O amor Dele é a melhor e mais paciente de todas as coisas

O amor Dele me persegue.

Não cresce ou diminui.

O amor Dele apenas é.

 

 

 

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Alguns dias, a misericórdia do Eterno parece um beijo de um desconhecido em sua namorada, em um episódio escrito pela Shonda Rhimes (em um em que ela esteja proibida de matar qualquer personagem)

Este é um post com um texto dentro do outro e, por isso, com duas músicas.

Um beijo,

Nat.



{Para ouvir enquanto lê (1)}

É muito fácil odiar a humanidade.

Os motivos são incontáveis.

Todas as semanas milhares de novos motivos aparecem. Milhares de motivos frescos e coerentes.

Eu me lembro de quando trabalhava em uma redação de jornal online de madrugada, cada um desses motivos borbulhavam em mim. Aquele foi um período difícil. Eu odiava noticiar tudo o que escrevia. Eu odiava ligar para a polícia e fazer a “ronda” de todas as coisas horrendas que o ser humano havia conseguido fazer em um único dia. E no outro dia tudo o mal começava de novo.

Um dia, quase meia noite, eu recebi a notícia de um estupro terrível na minha caixa de email. Apenas assim. Acima daquele email estava outro email bobo de uma amiga que fiz em um site de conversação em outras línguas. Ela estava me pedindo indicações musicais em português e me perguntando sobre o clima. E bem ali embaixo, bem ali, estava um release da assessoria de comunicação da polícia, explicando que eles haviam acabado de prender um homem que vinha abusando sexualmente de uma menina há anos. Os detalhes. As minucias da crueldade humana.  Eu corri para o banheiro. O jornal não tem quase ninguém durante a madrugada, por isso o barulho dos meus sapatos contra o azulejo soou tão alto quanto um insulto. Eu me tranquei ali, entre a pia e a porta, por uns dez minutos. Tentando não chorar, ou pelo menos tentando não chorar muito.

É incrivelmente fácil odiar a humanidade.

Nesta última semana, o Brasil se perguntou algumas vezes se era possível sentir algo diferente de ódio por toda a nossa raça. Confesso que não tem sido simples. Os jornais mostraram notícias tão terríveis que as pessoas nem tem coragem de transformá-las em conversas banais no elevador ou no ponto de ônibus.

Ninguém ousou dizer “Você viu aquilo no jornal?”. Todo mundo viu e todo mundo estava tão profundamente chocado que até os “bom dia” foram silenciados.

Sempre que algo assim acontece, eu pergunto para Deus como Ele pode nos amar. Como ele pode achar em nós o seu folego depois de termos sido soprados por tanta maldade.

E o texto que vem agora – uma colagem do meu dia-a-dia – é uma resposta ao amor que Deus tem derramado em mim por tudo que está a minha volta e uma carta de amor por Goiânia, que não é o que os jornais dizem. Que não pode ser apenas o que os jornais dizem.

{Para ouvir enquanto lê (2)}

Eu acordo cedo.

E comigo acorda a cidade.

As crianças choram no ônibus. Há tanta vida naqueles pulmões e melodia na cadência do seu choro.

Ainda está muito cedo. Eu cruzo o centro de prédios apertados e vendedores ambulantes. Eles gritam e me oferecem água.

“Dois reais, moça”

“Obrigada”, sorrio.

Por que cada um deles tem um tom de voz desenhado especificamente e unicamente para ele.

E por mais bobo que pareça, sei que o Eterno ama ouvi-lo.

“Olha a águaaa”, o vendedor continua oferecendo. E eu sei que aquilo é poesia para o Senhor. Porque Ele desejou as nossas pregas vocais. Ele nos fez gritando por coisas. Nós ainda gritamos por coisas terrenas, mas Ele espera pelo dia que gritaremos por coisas eternas. Pela única e verdadeira água da vida.

Há trafego e espera na cidade.

Mas as coisas de Deus também pedem por espera.

Há Ipês roxos se abrindo, há sol, há calor que faz uma gotinha de suor desavisada dançar nas costas do menino rindo na porta de casa.

“Deixa eu levar sua sacola”, uma mulher diz para a senhora, enquanto aperta a botoeira e o sinal fecha.

Risadas escandalosas no banheiro da faculdade.

Deus ama o nosso senso de humor.

Gente correndo no fim da tarde, em um parque verdinho. Os seus pés batucam o chão em um ritmo celestial. E eu imagino os anjos dançando break.

Os professores fazem poesias enquanto explicam como uma célula cardíaca é capaz de excitar a outra, e acreditando ou não no Eterno, eles explicam como as coisas Dele são incríveis.

Há um moço na livraria, ele me convida para tomar café e explica porque eu não deveria comprar o livro que queria e deveria comprar o livro que ele estava lendo. Eu rio. Porque Deus adoraria estar ali, no meio daquela discussão, falando sobre escrita, porque Ele é toda a criatividade que existe. Ele é a Shonda Rhimes dos plot twists (sem as mortes dramáticas hahaha).

Eu faço o jantar e bato nos cantos das panelas, tentando acompanhar a minha música. Obviamente, meu molho pula no fogão. E eu posso sentir que o Eterno está ali, dizendo “nós limpamos depois de terminar esse refrão, está quase ficando como eu espero”.

E ele ri de mim no dia seguinte, porque meu colega de apartamento não avisou que a resistência do chuveiro queimou e eu abri a água com tudo em cima da minha cabeça.

“FSDJFHWOHORHEDFAJSDF?!!!!!!”, berro algo que não existe em português, dentro do banheiro. A água estava uma pedra de gelo.

Ele gargalha.

E ri mais ainda quando me vê vendo tutoriais de como arrumar a resistência do chuveiro sem saber direito sequer como abrir um chuveiro.

E um outro dia começa.

E com ele todas as coisas que o Senhor ama sobre a gente. Ele nos diz que vai nos dar uma nova oportunidade. E isso, isso é misericórdia nova e fresca.

E lá vamos nós de novo, cruzando a cidade. Cheia de gente.

Gente que o Eterno ama.

Gente pela qual o Eterno mandou o seu filho.

Crianças rodando seus spinners.

Velhos comprando seus jornais.

Estudantes exaustos dormindo nas cadeiras dos ônibus.

Um moço de camisa roxa beijando sua namorada como se estivesse prestes a ir para o exílio.

O Eterno nos ama.

Não porque somos bons, mas porque nós somos Dele.

E isso, bem, isso faz toda diferença.

Querido JoelFig, eu não te conheço, mas obrigada

{Para ouvir enquanto lê}

 

Depois de passar o dia na biblioteca da universidade estudando, fui para o ponto de ônibus e ele não passou na hora que deveria. Novidade…

“Eu odeio poucas coisas como o 105, Deus…”, pensei.

105, o ônibus que se atrasa, está sempre cheio e é impossível de se escapar.

Então, eu comecei a abrir coisas aleatórias no meu celular, curtir fotos de amigos dos quais tenho saudades todos os dias, comecei a me perguntar porque a vida nos dá tantos pratos para girar ao mesmo tempo e como seria bom deixar alguns caírem para ver todos esses amigos todas as semanas.

E bem… foi mexendo aqui e ali no Instagram que eu achei. Eu achei. Sim, eu achei.

“O que pelo amor de Deus?!”, você me pergunta.

Bem, eu achei um dos melhores blogs que eu já li em muito tempo.

Sério.

Eu não tinha pretensão nenhuma naquele dia: eu só precisava chegar em casa, tomar um banho, estudar um pouco mais. Mas eu fui invadida pela presença de Deus. De uma forma intensa.

Enquanto eu lia um dos melhores textos que li em eras sobre o Eterno, a maior chuva de todas começou a cair.

As pessoas do ponto de ônibus começaram a reclamar, agarrar as suas mochilas, começaram a a se amontoar no centro do lugar, tentando ficar o mais longe possível do temporal gelado. E eu? Eu estava ali, feito uma maluca, tomando chuva. O vento fazia meu cabelo dar piruetas, as gotas respingavam no meu celular, e eu tentava não chorar ou rir muito alto.

Deus pode nos encontrar das formas mais incríveis. Como o autor do blog escreveu: He is a wild thing.

Eu e o cara mais incrivelmente selvagem que eu conheço nos molhamos  e entramos sorrindo no 105, coisa que as pessoas não costumam fazer naquele ônibus.

E qualquer um que me visse naquele dia sabia que eu era só Dele e Ele era só meu.




Por favor, leia esse blog incrível: Joelfig 😉

O seu rugido é minha canção favorita

{Para ouvir enquanto lê}

“Você não sabe o meu tamanho. Não há como você me mensurar. A sua mente não consegue. Você continua me colocando em pequenos espaços, esperando que eu faça pequenas coisas. Mover montanhas de um lado para o outro é pouco. Você não sabe o meu tamanho. ”

Enquanto Ele falava, cordas caiam de um leão que parecia estar atado. E o leão crescia. Crescia. Crescia. Sua juba se tornou selvagem, seus olhos brilhantes, havia vida, vida violenta, em cada um de seus pelos.

Ele continuou:

“Você não entende ainda. Eu sou pai, mas não sou apenas pai. Eu sou o Leão da Tribo de Judá. E as cordas do seu entendimento nunca poderão me segurar. ”

O leão rugiu e tudo pareceu incrivelmente minúsculo perto do som de sua voz.

 

 “E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos.”

Apocalipse 5:5



Leia também:

Eu preparo o chá que iremos tomar em nossa nova casa, Deus, quando finalmente o meu espírito vir o Seu

Omelete (ou: Eu queria ser um escorredor para que as costas do Eterno se apoiassem em mim)

{Para ouvir enquanto lê}

Eu abro os olhos, e com a voz rouca, mal mal audível, tateando pela cama a procura dos óculos – eu tirei os óculos, certo? Será que eu dormi com eles?! Não, não, eles estão aqui, do meu lado -, encosto os pés no chão de madeira, passo os dedos pelas minhas costas, respiro em voz alta:

– Bom dia, Deus.

E Ele está ali. Todas as manhãs.

Fazemos café juntos.

–  Hoje acordei na hora, vai dar tempo de fazer omelete. – Explico a Ele.

Sentamos nós dois na mesinha da cozinha da minha avó – onde eu fico durante a semana. Só há uma cadeira de ferro, mas ele traz um banquinho do céu. Brilhante como Ele.

Eu corto os ovos. Nós mastigamos.

il_570xN.874872859_3i2xE tudo parece sincronizado. Eu falo. Ele responde. Eu faço silêncio. Ele cantarola. Eu lavo as vasilhas do café, Ele espera ao lado da pia. Suas costas ali, quase tocando o escorredor. E eu penso: que escorredor sortudo. E, antes que eu termine de pensar, Ele ri, porque sabe que eu espero pelo dia que os seus dedos vão me alcançar e eu sentirei.

Agora em parte. Mas, no futuro, conhecerei a Ele como também sou conhecido.

E nesses dias, em que o café da manhã parece uma propaganda oficial do céu que está por vir, eu desejo, do fundo de mim, que eu nunca o entristeça.

 

 

 

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face;
1 Coríntios 13:12

 

Do meu quarto. Do meu desafino. (3)

Algumas vezes, eu pergunto para Deus como era o coração de John Wesley. Eu passo os olhos pela sua biografia e me impressiono com o fogo que irradiava por sua pele e queimava seus ossos. “Eu me coloco em chamas, e o povo vem para me ver queimar”.

Como eu posso queimar de forma incontrolável? De forma que nunca mais tenha volta? Eu perguntei ao Senhor enquanto a letra da música abaixo ia sendo desenhada. A resposta é simples, mas, como tudo no evangelho, ela exige tudo de você.

E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo.
Hebreus 1:7

É preciso ser ministro.

Um dentista ministro. Um diácono ministro. Um economista ministro.

E foi assim que este Do meu quarto. Do meu desafino. perdeu todo o meu quarto e ganhou John Wesley.

 



Este projeto não é sobre cantar bem, claramente. Mas é sobre dizer coisas para Ele. Se você tem uma canção que está amando cantar para Ele, me mande (nataniacarvalho@gmail.com), vamos dividir nossos corações e sermos parte uns dos outros ❤


Leia também:

Do meu quarto. Do meu desafino. (1)

 Do meu quarto. Do meu desafino. (2)

Quem?

{Para ouvir enquanto lê}

Nada pode nos prender. Eu fecho os olhos com força. Respiro. Nada pode nos prender. Nem as paredes dos ônibus. Nem os livros desinteressantes sobre genes recessivos. Nada pode nos prender. Mesmo quando nossas mãos parecem atadas e os pés não vão para frente ou para trás. Andaremos em verdadeira liberdade, pois temos buscado os teus preceitos. Nada pode nos prender. Nem a vontade congelante de chorar. Nem a adrenalina pulsante que nos faz correr. Porque nossos espíritos são maiores do que as camas em que nossos corpos deitam, encarando o teto. Porque somos mais duros do que as pedras que acertam nossas carnes. Permanecemos firmes e não nos deixamos submeter novamente a um jugo de escravidão. Nada pode nos prender.  Nem o dinheiro que eles inventaram, nem a falta dele. Nós somos pequenas abelhas que saem pelas beiradas das janelas. Nós voamos pelas correntes de ar. Ele nos enviou para proclamar liberdade aos presos. Proclamadores. Vozes dispersas no deserto, batendo contra as areias geladas, chocando-se contra o mundo. Nada pode nos prender. Nós vamos passar pelas frestas. Nada pode nos prender. Somos a dúvida: onda ou partícula? Nada pode nos prender. Porque quem pode prender quem já morreu pra si?

 

 

 

E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.
Romanos 5:5

Não, obrigada

{Para ouvir enquanto lê}

Eu não estou interessado em um evangelho que mede saias, não muito obrigada. Mas também não estou interessada em um evangelho que não custa nada, porque, bem, ele não é real. Eu não quero inventar uma Bíblia que fala apenas o que eu quero ouvir, não obrigada. Eu não estou interessada em um avivamento apenas de chapação. Se não for para impedir uma mulher de apanhar, não me chamem. Eu não quero saber das suas intervenções militares e das suas ordens para o progresso. Eu quero falar dos ferrados das ruas, não me chamem para comícios de políticos que apoiam as armas que vão mata-los. Eu quero ver as salas de aulas, as varas de justiça, os laboratórios e seus tubos de ensaio, os hospitais e as esquinas cheias Dele. Eu quero ser o ombro das putas e quero ser seu pior inimigo quando você chamar qualquer uma delas desta forma; eu quero os motoristas de ônibus e os desembargadores, não eu não quero os santos e os cheios de si. Eu quero os impuros, como eu, os marcados, como eu, os que lutam com a própria cabeça todos os dias. O meu tempo, agora, está longe das conferências de relacionamento cristão, eu estou dentro da solitude de mim, lutando com coisas diferentes do que esperar. Coisas como o abuso que milhares de garotinhas sofrem por dia, garotinhas que como eu vão precisar de tempo para engolir a bola de pelo que foi enfiada em suas goelas a baixo. Eu quero aquele que julga e tem coragem de pedir ajuda, não quero quem finge não julgar. Eu quero os que se machucam e choram, porque dói, dói pra caramba levantar da cama alguns dias. Se você me chamar para sorrir e falar da moral deste mundo, me perdoe, eu precisarei inventar uma desculpa para não ir. Porque você pede pelo reino dos céus, mas, na verdade, quer a vigência dos princípios deste mundo que não te chocam. Eu fui feita para o silêncio, mas não se engane, eu não fui feita para ficar quieta. Eu não caibo dentro de quatro paredes. Eu sou a minha voz, que grita nas segundas-feiras pelas minhas mulheres machucadas, eu sou o texto que fica na internet enquanto o apocalipse não varrer tudo. Eu sou a revolução em um ponto de ônibus quando falo sobre eternidade e não sobre religião. Eu sou o que a crença banal não conseguiu conter: a igreja. Totalmente sem rejuntes. Eu não estou interessada em conversas pseudoespirituais que escodem comportamentos, não obrigada. Eu quero o feio, o sujo, o doente. Porque se eu, a pessoa mais universalmente perdida, um dia fui achada, qualquer um pode ser.

Qualquer

 um

pode

ser.

A verdade é Jesus e a gente não precisa enfeitá-la. Ser santo como Ele é. Amar como Ele amou. Perdoar como Ele perdoou. Entregar-se como Ele se entregou. E se entrega. Diariamente. Eu não estou interessado em um evangelho que fale sobre outra coisa a não ser sobre Ele.

Se não for sobre Jesus, não me chamem, muito obrigada.

 

 




PS 1: Este texto não tem a intenção de ofender ninguém, mas tem. Porque enquanto focarmos aapenas em nós mesmos e em nossas picuinhas crentes, o mundo roda o mesmo. O avivamento não é apenas para a nossa igreja física, mas é também para ela… E recebereis poder para. PARA. PARA. O poder sempre vem PARA um propósito , totalmente voltado para uma missão, SUA MISSÃO. Como você está usando o poder que recebeu hoje? Eu espero que você esteja transformando o mundo que te envolve, porque se não está, não minta para você mesmo, alguém está. Israel, marche pelo mundo e tome a terra que o Senhor já te ofereceu como herança. Saia curando, levando a salvação, dando razões para que a criminalidade diminua, para que as mulheres não sejam vítimas em seus lares, para que as crianças possam conhecê-Lo e amá-Lo antes mesmo que seus dentes de leite caiam. Israel, por favor, faça alguma coisa!

PS 2:  Um beijo para todos – para mantermos um nível de amorzinho no post hehe    ( :




Esquema de sempre: você pode me encontrar através do meu email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou do meu Instagram =D

Cinco talvez e um único parágrafo

{Para ouvir enquanto lê}

Talvez estejamos falando e escrevendo sobre muitas coisas, mas nenhuma delas mora em nós. Somos pautas de jornais. Passageiros e dispensáveis. Conversa de esquina. Prosa do bar do Seu João. Talvez a gente devesse dizer menos. Talvez no silêncio haja palavras maiores do que as ditas no barulho. Ou não. Talvez eu esteja errada. Talvez seja apenas Banks demais…