Mesmo quando eu não entendo: obrigada por mudar minha rota

{Para ouvir enquanto lê}

Você me vira de ponta cabeça, Eterno. Não apenas uma vez. Sempre. E por mais que eu tenha pânico de sentir o meu sangue inverter seu fluxo em meu corpo, sem pestanejar ou formar qualquer outro pensamento, eu pularia de todos os telhados com você, correria sobre a telha avermelhada de desconhecidos e flutuaria sobre o que nunca vi todos os dias, porque não há bagunça mais confiável do que a sua ou mudança mais aceitável do que seus planos. Venha o seu reino, a sua vontade e a sua cambalhota, que tira tudo do lugar, que coloca tudo no lugar.

Ele é um copo de água cheio (ou: máscara facial de argila com o Eterno)

{Para ouvir enquanto lê}

E quem quiser pode vir e beber de mim. Ele fala. Mas nós não bebemos. Nós compramos títulos feitos de números – 10 passos para… -, assistimos tudo o que podemos por Streaming, mergulhamos em livros de detetives, mas nada muda dentro de nós. Não porque tudo o que consumimos é errado, mas  simplesmente porque precisamos de água. Nossos corpos têm sede, mas nós oferecemos para ele uma conversa sem graça no celular. Se você quiser, pode vir e beber de mim. Ele diz mais uma vez, mais alto. Mas nós saímos de casa, porque temos uma vida para ganhar. Nós corremos o dia inteiro. Nos seguramos no chacoalhar do ônibus, às seis da tarde, ou encostamos a testa nos volantes, quando o congestionamento parece não passar. E abrimos a geladeira e as abas no Chrome. Procuramos passagens de viagens que não vamos fazer. Procuramos receitas que não vamos fazer. E nada, mesmo que perfeitamente bom, é o suficiente. Por mais que tentemos muito. O problema é você – nossos amigos dizem, cansados. E se o problema é a gente, como se soluciona? Resolvemos colocar uma máscara verde na cara e tirar um tempo para nós mesmos, mas o silêncio começa a assustar, como se descosturasse as nossas carnes. E aí precisamos ouvir algo, ver algo, um vlog bobo, uma review de vela de baunilha, um desafio imbecil. Nossa boca está seca e os ouvidos tapados, mas Ele ainda grita: quem quiser pode vir e beber de mim. Se nós escutássemos ficaríamos molhados feito terra na chuva e nossa alma pararia de procurar por Ele, não porque Ele não esteja em nenhuma das atividades listadas, mas porque Ele precisa estar em nós. Diariamente. Dividindo uma máscara de argila verde ou uma oração. Se quiser, você pode beber de mim – Ele sorri com os dentes do coração.

E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba.
João 7:37

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Aproveite o início do ano para se relacionar com Ele de forma cotidiana. Diariamente tire um tempo para conversar e beber Dele, que é doce e tem barulho de onda do mar. 5, 10, 15 minutos… O que for suficiente para encher o seu coração.




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Sobre os planos de ano novo

{Para ouvir enquanto lê}

A vida não te deve nada e quanto mais rápido você descobrir isso, melhor vai conseguir entender o (seu) mundo. Mesmo que você tenha estudado por anos, mesmo que você aceite balinha como troco, mesmo que você tenha planejado seus próximos 54 anos.

Que simples isso parece, mas não é. E é porque a gente acha que alguém nos deve alguma coisa que nunca somos felizes ou verdadeiramente tristes por nós e nossas escolhas. É por transferir essa dívida para Deus que esperamos que nossas vidas sigam exatamente o que planejamos e que Ele, de uma maneira miraculosa, faça nossos planos acontecerem.

A vida, o Espírito e o universo não são pequenas coisas que você precisa convencer para fazer as suas vontades darem certo. Deus não pode ser acionado com três esfregadas em uma lâmpada.

Depois do Natal, voltando da casa da minha avó, passamos na fazenda de um tio avô. Sol forte, vento que balança árvore e cachorros para todo lado. A simplicidade da vida e do Eterno ali. Eu imaginei um daqueles placares de jogo de basquete acima de nós, de um lado meus planos, do outro os planos Dele. Meu placar alto, o Dele nem tanto. Olhei ao redor, lembrei da passagem de Mateus – Não andeis cuidadosos da vossa vida pelo que haveis de comer ou beber, nem do vosso corpo pelo que haveis de vestir; não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta; não valeis vós muito mais do que elas? – e, de repente, os meus  números do placar começaram a diminuir rapidamente. Um atrás do outro. Logo estava no zero e um ploc encheu minha imaginação: o placar de Deus subira um número.

Eu 0 x Ele 1

– O que o Senhor quer que eu faça este ano?

– Finalmente essa pergunta.

E foi aí que me apaixonei mais um pouco por colher e plantar e entendi um cadinho melhor sobre as leis amorosas do universo criadas por Ele e que podem fazer meu ano mais feliz. Foi aí que aprendi que apresentar seus planos para o Senhor é um bom começo, mas perguntar quais os planos Dele para este novo ano tem uma força estranha, grande, impulsionadora.

Nós devemos sim sonhar com coisas novas para o novo ano, mas nosso coração não pode esperar que a vida nos entregue obrigatoriamente nosso sonho,  não podemos achar que o Eterno está com cada uma de nossas aspirações. A beleza de envelhecer ao lado de Deus é refletir… refletir sobre o seu agir em nós e nas coisas, refletir sobre os seus desígnios e vontades, combinar nossas vidas, aceitar seu coração e todos os sonhos que vem com ele. Envelhecer com Ele é aprender a sonhar igual, é perguntar o que sonhar.

O que você estiver com fome para este ano, plante. O que você não quer mais comer, não semeie. E, de novo, parece tão óbvio… mas a falta de se lembrar disso periodicamente nos faz amargos e decepcionados com a vida e com o Senhor. Feche os olhos e sonhe coisas incríveis para este ano, mas pergunte a Ele quais os sonhos você não conseguiu alcançar com sua mente humana de comedor de bolacha recheada (ou de coisas sem glúten, que é para incluir todas as faixas humanoides).

Que Cristo nos liberte de nossas frustrações pela falta de saber o que Ele pensa de nossos planos. Que nós entendamos que a simplicidade da Bíblia foi desenhada para nos fazer felizes e não amargurados.


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Um post que deseja feliz 2017!

{Para ouvir enquanto ler}

2016 foi um ano bem maluco. Não sei para vocês, mas para mim só faltou aparecer gnomo com a voz do duo do Seafret.

Eu aprendi um bocado de coisas, como:

1 – Fazer uma torta de pão de forma e parar de desperdiçar o primeiro e o último pão do pacote.

2 – Que aquela coisa que as pessoas falam sobre a vida correr pelos olhos é verdade, no minuto em que alguém me falou que meu pai tinha sofrido um infarto isso aconteceu. Depois eu subi numa moto e nem me lembro como cheguei em casa.

3 – Que meu couro é mais grosso do que o pé de muita gente que anda descalço por aí. A vida, às vezes, nos dá uns tapas de novela mexicana: mão aberta, bem estralado. Mas ela se engana se acha que ganhou a discussão. Querida vida, eu já assisti A Usurpadora, e eu não sou Paulina.

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Yo soy Paola Bracho!

4 – Viajar de uma cidade para outra todo dia não é como pegar um ônibus na mesma cidade. Não importa o quanto você me diga que demora mais do que eu para chegar em casa, eu ainda moro em outra cidade. Não venha com mimimi.

5 – Morar perto da igreja significa alguém pegando a chave toda hora aqui em casa, e depois da terceira vez você simplesmente entrega de pijama. Desculpa, amigos que pegam a chave, eu não tenho forças para trocar de roupa.

6 – Valorizar as pessoas que não vociferam qualquer opinião nas redes sociais e que entendem que textão contra a igreja não faz dela melhor, só faz alguém dentro dela machucado.

7 – Aprendi que saudades de um grupo de oração era uma categoria que ainda não conhecia direito, mas sinto, todos os sábados, quando lembro da minha antiga célula. Mas aprendi, também, que existem pessoas maravilhosas para se amar em cada cidade para qual nos mudamos.

8 – Aprendi o melhor lugar para sentar e ouvir o cara do piano da faculdade.

9 – Aprendi que a gente não se desculpa pelas coisas que fazem a gente a gente. Sapatilha, milhões de planos de viagens, livros de gentes que conhecem a Deus como os defeitos da própria sobrancelha, tour por todos os karaokês-pop-chiclete-maravilhosos na cidade e silêncio quando odeio admitir que estava errada para Ele.

10 – Que Deus trata a gente como mulher, quando deixamos as coisas de menina.

11 – Aprendi que, às vezes, o melhor é continuar andando e nunca olhar para trás. Nem de relance. Continuar caminhando. Um passo. E outro. Até que a gente esteja longe da nossa própria bagunça e consiga voltar para limpar.

12 – Aprendi que Deus vê tudo. Tudo. Absolutamente tudo. Mesmo que ninguém veja. Saiba. Faça ideia. Eu e Ele temos uma piada, em que somos nós dois, guardando os chapéus e casacos daqueles que chegam na nossa festa imaginária. Eu e ele. Ninguém nos vê, porém os casacos e chapéus estão sempre em ordem. E a gente ri. É a piada mais sem graça do mundo, mas a gente se diverte com ela todas as vezes.

2016 foi um ano bem maluco, mas Ele nos ajudou. Porque Aquele que nos colocou na aventura mais louca de todas nunca vai nos abandonar, mesmo quando um gnomo com a voz do duo do Seafret aparecer com um plano para dominar o mundo.

Feliz ano novo!


PS: Nenhuma criatura mitológica foi maltratada na feitura deste post e os amigos do Seafret mandam avisar que não tem envolvimento com nenhuma delas, hehe   😉


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Ele é bom em todo tempo

{Para ouvir enquanto lê}

Uma parte de você foi roubada.

É o que, geralmente, você sente depois de um trauma. O tempo aplaca, o Espírito sopra, mas vez ou outra você se lembra de novo. Nestes dias, eu me esforço, listo as bondades banais de Deus, e espero que tudo passe.

Ele prometeu que a alegria voltaria ao amanhecer, então espero, pacientemente, que a noite chegue no Japão.

Exaltar-te-ei, ó SENHOR, porque tu me exaltaste; e não fizeste com que meus inimigos se alegrassem sobre mim.
Senhor meu Deus, clamei a ti, e tu me saraste.
Senhor, fizeste subir a minha alma da sepultura; conservaste-me a vida para que não descesse ao abismo.
Cantai ao Senhor, vós que sois seus santos, e celebrai a memória da sua santidade.
Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.
Salmos 30:1-5

Ode aos amigos e suas Sessions

{Para ouvir enquanto lê}

Esses dias, uma  amiga e eu estávamos conversando sobre o que é realmente ser cristão – ela católica, eu evangélica- em um mundo pronto para aceitar todo o bem, mas ligeiro em recusar o compromisso. Nós chegamos a uma conclusão: o evangelho não é fácil, e quando te vendem um que só possui placas de neon atrativas, alguma coisa está errada. A Bíblia nunca foi de letras miúdas no fim do contrato, ela sempre foi muito clara: compromissos te exigem algo.

Alguns dias, o evangelho exige todo o domínio próprio que há em mim. Outros, ele exige que eu encontre uma escada e entenda a situação de um lugar mais alto. Todos os dias ele me pede para que eu me coloque no lugar do outro e que nunca me esqueça das leis de Deus.

O evangelho é uma caminhada de sempre se certificar de que sua lamparina ainda tem óleo. É uma caminhada de não se esquecer que há uma lamparina nesse mundo de tantas ocupações e crises.

Eu sei que esse não é um começo de texto muito atrativo, mas precisamos parar de nos esconder das coisas. A vida não é editável. A gente passa por todos os problemas de se comprometer profundamente com o Reino acordado, sem poder cortar nenhum deles ou adiantar suas velocidades. Mas você sobrevive, porque sua lamparina está acesa. As pessoas tem medo de falar sobre essa parte, medo de viver essa parte. Contudo, é necessário que falemos, porque o evangelho não é uma igreja de atividades, ele é força para amar a Jesus acima de tudo. E acima de tudo envolve muita coisa.

Quatro parágrafos apavorantes? Não, eles se resumem a uma só pessoa: Espírito Santo. É por meio dele que tudo é mais do que palatável,  tudo é bom! Olhar para Ele faz tudo fazer sentido. Senti-lo é a certeza de que o mundo pode passar  – inclusive passar sobre você -, mas Ele fica. Ele é casa. E a sensação de pertencer ao Espírito faz qualquer coisa valer a pena. Nada é como quando Ele se choca sobre nossos peitos. Nada. Nem a maior alegria. Nem a melhor universidade. Nem o melhor emprego. Nem a pior tristeza. É inexplicável. Não há metáforas. Não há poemas. Não há amor como esse. Não há abraço como o Dele. Não há beijo ou cheiro. Nada nunca poderá se comparar ao Espírito Santo de Deus.

E é por Ele que caminho com minha fé todos os dias. Bons ou ruins.

Este é um texto feito para agradecer aos amigos que me ajudaram a buscar o Espírito com suas reuniões de adoração. Atos 2 é real! Sim, real nos dias de hoje! Deus vai cuidar de vocês e dos seus corações sedentos. Sejam cheios Dele, como nós fomos em tantas e tantas Sessions.

orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.
Tiago 5:16b


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Às vezes, o Eterno e eu simplesmente ficamos em silêncio

{Para ouvir enquanto lê}

Alguns dias, eu preciso pular a noite. Não posso dormir. Eu preciso ficar acordada. Nesses dias, eu me arrasto para a sacada do meu quarto sem janelas. Sento sobre a mureta feita para se recostar e balanço os pés pensando que se eu medisse uns cinco centímetros a mais, eu conseguiria encostá-los no telhado. Definitivamente conseguiria. É proibido dormir por alguma razão desconhecida e eu me encontro olhando para a pequena chaminé da churrasqueira, enquanto o cachorro do vizinho late os pulmões fora porque alguma coisa está fazendo barulho no meio da madrugada.

O mundo passa devagar. Ninguém está correndo para terminar nada urgente. Eu não estou corrigindo, lendo ou virando páginas. Eventualmente, até o cachorro vai dormir.

Silêncio.

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E é como eu imagino o fundo do mar. Como eu imagino a cabeça da pessoa mais emocionalmente estável do mundo. É como eu imagino o paraíso. O livro depois de Apocalipse que nós nunca ganhamos é uma série de pessoas se sentindo em cima dos telhados das próprias casas, totalmente em silêncio. E antes que eu continue imaginando mais coisas heréticas eu digo oi para Ele. Nós sabemos que ambos existimos ali. No frio de uma terça, quarta, sexta, domingo, vai saber… Os dois com as pernas geladas, porque a mureta é coberta por mármore. Os dois quietos como um casal de velhos que se conhecem em seus grunhidos e palavras deixaram de ser necessárias há algumas décadas.

Ali, com a calça do pijama e minha blusa do superman favorita, eu decido ser um pedaço do universo, e começo a respirar no ritmo da rotação da terra. Ele está ali, respirando na velocidade da criação das galáxias, e nós, juntos, respiramos em silêncio. Completamente em silêncio no mundo que jaz quebrado, mas que parece estranhamente calmo quando estamos juntos.


Leia também:

Conversas com meu Beatle favorito (ou: Todas as coisas deste mundo vão passar)


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Seríamos mais bonitos do que a NGC 2997 se não estivéssemos ocupados em retirar rins e intestinos

{Para ouvir enquanto lê}

Você está em frente ao espelho. Encarando os próprios olhos, enquanto as mãos retiram seus órgãos internos. Sua boca tenta balbuciar que o que está fazendo é certo, é maravilhoso, mas o seu rim, se contorcendo no chão do banheiro, discorda. Em poucos segundos ele não será mais capaz de regular a pressão sanguínea, mas não é necessário, a boca garante que não, porque o sangue já pinta o rejunte escuro dos azulejos. Os intestinos tentam se prender ao estômago, mas logo eles caem no chão fazendo o barulho de um balão cheio de água quicando ao ser derrubado por uma criança, em algum quintal do mundo.  

Para boca, aquilo era necessário. 

Era?

Ela não pode mais dizer nada. Sua cor mudara e os músculos ao seu redor não conseguem mais fazer seu trabalho. Logo ela está no chão junto a todo o resto do corpo. 

Isso parece absurdo. Tão absurdo quanto alguém que tenta se matar segurando a respiração, esquecendo-se de que o sistema autônomo existe.

O corpo tenta se matar. O corpo luta para sobreviver.

Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo.
E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós.
1 Coríntios 12:20,21

Isso somos nós. Um corpo cuja boca atravessa suas próprias tripas para tirar o rim. Uma boca que vive compartilhando nas redes sociais “desculpe se a igreja te feriu”, mas arranca o rim em nome de estar certo. E eu fico aqui, como o dedo mindinho, olhando a gente se destruir antes que Deus tenha a chance de nos espalhar por esse mundo, como milhares de frutos que tem um corpo para onde voltar.

Casa. A igreja é e sempre será casa. Mas nós temos que nos esforçar para sermos corpo, porque somos imperfeitos, porque somos orgulhosos, porque queremos ser melhores do que os outros, porque não somos piedosos, porque não enxergamos a totalidade da missão, porque somos soberbos, porque somos mentirosos, porque buscamos pouco a Deus.

Se deixássemos o papel de juízes, o papel que nunca foi designado a nós, e parássemos de julgar nossos irmãos, nossos pastores, e aqueles que não dividem nossa fé… Se deixássemos… Talvez nascesse em nós um amor genuíno – daquele que a gente deveria ver todo dia -, que não tenta provar a si, que não é místico e dependente do saciamento de nossas vontades, mas que é simplesmente puro: amor que vem de Deus para amá-Lo e para amar os homens.

Você não está mais em frente ao espelho. Está no chão. No seu banheiro. Reconhece-o pelo azulejo machado de um produto que deveria ter diluído, mas não achou que era preciso. Você se lembra do episódio dos órgãos. Mas consegue mexer a boca novamente. Logo a mão procura o buraco gigante que deveria haver em seu abdômen, mas não há nada ali, exceto pelas raízes de uma imensa árvore que destruiu seu telhado com o maior tronco que você já vira. Mão, boca, rins, olhos, intestino e tudo que há em você tenta encontrar a copa daquela árvore. E sim, vocês todos encontram. Ela é verde. Nada mais é tão verde quanto aquele verde. E entre tanto verde há frutos. Diferentes. Grandes. Macios. Cheirosos. Lindos.

Às vezes, a igreja parece apenas alguém deitado no banheiro. Relendo a vida. Perguntando se tudo vale a pena. Um corpo com um pedaço do intestino perto do box e as coronárias ao lado do vaso sanitário. Às vezes, a igreja esquece que quem criou o corpo pode concertá-lo. E é aqui, bem aqui, quando nos lembramos de tudo isso que o Eterno faz de nós a maior árvore do mundo, porque quando estamos juntos, quando somos um, somos a coisa mais bonita que já existiu e, em um universo onde existe a NGC 2997   ❤ , esse é, definitivamente, um elogio.

Que as bocas amem os rins e os rins sejam loucos pelas bocas.

e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la.
Mateus 16:18b



Leia também:

Eu preparo o chá que iremos tomar em nossa nova casa, Deus, quando finalmente o meu espírito vir o Seu



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