“Deus gosta de aventura, mistério, de mudar as coisas ” (ou: último post de Janeiro, que já acabou)

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 Perdeu algum post de Janeiro? Olha eles aqui: 1, 2, 3 e 4


{Para ouvir enquanto lê}

Marcos é uma pessoa cheia de paciência.

– Calma lá, Natânia, quem é Marcos?

E se eu dissesse que eu também não o conheço pessoalmente? Pois bem! Andando por aqui e ali nessa internetcha de meu Deus, procurando coisas relacionadas ao ministério de missões e as formas de intercâmbio cristão, eis que eu encontro a página dele no Facebook. Curti a página (mas é claro, Natânia, vamos adiante com a história, menina) e sempre corria para lá para saber as atualizações de seu ministério. Um dia, vi que havia como receber uma newsletter com o que ele, juntamente com a igreja local, estavam realizando e eu, é claro, pedi.

Quando resolvi trabalhar com o tema de missões e intercâmbio aqui no blog, eu me lembrei do Marcos e, com o restinho da cara de pau que me sobrou depois de terminar a faculdade, eu pedi para que ele respondesse a uma entrevista. O Marcos não só me respondeu, como me enviou duas vezes, porque por alguma razão desconhecida do destino intergaláctico dos nossos computadores, a foto dele vinha beeem pequenininha e eu não conseguia enxergar nada (e nem era minha miopia). Maaaas, como diria a palavra, “o mistério que esteve oculto durante séculos e gerações, mas agora foi revelado aos seus santos” hahaha, eu mandei para um amigo abrir e era simples: o arquivo parecia ser de mac (tecnologia 2×0 Natânia).

E é por essa paciência do Marcos – de me mandar uma coisa mais de uma vez e esperar anos até dar certo – que vocês vão conferir uma das entrevistas mais legais do blog =)

Se você ainda não clicou na página do Marcos – (na verdade, nem sei se você prefere ser chamado de Marcos Vinicius, Marcos [Vinicius hahahaha]) -, ele colocou a mochila nas costas e foi levar o evangelho para Amarillo, Texas, nos Estados Unidos, através de uma iniciativa chamada Pais Project. Com 23 anos de existência, o projeto oferece treinamento e hospedagem gratuita para missionários jovens irem para Grã-Bretenha, Irlanda, Índia, Alemanha, Canadá, Gana, Estados Unidos (e Brasil). Para ser aceito, existe um processo de seleção, que eu vou deixar para o Marcos [Vinicius] explicar.

Este é nosso último post sobre o tema de janeiro, (gente eu sei que é fevereiro, calma, vou entrar em fevereiro no blog, eu juro!), e eu acho que você devia ler esta entrevista bem devargazinho aproveitando esse ar de missão lindjo que vem de Amarillo.

Nome: Marcos Vinicius Pires Santoromarcos

Idade: 23 anos

Profissão: Estudante

Em que cidade mora no Brasil/ Em que cidade vive atualmente: Vive em Amarillo, Texas, EUA, mas mora em Brasília, DF.

  • Como você conheceu o evangelho? Qual foi sua primeira grande experiência com Deus?

Eu, como muitos, nasci e fui criado na igreja, acompanhando meus pais aos domingos. A minha conversão foi um processo de conhecer e entender a palavra de Deus e o que Jesus fez por mim, por isso, digo que minha primeira grande experiência foi durante um acampamento dos Embaixadores do Rei (uma organização missionária que trabalha com meninos de 9 a 16 anos), no Acampamento Sítio do Sossego, no Rio de Janeiro. Foi um momento impar para mim, porque foi quando me entreguei para missões, foi quando senti no meu coração o desejo de fazer algo mais para Deus. Me batizei um ano depois.

  • E quando foi que você descobriu que queria pegar a mala e viajar para outro país pregando o evangelho?

Deus gosta de aventura, mistério, de mudar as coisas “em cima da hora”. Percebi que Ele fez isso comigo porque desde os 15 anos queria fazer intercâmbio cultural, estudar, trabalhar ou fazer qualquer coisa fora do Brasil. Mas tudo isso foi sendo abafado, ficando um pouco de lado por uns 4 anos; até que eu resolvi entregar meu sonho e desejo de viajar para Deus, e foi quando eu ouvi um “ah, agora sim!” haha. Foi quando comecei a orar para Deus usar isso para o reino Dele, que não fosse apenas para meu próprio benefício. Eu tinha 18 anos.

  • Como você conheceu o Pais Project?

Nesse desejo e procura por intercâmbios, meu pai comentou sobre a CESE Intercâmbio Cristão, mas no início nem dei muita bola, por ser caro, por estar terminando o ensino médio e coisas que aconteceram na vida. Mas aí, quando o fogo começou a arder novamente e estava me incomodando muito, eu voltei para o site da CESE e fui dar uma olhada nos intercâmbios, não deu 5 minutos e eu já vi o Pais Project, fui ler e os olhos já ficaram brilhando. A cada parágrafo eu me identificava mais e mais com o programa. Senti que era perfeito para mim. Tinha tudo que eu queria e tudo que senti que Deus queria me usar.

 

  • Depois de ter conhecido o projeto e sentido o desejo de ir, qual foi sua oração para Deus confirmar tudo isso? Houve um momento em que você sentiu o “caramba, é isso, eu tenho certeza que quero fazer missões” depois de orar sobre?

Já estava com o coração palpitante desde a primeira vez que li sobre o projeto, mas permaneci uns 2 anos em oração, porque a decisão não era fácil e eu teria que abrir mão de muita coisa! Orei para que Deus me mandasse no tempo certo. Eu tinha algumas coisas para resolver com Deus, com algumas pessoas e comigo mesmo. Eu sabia que não estava na hora ainda, eu estava sempre postergando a minha ida.

  • Agora vamos aos detalhes mais práticos que todo mundo que se interessa pelo assunto missões gosta de saber! Para participar do Pais você precisa enviar um vídeo, cartas dos seus líderes locais… Você pode explicar direitinho o que precisou fazer para se inscrever no projeto? (Inclua o que você falou no vídeo, porque a curiosidade é muita hehehe)

Hahaha chegou a parte hilária do intercâmbio. Bom, de começo eu precisei preencher um formulário grande, mas muito necessário, com perguntas pessoais, sobre a família, persguntas sobre minha fé, conversão, relacionamento com Cristo, trabalhos realizados na igreja, experiência em alguma área específica, etc. Junto com isso vem o vídeo (que para mim foi mais difícil que as 3 entrevistas juntas kkkkk), onde eu basicamente resumi o que coloquei no formulário. Eu tomei o gabinete do pastor, coloquei minha camisa do Jeremy Camp e gravei um bilhão de vídeos para juntar as “melhores partes” e fazer um só de 3 minutos kkkkkk. Ouvir o meu inglês quase me fez desistir. Imagine você que não gosta de ser filmado, não gosta da sua voz em vídeo, e ainda com o seu inglês, pronto!  Junta tudo isso! Kkkk Vergonha do meu vídeo!! Por isso não publiquei! Kkkkkk

A carta dos líderes foi muito tranqüila porque ambos me conhecem há muito tempo. Uma delas é a líder do Ministério de Missões da minha igreja, que sempre já fazia minha pré-inscrição em tudo quanto era evento ou viagem missionária, e com quem eu conversei muito sobre meu chamado e sobre o Pais. O outro foi meu pastor, que também acompanhou essa minha caminhada desde o início.

 

  • E a escolha do destino, Marcos? O Pais apresenta diversos países em que o futuro missionário pode atuar, como você decidiu para onde iria?

Acabei de conversar sobre isso com uma pessoa haha

Eu sempre tive vontade de vir para os EUA, a grande maioria dos estrangeiros que conheci e tive a oportunidade de traduzir, de fazer missões junto, eram dos EUA: Então, sempre me senti muito mais próximo e interessado em conhecer a cultura no dia-a-dia. Tive algumas oportunidades de ouvir testemunhos de alguns americanos que tinham algo relacionado ao período do ensino médio como um momento difícil na caminhada cristã. Ouvia também dos interesses e o que chamava atenção no Brasil e nos brasileiros, acho que tenho um pouco do que eles falaram e por isso vim com alegria mostrar isso através da minha vida aqui nos Estados Unidos. Influenciar positivamente os adolescentes do ensino médio para que eles tenham mais confiança e estejam mais preparados para a vida adulta durante a faculdade e pro restante da vida.

 

  • Há algumas pessoas que contratam agências de viagem – como a Cese, uma agência de intercâmbio cristão – para ajudá-las com as passagens, o visto, acomodação… Como foi o seu planejamento ainda no Brasil? Você fez tudo sozinho ou teve ajuda de alguma agência?

A CESE foi a culpada por tudo isso! Haha. Ela começou com a idéia, tinha que terminar! Kkkkk… Desde quando comecei a procurar por intercâmbio, eu estava em contato com a CESE, sempre foram muito atenciosos e dispostos a ajudar. Eles me ajudaram bastante na preparação, no que eu tinha que fazer e quando fazer (já que a ansiedade e o tanto de coisa que tem que pensar em fazer te consomem!). Skype para explicar detalhes do programa, saber como eu estava, como me preparar para viver um ano fora, etc. Eles foram fundamentais durante todo o processo :)

Valeu CESE!! :)

  • Momento-rufem-os-tambores, hehehe… COMO FOI CHEGAR AO SEU DESTINO? O que você ouviu ou percebeu de Deus nos primeiros dias? Eu pergunto, porque acredito que sempre que estamos no lugar em que Deus planejou para nós tudo flui de forma diferente, Ele fala de forma diferente…

No momento em que passei pelo embarque no aeroporto ainda no Brasil eu já pensei: “Eita, já era! Agora não tem mais volta!”. Ao chegar aqui foi aquele êxtase de ver tudo novo, diferente, aquela expectativa… Os primeiros dias foram de treinamento, duas semanas, ali eu estava com outros 25 loucos na mesma situação, então me senti mais tranquilo kkkkkk, mas quando cheguei no meu destino final, que a ficha caiu mesmo! Aí foi aquele mix de sentimento de solidão, de nervosismo, de “não vou conseguir”, com a empolgação, ansiedade pelo que iria acontecer, alegria de estar onde Deus me mandou e a certeza de que Ele estava e está comigo. Porque se não, eu certamente não estaria aqui e não teria feito o que fiz!

  • Sobre a acomodação, você foi recebido na casa de alguma família ou ficou em algum dormitório?

Casa de família. Uma família sensacional. No início aquela estranheza, mas ótima hospitalidade e confiança. E agora, seis meses depois, já me sinto parte da família!! :)

  • Quais os trabalhos você realizou pelo Pais Project em seu novo país?

Trabalhamos em duas frentes: escolas e igrejas. Somos uma equipe pioneira aqui em Amarillo, então o trabalho começou mais devagar do que outras cidades que já possuíam um time [do Pais Project]. Fomos a diversas escolas apresentar o Pais Project e o que poderíamos oferecer de trabalho voluntário. Já realizamos Assemblies, que nunca consigo traduzir para o português kkkkkk, uma espécie de feira do estudante para falar sobre profissões, sobre mercado de trabalho, coisas do tipo. Participamos uma vez na semana de brincadeiras na hora do almoço em uma das escolas. Temos estudo bíblico em outras escolas também uma vez por semana, e pretendemos abrir pelo menos mais  1 ou  2 em outras escolas nesse semestre.

  • Você tem uma experiência que pode ser considerada a melhor da viagem até agora?

Poxa. É difícil escolher uma… mas posso dizer que uma das melhores foi logo no início, ainda durante as duas semanas de treinamento. Fui a Starbucks com meus amigos, depois de um longo dia de treinamento, quando eu entrei para pegar um ar fresco e algo para beber, um cara de 18 anos vem de uma vez falar comigo, me perguntando alguma coisa que não entendi, até que eu percebo que estou usando um crachá do Pais Project com meu nome, e ele vem todo animado me perguntou sobre o projeto, e ele me conta que um grupo do Pais Project esteve na escola de três anos atrás. Fiquei muito animado com isso. Ele não se conteve, chamou todos nós para contar seu testemunho, e sentados do lado de fora ele conta mais ou menos isto: sou de uma família muçulmana, cresci aprendendo e seguindo o Torah, me converti há quatro meses, e tem sido difícil viver com uma família de mais de cinco pessoas, muçulmanas, que descobriram que eu sou cristão… Mas gosto muito de ir para os encontros jovens na igreja, e cultos de adoração e tal e tal…

Esse dia foi muito impactante! :)

Outra experiência que tive, mas a história é muito longa, então, resumidamente, foi quando encontrei um cara bêbado caído na esquina perto da rua onde moro e tive a oportunidade de ajudá-lo a chegar até a casa da mãe, pude conversar bastante com ele, conhecê-lo, compartilhar meu testemunho! Aprendi e fui relembrado de muita coisa que eu acredito ser correto e a não fazer o que também acho que é errado.

  • E quais são as dificuldades de se pregar em um país diferente do seu?

Acho que a maior dificuldade de todas é a barreira linguística. Por não ser nativo no inglês, acaba se perdendo um pouco do significado, da ênfase, que as vezes você quer dar, mas não tem as palavras corretas. A cultura também influencia bastante, principalmente aqui nos EUA, onde a maioria se diz cristão, mas não vivem como tal. Tenho percebido que o exemplo ainda é o “carro-chefe” para as pessoas verem a diferença. Falar, falar e falar pode sim fazer com que as pessoas mudem, mas o exemplo e a nossa atitude tem falado mais alto por aqui.

  • O Pais mudou ou ampliou sua visão de evangelho e de chamado?

Os dois. Acredito que mudou algumas coisas no sentido de ampliar mais a noção de “missões”. A gente só sabe realmente o que é e como é quando a gente vive e definitivamente vai para o campo! Sentir um pouco do que é abrir mão do conforto do nosso país, da nossa cultura, família, amigos, por mais que a gente imagine como será nós só caímos na real quando estamos aqui.

  • Por que você indicaria o Pais Project para quem quer fazer missões?

Para quem tem um chamado missionário para países difíceis de se pregar o evangelho, ou para algum lugar muito diferente culturalmente, o Pais é um ótimo estágio para você sentir de leve como é viver em outra cultura, vivendo o evangelho e pregando para outras pessoas.

É excelente também para quem já é envolvido com evangelismo (todos nós deveríamos estar) em suas cidades e igrejas, visto que é basicamente o que fazemos por aqui, porém com o desafio de fazer isso em horário integral. Tendo aprendizados semanais através de vídeo conferências, reuniões com os pastores, discussões, estudos bíblicos, etc.

  • Você tem algumas dicas para quem tem vontade de pegar a mochila e sair pregando a palavra de Deus?

Minha dica é: pegue a mochila e saia pregando a palavra de Deus!

Alguns versículos que me deram um empurrãozinho: Romanos 10: 1-15; Lucas 9: 57-62; Lucas 10: 1-4

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Marcos [Vinicius], muito obrigada pela sua disponibilidade, não só de responder a entrevista, mas de enviá-la duas vezes! Espero que quem me lê por aqui também corra para sua página e confira o seu ministério por aí, no Texas, pois é sempre incrível lembrar como nós podemos apoiar uns aos outros com nossos testemunhos. Que o Senhor te abençoe neste período de intercâmbio (e quando voltar!). PS: aproveita o frio, porque aqui não tá fácil hahaha…


Vamos orar?

DEUS COMO O SENHOR É INCRÍVEL! Como nós te amamos! A série de janeiro, que a gente acaba hoje, me fortaleceu e me ajudou a entender mais do teu reino, eu peço que cada um que passou os dias comigo nesta caminhada também tenha saído mais forte para o “eis-me aqui”. Nosso desejo é estar disponível, Deus. Disponíveis quando tudo o que queríamos era estar fazendo outra coisa, que o nosso amor por Ti seja maior do que todas as nossas vontades, que esse amor traga o senso de que a tua vontade é tão doce que te priorizar é um prazer. Deus, o Senhor é bondoso, amoroso, cheio de graça, de perfume, de tantos adjetivos que queremos apresentar nossos corações para servir, queremos levar o evangelho da maneira que o Senhor escolheu para que levemos. Deus, o evangelho é um só – coeso, capaz de nos tirar de nós mesmos -, mas pode ser apresentado de tantas formas… Amadurece nosso entendimento em Ti, para que nosso evangelismo seja mais eficaz. Em teu nome nós oramos, Jesus. Amém.

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Um versículo para chamar de seu

A palavra de Deus me completa como nenhum livro que eu já li na vida. Ela me alegra, como um volume de uma distopia sangrenta, me me emociona, quando logo no início do capítulo 21 de Atos, Paulo abraça seus discípulos, sabendo que nunca mais os veria, exatamente como o final do Diário de Anne Frank me faz chorar toda vez que leio. A Bíblia me faz pensar sobre a vida e sobre a nossa cretinice humana, como um livro russo cheio de poeira e de tristeza. Mas só ela é capaz de me fazer nova. Só ela me enche de vida. Só ela abre um rio dentro do meu peito e faz fluir em mim o que sempre precisei, mas nunca fui capaz de ter. Este é só um post para te perguntar: você já achou o versículo que vai te sustentar durante o ano? Pergunte ao Senhor nesta quarta-feira-cadê-final-de-semana.

Enquanto você não encontra o seu, eu te empresto o meu:

Eles se ajoelharam, adorando-o. Voltaram para Jerusalém explodindo de alegria; e passavam todo o tempo no templo, louvando a Deus. Amém.

Lucas 24: 52 e 53


Esse texto NÃO faz parte dos posts temáticos de janeiro.

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Um post dentro do outro (ou: Sem medo do nariz escorrendo)

Este texto NÃO faz parte do tema do mês de Janeiro, que atenção: vai durar mais alguns dias de fevereiro, pois temos mais posts agendados. Mas não é novidade neste blog que o novo mês “comece” no dia 05 (risos). Se você quer ler os textos de janeiro, clique aqui, aqui, aqui e aqui.


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{Para ouvir enquanto lê}

Uma semana virada do cão, como diria uma amiga.

Aquela que você olha para si e não acredita em nenhuma decisão que já tomou na vida. Desde escolher a cor da sua lancheira no pré, até o que você agendou para o dia. Nada parece certo.

– O que eu estou fazendo, Deus?… – O pensamento corrói meu interior como um vírus novo que vai transformar todo o mundo em zumbis com cabeças que se abrem em uma espécie de flor carnívora nojenta e pegajosa (beijos, Umbrella Corporation).

Eu cancelo os planos de atualizar o blog na semana.

– Não posso fazer isso quando estou virada do cão, Deus. – Eu digo mais para mim do que para Ele.

E aí, eu penso no tipo ralo de confiança que tenho tido em Deus durante a semana. Pensando em quantas vezes imagino que não conseguirei terminar minhas atividades planejadas e escritas na agenda para a parte da manhã, pensando em tudo o que eu planejei para mim há 15 anos.

– A vida é assim com todo mundo, não se ter o esperado não é privilégio meu. – Eu penso, esperando o porteiro do meu trabalho, um senhor simpático e de sorriso aberto, abrir o portão.

Eu marco para almoçar com uma amiga e acabo segurando o peito entre uma mordida e outra, pensando em fantasmas dos passados e futuros já planejados. Sacudo a cabeça e como outro pedaço. O frango já estava frio.

– Você não confia em mim? – Eu O ouço.

– Agora não, Deus…

Eu, audaciosamente, falo, como se fosse possível dar um passo sem que Ele permitisse. Eu peço para que Ele espere, porque imagino, erroneamente, como toda essa conversa é chata demais para alguém tão grande. Corto outro pedaço do frango. Eu penso na quantidade de pessoas que se sentem miseráveis no exato momento em que levo a carne até a boca. Na quantidade de pessoas que imaginam se um dia tudo fica melhor. Na quantidade de pessoas que sentem que desapontaram metade do mundo. Na quantidade de tristeza. Eu engulo tudo, assim como engulo a comida. Pego a conta, abro a carteira, tiro o cartão, passo, e o homem do caixa sorri:

– Obrigado. – Ele diz e eu sorrio de volta, imaginando o que ele está pensando agora.

Ele não sabe, mas eu, enquanto dizia “obrigado você” e procurava seu nome no crachá para completar a frase, pensava em como queria dormir doze anos seguidos.

Saindo do restaurante, eu olho para as pessoas e olho para mim e para as pessoas. Eu abro o meus ouvidos para Deus, eu sei que Ele está ali, agora em silêncio, eu sei que a maioria de nós está na terra em silêncio. Girando. Orbitando. Fazendo planos. Morrendo.

E eu sei que deveria escrever um post nesta semana. Mas digo não.

Esta semana não. Eu vou voltar para casa depois do trabalho, cantar no banho, adorar, chamar pelo Senhor, ler a Bíblia, me manter aberta para as coisas e aí sim, escrever um post.

Todavia, eu sabia que Ele já estava ali. Como chamar alguém que já está na sala?

– Oi. – Ele diz com sua voz doce e forte. Meus olhos se enchem de água e meus pulmões de ar, como se um tornado houvesse me invadido com uma cachoeira de chocolate quente.

Não tão imediatamente, eu escrevo o texto abaixo (um post dentro do outro, é isso):

Eu não tenho que temer o nariz escorrendo

Eu sinto medo de falar sobre você em semanas em que estou virada do cão. Porque eu acho incrivelmente difícil pregar quietude quando eu nem sei se meu barco vai parar de girar. Mas isso é bobeira, Deus, porque o fato de eu não estar usando a âncora, não significa que ela não exista. Você é real. Você existe. Você é minha âncora, e eu decido finca-la na areia. Agora.

Eu decido não ter medo de pregar o verdadeiro evangelho, aquele que nunca esconderá que este mundo não é, e nunca será, sobre minhas realizações. Eu estou satisfeita em ti. Eu não estou satisfeita em ti quando estou satisfeita com o resto da minha vida. Eu estou satisfeita em ti e ponto.

– Davi não tinha medo de chorar e levantar com o nariz escorrendo desde que fosse comigo. – Ele explica.

As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?

Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a multidão. Fui com eles à casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a multidão que festejava.

 Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face.

Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; por isso lembro-me de ti desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas, desde o pequeno monte.

Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim.

 Contudo o Senhor mandará a sua misericórdia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, uma oração ao Deus da minha vida.

 Direi a Deus, minha rocha: Por que te esqueceste de mim? Por que ando lamentando por causa da opressão do inimigo?

Com ferida mortal em meus ossos me afrontam os meus adversários, quando todo dia me dizem: Onde está o teu Deus?

 Salmos 42: 3-10

Davi e seu coração de cinco milhões de GB…

Eu não quero temer. Eu não quero que os outros temam.

Eu quero pregar que se você não está no seu melhor dia e não tem uma selfie com um versículo maravilhoso para postar nas suas redes sociais: ESTÁ TUDO BEM. Pra mim, o evangelho é, também, sobre deixar que nossas dores revelem a glória de Deus, porque, no final, penso que o evangelho é saber que tudo o que nós temos é você, Deus. Nos dias bons e nos dias em que tudo é aquele velho meme “queria estar morta“. Deus, tudo o que nós temos é você. E isso assusta minha geração acostumada a descansar seus planos em uma ideia de felicidade constante, em uma fórmula de prazer absoluto, em uma igreja de atividades.

No entanto, Deus, me ensine a ser como Jesus. Que o que eu penso ou sinto não seja maior do que minha vontade de saber como os outros se sentem. Que não importe como eu quero dormir doze anos, mas que importe mais como o moço do caixa daquele restaurante se sente. A minha vida não é sobre mim, mas é sobre o Senhor e sobre o que Jesus pregava: é melhor servir do que ser servido. Quando meu coração estiver me traindo, que eu me preocupe com o coração do meu próximo. Quando minhas realizações e a falta delas estiverem me incomodando, que eu ajude alguém a realizar seu sonho. Quando eu não encontrar alegria em minha rotina, que eu grite a Bíblia, com o peito aberto, declarando que a alegria do Senhor é a minha força. Quando eu não quiser escrever um post, algo tão simples e que eu amo fazer, que eu escreva dois, um post dentro do outro.

Eu estou satisfeita em ti.

“Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus.”

Salmos 42:11

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Fazendo missões com a Jocum e com a Ilana

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{Para ouvir enquanto lê}

Depois da Austrália, este blog ganha um sotaque español e viaja com a Ilana e com a Jocum para pregar o evangelho. O texto de hoje faz parte dos posts temáticos de janeiro: estamos falando sobre levar o Evangelho na Mochila  (leia os textos antigos aqui e aqui e aqui).

Eu conheci a Ilana no ensino médio, sentávamos na frente, subíamos nossos óculos várias vezes ao dia, nos preocupávamos feito loucas na semana das provas de física. Logo nos tornamos amigas.

Depois da Ilana, veio a Thaís – a boa e velha Metal  – com seu lápis preto, cabelo escorrido, coturno e uma voz capaz de pôr um dragão para dormir. E depois da Thaís veio a Camila, dona Akemi, cheia de felicidade e all stars rabiscados. No meio de tudo isso sempre estiveram meus amigos mais antigos: Dany e Daniel. Foi no ensino médio com todos esses amigos que a Ilana começou a nos encher de vontade de falar sobre missões, entre as tarde na sua casa estudando matemática e tocando Debussy no piano. Nesse período em que discutíamos a existência de Deus (saudades, Metal!) e os parâmetros da nossa relação com Ele.

– Eu odeio estudar elipse… – A Thaís abria o livro, enquanto mastigava um sanduíche.

– Não é tão difícil assim…  – O Daniel tendo sempre outra opinião.

– Nem sei como vou fazer prova disso – Metal dava uma nova mordida no hambúrguer, alimentação ideal e saudável antes de uma bateria de oito provas durante a tarde. – Vocês tão orando antes de comer?!

– Aham – Ilana e eu repetíamos, quase como um coral.

Foi por isso que eu fiquei muito feliz quando a Ilana – que está estudando lá na terra do Tio Sam (e da Beyoncé): Texas – concordou em dar uma entrevista para o blog falando do seu processo de jogar a mochila nas costas e levar o evangelho com a Jocum, uma das organizações mais conhecidas por seu trabalho de evangelismo com arte, em diferentes países e cidades do Brasil.

Espero que você se sinta cheio do Espírito Santo ao ler os relatos dela, porque foi exatamente assim que eu me senti. Eu parei no meio da leitura, fiz uma oração, e senti a garganta fechando em um nó de marinheiro, porque 1) eu morri de saudades e 2) eu vi, mais uma vez, que somos fontes de vida quando estamos fazendo o que Senhor planejou para nós.

Leia a entrevista e as legendas das fotos abaixo! 


Nome:  Ilana de Oliveira Santos FerreiraIlanamochila_000000

Profissão: Publicitária

Ocupação: estudante

Mora em:  Austin, Texas

Idade: 22 anos (quase trinta)

  • Como você conheceu o evangelho? Qual foi sua primeira grande experiência com Deus?

Bom, tive o privilegio de nascer em um lar cristão.  Minha primeira experiência com Deus foi com as escolas dominicais. Me lembro muito bem de como Deus se mostrava para mim. As historias da bíblia quando eram contadas, me faziam ver a dimensão do amor de Deus. Creio que minha primeira super experiência aconteceu em um acampamento, quando tinha 8 anos de idade, e lembro que lá quis entregar minha vida para Ele. Com 13 anos me batizei.

  • Como e quando você se sentiu chamada para fazer missões?

Como disse, amava as escolas dominicais.  Em uma delas, Tia Júnia ( a mulher maravilhosa responsável pelo departamento infantil) contou uma historia de um menino que sempre sonhou em ter o olho azul, e no fim foi missionário em um país e foi salvo pela cor do olho (uma linda e confusa historia que me fascinou). Nesse dia, me lembro que queria ter a coragem do menino e sair para falar Dele para o mundo.

  • Eu me lembro de que falávamos muito sobre a Jocum quando estávamos no ensino médio (e não estávamos surtando com as provas de física), como você conheceu a Jocum?

Minha historia com a Jocum é de amor hahaaha. Conheci a Jocum, porque minha mãe me via falando sobre missões e minha vontade de fazer algo em relação a isso. Com 14 anos de idade, minha mãe sentiu que eu estava pronta para ir.  Ela conhecia o líder da base da Jocum (ate então não tinha a mínima ideia do que era isso) e me levou para conhece-lo. Bom, desde então me apaixonei pela Jocum e pela sua historia no mundo e seus ministérios. Jocum significa Jovens Com Uma Missão, e ele tem diversos projetos: Kings Kids, Equipe Movel e ETD.

  • Quais os projetos você participou na Jocum e para onde você viajou com o movimento?

Comecei a fazer parte da Jocum com 14 anos  (2007), sim estou velha, e desde então continuo. Fiz parte do Kings Kids. Bom, esse projeto tem como foco adolescentes, e o objetivo dele e te fazer conhecer a Deus e assim fazer os outros conhecerem. Ele tem a visão de te fazer ter intimidade com Deus.  Posso dizer, que me ajudou muito a crescer e conhece-Lo cada vez melhor.

Minha primeira viagem foi com a base de Goiânia. Fomos para Porto Alegre. Em 2009, fui para o Chile, com a base de Campo Grande. Em 2010, a campanha foi em Goiânia  e com a base de Campo Grande. Também com a mesma base, em 2011 fomos para Argentina e 2012 Chile de novo.

Depois de 2012, me envolvi também com o grupo Kumbaiá (Passa por aqui Senhor), que é um grupo de mais de 20 anos da minha igreja. Desde então, tenho priorizado este grupo. Este ano e ano passado, com o TCC e o meu intercâmbio, tive que ficar mais quieta, e só realizei evangelismos em Goiânia, juntamente com o Kumbaiá.

  • Você começou a pregar a palavra fora da sua cidade cedo, tem muita gente jovem que tem o desejo de fazer o mesmo (Davi começou novinho, acredito que Deus realmente move os nossos corações quando somos adolescentes). Você tem alguma dica para os pais se tranquilizarem quando o assunto é deixar os filhos irem a campo para pregar?

A minha dica é a melhor e pode ser até clichê: ore! Se for da vontade de Deus, Ele vai dar paz ao coração de seus pais. Outra dica super importante é: conheça o grupo com que você vai viajar. Conheça os lideres, converse a respeito da viagem e tudo mais.

Quando se viaja pela Jocum, em geral, é necessário você preencher um formulário. Nesse formulários, eles falam um pouco de como vai ser a viagem e te conhecem um pouco melhor para ver se você tem o perfil da campanha. Em um desses formulários,  tinha uma questão mais ou menos assim: você consegue ficar sem tomar banho? Foi super interessante (o pior de tudo é que nessa campanha isso aconteceu).

  • E a curiosidade de saber como é a vida em campo me matando, minha gente?! Ilana, como era sua rotina nas viagens?

As rotinas são o máximo. Nós podemos dividir em duas etapas: na primeira etapa acordamos 7h30 da manhã, trocamos de roupa e essas coisas em 30 minutos, daí descemos e 8h em ponto temos a nossa devocional individual. 8:30, café da manha (geralmente pão com doce de leite – uma delicia), 9h é tempo de família (são tipo pequenos grupos, contendo pai e mãe (dois lideres de campanha) e 2 lideres de ação (participantes mais velhos de campanha responsável pelos outros participantes), nesses grupos compartilhamos o que Deus falou com cada um no momento de devocional.  9h30 temos louvor, 10h palavra,  11h ensaio (utilizamos como estratégia de evangelismo artes: dança, circo e teatro, então temos que ensaiar e estar preparados).  13h temos o almoço e as 14:00 manutenção (que quer dizer limpeza), as 15h mais ensaio, 17h lanche e mais ensaio. 19h banho, 20h30 jantar e por fim cama.

Na segunda semana é mais maleável por que temos as apresentações, momento de pratica. Geralmente, a manhã é a mesma coisa, só muda a parte da tarde e a noite.

  • A Jocum é conhecida por evangelizar através da arte, como é levar a palavra por meio da música, do teatro e da dança?

Cara, eu amo dançar, comecei a dançar no pré. Sempre me senti mais perto de Deus quando danço, e poder fazer isso para alcançar outras vidas é realmente maravilhoso. Saber que Deus age através da musica e dança é lindo.

  • Você tem uma experiência favorita em campo?

Já disse que amo dançar, uma vez na campanha da Argentina, eu estava dançando uma musica chamada Sacrifício e fala sobre o amor que Deus teve em mandar seu filho pra morrer por mim. Em uma parte da coreografia, nos saíamos para dançar para as pessoas na rua. Enquanto eu dançava para uma senhora, ela chorava copiosamente e no final me disse “eu vi Deus nos seus olhos”. Naquele momento, eu chorei mais do que ela, e sei que ela se converteu ao Senhor.

  • A bispa da minha igreja local brinca que quando era criança se preparava para ser missionária usando pouco shampoo hehehe… É claro que existem muitos mitos sobre as dificuldades da missão em campo, mas o que você não estava esperando e que se tornou um problema durante a experiência?

Claro, missionário é uma vida de renuncia.  Já tive campanha que fiquei em um orfanato desativado cheio de sapos, sem chuveiro, tomando banho de mangueira cronometrado em 5 minutos; outra campanha o vaso sanitário não prestava. Fazer o dois era quase impossível hahaha… Outros lugares o banheiro feminino e masculino eram compartilhados.  Porém, acho que o mais difícil é alimentação e se dar com outras pessoas. Convivência e complicado. Aceitar o outro como ele é, é um aprendizado.

  • O que você aprendeu de Deus durante esses períodos de levar o evangelho na mochila?

Em uma campanha, Deus falou muito comigo sobre Salmos 19. Nesse Salmo fala que os céus revelam a gloria de Deus, que Ele não precisa abrir a boca. Mas que ele quer me usar.  O que eu aprendi é que meu Deus é grande. Um Deus que se revela, e um Deus simples e cuidadoso.

Eu aprendo muito sobre  o que Ele é, e cada vez mais sobre como Ele age. E que cada vez mais Ele me surpreende de forma maravilhosa.  Deus é um Deus de oportunidades e é nítido isso nas campanhas da vida. Oportunidade minha de poder falar Dele, e dos outros de aceitarem. Oportunidade de estar mais perto Dele e de falar Dele.

  • Você nota que a experiência de fazer missões te ajudou em outras áreas da sua vida? Na sua profissão ou na decisão de morar fora?

Em tudo. Em missões você aprende a se virar. Você come o que tem, você toma banho em 5 minutos ou as vezes nem toma banho. Você veste a roupa pedida, você convive com pessoas diferentes de você, com línguas diferentes, você aprende a lidar dar com o dinheiro, tempo, e a ouvir o direcionamento de Deus e ver a mão Dele na sua vida.

A minha profissão foi escolhida debaixo da vontade Dele, da mesma forma que meu intercambio. Foi muiiito joelho no chão, muitos chocolates não comidos hahahha. As missões me ajudam na minha relação com a minha família, em saber lidar com os outros e colocar Deus a frente de tudo  (ainda dou uma patinada nisso, porque o coração do homem faz planos, e o meu faz muuuuitos hahaha).

  • Partimos para pergunta indiscreta-revista-caras-cadê-foto-com-roupão, como tem sido a experiência atual de morar fora?

Natânia, INCRÍVEL. Não quero mais voltar hahahaha.

Cara, no inicio não é fácil. A língua e super complicado, ainda mais no Texas, o dialeto texano é complicadooo. Mas agora, tudo é lindo.

Sinto muita falta da comida e igreja e família.

  • (Agora é aquele momento pegue a caneta e anote, amigos) Dicas para alguém que deseja muito colocar o pé na estrada para pregar?

Ore muito, converse com a sua família, porque precisamos de apoio.  Consiga um bom apoio, ótimos lideres  e pessoas para te cobrir em oração. Vá com o coração disposto e deixe a frescura de lado. Aproveite cada momento.

  • Porque escolher a Jocum?

Jocum é um ministério serio e conhecido mundialmente. O trabalho é maravilhoso e com varias áreas para se integrar. Por isso, entre em contato.

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“MINHA PRIMEIRA CAMPANHA, com 14 anos hahahaha” (Porto Alegre, 2007)

" Base da Jocum Campo Grande" (Chile, 2009).

” Base da Jocum Campo Grande” (Chile, 2009).

"Lixão em Goiânia. Continuamos fazendo o trabalho nesse lixão todo o ano." (Base Campo Grande, 2010)

“Lixão em Goiânia. Continuamos fazendo o trabalho nesse lixão todo o ano.” (Base Campo Grande, 2010)

"Para mim essa foi a campanha que mais me marcou. Que eu li milhões de vezes sobre Salmos 19." (Argentina, 2011)

“Essa foi a campanha que mais me marcou. Que eu li milhões de vezes sobre Salmos 19.” (Argentina, 2011)

"Utilizando a dança para falar do Amor de Deus." (Argentina 2011).

“Utilizando a dança para falar do Amor de Deus.” (Argentina 2011).

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"Parte do Grupo na Argentina".

“Parte do Grupo na Argentina”.

"Essa campanha foi um pouco diferente. Após o terremoto que ocorreu no Chile, a Igreja que nos recebeu ficou desamparada. Fomos os mais velhos de campanha (aqueles que já participaram mais vezes) ajudar a reestruturar a igreja. Sim, pintar, lixar muro essas coisas." (Chile, 2013)

“Essa campanha foi um pouco diferente. Após o terremoto que ocorreu no Chile, a Igreja que nos recebeu ficou desamparada. Fomos os mais velhos de campanha (aqueles que já participaram mais vezes) ajudar a reestruturar a igreja. Sim, pintar, lixar muro essas coisas.” (Chile, 2013)

"Momentos de evangelismo em outra língua hahaha"

“Momentos de evangelismo em outra língua hahaha”

"Momento de adorar a Deus através do circo."

“Momento de adorar a Deus através do circo.”

"Enrolando no portunhol hahahaha..."

“Enrolando no portunhol hahahaha…”

"Acho super interessante contar isso. Nossa primeira apresentação é para 3 cadeiras vazias. Elas simbolizam a Trindade. Queremos entregar nossas primícias a Ele. Por isso nossa primeira apresentação é para Ele. Um momento de adoração e de contemplar a Ele e dizer que se não for por Ele não adianta nada disso."

“Acho super interessante contar isso. Nossa primeira apresentação é para 3 cadeiras vazias. Elas simbolizam a Trindade. Queremos entregar nossas primícias a Ele. Por isso nossa primeira apresentação é para Ele. Um momento de adoração e de contemplar a Ele e dizer que se não for por Ele não adianta nada disso.”

"Momento de apresentação." (Chile)

“Momento de apresentação.” (Chile, 2013)

"Trabalho no Lixão Goiânia, em 2014. Ver esse olhar motiva sempre a continuar."

“Trabalho no Lixão Goiânia, em 2014. Ver esse olhar me motiva sempre a continuar.”

"Com o Kumbaiá, em 2014, para eles não ficarem com ciumes hahaha."

“Com o Kumbaiá, em 2014, para eles não ficarem com ciumes hahaha.”

"No Lixão de Goiânia sempre. Acho que essa foto foi ano passado. Sei disso por causa do óculos novo hahaha"

“No Lixão de Goiânia sempre. Acho que essa foto foi ano passado. Sei disso por causa do óculos novo hahaha”

"Aqui em Austin, Texas,  encontrei um grupo parecido. O nome é Longhorns for Christ.  Longhorns porque é o mascote da minha universidade (University of Texas at Austin). Temos reuniões todas as quartas e também fazemos ações sociais para evangelizar, ou seja, me achei. "

“Aqui em Austin, Texas, encontrei um grupo parecido. O nome é Longhorns for Christ. Longhorns porque é o mascote da minha universidade (University of Texas at Austin). Temos reuniões todas as quartas e também fazemos ações sociais para evangelizar, ou seja, me achei. “

Ilana, muito obrigada por dividir um pedacinho da sua experiência com missões por aqui. Eu oro para que Deus continue te usando, te ensinando, te fazendo cheia Dele!

Vamos orar?

Deus, que façamos tudo pelo reino. Assim como está escrito em Coríntios, que tudo seja feito para a edificação da igreja. Que nossos corações estejam disponíveis para ouvir o chamado do Senhor. Que preguemos a Tua palavra para os nossos vizinhos, nossos amigos, para o nosso país, para alguém em um cantinho do Japão. Nos ensina, Deus, como devemos alinhar o nosso coração com o seu e, assim, cumprir o ide e qualquer outra coisa que tens planejado para nós. Nós te amamos e te agradecemos por tudo, em nome do teu filho Jesus, amém.

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Manhã

Eu acordo cedo, procuro uma música e arrumo os cabelos cantando com você. Minha casa toda está dormindo, as luzes estão desligadas e eu tropeço ao abrir o guarda-roupa cantando com você. E um sorriso cansado e preguiçoso sai da minha boca, porque eu começo a entender que deixei de fazer as coisas somente PARA você, sempre correndo de um lado para o outro, esgotada de tanto tentar… Passei a fazer tudo COM você, qualquer coisa virou uma atividade do Reino, porque você está ali. Mesmo quando eu estou pendurada em um único dedo no ônibus, às 06h45 da manhã, procurando um motivo para não me mudar para uma montanha, ter uma dispensa cheia de cereja e chá de hortelã e nunca mais ver trânsito na vida, mesmo assim você está ali. Eu sei que você está ouvindo meus pensamentos sem pé nem cabeça, eu amo a sensação viva, que rasteja entre minha nuca e entendimento, de saber que você está comigo.  Nós estamos ali, juntos, sem falar nada. Eu vejo a rua do trabalho, espero o ponto em que devo descer COM você e me levanto.


PS: Esse post não faz parte dos textos temáticos do mês, se você está procurando por eles, clique aqui,  aqui e aqui.

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#TVHilário 3, Vamos para a Hillsong College com a Ev? [POST ATUALIZADO!!!]

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{Para ouvir enquanto lê}

Hoje é sexta-feira (não vou fazer a piadinha da música sertaneja, de nada) e tem #TVHilário! Este é o terceiro episódio da série no canal – que nasceu como o blog: para dividir o Reino com meus amigos, conhecidos  -, e hoje ele está cheio de amor e despedida!

Seguindo o tema do mês – Evangelho na mochila (leia os outros textos: 1 e 2) – o #TVHilário de Janeiro é uma conversa com uma amiga lindja, que atende por Evelin, Evelinda ou Ev, que está a poucos dias de ir para a HILLSONG COLLEGE (inserir gritinhos eufóricos aqui)!

A Evelin é uma daquelas pessoas que fazem você sorrir até que suas bochechas comecem a pedir ajuda. Ela vem sonhando em aprender mais sobre adoração com a Hillsong desde os 14 anos e hoje, com 22, ela vai partir para a terra dos cangurus para dançar e servir nos cultos gringos.

O Canguru John já está com a mala pronta (:

O Canguru John já está com a mala pronta (:

Nós íamos seguir uma ordem de entrevista e todas essas coisas que eu aprendi na faculdade, mas a conversa ficou boa e o resultado está aqui embaixo. Dúvidas sobre a Hillsong College, ampliar nosso horizonte para adoração e carta de Hogwarts? Dê play!

A Hillsong College é realmente o pacote completo, você vai levar o evangelho na mochila ajudando nas atividades extras da igreja e servindo nos cultos e, também, vai desenvolver seu entendimento de evangelho nas aulas.

[ATUALIZAÇÃO]

>> Grade curricular do curso de Dança da Hillsong College

Ev é uma cumpridora de promessas, minha gente. Sabe tudo o que ela nos prometeu no vídeo? (Se você não sabe, volte e dê play) Ela me mandou tudjinho!

Para quem sempre teve dúvida sobre as matérias ministradas na faculdade de dança da Hillsong, as disciplinas vão desde técnica de evangelismo pessoal até nutrição e coreografia. A grade é dividida entre temas centrais (Core Subjects), matérias comuns a todos os alunos dos quatro streams - pastoral, dança, adoração e mídia -, que focam no ensino da Bíblia, ministério, liderança pessoal, e as disciplinas específicas do curso de dança (Dance Stream). Confira:

- Temas Centrais

Novo Testamento – Introdução: os livros, temas e eventos do Novo Testamento em seu contexto cultural e histórico são introduzidas juntamente com a sua aplicação e relevância hoje. (48 horas)

Velho Testamento – Introdução:  os livros, temas e acontecimentos do Antigo Testamento em seu contexto cultural e histórico são introduzidas juntamente com a sua aplicação e relevância hoje. (48 horas)

Doutrina Cristã: explora algumas das principais doutrinas da Bíblia com o objetivo de construir uma base sólida de verdade para a vida cristã e ministério. (40 horas)

Vivendo Cheio do Espirito Santo: é introduzido  a pessoa e obra do Espírito Santo, incluindo uma investigação sobre o batismo no Espírito, os dons espirituais e ministrar no poder do Espírito Santo. (16 horas)

Liderança Pessoal: introduz princípios de liderança espiritual e é projetado para ajudar o aluno na construção de um caráter divino para a sua vida como um líder cristão, tanto espiritual quanto praticamente. Abrange questões críticas, incluindo integridade, valores fundamentais, vida saudável, relacionamentos e finanças. (68 horas)

Evangelismo pessoal: tópico personalizado para equipar os alunos com as habilidades e compreensão para compartilhar o Evangelho de forma eficaz em uma ampla gama de configurações, a partir de relações pessoais para a esfera pública. (16 horas)

Trabalho em equipe:  treina o aluno com as habilidades e conhecimentos necessários para trabalhar com sucesso em um ambiente de equipe. (77 horas)

Comunicação no Ministério: ensina o aluno com as habilidades e conhecimentos necessários para ser capaz de se comunicar com sucesso em ambientes de ministério. (97 horas)

Igreja e Ministério:  são introduzidos, a partir de uma base bíblica, aspectos do ministério da igreja e da cultura, incluindo como fazemos a igreja relevante hoje. (91 horas)

- Disciplinas de Dança

Introdução à Dança no Ministério: esse tema apresenta-lhe a dança como um ministério dentro da igreja local. Ele explora os fundamentos bíblicos e teológicos para a dança como um ministério e forma de culto e de expressão criativa. Ele também investiga as dimensões práticas de um ministério de dança dentro do culto e da vida criativa da igreja. (51 horas)

Fundações técnica de dança, desenvolvimento e repertório: abrange uma variedade de estilos de dança, com foco na técnica básica, de expressão e de desempenho em particular para cada estilo. Esses estilos podem incluir ballet, jazz, contemporâneo e hip hop, entre outros. Você vai aprender a identificar a relação entre técnicas de dança e acompanhamentos musicais, bem como os diversos aspectos históricos e culturais que influenciam cada estilo de movimento particular. Você irá desenvolver e aplicar conhecimentos e habilidades na dança prática, assegurando ao mesmo tempo a prática da dança segura. (96 horas)

Coreografia 1 & 2: treina os alunos com as ferramentas e habilidades da coreografia profissional. Você vai pesquisar coreógrafos de renome e aplicar componentes estruturais do movimento, a fim de comunicar a mensagem criativa. Você também vai criar trabalhos coreográficos curtos de seu próprio país e incorporar a sua ampla gama de conhecimentos de dança em suas composições. Esse tópico ensina a “pensar fora da caixa” e gerenciar momentos criativamente desafiadores. (32 horas)

Dance Performance 1 & 2: Essa classe ensina as habilidades de desempenho e técnicas da psicologia de desempenho, para  dotar o aluno com as habilidades para se comunicar em muitos níveis. Você vai aprender uma variedade de estilos de dança usados ​​em diferentes contextos, a fim de aumentar as habilidades de desempenho. Você também vai atuar em uma variedade de configurações para ganhar experiência prática e ao vivo. (32 horas)

Anatomia da dança & Nutrição Este assunto ensina você a ter uma abordagem holística para os seus estudos de dança, auxiliando-o tanto interna como externamente. Você vai aprender a aplicar os princípios básicos de saúde e nutrição, junto com o conhecimento de alinhamento e estruturas músculo-esqueléticas para melhorar a postura e para ajudar a prevenir lesões. (8 horas)

>> Quanto custa meeesmo ir para a Hillsong College?

Essa é uma pergunta muito complicada, cada ser humano é um ser humano,  já dizia minha professora do pré, hehehe… Os valores a seguir são um presente da Evelin para vocês, baseados na viagem planejada por ela. No entanto, eles são sempre reajustados e a previsão de gastos por semana é, bem, uma previsão.

Os valores da Agência foram retirados, porque você precisa combinar direitinho com a empresa com que está fechando um pacote. A Evelin escolheu a Cese – Intercâmbio Cristão, eu particularmente (eu não particularmente não existe, né, Natânia) não conheço a Cese, mas todos os amigos que já viajaram através deles só dizem coisas boas.

(Todos os valores abaixo estão em real)

Valor – Taxa de matrícula
Liderança Pastoral – R$ 438.80

Adoração e Dança – R$ 438.80

Mídia e Produção – R$ 438.80

Valor – Curso Ministerial (VET) anual

Liderança Pastoral – R$ 10,750.60

Adoração e Dança – R$ 12,067.00

Mídia e Produção – R$ 13,602.80

Valor – Acomodação (igual para todos os cursos)

Taxa de colocação (pela Hillsong College) – R$ 438.80
Depósito de Acomodação e Manutenção* - R$ 713.05

* Os depósitos de acomodação e manutenção são reembolsáveis quando não há danos ao imóvel e seus utensílios. Os valores da acomodação semanal não estão inclusos.

Valores do visto

Taxa Consular – R$ 1,173.79
IOF – R$ 75.01
Despachante – R$ 175.52

* O intercambista precisará fazer exames médicos com um médico credenciado da Embaixada Australiana. O valor da consulta e dos exames varia entre R$300 e R$400.

>> Mais sabedoria Evenlística

Sobre o valor da acomodação a ser pago semanalmente, que não está incluído no orçamento acima (apenas o valor da taxa que a Hillsong cobre para te receber e o depósito para assegurar que você não vai quebrar toda a sua casa), a Evelin explica: “esse preço de acomodação é só pra te colocarem ló, o pagamento semanal da acomodação varia entre 120 e 160 $AUD no Hills Campus, e 140 a 190 $AUD na City Campus. As outras contas, água, energia, você paga de 3 em 3 meses.  A partir deste ano, a gente também paga a taxa da cama e do colchão, 150 $AUD. Se faltar algumas coisas na sua casa tem uma galera que doa ou vende com um preço bem barato”.

A Evelin também explicou que há como ficar em uma casa separada do College, sai mais barato, no entanto, você precisará realizar os tramites sozinho. “Você tem a opção de combinar de ficar em uma non college house, daí você negocia com as pessoas que tiverem oferecendo a casa. Sai mais em conta, mas é legal contar com o suporte da escola, que faz a recepção, te leva para comprar as coisas que faltam, habilitam conta de telefone e essas coisas… Em média, a escola e a embaixada mandam preparar de 250 a 350 $AUD por semana,  como falei no vídeo é bom, pelo menos, ter o curso, passagem e o dinheiro dos primeiros três meses.”

Não está disponibilizado aqui o valor da recepção no aeroporto (ida e volta), o seguro saúde e a taxa administrativa da agência que a Evelin contratou, mas já dá para ter uma boa noção de quanto sua viagem custará para começar a juntar no cofrinho, caso a Hillsong College seja, também, o seu sonho e forma de colocar o evangelho na mochila

À companheira de danças estranhas na livraria quando nosso livro esperado chega: muito obrigada por dividir suas expectativas comigo! Eu quero que você viva tudo o que Deus tem preparado para você na Austrália, Ev!

“Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se!” Filipenses 4:4


PS: Os links comentados no vídeo estão em sua descrição, no Youtube :)

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O mochileiro do evangelho: a primeira viagem de Paulo (ou: Atos, o quase diário de viagem de um apóstolo)

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Para compensar o período que fiquei sem escrever por aqui (me acompanhe no Instagram nos próximos sumiços), eu escrevi quase um estudo sobre a primeira viagem missionária de Paulo, seguindo a temática evangelho na mochila, do mês de janeiro. É claro que não foi um estudo-estudo, porque eu não tenho bagagem teológica para tal, mas é um diário de bordo descritivo (e cheio de opiniões no meio) da jornada número 1 de Paulo nas nações gentias. Porque eu escrevi isso? Bem, porque não tem como começar a falar de missões sem falar de Paulo.

Este é o maior post que eu já fiz na vida deste blog, por isso, se vocês se sentirem incomodados com o tamanho e preferirem ler no Word, eu disponibilizei AQUI. Nunca tinha feito nada deste tipo sentando-e-digerindo-a-Palavra por aqui, mas estou muito empolgada com o resultado final. Espero que vocês gostem!


{Para ouvir enquanto lê}

Se tem alguém que pode nos ensinar sobre levar o evangelho na mochila – tema do mês -, essa pessoa é Paulo, ex-Saulo, ex-cego, ex-perseguidor de futuros mochileiros. Hoje, eu quero falar sobre a sua primeira viagem missionária e tudo o que eu aprendi com ela nestes dias.

Todo bom viajante, marinheiro, e escritor nas horas vagas descreve tudo em um caderninho, o moleskine de Paulo que leremos é Atos 13 e 14 (fica no Novo Testamento, logo após João), e, muito provavelmente, não foi escrito pelo mochileiro, e sim pelo amigo médico Lucas (protagonista do clássico Mateus-Marcos-Lucas-João).

Primeira Viagem de Paulo

  • Os preparativos para a viagem

Paulo congregava na igreja de Antioquia (não confundir com outra a Antioquia, na Pisídia, que vai aparecer na história, daqui para frente vou chamar essa segunda Antioquia de Aquela-Outra-Antioquia), juntamente com Barnabé, Simão, Lúcio e Manaém.

Certa vez, o Espírito conduziu aqueles homens ao entendimento de uma nova missão: pegar um navio para a Ilha de Chipre e expandir o Reino dos céus na terra.

“Um dia, enquanto adoravam a Deus – também jejuando enquanto esperavam por orientação -, o Espírito Santo disse: ‘Comissionem Barnabé e Saulo para a obra que determinei que fizessem’.”

Atos 13:2 (Versão A Mensagem)

A preparação de Paulo para pregar fora de sua congregação veio através de jejum, oração e adoração. Eu tenho conversado com alguns intercambistas em cursos cristãos fora do Brasil e pessoas que trabalham em missão e a primeira das coisas é sempre esta: o chamado confirmado através da oração.

1) Seu chamado vem através de obediência, jejum e oração – para se aproximar de Deus e ouvir sua voz -, e, também, através da adoração.

Tudo pode começar através de um sonho inexplicável – ou muito explicado – dentro do seu coração, mas é Deus quem pode confirmar se ele é sim seu projeto de vida ou não.

Quando os seus planos estão de baixo da confirmação de Deus, o segundo ponto que aprendi com Paulo vem logo no próximo versículo.

“Eles obedeceram. Naquele ambiente de fervor, obediência, jejum e oração, impuseram as mãos sobre os dois homens e os despediram.”

Atos 13:3 (Versão A Mensagem)

Neste versículo, o “eles” é a igreja da qual Paulo fazia parte.

2) Vá sobre a cobertura de seus líderes e irmãos.

Paulo (ainda chamado Saulo na Bíblia) recebeu o adeus de seus irmãos e, assim, podemos entender que ele (junto a Barnabé e João Marcos) recebeu orações e a liberação para que seu projeto pudesse prosperar. Nas cartas de Tessalonicenses, Paulo nos mostra como é importante receber esse tipo de apoio de nossos amigos cristãos: “Irmãos, orem por nós” (1 Tessalonicenses 5:25).

  • Guiados pelo Espírito para Chipre, mas pera, porque Chipre?

Paulo podia começar sua missão em qualquer lugar, porque partir para a Ilha de Chipre?

Acredito que um dos primeiros motivos era o fato de já haver alguns cristãos em Chipre. Quando Estevão – qualificado pela Bíblia como “homem cheio de fé e do Espírito” – foi morto apedrejado em Jerusalém (Atos 7), acusado de falar contra Deus, muitos cristãos fugiram para a Antioquia e para Chipre. Nesta época, Saulo, que ainda não havia se encontrado com Jesus, seguia promovendo uma perseguição incansável a todos aqueles que seguiam Yeshua, e consentiu com a morte de Estevão.

“E Saulo estava ali, comemorando com os assassinos. Esse fato desencadeou uma perseguição contra a igreja em Jerusalém.”

Atos 8: 1 (Versão A Mensagem)

Além do fato de já haver alguns cristãos na ilha, o que facilitaria a estruturação de igrejas, como facilitou na Antioquia, creio que uma outra respostas para a pergunta “por que começar em Chipre?” é Barnabé, que ajudaria Paulo em sua primeira viagem missionária, e que já conhecia a Ilha por ter nascido nela.

Conhecer Chipre era importante (para fazer de tudo para com todos), e não era tarefa muito fácil, porque a ilha fora tomada por fenícios, gregos, assírios, persas, egípcios e romanos, ou seja: tinha muitos costumes diferentes. O lugar era próspero, cheio de vida social, de pessoas que chegavam para adorar Afrodite (o lugar era o lar da deusa) e de comércio – os romanos extraíam toneladas de recursos naturais da ilha, que mantinha a língua grega.

Mas além de conhecer a ilha, Barnabé era um cristão de excelência e ajudou P(S)aulo a ganhar várias pessoas e a ensiná-las a permanecerem fiéis.

Quando eu era menor, ouvia meu pai cantar uma música – que já era antiga quando eu era criança, agora nos meus vinte e dois, então… – que falava sobre Barnabé, natural de Chipreee, com os seguintes dizeres:

E quando Saulo converteu-se a Cristo lhe faltou amigos
Alguém que fosse companheiro, fonte de consolo e abrigo
Como fruto do amor de Cristo, fruto do seu compromisso
Foi um homem procurá-lo, dando-lhe a mão

Pois é, minha gente, o homem que deu a mão para Paulo foi Barnabé, natural de Chipreee (parei de cantar e repetir isso hehe). Desde menina, tinha na cabeça que aquele sujeito só podia ser um cara muito legal.

Barnabé era uma pessoa em que Paulo podia confiar, a palavra diz que ele colocou a disposição dos apóstolos um terreno particular, isso se deu no período da igreja primitiva em que bens eram juntados e vendidos para que todos os recursos fossem distribuídos de acordo com a necessidade de cada um e ninguém passasse por dificuldades.

“José, que os apóstolos chamavam de Barnabé (que significa “Filho da Consolação”), levita nascido em Chipre, vendeu uma propriedade que possuía, trouxe o dinheiro e o entregou como oferta aos apóstolos”.

Atos 4: 36 e 37 (Versão A Mensagem)

A Bíblia descreve Barnabé como “homem bom, cheio de entusiasmo, que confiava no agir do Espírito Santo”, além de nos falar que ele era um levita e um consolador. Ter alguém como Barnabé acresceu imensamente o ministério de Paulo e começar em Chipre, talvez fosse um motivo para que eles crescessem juntos no evangelho a princípio, e separados em um segundo momento.

Depois dessas duas prováveis respostas, eu ainda tenho uma terceira. Eu não, Henri Metzger, que estudava arqueologia bíblica, disse em seu livro St. Paul’s Journeys in the Greek Orient que a escolha da Ilha de Chipre foi estratégica pois ela estava “Localizada no ponto de encontro das rotas marítimas que levam à Síria, à Ásia Menor e à Grécia, Chipre parecia inevitavelmente o primeiro passo de um empreendimento missionário.”

Fazer essa reflexão de por que em Chipre, nos ajuda a olhar para nossos próprios projetos e nos perguntar: por que devo ir para tal local e levar o evangelho na minha mochila? Nós podemos não entender de imediato – eu mesmo acho que Paulo-Saulo não entendia muito bem e ia apenas guiado pelas direções do Espírito, como Atos 13:4 nos fala -, mas Deus é um excelente professor a longo prazo. Você pode começar a se perguntar hoje e esperar pelas pistas até que, mais para frente, o quebra cabeça esteja completo.

  • Primeira parada: Salamina

Ok, a primeira, primeira, parada foi Seleúcia (o porto mais importante da Antioquia), mas a gente vai considerar uma conexão, porque foi lá que P(S)aulo e seus companheiros pegaram um navio para a tal lha de Chipre – no sul da Turquia. Nesta ilha, o apóstolo visitou seu primeiro campo missionário: Salamina.

Um livro legal – e infelizmente não traduzido – que pode ajudar muito quando temos dúvidas da geografia bíblica, do tipo de embarcação usada, dos costumes, do contexto histórico e dos deuses servidos no período é o The Wycliffe Historical Geography of Bible Lands, facilmente encontrado na internet. Eu não o li todo, sempre vou no capítulo específico procurando o que preciso, mas se você quer se aventurar em 2015 em conhecer mais dos ambientes físicos e geo-históricos da Bíblia é um livro bem legal (de novo lamento a falta de tradução e o fato de não ter edições mais atualizadas, pelo menos eu não encontrei).

“Embora houvesse alguns navios no Mediterrâneo com horários regulares ou rotas pré-definidas, navios com horário de partida e chegada fixa não eram comuns. Geralmente, mercadores orientais pulavam de porto em porto com qualquer carga que prometesse o melhor lucro. Provavelmente, o navio em que estavam Barnabé e Saulo era do tipo mais comum, o barco que ‘pulava’ entre os portos.”

The Wycliffe Historical Geography of Bible Lands (Tradução não original do trecho)

Salamina já tinha sido capital da ilha e apesar de ter perdido o posto ainda tinha vida cultural, educacional e comercial. Infelizmente, o lugar não existe mais. Ele é um daqueles desgraça pouca é bobagem se tratando de catástrofes naturais: muitos terremotos. A arqueologia acha que havia um teatro para quase 15 mil pessoas (eita, geovana!) e um super templo de Zeus na cidade.

A Bíblia nos conta que quando aqueles homens pisaram em terras salaminianas, a primeira coisa que eles fizeram foi pregar o evangelho.

“A primeira coisa que fizeram quando chegaram a Salamina foi pregar a Palavra de Deus nas sinagogas da cidade. João estava com eles como auxiliar”.

Atos 13: 5 (Versão A Mensagem)

Em Pafos, nova capital romana da Ilha de Chipre e sede do proconsulado (calma lá, proconsulado era só um regime governo onde o procônsul prestava contas do que estava acontecendo na região para Roma, que havia tomado posse novamente de Chipre, antes regida pelo Egito), Barnabé e Saulo evangelizaram Sérgio Paulo.

Quem era Sérgio Paulo? Ele era o procônsul (hoje você o chamaria de Governador). Mas não pense que foi algo fácil-tô-fazendo-com-a-mão-nas-costas.

Aqui entra o que muito missionário nos dias de hoje chamam de dificuldade em campo. Sempre que converso com quem está na labuta diária de pregar fora de sua cidade, vejo que há uma aura (essa palavra é meio blé, né?) de felicidade muito grande, mas que também há sempre algo a ser superado. A nossa missão vem sim com desafios, mas como não estamos lançando nossas espadas sobre carne ou sangue, o Espírito sempre nos mostra uma forma de ultrapassar os problemas.

No caso de Paulo e Barnabé, a dificuldade em campo atendia pelo nome Barjesus (filho de Jesus), e que eu chamo de Inri Cristo do Novo Testamento, descrito pela Bíblia como falso profeta e mago. Ele provocava tumultos e impedia a conversão de Sérgio Paulo, o procônsul que tem nome de galã de novela mexicana.

Viajaram por toda a ilha, até que chegaram a Pafos. Ali encontraram um judeu, chamado Barjesus, que praticava magia e era falso profeta. Ele era assessor do procônsul Sérgio Paulo. O procônsul, sendo homem culto, mandou chamar Barnabé e Saulo, porque queria ouvir a palavra de Deus. Mas Elimas, o mágico (esse é o significado do seu nome), opôs-se a eles e tentava desviar da fé o procônsul.

Atos 13: 6 – 8 (Nova Versão Internacional)

Barjesus – ou Elimas – acaba ficando cego por ser pedra de tropeço para que o evangelho encontrasse o procônsul, que se converte.

Saulo/Paulo passa por toda a ilha, segundo Atos. Eu não sei o suficiente para falar exatamente o nome de outras regiões visitadas por eles, mas acredita-se que eles tenham passado pelas comunidades judaicas.

“A passagem bíblica é melhor traduzida como “vão através de toda a ilha”. Provavelmente isso significa um tour relativamente completo das comunidades judaicas na Ilha de Chipre, o que envolvia pregar nas sinagogas. Quanto tempo essa missão levou está aberto a conjecturas. Ramsay acredita que foram necessários, no mínimo, dois meses. Outros estimam que a jornada tenham durado quatro meses.”

The Wycliffe Historical Geography of Bible Lands (Tradução não original do trecho)

  • João, aquele que você conhece como Marcos, é o missionário de primeira viagem que desistiu (ou: o forninho de Marcos caiu)

A gente sempre escuta histórias de pessoas que foram para as missões ou foram fazer uma faculdade cristã fora do Brasil, levar o evangelho para fora de suas cidades, e se encontraram no propósito, elas superaram seus medos e abraçaram o chamado. Mas e quando isso não acontece? Quando você decide largar tudo e voltar para casa?

A história de João nos ensina a não morremos-termos-um-treco-andarmos-com-uma-faixa-eu-sou-a-pior-coisa-que-já-existiu-na-terra quando isso acontece. Muitas vezes, nós só precisamos tentar de novo e Deus providencia alguém que acredite mais uma vez em nós.

Bem, melhor explicar o que aconteceu com o dito cujo João Marcos do início e confessar que eu AMO essa história, porque ela nos dá um senso de realidade cristã tão grande, que me faz quase estar lá no meio de todos esses personagens bíblicos.

A primeira coisa que você precisa saber sobre João Marcos é que você já o conhece, mas apenas por Marcos, ele é um dos quatro caras que escreveram toda a trajetória de Jesus na terra, ele é o moço cujo nome é o segundo livro do Novo Testamento. Dito isso, vamos voltar mais na história.

João Marcos – Marcos para nós, Marcão para Pedro – era filho de Maria, uma mulher que abrigou a igreja em sua casa quando Pedro necessitava de um local, e primo de Barnabé (aquele lindo). Provavelmente, ele era bem jovem quando o Pentecoste aconteceu e quando as primeiras bases da igreja foram fundadas (bem jovem mesmo, talvez High School Musical Jovem).

Como seu pai havia morrido e Marcos passava muito tempo com Pedro, a relação dos dois se aproximou tanto (leia aproxegou que é mais amor hehe), que o apóstolo considerava João Marcos um filho, olha só: “Marcos, que é como um filho para mim, envia saudações” (1 Pedro 5:13).

Com todo esse envolvimento duplamente familiar (Barnabé e Pedro), e muitos creem que pelo conhecimento do grego, o indício seria o próprio nome composto João – nome judeu, Marcos – nome grego, ou seja: sabe dos paranauê gregos –, João Marcos foi chamado para partir na primeira viagem missionária de Paulo-Saulo.

Era tudo uma aventura até que Barnabé, Paulo e João chegassem em Perge, na Panfília (a Bíblia começa a chamar Saulo de Paulo aqui). Sabe aquele momento em que pedra sai rolando atrás do herói nos filmes à la Indiana Jones? Pois é, a pedra ficou muito grande e João não quis mais brincar. Ele quis pular fora. O forninho estava muito pesado.

“Ali João desistiu da viagem e voltou para Jerusalém. De Perge, o restante do grupo viajou até Antioquia, na Psídia.”

Atos 13: 13b- 14a (Versão A Mensagem)

Parecia o fim da carreira evangelística de Marcos, mas não foi. Quando Barnabé queria levar Marcos na segunda viagem missionária, mas Paulo disse não obrigada parecia mais ainda o fim da carreira cristã de Marcos, mas mais uma vez não foi. Paulo e Barnabé acabaram seguindo caminhos diferentes, Barnabé com Marcos e Paulo com Silas (e futuramente com Timóteo), mas isso só fez o reino de Deus crescer com mais velocidade. E mesmo com os ânimos exaltados (quem leva quem?, um reality show bíblico), no final de sua vida, uma carta de um Paulo quase morto pede para que Marcos o encontre.

Eu sempre imagino como foi esse encontro!

Marcos não conseguiu da primeira vez, mas se tornou um grande homem de Deus, porque uma segunda chance foi lhe dada.

Sua missão (fora ou na sua cidade!) não deu certo da primeira vez? TENTE DE NOVO. Encontre pessoas que o apoiarão. E mais importante: procure ser Barnabé e Pedro de outros irmãos na fé!

  • O evangelho sem cerimônia pregado naquela Aquela-Outra-Antioquia

Depois que João retorna para casa, Paulo e Barnabé vão para Aquela-Outra-Antioquia (Antioquia na Pisídia). Eles vão até a sinagoga e depois que as Escrituras foram lidas, o líder da reunião pergunta para os dois se há alguma palavra sábia em seus corações para dividirem com as pessoas.

Ser um missionário significa mesmo levar a palavra de Deus na mochila, estar pronto para falar sobre o Altíssimo a qualquer momento.

E Paulo tinha sim uma palavra para aquele povo.

Ele começou refazendo os sinais de Jesus no Velho Testamento (do tipo: conheço as Escrituras) e então jogou as boas novas no colo das pessoas de forma clara. Ele não enrolou, não deixou diferente para ser melhor aceito, ele simplesmente pregou o que era o evangelho.

Depois de anunciar o Senhor da salvação, eles foram convidados para um bis no próximo sábado e exortaram irmãos que começavam na fé. Por causa de ameaças de pessoas que acreditavam que o que eles pregavam ameaçava a ordem vigente das coisas, Paulo e Barnabé precisaram sair da cidade.

  • Icônio, Listra e Derbe

Em Icônio, mesmo já sofrendo difamações, o evangelho alcançava judeus e não judeus. Eles falavam sobre Deus de forma aberta e contínua, fazendo sinais, provando que as boas novas eram reais.

No entanto, quando descobriram que iriam ser linchados, a dupla dinâmica partiu para Listra.

Em Listra, Paulo viu em um aleijado o canal da glória de Deus:

“O aleijado estava entre os que ouviam Paulo falar, e, olhando-o nos olhos, o apóstolo viu que ele estava pronto para a obra de Deus, pronto para crer. Então, disse bem alto para que todos ouvissem: ‘Ponha-se de pé!’. O homem levantou-se e começou a pular e a andar como se tivesse feito aquilo a vida toda.”

Atos 14: 8-10 (Versão A Mensagem)

As pessoas logo acharam que Paulo e Barnabé eram deuses – Hermes e Zeus. Eles estavam organizando uma procissão, quando Paulo negou tudo e pregou o evangelho.

Maaas, a bola que vem rolando à la Indiana Jones apenas ficaria maior. Pessoas da Aquela-Outra-Antioquia, juntamente com pessoas de Icônio bateram tanto em Paulo que ele desmaiou. O povo jogou o apóstolo para fora da cidade, pensando que ele estava morto, mas no dia seguinte ele já estava de pé, pronto para outra, a caminho de Derbe, onde formou muitos discípulos, junto a Barnabé.

  • De volta para minha terra igreja

Paulo e Saulo voltam para a Antioquia, de onde saíram, de onde tudo começou, fazendo o caminho reverso. Eles contam tudo para seus irmãos, depois de “fazer um excelente trabalho”, como disse Lucas em Atos 14:26.

“Na chegada, reuniram a igreja e apresentaram um relatório da viagem, contando em detalhes como Deus os tinha usado para escancarar a porta da fé, para que gente de todas as nações pudesse entrar. Ficaram ali algum tempo, descansando com os discípulos.”

Atos 14: 27 e 28 (Versão A Mensagem)

É muito importante testemunhar tudo o que Deus fez com você durante o período de colocar a mochila nas costas e sair pregando, porque isso fortalece nossa fé e a de outros e dá animo para que nossa igreja trabalhe ainda mais intensamente para a obra de Deus. E o que nós somos para nossos irmãos senão braços fortes, exortação e amor?

Levar as boas novas significa conhecer a Deus. Pois, aquele que experimenta sua graça, deseja reparti-la. Se você vai dividir a palavra do Senhor através de uma missão, se você vai viajar para aprender mais dela, ou se você ainda não tem planos específicos sobre isso, guarde em seu coração que o evangelho é o melhor presente que você pode oferecer para alguém.

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Tema de Janeiro: Evangelho na mochila! (ou: Vamos ler a Bíblia comigo?)

{Para ouvir enquanto lê}

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Porque eu sou muito organizada com o processo orar-pensar-escrever, ironia velha para quem mê lê, o mês no blog sempre começa alguns dias mais tarde; desta vez, pelo menos, posso tentar culpar o feriado, a viagem, as visitas, hehehe…

Maaaas, mesmo atrasada por aqui, eu já estava preparando um conteúdo novo para janeiro. Desde novembro, eu tenho escolhido um tema para tratar durante o mês e sempre que o post é sobre tal tema, ele vem avisadinho. Eu tenho gostado de fazer isso, me faz pesquisar bem mais sobre um assunto e o feedback (odeio essa palavra, alguém mais?) tem sido positivo. Para organizar de forma mais clara o que é texto temático e o que não é – porque não se enganem, eu falo muito, então nem sempre os posts fazem parte da série -, eu decidi colocar uma imagem – como a acima – em todos os posts relacionados ao tema do mês (quantas vezes uma garota pode falar tema, mês e post em um único parágrafo?!).

Pormenores explicados, é hora do que importa! A série do mês de Janeiro atende pela graça (estou vintage) Evangelho na mochila. Neste mês de férias e viagens, eu quero trazer conteúdo sobre quem escolheu jogar a mochila nas costas e levar a palavra de Deus em um país, estado e cidade diferente do seu. Para isso, eu tenho conversado com algumas pessoas que foram, que ainda estão ou que vão para fora servir a Deus com seus ministérios.

Mesmo sem ter experimentado pregar fora da minha cidade, missões é um dos meus assuntos favoritos (e meu histórico do Chrome sabe muito bem disso). Então, quero trazer o que eu tenho visto sobre isso. E, principalmente, quero que você entenda, através das entrevistas – sim, mais gente falando nesse blog grazadeus! – o que as pessoas que experimentaram a vivência de estar em campo podem compartilhar e nos ensinar.

Por causa do novo tema, eu escolhi começar a minha leitura bíblica anual com as cartas de Paulo – o incrível mochileiro do evangelho! -, tudo de forma cronológica. Falando sobre ler a Bíblia, você já preparou sua leitura? Se não, vem ler comigo!

> Minha leitura da Bíblia em 2015

Caso você não esteja familiarizado com o mundo mágico das leituras bíblicas em um ano, eu já te adianto: existem centenas delas! Se ler a Bíblia toda neste ano é um dos seus planos (se não é: por que, minha gente?!) você vai ter várias opções,  começando pelos evangelhos ou pelo velho testamento, e algumas outras mais sofisticadas, como o:

5x5x5: Se você está conhecendo a Bíblia agora, este é um bom plano! Ele estipula que você leia a Bíblia por cinco minutos diários, durante cinco dias por semana, tomando 5 atitudes para conhecer a Deus profundamente. Se interessou? Confira aqui. A explicação está em inglês, mas a tradução está aqui em baixo:

5 minutos por dia | Se você não está acostumado a ler a Bíblia, comece com 5 minutos
durante todo o ano.

5 dias por semana | Determine um horário e local para passar 5 minutos por dia durante 5
dias por semana. É melhor ter um tempo consistente e um lugar calmo onde você possa, regularmente,
reunir-se com o Senhor.

5 maneiras de conhecê-lo mais profundamente | Temos que fazer uma pausa na nossa leitura para entendermos verdadeiramente a Bíblia. Os cinco exercícios abaixo vão te ajudar a se aprofundar na palavra diariamente. Recomendamos fazer uma única idéia por uma semana para encontrar o que funciona melhor para você.

Lembre-se de manter uma caneta e papel pronto para capturar insights de Deus.
1. Sublinhe ou destacar palavras ou frases-chave na passagem da Bíblia. Use uma caneta
ou marcador para marcar novas descobertas a partir do texto. Revise periodicamente sua
marcações para ver o que Deus está lhe ensinando.
2. Coloque-o em suas próprias palavras. Leia a passagem ou verso lentamente, então reescreva
cada expressão ou frase usando suas próprias palavras.

3. Faça e responda a algumas perguntas. Perguntas desbloqueam novas descobertas e
significados. Faça perguntas sobre a passagem usando estas palavras: quem, o quê, porquê,
quando, onde ou como. Anote algumas idéias sobre como você responderia
estas questões.
4. Capture a grande ideia do texto. A Palavra de Deus se comunica grandes idéias. Periodicamente pergunte:
Qual é a grande ideia nesta frase, parágrafo ou capítulo?
5. Personalize o significado. Quando Deus nos fala através das Escrituras, nós
devemos responder. Um hábito útil é personalizar a Bíblia através da aplicação.
Pergunte: Como a minha vida poderia ser diferente hoje se eu responder ao que eu estou lendo?

Plano Tradicional: Um capítulo do velho testamento, um do novo, mais um de Salmos e outro de Provérbios (ao final do ano, você vai ter lido Provérbios duas vezes!). Este também é um bom plano caso você nunca tenha lido a palavra :)

Plano das 4 separações bíblicas: A leitura vai ser dividida em 1) Salmos e Literatura de Sabedoria, 2) Pentateuco e História de Israel, 3) Crônicas e Profetas e 4)  Evangelhos e Epístolas. Um exemplo aqui deste tipo de leitura.

Plano infantil: Quando eu era criança, eu simplesmente adorava a hora de ler a Bíblia! Meus pais me davam Bíblias coloridas, cheias de diálogos e liam para mim antes de dormir. Se você tem filho, irmão ou dá célula para crianças (fui líder de crianças dos sete ao quatorze anos, então estou falando do fundo do meu coração hehehe), um plano divertido é muito importante! Este é um exemplo de um deles, que trata especificamente sobre a primeira vinda de Jesus. Caso a criança seja menor, estipule uma história da Bíblia infantil por dia, use vozes divertidas para os personagens, demonstre que a palavra de Deus é sempre melhor que mel (ou chocolate, no caso de crianças hehe).

E agora o que eu mais gosto: o cronológico!

Plano Cronológico: Este é o meu plano para este ano! Eu amo acompanhar toda a história da Bíblia em forma de linha temporal. Os estudiosos da Bíblia discordam sobre a datação de um livro ou outro, mas baseado em informações predominantes, nós podemos ter um ideia da ordem real dos fatos. Como eu expliquei, eu irei começar pelas cartas de Paulo – por causa do tema do mês – mas vou lê-las por sua ordem temporal  e depois voltar para o velho testamento e continuar… Se você não quer fazer essa abstração de Paulo primeiro, você pode acompanhar este plano cronológico. Ou escolher quantos capítulos você quer ler baseado na imagem abaixo, da minha Bíblia A Mensagem, que traz uma cronologia bíblica.

velho testamento

novo testamento

Amassadinho de final de Bíblia para dar um charme, hehe (:

Se você googlar ‘plano de leitura bíblica’, vai encontrar ainda diferentes outros… Escolha o que for mais parecido com você e comece hoje!

Vamos orar?

Deus, obrigada pelo novo mês e pelo novo tema. Que o Senhor possa fazer de Janeiro um tempo de aprender como levar o teu Evangelho para todos os lugares. Eu abençoo aqueles que decidiram entrar em algum plano de leitura bíblico neste ano, que o Senhor os dê constância e os encha de fome pela Bíblia! Nos dê o conhecimento para entendermos os mistérios do reino dos céus. Nós te amamos, Jesus. Muito, muito, muito! Nós queremos ansiar por tua palavra como nós ansiamos pelo Senhor. Em teu nome oramos, amém. 

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O Deus que limpa – post final (ou: Acabou a faxina, mas não guardem os baldes)

{Para ouvir enquanto lê}

Sem mais posts agendados, eu voltei! Coisa boa é viajar para casa dos avôs, não? Todos os meus velhinhos moram na mesma cidade, os quatro, São Miguel do Araguaia. E, de novo, todos eles tem uma casinha em Luís Alves, por onde o rio Araguaia passa, a uns 40 minutos de São Miguel. Então Natal é aquela mescla de parentada com amor, comida, com se-meu-tio-continuar-falando-eu-mesma-vou-aí-arrancar-a-língua-dele.

A vida se torna arrastada e ganha a velocidade que nunca deveria ter perdido. Ganha também umas picadas de muriçoca, mas mosquitos hematóficos não são poéticos, né, amigos, vamos deixar isso com Bram Stoker…

Um pedacinho do Araguaia procês (:

Um pedacinho do Araguaia procês (:

Me lembro de passar alguns dias  de férias no Araguaia desde sempre. Quando era criança, contava histórias de pescar piranhas para os amigos da escola, que olhavam com seus grandes olhos de bolinha de gude arregalados, histórias de passear com o vovô de bicicleta pela rua clara e escura (o que nada mais é do que uma rua com poste e outra sem hehehe), de fazer bolo com a vovó, de chupar picolé até congelar a boca na sorveteria da outra vó, de saber sobre garimpo antes dos sete anos, de andar num cavalo que chamava camelo, de viajar atrás da “caminhoneta”, que é como o meu avô fala, e ficar com o cabelo duro de poeira.

Família pode ser a coisa mais difícil de todos os feriados, mas é a coisa mais engraçada de todos eles.

– Truco ladrão seis mil!

– Ou, larga de ser burro, cê não pode pedir truco e seis mil, eu é que peço seis mil!

E eu nem incluí a quantidade de vezes que meu avô ligou o som por que meu pai e meu tio estavam tentando ser Tonico e Tinoco versão 2014.

Redação Minhas férias terminada, já podemos falar que hoje é o último dia do ano! Dezembro acabou e eu quero concluir o assunto que começamos no início do mês: O Deus que limpa (aqui estão todos os textos sobre o assunto: 1, 2, 3, 4 e 5).

Como foi intenso passar por esse mês! Eu estava tendo uma daquelas conversas mentais com Deus, tentando entender como terminar esta série, e uma coisa puxou a outra (como uma daquelas vezes que a gente está conversando sobre o trabalho com o melhor amigo e, no final, está falando sobre miojo) e comecei a me lembrar de um vídeo em que uma mulher faz um quadro de agradecimento e coloca uma nota todas os dias, com uma palavra ou sentença que explica por que ela é grata aquele dia. E o meu primeiro-dos-últimos pontos sobre o Deus que limpa é gratidão.

1- Sejam gratos pela limpeza

Este é o dia em que o Senhor agiu;
alegremo-nos e exultemos neste dia.
Salmos 118:24

Obrigada, Eterno, porque o Senhor nos ensina até quando temos que ser agradecidos.

Sim, quando Deus passa um mês inteiro mexendo isso daqui para ali e nos ensinando o que devemos jogar fora, nós devemos ser gratos. Mostrar ao Senhor o quanto nós apreciamos a boa obra que tem feito em nossas vidas é EXTREMAMENTE IMPORTANTE. A palavra diz em Hebreus que “já que estamos recebendo um Reino inabalável, sejamos agradecidos”. Eu creio que recebemos uma mudança que não retrocederá, e por nos tornamos mais parecido com Cristo nós devemos ser gratos.

A gratidão coroa o que está sendo estabelecido sobre a sua vida. Quer aprender a ser grato? Corre para o livro de Colossenses (fica no novo testamento, mais para o finalzinho). Para mim, Colossenses é um grande manual da vida cristã escrito por Paulo, ali ele menciona a gratidão diversas vezes, não de uma forma inalcançável, mas como um ato diário, extremamente natural.

Portanto, assim como vocês receberam Cristo Jesus, o Senhor, continuem a viver nele, enraizados e edificados nele, firmados na fé, como foram ensinados, transbordando de gratidão.

Colossenses 2: 6 e 7

Diga para o Senhor o quanto você agradece pelo mês em que Ele te limpou e te preparou para coisas maiores, aproveite para agradecer pelo ano que se passou, porque por mais difícil que 2014 tenha sido, estamos bem obrigada e prontos para ficarmos melhores.

O meu segundo-dos-últimos pontos-agora-último-mesmo atende por humildade.

2- A limpeza precisa trazer humildade

Se você já leu Provérbios com certeza já viu várias passagens que nos ensinam sobre a importância de sermos humildes de coração. Maaas,  humildade é aquela característica difícil de explicar – ela não se limita pelo “que isso, não foi nada” quando alguém elogia seu trabalho! – e, por isso, difícil de se aproximar e praticar, adicione uma complicação extra: somos estimulados a sermos orgulhosos diariamente. E o orgulho é coisa complicada, ele gruda em várias partes da gente e nos impede de vermos o quão incrivelmente estúpidos temos sido.

Quando a limpeza de Deus vem, o primeiro lugar em que ela nos atinge, na maioria das vezes, é em nossa arrogância. Isso porque a origem do orgulho data da queda de Satanás: “Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades no Norte” (Is 14.13). Quando eu sou orgulhoso, como eu posso verdadeiramente pedir perdão e me aproximar de Deus? É necessário se tornar humilde para lidar com o pecado, com você mesmo e com os outros.

Outra razão pela qual Deus precisa no ensinar a sermos humildes na limpeza é que nós conseguimos esconder nossa arrogância muito bem das pessoas que poderiam nos orientar nas nossas igrejas e células. Deus conhece nosso interior verdadeiramente e vocês se enganam se acham que Ele não se importa com nosso orgulho-mor. Quer ver só?

Reparando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhe uma parábola: Quando por alguém fores convidado para um casamento, não procures o primeiro lugar; para não suceder que, havendo um convidado mais digno do que tu, vindo aquele que te convidou e também a ele, e te diga: Dá o lugar a este. Então irás, envergonhado, ocupar o último lugar. Pelo contrário, quando fores convidado, vai tomar o último lugar; para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, senta-te mais para cima. Ser-te-á isto uma honra diante de todos os mais convivas. Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado

Lucas 14.7-11

Jesus nota sim quando somos orgulhosos: Reparando como os convidados escolhiam os primeiros lugares”. O evangelho é essencialmente sobre amar o outro, quando somos orgulhosos somos egoístas e essas duas características nos levam a um evangelho sem cruz.

A boa notícia é que após a limpeza podemos ver como Ele cutucou nossa arrogância. A boa notícia é que Jesus veio para nos transformar. “Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3).

Depois de nos tornarmos mais gratos e mais humildes, nós entendemos que a limpeza pode ter sido mais intensa neste mês, mas ela precisa ser diária. Que nós nunca guardemos nossos baldes, que nossas lamparinas tenham sempre azeite. 

Vamos orar?

Deus, obrigada por este mês! Estou muito feliz pela oportunidade que você nos deu de sermos limpos, curados e sarados. Cria em nós o hábito de nos preocuparmos sempre em sondar nossos corações, cria em nós a necessidade de nos parecermos contigo. E se ainda há duvidas de que a limpeza que o Senhor nos deu é para sempre, fale conosco, nos encha de fé, de coragem para nos tornamos o que tens sonhado. Nós te agradecemos por este ano que passou, pelo que vivemos, e também pelo próximo ano. Eu sou muito grata pelo blog, Jesus. Nós exaltamos o Seu nome, amém.


FELIZ ANO NOVO!

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Como saber se minha limpeza não é passageira? (ou: Leituras do mês de dezembro)

{para ouvir enquanto lê}

É a segunda vez que faço um post deste tipo, mas já tô considerando pacas hahaha…

O primeiro post está aqui e nele eu recomendei três livros, um livro relacionado ao assunto do mês de novembro – O Deus que fala -, do pastor Bill Hybels,  outro de quadrinhos e uma biografia do Tolkien.

Neste mês, dezembro, eu não vou gravar um vídeo sobre as minhas indicações (porque acho que um vídeo por mês tá bom, né, gente? e eu me acho das mais estranhas gravando hehe), mas vou colocar aqui em baixo todas elas.

Primeiro, vamos a Leitura que complementa o tema do mês:

> Deus é Santo, de R.C. Sproul

Imagem retirada do site "Voltemos Ao Evangelho"

Imagem retirada do site “Voltemos Ao Evangelho”


Este livro é um ebook oferecido gratuitamente pela Editora Fiel, basta se cadastrar para recebê-lo por email. Mas, você também pode lê-lo online no site do Ministério Fiel. 


Existe um motivo pelo qual eu escolhi esse livro para este mês, em que estamos pregando limpeza em nossos interiores (leia os textos temáticos: 1,2,3 e 4). Qual é o motivo? Bem, quanto mais nós chegamos perto de Deus, quanto mais nos tornamos limpos, mais nós percebemos a Sua santidade.

O livro de Sproul começa nos falando sobre a oração do Pai Nosso e abrindo nossa mente para não pensarmos na frase “santificado seja o teu nome” apenas como uma frase de louvor, mas como palavras de petição. “Devemos orar para que o nome de Deus seja santificado, que Deus seja considerado santo. Há uma espécie de sequencia dentro da oração. O reino de Deus nunca virá se o nome de Dele não for considerado santo.”, Sproul diz na página 19.

O que nós entendemos de Deus, de sua pessoa e seu caráter afetará toda a nossa vida. Se nós virmos Deus como um cara mau e castigador, por exemplo, iremos viver de uma maneira específica e incompleta. Quando entendemos que Ele é santo e, portanto, não se satisfaz em maldades, nós começaremos a entender outra parte da personalidade de Deus: o amor. Entender a santidade de Deus nos leva a entender seu verdadeiro eu.

Logo em seguida, o livro me ganhou completamente. Ele começa a falar sobre Isaías, meu livro favorito da Bíblia, e um profeta incrível! Quando era criança Elias reinava soberano no meu pódio de profetas preferidos hehe, mas hoje, Isaías e ele dividem a posição (quanto ao livro da Bíblia não há par ou ímpar para ver quem ganha: Isaías disparado hehe). Sproul, um teólogo brilhante, o que para mim é a mistura de conhecimento bíblico sem mimimi e sem ar de superioridades, começa a relacionar ver a face de Deus versus verdadeira limpeza versus santidade. É lindo!

É claro que só seremos tão limpos a ponto de conhecer o rosto de Deus no céu (vendo só as costas do Senhor, Moisés já ficou dos mais satisfeitos!), mas Isaías tendo uma revelação dos céus e do Senhor já conseguiu entender o quão santo Ele era. Sabe como? Uma das formas foi ouvindo os anjos chamarem Deus de Santo por três vezes – na literatura hebraica isso tem um baita de um significado, uma ênfase que diz: é sério. Então, Isaías ficou desesperado, porque descobrindo a santidade de Deus, ele se viu completamente nu e não santo.

A verdade é que Isaías pirou, amigos. Ele usou a expressão “Ai!”, o que significava que realmente estava preocupado. (Se você quer saber mais sobre o uso dessa expressão, e garanto é uma explicação muuuuuito legal, baixe ou leia online a página 27, 28 e 29).

Isaías viu o que ele precisava arrumar em sua limpeza: seus lábios eram impuros. Eu acredito que Deus nos mostra o que temos que retirar de nossas vidas. Eu tenho vivido isso. Realmente este mês tem sido um tempo em que Deus tem falado sobre isso, através das mais variadas formas.

Sproul nos mostra no livro que Deus não só é santo, ele é cheio de graça, Ele viu como Isaías se sentia a respeito de si mesmo e desejou ajudá-lo.  “Mais o santo Deus é também um Deus de graça. Ele se recusou permitir que seu servo continuasse sem conforto. Tomou medidas imediatas para limpar aquele homem e restaurar a sua alma.”, explica o autor. E logo em seguida, ele mostra que um serafim tirou uma brasa quente do altar e purificou os lábios de Isaías. O interessante da versão de Sproul é que nesse momento, com a história de Isaías, ele é capaz de responder aquela dúvida que nos ataca vez ou outra: Como eu sei que eu vou continuar limpo e que isso não é passageiro? A pior coisa que existe é quando nós retrocedemos, isso causa frustração, desconfiança. Então, quem já passou por isso (praticamente todos nós) de vez em quando se questiona se essa nova versão veio para ficar. Sproul explica que Isaías nunca mais retornou a ser quem era – o homem de lábios impuros – porque Ele passou por um verdadeiro arrependimento.

MAS AFINAL DE CONTAS, O QUE É UM VERDADEIRO ARREPENDIMENTO?!

Eu já me perguntei isso váaaaaarias vezes… E hoje, eu defino o arrependimento como: a pior dor do mundo. Não se compara com o “desculpa” que a gente solta quando pisa no pé de alguém. Não se compara com o “perdão” quando a gente machuca um colega. É uma dor inexplicável, é como se sua alma se partisse em duas e você se sentisse completamente inválido. É a certeza de que você não tem a habilidade para tornar aquilo decente de novo. É a vontade de se debater no chão. Não com autopiedade e remorso, mas com o desejo de que o eixo do mundo volte. O arrependimento é tão dolorido quanto a brasa queimando os lábios de Isaías. “Sua carne queimada por um breve segundo trouxe uma cura que se estenderia por toda a eternidade”, Sproul diz e, meu Deus, me derrete completamente!

Como você sabe que você nunca mais vai retroceder da sua limpeza? Bem… você simplesmente não quer voltar a ser quem era NUNCA MAIS. E Deus também não deseja que você seja seu velho você, a Bíblia fala em Salmos 103 que “Tão longe quanto é o sol nascente do sol poente, Ele nos separa de nossos pecados.”

No próximo capítulo, Sproul começa a ampliar o significado de santo (se você vê santidade apenas como pureza, prepare-se), e compara nossa relação com essa característica como a que temos com um filme de terror: curiosidade que nos leva a ver, medo que nos leva a tapar os olhos.

Viu só como você precisa começar a ler esse livro? Eu nem saí das páginas iniciais e a gente já está falando sobre tanta coisa maravilhosa! É sério, não há como fazer uma pequena resenha sobre o volume de Sproul, ele é um daqueles que você precisa reler e anotar. Por favor, leia!

Indicando mais leituras

Eu não sei o que me dá em dezembro que eu abandono minhas espadas e sangue e finais-tristes-pra-caramba e compro romances românticos (ou quase). É quase um fato comprovado pela universidade (inserir nome em inglês de universidade), se você olhar a data dos meus livros mais uma-história-de-amor (ouvir as palavras sublinhadas com a voz do cara das propagandas da sessão da tarde)  eles terão sido comprados em dezembro. Então, minhas indicações a seguir são de encher o coraçaauum, mas sem muito exagero.

Anexos, de Rainbow Rowell 

anexos

Um coração para vocês entrarem no meu clima de dezembro, hehe!

Não posso começar a explicar como a Rainbow tem o tom certo nos seus livros. É aquela empatia automática. A escrita dela desliza, assim como os meus dedos que acabaram esse livro em três dias. Não dava para largar. O livro conta a história de Beth Fremont, jornalista que escreve sobre cinema, Jenniffer Snyder, revisora do mesmo jornal, e Lincoln, recém-contratado para ler os emails, digamos, estranhos dos funcionários.

O livro começa no final dos ano noventa e o jornal havia acabado de trocar as máquinas de escrever por computadores e aí faz todo sentido contratarem uma pessoa para filtrar os emails, porque os administradores pensavam que os repórteres não trabalhariam mais, ficariam na internet conversando entre eles mesmos, vendo pornôs ou fazendo nada. Lincoln quando aceita o trabalho não faz ideia de que seria um stalker, mas pensava que era algo relacionado a TI. Ele acha o trabalho muito estranho, não gosta nada da ideia de espionar os outros, mas fica por lá, trabalhando no turno da noite.

Ele faz uma seleção de palavras consideradas impróprias para o trabalho e todo email que possuir alguma delas cairá em sua caixa e ele então lerá e enviará uma notificação do tipo pare-de-falar-sobre-isso-no-trabalho-grato. Maaaas, o legal é que os emails da Beth e da Jennifer sempre são filtrados e acabam sendo lidos por Lincoln, que nunca conta para o seu superior porque ele acaba se envolvendo na história das duas amigas, que contam suas vidas, seu cotidiano, suas confusões e suas coisas absurdas (das quais me identifiquei muito hehehe!). Lendo praticamente diariamente as conversas dessas mulheres, Lincoln acaba se apaixonando por Beth.

O que é mais legal é que praticamente tudo o que nós sabemos das duas personagens femininas principais nós aprendemos nos seus emails, no diálogo frenético que elas travam uma com a outra. Esses capítulos de emails são intercalados por outro capítulo de narrativa convencional que conta a vida de Lincoln, um homem solteiro que voltou da faculdade (e outras formações mais) para a casa da mãe.

Como eu trabalhei em um jornal no período da noite – chegava sete e saia depois da meia noite – eu me identifiquei com muita coisa! Mas o livro continua muito bom se você nunca trabalhou em uma redação (sorte a sua hehehe!). Os diálogos são afiados, as referências são ótimas, é aquele livro vida real, que você pode ler as frases em voz alta e não se sentir idiota, pensando “meu Deus, pessoas normais não usam essa palavra”.

A capa é linda, assim como todas as capas da Rainbow, e é bem parecida com a de Eleanor & Park, o livro mais famoso dela por aqui (que é muito legal também!). A diagramação é normal – você não vai encontrar surpresas dentro do volume – e as páginas são amareladas (benza Deus hehehe).

Vamos falar de preço… Gente, é aquele velho preço de sempre, na casa das trinta dilmas. Quando comprei ele havia acabado de ser lançado e paguei R$ 40,00 (desesperación para ler), mas olhando os valores nas lojas virtuais para colocar os links, vi que ele já está R$ 10,00 mais barato e, caso você goste de ebook, é possível comprá-lo por vinte e pouco.

Versão Física – opção 1/ opção 2

Versão Digital  – opção 1/ opção 2

Onde terminam os arco-íris, de Cecelia Ahern 

onde terminam os arco irisQuero começar contado que preferi a versão digital desse livro, porque eu e as livrarias não estávamos nos entendendo. Eu tinha visto resenhas desse livro na internet com esse nome meio blé e que sinceramente não me chamou atenção, mas lendo o que as pessoas tinham falado há muito tempo atrás e agora de novo – com o lançamento do filme, que não posso indicar ou xingar muito no twitter porque não vi – eu quis muito ler. No entanto, o universo estava achando esse processo de comprar muito fácil, acontece que o nome do filme em inglês é Love, Rosie e em português é Simplesmente acontece (mais uma tradução baaais ou beeeenos pra gente, que alegria) e para o deleite geral da nação o livro também passou a ser chamado Simplesmente acontece e Love, Rosie (versão americana) e Where the rainbow ends (versão inglesa). GENTE COMO COMPRA UM LIVRO QUE TEM QUATRO NOMES?!

Depois de toda essa confusão, eu achei o livro em ebook e foi esse mesmo.

Bagunças a parte, eu realmente gostei do livro! Ele é todo contado em bilhetes, cartas, emails, recortes de jornal, mensagens de texto… Ele narra a história de dois melhores amigos desde a infância em Dublin, Irlanda, até suas vidas tomarem rumos diferentes. Rosie continua em Dublin, tem uma filha ainda na adolescência, enquanto Alex se torna médico e muda para os Estados Unidos. Eu não sei muito bem se posso falar mais da trama do livro, porque o legal e ir lendo e morrendo de raiva, de rir, de querer ser a melhor amiga da Rosie e da Ruby e de chorar (ok, não dá para morrer de chorar, dá um arranhão uma vez ou outro na garganta). Mas como reli o que escrevi e ficou bem não-da-para-entender-a-história, vou colocar a sinopse oficial:

“O que acontece quando duas pessoas que foram feitas uma para outra simplesmente não conseguem ficar juntas?
Todo mundo acha que Rosie e Alex nasceram para ser um casal. Todo mundo menos eles mesmos. Grandes amigos desde criança, eles se separaram na adolescência, quando Alex se mudou com sua família para os Estados Unidos.
Os dois não conseguiram mais se encontrar, mas, através dos anos, a amizade foi mantida através de emails e cartas. Mesmo sofrendo com a distância, os dois aprenderam a viver um sem o outro. Só que o destino gosta de se divertir, e já mostrou que a história deles não termina assim, de maneira tão simples.”

Eu gosto muito de personagens como a Rosie – irônica! -, porque ela me lembra a Lorelai, do finado e maravilhoso seriado Gilmore Girls, e como eu amo dona Lorelai Gilmore! Apesar de ter pontos de giro meio novelão, é um livro com problemas de gente normal e com romance de gente normal.

A capa não me chamaria atenção na livraria (nem essa acima, nem a capa nova, com o poster do filme), mas é um daqueles livros que surpreendem, que a gente não espera muito e de repente não se vê sem comentar sobre ele com os amigos. A autora ficou famosa com PS: Eu te amo, mas fica tranquilo, não é um volume sobre morte e chororô, é um livro bom de dezembro.

Preço de sempre, amigos. E, mistério do nome resolvido, vou colocar links de livros físicos aqui em baixo.

Versão Físicaopção 1/ opção 2

Versão Digitalopção 1/ opção 2 (kindle)

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