lembra que eu nunca poderei ser 100% aceita no mundo, porque minhas ideias são preceitos da eternidade – pode me renovar, porque o novo ciclo sempre nos faz pedir que o Senhor, aquele que nunca mudou ou mudará, nos transforme e nunca o contrário.

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Eu vou te amar mais, leitor

{Para ouvir enquanto lê}

Não tenho respostas de Deus hoje. Não tenho nada de impactante para contar. Não tenho versículos para indicar, livros para você ler, frases para você refletir. Eu só queria que você entendesse logo algo que tem me custado muito: ame mais do que você acha que pode, porque amar pouco é apavorante.

Eu quero te amar hoje, leitor. Quero te dar a minha mão como se eu fosse a sua pessoa favorita e te dizer que se não ficar tudo bem, pretendo fazer doer menos.