Arquivo mensal: dezembro 2013

Ah, eu sou um zumbi, muito prazer

Uma vez li que o livro de 1 Coríntios era a prova escrita de que se tornar cristão é uma caminhada diária para se parecer com Jesus. Uma caminhada até que vejamos o dia perfeito, porém nada fácil. Algo entre sorvete de chocomenta e O Pagador de Promessas, do Dias Gomes.

Bem, Dias Gomes ou não, o evangelho é contramão e, provavelmente, sempre será. Isso, não se ofenda, pode ser um tremendo pé no saco, àsZombieKidcolored-1 vezes. Difícil mesmo. Em outro Coríntios – o segundo – Paulo fala que somos entregues a morte todos os dias para que a vida de Jesus seja manifesta em nossa carne. E vamos combinar que ser entregue a morte não é algo leve, delicioso, faço de pernas para o ar ouvindo Jose Gonzalez.

Tentar sempre se parecer com Ele, se decepcionar por falhar em algo, fechar os olhos e morrer de novo e de novo sempre que surge um novo dia. Como diria Augusto Branco (pseudônimo de um poeta brasileiro contemporâneo que achei assim meio sem querer querendo): “Felicidade é saber que em cada amanhecer eu torno a viver, e sempre posso ser melhor do que eu fui antes”. Sim, a alvorada vem e ganhamos mais uma chance de morrermos completamente para nós mesmos, desta vez sem esquecer nem um pedacinho sequer.

E vamos morrendo e morrendo e morrendo até que viremos perfeitos zumbis do Espírito: completamente decompostos para os outros, vivinhos-da-silva para Deus.

Feliz Natal! (Parte 1)

O Natal traz, de alguma forma, o verdadeiro evangelho até nós, que não é aquela conversa acusadora que ouvimos em grande parte dos nossos dias: seja assim, não seja assado (não vale para o chester).

É uma data ótima, mais um desculpa para ouvir Sinatra alto, para comer doces e rasgar papel de presente na sala, mas ela é, especialmente, o dia em que um cara revolucionário nasceu.  Acredito que o verdadeiro evangelho é tão político, quanto espiritual, é tão sentimental, quanto simbólico. Abro os quatro primeiros livros do novo testamento e vejo um homem que se importava com os pobres, que tinha que ajudar pescadores a ter o que comer e que, ainda assim, não pregava dinheiro. Acredito que Jesus nunca pregou pobreza, ou julgou fortuna; Jesus simplesmente falou: cara, você não tem que passar necessidade e amigo, você que é rico, só precisa manter seu coração no lugar certo. A verdade é que milionários e mendigos podem colocar o dinheiro como o centro de suas vidas e Jesus pregava o Reino como início, meio e fim de nossa existência.

E adivinha? Ele ainda prega.

O nascimento de Jesus é incrível, reis do oriente vieram vê-lo, enquanto outro rei tentava matá-lo. Espadas, fugas, grandes presentes e amores incondicionais. Esse é o nascimento que celebro. Meu rei foi seguido por cegos, almoçou com ladrões e sua morte foi chorada por prostitutas. Esse é o meu Natal, esse é o meu evangelho.

Temos uma oportunidade de jogar nossa ideia aguada de religião fora nesse período do ano. Um rei não viria a terra instaurar uma religião, porque isso é pequeno e mesquinho, um rei instaura um REINO, oras. Uma nova maneira de se entender como gente. Estar debaixo de um reino é tão diferente e libertador do que estar debaixo de uma religião… O Natal é isso, dia intergaláctico de gritar: PAREM DE NOS ENGANAR COM ESSAS RELIGIÕES E CERIMÔNIAS, ESSAS ORAÇÕES CONFUSAS, ESSE LERO-LERO. É tempo de entender o “venha nós o teu reino”, porque quando ele vier o “seja feita a tua vontade” vai deixar de ser uma oração, uma bolinha que nós passamos em sequencia de outra e de outra…

Todo final de ano, ajudamos uns aos outros, como a primeira igreja fazia, festejamos, damos e ganhamos presentes, isso deveria ser reino, e eu me pergunto: quando é que tornamos tudo isso religião? Quando é que nos metemos em algum concílio? Quando é que decidimos que lutaríamos guerras que não eram para o reino? No Natal, tudo isso faz menos sentido ainda… Porque pensamos em Jesus em uma manjedoura, rodeado de pastores e anjos que cantavam pelo menino. E é isso que quero ser,  parte de um presépio, quero ser o peixe que levava uma moeda – estáter – na boca, para que Jesus pagasse seus impostos (Leia Mateus 17: 27!), quero ser a adúltera que se jogou aos pés do Rei. Porque me vale muito mais conhecer seus pés, mãos, palavras e vontades, do que me encher de ritos e tradições que nunca me farão ver quem Ele é.

Que Jesus venha de novo e traga o reino como fez da primeira vez. Yeshua, nós te esperamos com corações quentes, como manjedouras cujo feno foi cuidadosamente afofado.

Já dizia Fernando Pessoa: “O mar é a religião da natureza”

{Para ouvir enquanto lê}

Sempre tive uma coisa com o mar.

Talvez seja por que nado tão bem quanto tia-avó e tudo que é maior que a gente encanta tanto que hipnotiza, para o bem ou para o mal. Tenho uma lista de músicas sobre o mar, tenho Camelo gritando na minha cabeça “Nos mares por onde andei, devagar dedicou-se mais o acaso a se escondeeeeeer”, tenho melodias do Sigur Rós que batem dentro de mim como ondas.

Talvez o mar seja o bonito e o feio de mim. Calmaria, dia limpo, vento que bate na vela, água que afoga e mata.

Para mim, todo mundo que se preze é o mar. Jesus era o mar. Não que ele tenha algum pedacinho feio sequer, mas Ele era Ele e o mar não engana ninguém. Não há coisa mais chata do que gente que ilude. O mar não finge temperança em dia de tempestade. Ele é para gente que cresceu, pirata bom é pirata velho.

Quando estou na presença do Espírito preciso ser o Atlântico: correr para Ele sem voz impostada, sem coração cheio de couraça. Se algo não está bem, eu digo. Se estou me sentindo ótima, que bom!  E aí, quando sou exatamente o que sou – sal na boca, ardor nos olhos -, Jesus pode ser quem é comigo.

Podemos gritar, chorar, rir e ficar no canto de casa em silêncio sem medo de nada. Como um oceano menor, me curvo em sua direção, ignorando toda a maré de minhas vontades.

O ministério de Jesus esteve ensopado de água e verdade. Então, eu prendo a respiração e mergulho, expondo quem eu sou, rindo da ideia de algumas pessoas de serem sempre bonança. Há algo em mim que vai ser sempre dilúvio, algo que vai se parecer sempre com a tempestade pintada por William Turner, mas não há medo em minha alma, já diria outra música “se as águas do mar da vida, quiserem te afogar…”.

***

PS: a frase de Pessoa que está no título foi encontrada rabiscada num pedaço de papel, como frase isolada. 

Episódio de hoje: montar a árvore de natal

Apesar de Tommy não saber que dia é o natal (oi, The Who, rs!), eu e minha irmã já montamos nossa árvore. Como diria Isaías: trovão do deserto, preparem-se para a chegada de Deus – e do Chester (ou quase como diria Isaías).

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urso noel

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Apesar da minha destreza com a câmera do tablet (só que não) e minha preguiça de renderizar, fizemos um vídeo com temática natalina, mas sem música de natal com sinos e corais (para não matar todo mundo, né Simone?), sobre essa coisa complexa (mais uma vez: só que não) que é montar uma árvore.

(:

“Preparai o caminho do Senhor” (Isaías 40:3)

Oi, Núcleo de Mídias (ou: Servindo em Espírito)

Um ministério é só uma coisa que você gosta muito. O que te faz feliz na igreja? Provavelmente isso é o que Deus tem te chamado para fazer agora, ou ao menos o caminho de chegar até ele.

As coisas de Deus estão muito mais profundas em nossos corações do que imaginamos. Provérbios diz que o Senhor colocou a eternidade exatamente em nosso coração, acredito que nossas paixões, que também estão por lá, são a chave para fazermos a obra de Deus com o fardo de Jesus: tudo bem levezinho.

E foi assim que o Núcleo de Mídias da nossa igreja começou: um bando de meninos que sentiam o coração bater apertadinho por imagens em full HD e roteiros incríveis.

Eu vou voltar essa história… Acredito que as mídias que estamos fazendo hoje começaram há cerca de seis anos atrás, quando eu ainda estava fazendo segundo ano do ensino médio. Eu, um amigo (que lidera a mídia em nossa igreja hoje), e outra grande(ssíssima) amiga – Dany! – saímos pelo centro para gravar nosso primeiro curta-metragem. E aquilo foi uma das grandes experiências daquele ano. Sair, gravar, conhecer gente que era capaz de se abrir para três moleques completamente desconhecidos? Parecia uma receita incrível, ainda mais por nos fazer largar os livros de física e química.

Alguns anos depois, já cursando faculdade, o mesmo amigo e eu nos juntamos para produzir um vídeo de abertura para uma das nossas conferências. Fizemos um vídeo aqui, outro ali, começamos a sonhar com um padrão em nossas projeções, com uma equipe… E algum tempo depois, sendo exata: um ano e meio, eu participei da primeira reunião de mídia do One Pray de Goiânia. Emoção, gente, muita emoção, hahaha!

[Dicionário do meu crentês: One Pray – nome do ministério de artes da Sara Nossa Terra, nele se reúnem as equipes de dança, música, teatro, cenografia e mídia da igreja. É no One Pray que recebemos de Deus e alimentamos nossos projetos. O One Pray é, por conseguinte, um ministério de trabalho e serviço à casa de Deus. Cantando, fazendo vídeos ou arrumando as cadeiras. <nota da autora: o One Pray é lindo>].

A instauração do Núcleo de Mídias do One Pray me  trouxe uma noção diferente de servir. Sabe quando o apóstolo Paulo diz em Romanos que serve a Deus em seu espírito?

Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito,
Romanos 1:9

Pois é! Eu me sinto assim fazendo as coisas para o Núcleo de Mídia da igreja: servindo em espírito. E, hoje, acho que ninguém deveria sentir menos fazendo algo de Deus e para Deus. Se não é seu espírito que faz todo o trabalho duro de servir e sobra para o seu corpo realiza-lo, talvez haja uma coisinha ou duas para colocar no lugar.

É claro que há coisas físicas no servir, minha gente, meu espírito não tem polegares e não sabe criar tracks de áudio e vídeo no Sony Vegas, mas se for apenas os meus polegares trabalhando, não faz sentindo. Se nada vier de Deus, eu estou apenas juntando vídeos e legendas e eu não quero ser uma juntadora, quero ser uma seguidora.

Foi no meio de tudo isso que aconteceu nosso primeiro Workshop de Mídia, no sábado passado. E não podia ter jeito melhor de começar. O Espírito é meu amigo e amigos aparecem quando são convidados.

NC
Provavelmente eu estava fazendo alguma piadinha sem graça, por que né?

O Senhor tem nos dado novos projetos e com eles novos desafios todas as semanas e… Isso é ótimo!  Espero que ele nos use como um time.

PS: Veja as fotos do nosso Workshop aqui ô!

É quase um post (ou: Nero, saia de perto do meu TCC)

E em meio a um TCC MUITO trabalhoso (fazer uma revista deve ser legal, ela pensou) e de pesquisas infinitas sobre mestrados fora do país e suas bolsas de estudo – porque nunca custa tentar -, o Senhor continua maravilhoso. Mesmo quando eu quero tacar fogo em gráficas e em aplicações como se elas fossem um pedaço de Roma.

assinatura
Print da vergonha: diagramando a revista

Maravilhoso porque Ele tem falado comigo coisas que ainda não consigo explicar, mas que são grandes e cheias de conforto bom. Maravilhoso porque Jesus tem me ensinado que as coisas do jeito Dele são infinitamente melhores. Isso significa que algumas certezas e pessoas vão passar, alguns ministérios vão cair para darem lugar a outros e o resultado? Você nunca vai ser tão seguro na fé, nunca será tão feliz.

Mas isso nem é o quê vim falar… é só muita animação junta nesse dia. Por quê? Há alguns meses o Senhor nos deu um Núcleo de Mídias dentro do One Pray de Goiânia, ministério de artes e trabalho da igreja, e isso nos fez imensamente feliz! Bem, hoje nós tivemos o primeiro Workshop para dividir com outras pessoas e igrejas – núcleos! – o que temos feito.

E foi uma lindeza.

Mas paro por aqui. Estou cochilando onde me encosto (até na bancada da cozinha), entretanto não conseguia dormir sem dizer CARAMBA QUE DEUS MARAVILHOSAMENTE LINDO E CUIDADOSO É O GRANDE ETERNO A QUEM EU SIRVO!

Me despeço – agora sem caps lock – prometendo escrever um post decente sobre isso.

PS: Já é dezeeeembro, cadê natal?