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Digliconato De Clorexidina

{Para ouvir enquanto lê}

Eu te agarro em um abraço, Deus, porque só você cabe em mim. Só você sabe de mim. Só você é o meu merthiolate.

– Vai arder? – Pergunto, espremendo os olhos.

E você cai sobre mim, devagar feito confete em dia de sorrir por motivo nenhum, mais como chuva do que como remédio ardido. Mas cura. No seu tempo. Do seu jeito.

“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”

Mateus 5:4



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Este é só um texto

{Para ouvir enquanto lê}

Cem por cento das vezes: humanos.

Não há oração que nos faça outra coisa senão seres de carne.

Não nos tornamos anjos assim que abrimos nossos olhos. Nossos problemas não desaparecem como mágica, ainda somos gente que acha um monte de coisa besta engraçado, que não sabe o que fazer com a decisão de amanhã, que fica fazendo caminhos de ônibus na cabeça para tentar pegar um mais rápido e com menos pessoas (por mais que a gente saiba que essas coisas são grandezas inversamente proporcionais).

Este não é um texto sobre a beleza das coisas, não tem poesia da Adélia, não tem reflexão profunda, palavras em grego, piadinhas de pavê. Este é só um texto para dizer: nem sempre tudo vai bem. Mesmo que você ore muito por isso e que seu coração saia pelos joelhos nas madrugadas. Nosso clamor é muito poderoso sim, mas nunca mais que o Senhor. E, às vezes, nada especial acontece depois de uma noite de nariz vermelho e de composições amassadas na beirada da cama.  Não, não fizemos nada de errado. Não, Deus não nos odeia. Nós somos homens e só nos resta a vontade do Eterno. E a resposta vem quando Ele quer.

Contudo, a beleza de continuar orando nem sempre –  nunca! – está nas coisas que se recebe a partir dela. O clamor escala nossos músculos e nos vivifica. Depois de orar, muitas vezes nada parece ter mudado no mundo que posso ver e tocar, mas o meu coração mudou. De coração novo, eu enxergo minha carne – tão humana, tão perecível – mas revestida Dele. De repente, eu sou como a arca, sou feita de acácia, mas coberta de ouro.

Cem por cento das vezes: humanos. Cheios de coisas insolúveis para solucionar até o final do expediente. Todas as cem vezes coberta por Ele.

Nem sempre tudo vai bem, mas minha alma está segura.

E virão ali, e tirarão dela todas as suas coisas detestáveis e todas as suas abominações.
E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne;
Para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os cumpram; e eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus.
Ezequiel 11:18-20



Leia também (versão velharias deste blog):

Já dizia Fernando Pessoa: “O mar é a religião da natureza”



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Eu preparo o chá que iremos tomar em nossa nova casa, Deus, quando finalmente o meu espírito vir o Seu

{Para ouvir enquanto lê}

Eu queria muito vê-Lo. De verdade. Não é uma frase de música. Eu realmente queria poder segurar sua mão hoje, saber o formato do seu nariz, estar com você face a face. Testa com testa. Nem que fosse por um milésimo. Eu sinto uma saudade esquisita de te enxergar. Eu que nunca te vi com os olhos da terra. Meu amor parece furioso e eu choro algo doído no fundo de mim. Um choro azul. Eu te amo tanto. Eu queria tanto te ter fisicamente em meu quarto quando oro. Eu te imagino e não é suficiente. Nada é suficiente. Mesmo que você abunde dentro de cada pequena parte da minha alma, mesmo que eu me afunde em sua bondade, mesmo que eu engula toda a sua misericórdia, mesmo que eu contemple sua presença por horas. Eu não posso ser cheia o suficiente. Eu não paro de pedir por mais. Eu não entendo. Não consigo fazer um texto com parágrafos e pontuação. Eu apenas te quero. Te quero com a força de uma multidão que grita. Com a intensidade de rios que se encontraram. Com a saudade de quem não volta para casa há meses. Por favor, por favor, me dê mais. Por favor, fale comigo a noite inteira. Não pare! Me conte todas as suas histórias, nomeie todas as estrelas, choque-se sobre mim. Meu melhor amigo, me fale das coisas da nossa nova casa; meu pai, vamos orar por Jerusalém juntos; meu espírito favorito, vamos cantar! Aba, não se afaste de mim, basta um segundo e eu gritarei: venha, amado, eu sinto saudades.

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Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
1 Coríntios 13:12



Leia também:

04 da manhã (ou: Contando planetas para dormir)



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Esaú era um bebedouro (ou: Trocando meu nome e ganhando marcas de Cristo)

{Para ouvir enquanto lê}

Eu tenho um problema sério com bebedouros.

Eu me aproximo respeitosamente, aperto o botão antes de me abaixar, analiso o alcance da água, faço contas muito complexas e gráficos invisíveis para saber o quanto posso me aproximar sem que um jato de água atinja meus olhos. Mas, quase todas as vezes, eu erro minha própria boca. É idiota, eu sei. Não dá para evitar. E aí eu me vejo olhando ao redor e me certificando de que posso secar meu nariz.

Como tenho passado muito tempo na biblioteca da faculdade e, quase sempre sem garrafinha, me pego pensando mais do que gostaria de admitir:

– Quem inventou o bebedouro era o pior jogador de Angry Bird.

Contudo, entre ficar com sede e t1242356155er que secar o nariz, eu seco o nariz.

E volto revirando os olhos para minha mesa.

Uma. Duas. Quatro vezes.

E você me pergunta porque diabos estamos falando de bebedouro e eu, chorosa, espero que você entenda que este post não é sobre água no meio das sobrancelhas, mas é sobre se encontrar com Esaú pela primeira vez em muitos anos. É sobre mandar presentes que cheiram a medo. Sobre receber um novo nome.

Jacó – sim, aquele que vestiu uma capa de pelo para enganar o pai, fingir que era seu irmão, roubar sua benção, depois de ter se apossado da sua primogenitura e toda aquela história da sopa de lentilhas que a maioria de nós conhecemos –, ele estava com medo. Eu consigo imaginar seus olhos abertos. O coração indeciso: ele deveria voltar a falar com o irmão? O irmão que tinha todo o direito de odiá-lo?

Deveria?

Esaú era o bebedouro de Jacó.

Quando finalmente seu coração se enche de certeza e ele decide ir até ele, uma notícia: seu irmão já estava vindo, mas tranquilo, somente com mais 400 homens.

  1. (   ) Own, já está trazendo pessoas para a festa surpresa que vai me dar.
  2. ( x ) Eita.

Jacó se apavorou e mandou presentes na sua frente, e tentou resolver seus problemas como o homem que era. Enganador.

E direis também: Eis que o teu servo Jacó vem atrás de nós. Porque dizia: Eu o aplacarei com o presente, que vai adiante de mim, e depois verei a sua face; porventura ele me aceitará.
Gênesis 32:20

Mas havia uma noite entre Jacó e seu bebedouro.

Se você já leu essa passagem algumas vezes na Bíblia – e já cantou Jacó-segurou-o-anjo-amarrou-o-anjo-e-não-deixou-ele-subir – sabe que essa é a hora em que ele e um anjo se enfrentam e o, até então, enganador é ferido.

Eu não sei você, mas eu já me perguntei o porquê, do mais absoluto nada, desceu um anjo para dar uma surra tão grande em Jacó que durou a noite toda. E justo ali, naquele momento cheio de angústia, em que Jacó tinha quase certeza de que Esaú não iria perdoá-lo. “Bater em cachorro morto”, os mais velhos diriam. Como se aquilo não fosse jato de água gelada o suficiente no nariz, o anjo o deixa manco.

Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu.
E vendo este que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele.
E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares.
E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó.
Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste.
E Jacó lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali.
E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva.
E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa.
Gênesis 32:24-31

Queria que a resposta para essa pergunta tivesse surgido nas minhas caminhadas mesa-bebedouro, daria uma boa parte para o texto, mas não surgiu. Eu voltei a pensar nesta passagem agora a pouco, fazendo aqueles questionamentos para Deus: porque a gente tem que enfrentar algumas coisas de novo?

No post tudo parece menos enfático do que na vida – cheia de baba e Amanda Cook gritando nos fones.

A vida é cíclica.

O quê, Deus?!

Faço silêncio.

A vida é cíclica.

E aí eu me lembro de Jacó. E me lembro do bebedouro. E de Jacó de novo, mandando bois e desculpas para seu irmão. E do bebedouro mais uma vez. E agora Jacó estava lutando com um anjo. Água gelada. E o anjo o marca. Pingando e escorrendo pelo nariz. E o nome de Jacó não servia mais.

Pronto.

– Pronto o quê? – Você me pergunta.

Bem, o nome de Jacó não servia mais. E se ele não houvesse percebido isso antes de encontrar seu irmão, talvez houvesse morrido na mão de algum dos 400 homens que vinham com Esaú, talvez tivesse fugido – voto nessa opção, porque Jacó era esperto demais para morrer depois de um aviso. Mas, se não morresse, ele apenas estaria adiando um encontro que precisaria acontecer. Porque? Porque a vida é cíclica, e Deus, muitas vezes, nos joga dentro do antigo vórtice para que ele seja finalizado.

Veja bem, Jacó fechou vários vórtices durante a vida – pode prestar atenção, o cara está sempre voltando atrás e encontrando gente que fez muito mal a ele -, e depois do fechamento a vida seguia em frente. Finalmente.

Isso parece bastante com a gente, não acha?

A diferença é que muitos de nós estamos sempre girando e girando dentro de ciclos de ressentimento, dor e medo. Enviando presentes e não trocando nossos nomes. Nós só conseguiremos parar de temer nossos bebedouros – as partes em aberto de nossas vidas -, quando conseguirmos fechá-las, e para fechá-las é necessário ser alguém novo, alguém que carrega uma marca do Eterno. Se Jacó ainda fosse o enganador, Esaú não teria o acolhido, mas Jacó era Israel e ao vê-lo Esaú não reconhecera mais aquele que tinha causado tanta dor. Israel era o irmão amado. Israel era o irmão que havia deixado saudades.

Algumas marcas de Deus nos fazem tão diferentes que poderíamos até mesmo trocar de RG. Algumas nos fazem mais pacientes, outras mais esperançosas.  Recentemente, Deus mandou um anjo MMA até mim. Não é necessário enxerga-lo ou ficar manco, mas eu sabia que aquela era minha noite escura, sozinha e cheia de uma expectativa medrosa.

Porém, pela manhã, eu tinha um novo nome. Um nome de sílabas somente pronunciáveis por Ele, um nome que significa que não preciso mais resolver tudo sozinha, o meu braço não precisava ser tão duro, não… Eu recebi um nome bonitinho e maravilhoso: filha. Ser filho é poder pedir. Ser filho é poder ser cuidado. Ser filho é não ter que saber de tudo, mas saber que há alguém que sabe. Ser filho é ter o coração mole e cheio de desenhos na geladeira que digam: eu e meu pai.

 

Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram.
Gênesis 33:4

 

Eu imagino por quantos segundos Jacó e Esaú se abraçaram. O novo coração de Israel pulsando no ritmo manco de sua perna. Esaú finalmente deixando sua posição de enganado. Homens completos, porque um novo ciclo se abria.

Jacó enfrentou diversos vórtices depois desse – alguns só seriam fechados no Egito -, e, assim como nós, precisou aprender com cada um deles, porque (1) a vida é cíclica, (2) a Bíblia não é sobre facilidades e (3) as noites, muitas vezes, são mais escuras do que planejamos, mas, se há algo que traz alegria para meu nariz molhado diariamente pelo bebedouro é a esperança de um dia encher a boca e dizer o que Paulo escreveu em Gálatas: porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.



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Aquele dia que Paulo pregou tanto que um cara literalmente caiu morto de sono



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Para Elisa, quem eu não conheço, mas conheço

– Você é o mundo, Elisa. – Um homem diz na mesa da frente. E eu, cortando um pedaço do meu lanche, tento concordar baixo o suficiente para que ele não me ouvisse e alto o suficiente para que o universo concordasse.

Você é o mundo, Elisa. Tudo foi feito para caber em você.

E vós tendes a unção do Santo, e sabeis todas as coisas.
1 João 2:20


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Conversas com meu Beatle favorito 

Eu, você, um bandeirante (e um cachorro?)

{Para ouvir enquanto lê}

– Eu poderia conversar com você para sempre. – Digo em voz alta, ainda de pijamas, às seis e oito de um domingo. O sol começa a cair e eu me sinto cheia. Boba. – Eu poderia subir nos prédios e gritar o seu nome. Não… Eu poderia subir no Anhanguera, no meio do rush, e gritar que eu te amo…

Sorrio.

– E, mesmo se eu gritasse forte o suficiente para perder a voz, mesmo que eu berrasse tanto que esquecesse as palavras, ainda sim eu te amaria menos do que você me ama. Como isso é possível?!

O sol pinta as nuvens devagar e eu desisto de usar as palavras, porque as declarações Dele estão em todos os lugares. Até no laranja do céu.

Ananhanguera


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Sim, capitão



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Seus carinhos por você são pessoais e intransferíveis

{Para ouvir enquanto lê}

Neste exato momento, eu deveria estar escrevendo um projeto de pesquisa. Mas paro tudo. Paro porque sei que o Espírito está aqui, primeiro soprando delicadamente, como quem retira uma mecha de cabelo de trás da orelha, até que se faz presente de tal forma que se choca contra mim.

Tum. Tum. Tum.

O Espírito está aqui. Ele é real e te quer. Não para seguir convenções humanas. Rūaḥ nunca te quis como religioso. Ele te quer como você. Não há nada mais poderoso do que descobrir que sua identidade é uma chave: ela abre partes do Reino feitas apenas para você. Chave que abre palavras e carinhos preparados para você antes da fundação do mundo, porque Deus desconhece o tempo, mas conhece todo o amor.

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Vamos orar?

Espírito, toda a terra está cheia de você. Inundada em você. Sem perceber, nós esbarramos em partículas que adoram seu nome o dia inteiro. O Senhor nos move, nos direciona, nos convence, nos faz entender o Reino, nos enche, nos aviva. Nós te exaltamos! Grande e maravilhoso é o nosso tempo, em que podemos te buscar e te encontrar! Choque-se contra nossos peitos, feche nossos buracos internos, nos dê chaves para sentar ao seu lado em qualquer hora do dia. Espírito, a vida não tem sentido sem seus cafunés. Obrigada por nos fazer quem somos, pequenos segredos do Reino. Que nós sejamos melhores amigos, Espírito. Venha sobre nós agora. Em nome de Jesus, nós oramos. Amém.



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Empatia tem gosto de pão quentinho na chapa

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Diário de Bordo: Conferência Nova Geração

 

{Para ouvir enquanto lê}

A saída

De coração aberto. Eu pensei enquanto amarrava meu tênis azul feito o carro do senhor Weasley.

All I know
All I know
Is that I’m lost
Whenever you go – Chris Martin canta.

E eu encaro minha mala, torcendo para não ter esquecido nada.

All I know is that I love you so, so much that it hurts.

Pronto. Pronto?

Não. As havaianas estavam de fora. E depois os amigos estavam de fora. Abrir o portão e vê-los. Colocar a mala no porta mala e abraçá-los.

Conheço, finalmente, o Pedro, e não só seu número de celular. Revejo o Alê, Luiz, Sarah – e Criscelto, que imagino que queira me matar 569 das 596 vezes que estou sendo barulhenta, já me desculpo  hahaha -, revejo Luana, aquela que gosta de ser chamada de Lu, Caio, aquele que não será mais nomeado neste blog, pois muita propaganda gratuita minha gente haha ( aqui e aqui) e conheço outro Pedro, o número 2, falante das horas certas.

Paramos em Abadiânia por uma dúvida não muito existencial:

– O que é sistema de arrefecimento?!

Susto passado – MEU-DEUS-VAMOS-MORRER-ENCOSTE-ESSE-CARRO -, Brasília estava ali, olhando para a gente com suas ruas espaçosas e céu limpinho.

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 A Chegada

Entrar no auditório foi como ganhar um belo murro no estômago. Eu tentei respirar, andar e sorrir – porque agir como se houvesse sido acertada por um hadouken não parecia aceitável -, mas havia uma presença do céu tão incrível naquele lugar, que me pressionava, não me encolhia, mas me fazia ficar de joelhos. E ali eu estava, há cinco minutos naquele lugar,  de joelhos.

Laura Souguellis cantava – eu não lembro a música – e o Reino era palpável, como ele é quando eu leio Atos ou os poemas da Adélia Prado. O Reino era todas as menores moléculas do ar, todo o pedacinho de roupa que encostava em meus braços, todos os desconhecidos cujas mãos tentavam ultrapassar a estratosfera. O Reino era tudo. E eu desejei que o tempo parasse. Que o trono de Deus fosse visível. Que eu fosse transparente e que da minha boca saísse 24h por dia: santo, santo é o Senhor.

E a sensação de ser coberta por um cobertorzinho quente me invadiu. E eu sabia que Ele estava cuidando do que eu não podia. Ele estava me fazendo quente por dentro, o que pra mim é uma espécie de pequeno milagre particular – o ar geralmente passa gelado entre minhas costelas e esfria meu peito constantemente, me fazendo perguntas que eu não tenho resposta, deixando minha alma esquisita.

Pouco a pouco, ninguém existia. Um auditório vazio e um Trono cheio. Eu, Ele e nossas conversas. Até que o pastor Kris Vallotton começasse a pregar e eu me sentisse em uma aula do Worship U ao vivo.

Experiências

Durante todos os dias, eu pude viver alguma coisa especial com Deus (contei uma delas aqui). Uma palavra, uma visão, uma música que instantaneamente estava dentro de mim, e a melhor coisa de todas: paz. Líquida. Escorrendo pelos dedos e pela ponta dos cabelos.

A Bíblia fala muito sobre paz, já percebeu? Quanto mais velhos ficamos, mais entendemos o porquê. Nossos espíritos se enchem de coisas para resolver e nos vemos pensando em como lidar com aquela situação em casa, aquele emprego que não está dos melhores, com um monte de dúvidas – essa não era a parte da vida em que você seria aquela pessoa bem sucedida antes dos 30 dando conselhos por aí?! -, problemas que não conhecem gravidade e orbitam ao nosso redor, devagar o suficiente para que você dê uma boa olhada em cada um antes que eles refaçam o círculo ao redor da sua cabeça. Nesse cenário, paz parece algo tão distante que escapole um risinho cínico da boca.

Mas a paz de Deus é antídoto.

Deixo a paz a vocês; a minha paz dou a vocês. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo.
João 14:27

Paz. A sensação era de ter Jesus falando a todo momento: tende bom ânimo, eu venci o mundo. E eu me sentia mais forte para amar quem eu odeio com todas as minhas forças, para recomeçar, para aceitar todos os meus fracassos – grandes e pequenos – e andar, porque Canaã não havia chegado e morar no deserto por 40 anos não é uma opção.

Onde dois ou três…

estiverem reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles (Mateus 18:20). Meus amigos me abençoam mesmo quando eles não fazem ideia, mesmo quando eles estão falando bobagem, cortando comida, tentando me ajudar com notas do violão, discutindo por besteira. Quando ligamos coisas na terra juntos, sei que elas estão sendo ligadas – e formadas – de forma poderosa no céu!

A volta

Podemos resumir esse tópico em uma frase:

– Pedro, você tá muito perto do carro do Caio!

Uma palavrinha de quem foi comigo para CNG

A Luana e o Pedro (1) toparam dividir parte do que aconteceu com eles nesses dias de conferência. Aproveitem um pouco mais do que Deus fez:

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Leia também:

Diário de Bordo: One Pray



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Em um mundo paralelo em que Alderaan nunca explodiu (Ou: Cantares de Star Wars) (ou 2: Conto #2)

{Para ouvir enquanto lê}

Tinha algumas certezas na vida, uma delas era que o amor que sentia por Ele segurava Alderaan no lugar. Dentro do peito, alguém gritava que a ordem da metade esquerda do universo dependia deles. Juntos. Então, sempre pensava nos planetas girando, enquanto segurava a mão imaginária e furada Dele. A galáxia estava segura por outra noite.

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Nosso lugar de sempre (ou: Conferência Nova Geração)

{Para ouvir enquanto lê}

Eu e Ele estávamos na beirada do mar. Nosso lugar de sempre. O mar – que começava no infinito – ia até um deque, em que descansava um trono. O trono Dele.

Apesar de sua gloriosa cadeira, Ele se sentava comigo. Na beirada no mar. Tinha um papel na mão e um sorriso que me deixa mole.

– Você queria me ver?

Sua voz faz meus ossos tremularem. E eu desejo enxergá-lo totalmente – não apenas traços opacos e impressões no espírito. Ao mesmo tempo, estou tão feliz com os traços opacos que desejo abraçá-Lo. Eu não pulo nos seus braços, mas observo seus pés: eles se mexem pra lá e pra cá, quase encostam na água brilhante, estamos totalmente confortáveis na presença um do outro, e eu suspiro: tudo sobre Ele é maravilhoso. Até seus pés balançantes.

Nenhuma outra frase é proferida, mas eu sinto que conversamos por anos. Gerações. Minha alma parece falar desde a formação do mundo. E eu sinto sede, não do tipo que se adiciona três pedras de gelo, mas Dele. Minha garganta seca. E eu olho para seus pés novamente. E para o mar. Nosso mar.

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Abro os olhos e ainda vejo um grande palco na minha frente, pisco devagar e as letras do telão formam, em azul, Nova Geração. Há cadeiras ao meu redor. Eu olho para a pessoa que está ao lado (que neste blog já apareceu com o nome de C., mas que, provavelmente, será renomeada para senhor Chapinhístico hehe :D ) com uma cara meio besta, não que fosse possível distingui-la da minha cara de sono que eu já tinha desde às 07h, mas sim com uma cara totalmente besta e, sem conseguir organizar bem o que falar e como falar, eu sorrio. E espero que o sorriso fale como a única frase que eu ouvi de olhos fechados. Um sorrisinho que fale por gerações. Um sorriso que fale que eu tenho um lugar de sempre com Ele.

É esse mesmo sorriso que eu dou para você, agora, leitor. O mesmo.

Do trono emanavam relâmpagos, vozes e trovões. Perante Ele estavam acesas sete lâmpadas de fogo, que são os sete espíritos de Deus. E diante do trono, ainda, havia algo semelhante a um mar de vidro, translúcido como o cristal.

Apocalipse 4: 5 e 6



Se você quiser saber mais sobre a incrível Conferência Nova Geração acesse as redes sociais dos caras (link no texto). Ah, espere por 5 bilhões de referências nos posts seguintes.

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