Pacientemente, amor (ou: Pão de queijo quentinho)

{Para ouvir enquanto lê}

paodequeijofinal

Ainda não sei escrever um post sobre a manhã de hoje. Estava eu lendo um livro do Fernandinho – em breve quero falar sobre ele por aqui – no ônibus, em direção ao trabalho, depois de uma longa semana de dengue, exames de sangue e horas esperando minhas consultas, quando eu li 1 Coríntios 13. Eu, sinceramente, não sei quantas vezes já li esse texto, ouvi alguém lendo esse texto, pregando sobre esse texto, e exemplos parecidos…

Inúmeras vezes.

No entanto, hoje uma parte dele pareceu fazer um sentido absurdo pra mim.

O amor é paciente

1 Coríntios 13:4

Sim. Ele é. E sabe, acho que quando a gente descobre um pouco mais sobre o amor vemos que essa é uma característica intrínseca dele. O amor não desiste, ele não joga tudo para cima, ele está ali, todos os dias, esperando e por isso ele tudo suporta, e por isso ele tudo crê, tudo espera, tudo sofre. O amor enfrenta tudo, pois ele é paciente para alcançar o seu fim.

Eu estou apenas repetindo os versículos, amigos, porque ainda não consigo explicar a certeza que invadiu meu coração. Em dias em que nada pode esperar, o amor pode. No mundo em que se não for para agora não serve, o amor é paciente. Eu amo pacientemente, como quem abre um pão de queijo recém assado e espera enquanto uma fumacinha cheirosa sobe até o teto. Uma hora a gente morde o pão de queijo, uma hora o perfeito vai chegar, e o que é imperfeito vai desaparecer.

Etiquetado , , , ,

Porque hoje é dia do beijo (ou: Sobre se apaixonar por Jesus)

{Para ouvir enquanto lê}

beijo_000000

Hoje é dia do que? Sim, você leu o título e sabe que a resposta é do beijo – embora para mim tenha sido dia de descobrir que estou com dengue e o mistério das minhas dores no corpo ser desvendado (Agatha Christie das doenças tropicais).

A Bíblia é um livro dos mais românticos… E eu não estou falando de Salomão e todos os seus elogios peculiares. O evangelho é, para mim, uma declaração de amor. Mateus, Marcos, Lucas e João escreveram, juntos, uma grande carta sobre se apaixonar.

Você já parou para pensar que esses quatro homens eram apaixonados por Jesus? Calma lá, quero voltar mais um pouco: você já parou para pensar que Jesus era um cara normal nessa época? Ele não tinha filmes, fama, quadros… Ele era apenas um nazareno não caucasiano, queimadinho de sol e dono de palavras justas e doces. E foi necessário que esses homens conhecessem a ele. Foi necessário que esses homens fizessem perguntas bobas sobre o reino e sobre ser grande dentro dele – porque ninguém nunca as tinham feito antes. Foi preciso que esses homens dividissem casa, comida e um barco quase naufragando para que algo dentro de seus corações fizesse click e eles pensassem: caramba, eu amo esse cara.

Se apaixonar por alguém não é um processo rápido. Mateus levou 28 capítulos para nos mostrar isso. Eu aprendi que você vai encontrando pequenas trilhas nas pessoas até encontrar, verdadeiramente, seus corações. Eu imagino Jesus fazendo esse tour pelo interior de Pedro, até achar o coração pulsante aonde a igreja iria se apoiar. Jesus faz isso conosco. Ele desentulha nossas estradas para entender o que é o amor. A cada dia que entendemos mais um pouco, tudo muda. TUDO MUDA. O amor de Jesus me fez mudar minha ideia de amor. E amar a Jesus me fez mais amorosa.

Acredito que quanto mais os discípulos conheciam Jesus, mais eles o amavam. Sabe quando você admira alguém a ponto de, sem perceber, decorar a forma com que ela se move ao redor das outras pessoas? Você sabe como ela ri, sabe como ela conversa, você sabe, até mesmo, que ela se mexe de um lado para o outro quando ela ora. Os discípulos deviam ser assim. Saber o sotaque de Jesus, saber a sua comida preferida, saber como era seu sorriso depois de um milagre.

Um dia ouvi que o amor de Jesus era a única coisa que podia colocar nosso interior no lugar. Eu estava em uma fase blé quando me disseram isso, há alguns anos, e por mais que soubesse que a frase era verdade, não entendia como colocar em prática. Bem, acontece que eu amava a Jesus, mas ele queria me ensinar a amar segundo o seu amor. Não apenas para corresponder a Ele, mas para que eu pudesse amar aos outros com o mesmo amor.

Sabe alguém na Bíblia que eu creio que amava a Jesus com o amor que vem do próprio Jesus? A mulher que lavou os pés do Senhor na casa do fariseu:

 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos de sua cabeça.

Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés.

Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento.

Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.

Lucas 7: 44 – 47

Que passagem incrível! Mesmo com a cabeça latejando – dengue é muito divertido, amigos – eu consigo pintar a reação desta mulher diante das palavras de Jesus. Eu consigo vê-la beijando seus pés. E de passagem em passagem, beijo em beijo, vamos nos tornando cristãos no mais íntimo dessa palavra: amor.

Etiquetado , , , , , ,

Leituras de Janeiro, Fevereiro e Março

{Para ouvir enquanto lê}

Este é aquele post em que eu te conto o que eu andei lendo. Sei que este blog não é literário, no entanto continue lendo, quem sabe você não se interessa por um dos volumes? Eu vou dividir o post em duas partes, a primeira são livros que eu chamo de “da vida”, eles não são relacionados a Deus, e a segunda parte livros que leio para a construção dos posts e que, portanto, falam sobre nossas vidas à luz da Bíblia.

PARTE 1

>> Aniquilação, de Jeff VanderMeer

aniquiCARAMBA. É a primeira coisa que tenho para falar sobre esse autor. Aniquilação é uma daquelas coisas da vida que ou você ama ou você odeia. E eu amei! A história, que chamo de horror cósmico, mas que também é classificada como horror barra ficção científica, conta a história de uma expedição que vai até o sul dos Estados Unidos até uma área denominada de X – já deu para entender que a gente não sabe aonde é com a escolha da letra, certo? – um lugar onde uma catástrofe ambiental ocorreu. Porém, essa não é a primeira expedição que é mandada para este terreno, mas a 12ª. E nenhuma delas foi bem sucedida. Alguns não voltaram, outros voltaram, mas não voltaram, e outros, ainda, retornam com câncer. Não é bem para ir para lá que vocês ficam dando F5 em site de passagem, amigos.

A vontade de ler este livro surgiu quando eu descobri que todas as personagens eram mulheres. Sim, sem nenhum romance na área, sem triângulos, sem diálogos que, muitas vezes, aprisionam as narradoras femininas a um universo único de pretensões amorosas. Aquele era um livro sobre quatro profissionais em uma missão. Uma bióloga – nossa narradora curta e grossa -, uma topógrafa, uma psicóloga e uma antropóloga. Todas sem nome durante a história.

O que começou como algo meio girl power, logo nas primeiras páginas se tornou medo dos bons, amigos, quase do tipo lovecraftiano.

“Eu lhes diria os nomes das outras três, se isso tivesse alguma importância, mas apenas a topógrafa vai durar mais um ou dois dias.”

O desconhecido, se mistura a sentimentos universais, e aí o pavor da personagem se torna o seu próprio pavor. Estou tentando não contar muito do plot, porque grande parte da graça de entender um pouco do que está acontecendo na área X é não saber de nada, mas o que posso dizer é que a escrita de Jeff é fantástica. Suas descrições criavam em mim um pânico e uma admiração, muitas vezes. Uma das melhores de toda a obra, pra mim, é a descrição da piscina da biografa, incrível mesmo. Eu, que não gosto de ler horror contemporâneo, cheio de pessoas sendo rasgadas no meio, amei sentir medo não de morrer estripada, mas sentir medo do universo, de seu tamanho, de todo o desconhecido, de qualquer fungo que via pela frente, sentir medo de falar sobre a história das nossas vidas, medo dos nossos primeiros nomes. Lovecraft de novo.

“Quando passamos a ver beleza na desolação, algo muda dentro de nós. A desolação tenta nos colonizar.”

O livro faz parte de uma trilogia, Comando Sul, então há mais coisas para se descobrir… Os outros dois livros ainda não chegaram por aqui e, infelizmente, agora é esperar. Indico com certeza.

Bônus: li uma parte que me deixou tão mais tão absorta na padaria perto do meu trabalho, e agora sempre que entro no lugar procurando pão de queijo, me lembro do livro.

>> Mentirosos, E. Lockhart

106589elockSó digo uma coisa: fiquei com ozói cheio d´água. Eu li esse livro durante a Conferência de Carnaval da minha igreja, na verdade, eu terminei o volume no horário do almoço, entre as palavras da manhã e da tarde. Tinha levado uma toalha vermelha de picnic para comer lendo, deitei na grama, mas o clima não estava bucólico não. Eram as últimas trinta páginas e olha não chorar foi um exercício de muito imagina-civil-wars-lançando-outro-disco. É uma obra YA? É. Mas gente, vale a pena. Tem um romance superestimado? Tem. Mas continua valendo a pena. Tanto que já emprestei para um amigo, porque preciso comentar sobre!

Vamos a sinopse (vai parecer uma leitura blé, mas não confiem em quem escreveu isso, é um livro muito bom e essa sou eu sendo parcial como sempre, aceitem kkk):

“Cadence vem de uma família rica, chefiada por um patriarca que possui uma ilha particular no Cabo Cod, onde a família toda passa o verão. Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat (os quatro “Mentirosos”) são inseparáveis desde os oito anos. Durante o verão de seus quinze anos, porém, Cadence sofre um misterioso acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos, tentando juntar as lembranças sobre o que aconteceu.”

Dona Lockhart tem uma escrita envolvente  – ela te deixa uma trilha de pães sobre o que aconteceu no verão dos 15 – e reflexiva; ela faz a gente pensar em como só vemos parte de nossas vidas pela ótica que nossa emoção consegue lidar/suportar. Você vai chutar algumas teorias durante a leitura de Mentirosos,  vai se lembrar de como odeia alguns tipos de comportamentos elitistas, e, se for um pouco parecido comigo, vai querer chorar no final. E depois rir, pois a última página do livro é um selinho contra spoiler, eles falam que o há um fórum no site do livro para você falar sobre ele e evitar encher suas amizades de spoiler.

>> Batman 66, de Jeff Parker com arte de Jonathan Case, Ty Templeton, Joe Quinones e Sandy Jarrel [mais conhecido como: obrigada, Dany, pelo presente de Natal]

Batman_'66_Vol_1_1_Textless“Santa baboseira maquiada, Batman!”

Você sabe de quem é a frase acima, certo? É do menino prodígio. Bem, a HQ Batman 66 é uma homenagem ao seriado do Batman de 1966.

Conhecido pelo entretenimento inocente, engraçado e cheio de “pufts”, o seriado, sem grandes questões humanas, trazia um batman nada sombrio e cheio de bat-objetos, um Robin sempre disposto a fazer uma piadinha e vilões que queriam dominar o mundo e ganhar muito dinheiro com as maldades das horas vagas. A HQ carrega exatamente o mesmo tom do show de TV.

Vale a pena pelo sentimento de nostalgia (daquele tempo não vivido, quem nunca?) e pelas ilustrações, quem são uma belezura.

>> O Teorema Katherine, de John Green

Pra mim, este é um livro sobre o medo do fracasso. E não, não é o melhor livro do João Verde. Mas antes de tudo, vou deixar a resenha da obra feita por uma booktuber brasileira. Conheça a história de O Teorema Katherine:

Apesar de ser um livro sobre fins de relacionamentos, o que mais me chamou a atenção nele foi a necessidade de reconhecimento do personagem principal. O Colin é como aquele pedacinho do nosso cérebro que nos pergunta todos os dias por que não somos gênios, por que não escrevemos uma teoria nunca vista pela humanidade ainda, por que não somos milionários antes dos trinta? O combate vivido por muitos entre descobrir o que você verdadeiramente é e o que você deveria ser para parar de receber olhadelas pedantes no Natal. O Colin é aquela parte de nós que usa a expressão medonha e nojenta “ser alguém na vida”.

No entanto, há alguns problemas no decorrer da história, como a lentidão da mesma e personagens interioranos cujos sotaques são transcritos para o livro de uma forma não natural – gente “uuhaá sô!” em um diálogo apenas não. É claro que sei que a tradução nesse caso de expressões muda tudo, talvez eu tente ler o livro em inglês para saber se pecamos em nossa edição…

capa_teoremaAmigos, além desses problemas, quando você lê uma obra catalogada como Young Adult deve saber no que está se metendo: romance mais diluído. Mas quem já leu outros livros do John Green sabe que ele balanceia isso com uma escrita super agradável.

Gostei de o rodapé fazer parte da história e de que o teorema matemático foi feito realmente por um matemático. No entanto, a história não nós faz devorar o livro.  Tem road trip no livro? Sim. Tem um personagem muçulmano adolescente engraçado e amoroso (e own)? Yep. Tem pé na bunda? Tem também. Tem personagem principal super inteligente e que faz milhões de referências? Aham. Mas, ainda sim, ela corre tão devagar quanto aquele primeiro dia pós fim de relacionamento. Confesso que empaquei com ele algumas vezes e que, ao contrário de alguns comentários que vi por aí, não achei o livro subestimado, achei mesmo que ele não é tão bom quanto outros que já li do mesmo autor.

Se eu recomendo? Gentes, todo mundo devia ler tudo que puder, nem que seja para me dizer que eu estou louca (beijos, Eduardo).

tumblr_ms9cqas5tl1so3qqao1_500

Além dos livros acima, reli Harry Potter e a Pedra Filosofal, da [maravilhosa] JK. De tempos em tempos, eu volto para Harry. <3 Pretendo reler todos os sete livros neste ano, mas comecei o projeto Victor Hugo, então vamos acompanhar se realmente farei os dois hehe…

PARTE 2

Para apresentar os livros que ajudam a construir os posts do blog nos últimos meses, não irei fazer um resuminho de cada um deles, mas vou colocar um link em que vocês podem conferir o texto em que eu já falei sobre o livro.

>> Super Ocupado, do Pastor Kevin Young

Tem textão resenha dele aqui Ô.

>> Historical Geography of Bible Lands, de Wycliffe

Quem leu algum post antigo sabe que eu não leio este livro de uma vez, e sim dou uma olhada sempre que quero estudar alguma partezinha da Bíblia em especial. Nesses meses eu usei para aprender sobre as viagens missionárias de Paulo e escrever um dos meus posts favoritos de todos os tempos. Qual post? Esse aqui.

>> Atos, de Lucas (aquele Lucas famoso da Bíblia)

Suspiros à postos? Eu absolutamente amo Paulo. Atos não é meu livro favorito da Bíblia, no entanto, ele está na disputa, porque conhecer a rotina da igreja primitiva, de Paulo e seus discípulos, entender quanto amor alguém pode ter pelo evangelho derrete meu coração em um nível maior do que ouvir Billie Holiday, Natalie Cole ou Etta James cantando The Very Thought of You, me derrete em um nível maior do que ouvir gente que sabe tocar violão sem pretensão nenhuma, dedilhando o instrumento quase de forma murmurante…

Múltiplas declarações de amor a parte, leia meu post sobre uma das histórias que encontramos no livro de atos. E por que parar no texto da linha anterior? Leia logo Atos todo!




PS: Tem livro para me indicar? Envie um recado no meu email: nataniacarvalho@gmail.com 

Etiquetado , , , , , , , , , , ,

Você é muito ocupado ou está se ocupando demais? (ou: Falando a verdade sobre nossas rotinas)

Começo esse post com o coração quente e agradecido pelo tempo de quem me manda um recadinho pelo email/comentários. Quando criei este blog, para amigos e conhecidos, não sabia que ele poderia chegar até pessoas totalmente diferentes do meu ciclo social e que essas pessoas teriam interesse em mandar um olá-eu-te-leio-sem-te-conhecer. Por favor, mandem os links dos seus blogs no final dos emails, para que a leitura seja recíproca! <3


rotina

{Para ouvir enquanto lê}

“Para a maioria de nós, não é a heresia ou apostasia que fazem nossa fé sair dos eixos. São as preocupações da vida. Você tem de consertar o carro. O aquecedor de água pifa. A criançada precisa ir ao médico. Você ainda não conseguiu fazer sua declaração de imposto de renda. Sua conta no banco está sem saldo. Você se atrasou em escrever notas de agradecimento. Você prometeu à sua mãe que iria para a casa dela dar um jeito de consertar a torneira. Você está atrasado no planejamento para seu casamento. O concurso ou seu exame da OAB está chegando. Tem de mandar imediatamente mais currículos. O prazo da sua dissertação de mestrado está se esgotando. O tanque está vazio. O gramado precisa ser aparado. As cortinas da casa não estão colocadas. A lavadora de roupa está sacudindo e fazendo um barulho assustador. Esta é a vida para a maioria de nós, e está sufocando nossa vida espiritual.”

Kevin Young

Eu decidi falar sobre rotina neste mês, depois de fevereiro jogar na minha cara, quarto e escrivaninha o quanto eu sou desorganizada. Não é segredo para quem me lê que eu sempre tenho uma jaqueta em cima da cama e muitos alguns livros espalhados na escrivaninha, mas fevereiro me deu um belo chute no traseiro (queria falar chute na bunda, mas achei ofensivo. Procede?). Mais do que desorganizada com minha vida de escolher uma roupa para sair, eu me descobri desorganizada com meu tempo e isso significa aquele velho sentimento “estou muito ocupada para”.

Isso vinha me atrapalhando bastante, porque na hora de descansar, eu estava pensando em alguma coisa que tinha que resolver – não apenas do trabalho, mas nossas obrigações diárias – e na hora de realizar tais obrigações eu estava cansada. E eu não estou sozinha, dei uma olhada em posts por aí, e olha: isso é muito comum. Talvez até mais comum do que suspirar por As Time Goes By, em Casablanca (é como abrir a boca, só falar e já estou suspirando).

– Bem, Deus, talvez isso signifique que você quer me ajudar a ser menos confusa-cheia-de-coisas-pra-fazer.

Com isso em mente,  procurei textos embasados na Bíblia sobre a desculpa favorita de todos os ocidentais relacionadas a sua rotina: EU SOU MUITO OCUPADO. Foi assim que eu tropecei em um livro que, praticamente-literalmente hehe, tem o nome da desculpa ocidental. Super Ocupado, é uma livro do Pastor Kevin Young, como conheço pouquíssimo do que ele tem feito, não posso indicar outras coisas de sua autoria, mas esse livro especificamente fala do tema de forma bastante prática e, sim, creio que você pode tirar proveito dele. Mas, calma lá, antes de você me falar que está muito ocupado para ler o livro, deixa eu te explicar como vou falar dele neste post.

super-ocupado-ve

Super Ocupado possui dez capítulos e eu os agrupei – não de acordo com a forma que foram escritos e apresentados no volume – em três temas que me ajudaram a entender minha rotina. Espero que eles se encaixem com a sua também.

1) Eu sou mesmo tão ocupado assim? 

Esse primeiro tópico barra pergunta parece idiota, mas na verdade ele nos mostra o quanto usamos nosso tempo de forma errada. No primeiro capítulo do livro, Kevin conta a história de uma mulher estrangeira que ao chegar nos Estados Unidos passa a se apresentar como “Very busy”, porque isso era o que ela ouvia assim que tentava se comunicar com outros.

Nós colocamos um super selo de que nosso tempo está totalmente tomado, mas, se pararmos e colocar tudo o que fazemos no papel e em quanto tempo faríamos isso se não nos enchemos de distrações, como o capítulo sete cita (mídias que consumimos e que consomem nossas horas), podemos perceber que, bem, nós podemos sim ir na igreja naquela terça-feira a noite.

Mas não são apenas aqueles quinze minutos que tiramos para olhar o feed do Instagram e descansar a cabeça que rouba TODO o nosso tempo, claramente. Esses capítulos nos mostram que a força da nossa declaração de “não dá, estou ocupado”, não nos faz pensar em formas de otimizar nossas atividades e buscar uma solução. Então, curtindo algumas fotos dos amigos ou não, você já se predispôs a estar cheio de coisas para fazer.

2) Eu realmente sou muito ocupado, não é desculpa, é sério 

Minha gente, isso é uma realidade. Muitos de nós somos INCRIVELMENTE cheios de coisas para fazer. Um exemplo? Você já chegou do trabalho sabendo que absolutamente tudo na sua casa ainda está para fazer e adivinhe? Você ainda tem que checar o email e ver se aquele freela foi aprovado. Pois bem, depois de passar pela pergunta do tópico 1 e ter chegado a conclusão de que você é ocupado-não-é-desculpa-é-sério, agora nós precisamos descobrir novas coisas:

– Porque eu sou tão ocupado?

A) Porque eu sou orgulhoso.

COMO ASSIM, NATÂNIA, O QUE VOCÊ TÁ FALANDO? Sim, segundo Kevin, estar muito ocupado pode ser uma condição de quem é muito orgulhoso. Você já viu aquela pessoa cujos olhos brilham quando ela fala que tem que ir no banco na hora do almoço e nem vai ter como comer? Pois é. Nós nos tornamos viciados na rotina de nunca ter tempo, de estarmos sempre fazendo algo, de descansar apenas no domingo pela manhã e olhe lá. O livro joga essa carta também no meio da igreja. Ele fala sobre aquelas pessoas que estão tãaaao ocupadas com as coisas da igreja que já se esqueceram o porquê fazem isso. “Eu estou tentando fazer o bem ou ser visto?”, ele nos pergunta o capítulo três.

No capítulo 5 ele nos lembra que Jesus podia ter se tornado aquele cara ocupado em fazer milagres, mas o tempo de Jesus não era gasto saciando sua necessidade de aprovação – que calma, todo mundo tem -, mas era gasto seguindo o direcionamento do Espírito Santo.

B) Porque estou fazendo um trabalho que não é meu

Um capítulo depois, Kevin explica que muitos na igreja sofrem da síndrome do “isto é o que bons cristãos fazem”, querendo fazer tudo na instituição, quando, na verdade, nem todo “bem” deve ser feito especificamente por você, por isso a igreja é um corpo, para que cada um faça o bem para que foi designado. O exemplo foi relacionado ao mundo cristão, mas muitas vezes tentamos fazer o trabalho dos outros em nossas empresas e até em casa. Falando em casa, o autor dá a bronca no capítulo 6: você precisa parar de enlouquecer por causa dos seus filhos. Eu ainda não tenho filhos, mas vendo o quanto meus pais fazem por mim e por meus irmãos, sei que isso pode acrescentar muitas horas a mais no seu checklist mensal de horas.

3)  Porque estar muito ocupado é prejudicial?

Sua saúde física, talvez, seja a primeira a responder isso com enxaquecas, dores nas costas e tantas outras coisas que vem da nossa falta de descanso. No entanto, Kevin nos dá outros motivos pelos quais precisamos desacelerar nossa rotina. O primeiro deles é a que ficar ocupado demais nos deixa mais tristes e a palavra de Deus nos chama para exalarmos alegria.

“Esta é a ameaça espiritual mais imediata e óbvia. Como cristãos, nossas vidas deviam ser caracterizadas pela alegria (Filipenses 4.4), com sabor de alegria (Gálatas 5.22) e cheias da plenitude da alegria (João 15.11). Ocupação em demasia ataca tudo isso. Um estudo diz que pessoas que viajam diariamente a serviço experimentam maior nível de estresse do que pilotos de aviões de bombardeio ou policiais. É isso que estamos enfrentando. Quando nossa vida está frenética e desvairada, somos mais propensos à ansiedade, ressentimentos, impaciência e irritabilidade. Enquanto eu trabalhava neste livro, pude perceber em meu interior um espírito melhorado. Não por meus escritos, mas pelo tempo de folga que recebi para fazer o trabalho de escrever. Durante aquelas semanas sem as pressões de viajar, reuniões e constante preparo de sermões, descobri estar mais paciente com meus filhos, mais atento e sensível para com minha esposa, mais disposto a ouvir de Deus. É óbvio que todo mundo tem semanas e meses em que tudo que pode dar errado, e dá mesmo errado. Nesses períodos teremos de lutar com força para ter alegria no meio de muita ocupação. Mas poucos de nós lutarão agora mesmo em prol da alegria da próxima semana, enfrentando os hábitos desnecessários de ocupação atarantada que tornam a maioria das semanas em infeliz perturbação.” (Super Ocupado)

O segundo motivo pelo qual a super ocupação deve ser evitada é porque ela sufoca nosso coração. Fazendo analogia a parábola do semeador (se você não conhece, por favor, leia Mateus 13), Kevin nos explica que as preocupações com este mundo são um dos grandes espinhos capazes de destruir nossa fé por um simples motivo: estarmos ocupados demais para alimentá-la.

“Por mais que oremos contra o diabo e oremos pela igreja perseguida, no pensamento de Jesus a maior ameaça ao evangelho é a mera exaustão. A situação de estar ocupado demais mata mais cristãos do que balas. Quantos sermões perdem seu poder por causa de excessivas preparações de almoços ou jantares e jogos de futebol profissionais? Quantos momentos de dor são desperdiçados porque nunca paramos tempo suficiente para aprender com eles? Quantas vezes o culto particular e familiar foi esmagado por projetos de escola ou jogos de futebol? Precisamos guardar, vigiar o coração. A semente da Palavra de Deus não cresce para frutificação sem ser podada por repouso, calma e quietude.” (Super Ocupado)

O último motivo listado é a capacidade que nós temos de nos esconder em nossas agendas. Quando estamos cheios de coisas para fazer, nós não tiramos o tempo necessário para analisar situações, entender verdadeiramente o que está acontecendo conosco, nós podemos facilmente esconder nossa podridão.

“ ‘Ocupação em demasia serve como uma espécie de segurança existencial, um muro contra o vazio’, escreve Tim Kreider em seu artigo viral, “The ‘Busy’ Trap”, [A armadilha do ocupado] para o New York Times. “É óbvio que a sua vida não pode ser tola, trivial ou sem sentido se você estiver atarefado, de agenda completamente cheia, procurado para atender algo em todas as horas do dia”.O maior perigo com estar ocupado que nem louco é que podem existir perigos que você nunca teve tempo de considerar. “Super ocupado” não significa que você seja um cristão fiel ou frutífero. Só quer dizer que você está ocupado, como todo mundo.” (Super Ocupado)

Kevin termina o livro falando de Maria, irmã de Lázaro, que queria apenas ouvir o Senhor, enquanto Marta se desesperava com o trabalho a ser realizado. Nós devemos aprender a engrandecê-Lo com as horas de nossos dias.  Devemos nos ocupar com o amor sacrificial, devemos ter tempo para descansar, e, claro, tempo para trabalhar, afinal, a palavra diz que quem quer tomar sorvete de pistache deve trabalhar (o versículo de verdade: “Quando ainda estávamos com vocês, nós ordenamos isto: Se alguém não quiser trabalhar, também não coma.” 2 Tessalonicenses 3:10).

Termino o texto com um vídeo do próprio Kevin Young, postado no canal do Ministério Fiel, responsável pela publicação do livro no Brasil. No final do post passado, eu coloquei um link para comprá-lo no site da Editora Fiel, você pode conferir aqui. Maaas, se você é familiarizado com leituras em inglês, a compra do ebook deste livro na língua inglesa  – intitulado na gringa de Crazy Busy – está valendo muito a pena. O link é da Amazon,sugiro que você baixe o aplicativo do Kindle em seu smartphone, caso não tenha o gadget da Amazon para ler (eu faço assim e não acho que a leitura fique prejudicada). Gentes, querem uma dica velha, porém verdadeira? Se o dinheiro estiver contadinho no mês, vale a pena investir em ebooks em inglês. Sério, baixem o aplicativo e tentem.

Vamos orar?

Senhor, a tua palavra diz que todas as estações da nossa vida se encontram guardadas em ti. Não nos deixe viver como se elas não existissem. Deus, não deixe que nós invistamos nosso tempo e nosso coração nos lugares errados. Que nós aproveitemos as oportunidades que o Senhor nos dá, como diz o livro de Efésios. Que a renovação da nossa mente traga também uma ruptura com a cultura de estar sempre atarefado, Pai. Eu quero ter tempo para te conhecer, para te adorar, para rir com você. Eu quero ter tempo para descobrir o que o Senhor está falando, quero ter tempo para amar aqueles que o Senhor colocou na minha vida, quero ter tempo para tua igreja, para servir ao meu próximo. Ensina-nos sobre prioridades e o sobre a maior delas: você. Nós te amamos e te agradecemos pelo dia de hoje. Em teu nome oramos, amém.

“Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus”

Efésios 5.16


PS: Sim, o livro vem com aquele caderno de atividades para você responder, isso não funciona para mim, amigos, por isso não falei sobre no post, mas se funciona para você, por favor, responda :)

Etiquetado , , , , , , ,

Março: vamos falar de rotina? (ou: Planos reais, sérios, de verdade para este mês no blog)

rotina

{Para ouvir enquanto lê}

Se vocês leram meus últimos dois posts (aqui e aqui), podem encontrar um tema comum aos dois: rotina. Rotina? Sim, e este é oficialmente meu tópico para março. No último mês, nós ficamos sem tema – ôô fevereiro empacado, sem or – e foi esse ficar sem tema que me ajudou a construir um novinho para março. Quero conversar com vocês sobre como nossa rotina diária e nossa vida cristã tem mais a ver uma com a outra do que nós prestamos atenção. Aliás, conversar sobre como nós sequer prestamos atenção em nossa rotina.

Além dos posts, neste mês vamos ter #TVHilário, porque apesar da minha vergonha de gravar os vídeos, eles são muito práticos quando o assunto é grande. E, para fechar este post de promessas, eu também vou falar sobre os meus livros de janeiro, fevereiro e março neste mês. Comecei os posts de leitura em novembro do ano passado, contando um pouquinho do que li no mês – o que foge do assunto principal do blog, mas segurem na minha mão, porque adoro essas resenhas e quero continuá-las por aqui.

Planejamento pronto, até o próximo post!


PS: Vou usar algum livro para fazer post este mês? Mas é claro! Caso você queira comprar para me acompanhar, o livro se chama Super Ocupado, do Kevin DeYoung – “Um livro (misericordiosamente) pequeno sobre um problema (realmente) grande”. Você pode encontrá-lo na Editora Fiel por aquele preço legal que te permite não suspender o sanduíche do final de semana.

PS 2: Ca-ram-ba, nunca falei tantas vezes “mês” em um único post.

Etiquetado , , ,

Conversas com meu Beatle favorito (ou: Todas as coisas deste mundo vão passar)

geor

Hoje eu acordei meio George Harrison, meio com cara do disco All Things Must Pass. Você já sentiu aquele estalo na cabeça no meio do dia? Aquele estalo perturbador:

esse tempo não vai voltar

Esse tempo em que estamos nos estressando, gritando por causa do papel que sempre trava dentro da impressora – e da mancha preta que pula para a roupa quando você tenta mexer nela – esse tempo já era. Esse tempo em que passamos fazendo pequenos jogos para não amar quem realmente amamos e não perdoar ou pedir perdão tentando segurar aquele fio da reclamação diária sobre como a vida pode ser injusta, bem esse tempo nunca mais vai voltar.

Nesses dias, o evangelho faz sentido pra caramba. Ele grita na minha cara. Ele me pergunta: em que você tem sido diferente das pessoas que vivem, riem e se desesperam apenas por este mundo? A hipocrisia de cantar que desejo viver para Jesus na noite anterior, na igreja, e a vontade de querer viver por mim na manhã seguinte.

Não, Deus, eu não quero viver por mim. Não quero viver por coisas que vão passar. Aumento o volume e ouço Geor(ge), meu Beatle favorito, me afagando: That is not what you are here for.

– Exatamente, George – confirmo, balançando a cabeça.

Etiquetado , , , ,

Aquele dia que Paulo pregou tanto que um cara literalmente caiu morto de sono

{para ouvir enquanto lê}


Amigos, conhecidos ou pessoas que ainda não conheço, mas me mandam emails amorosos: como estão vocês?!

Sim, desenterrem a morta que ela está falando.

Não morri (muito), estou aqui, com saudades de escrever neste blog e cheia de me-desculpem-pelo-vácuo! Muitos quase posts estão prontos, mas por pura bagunça ao organizar meu tempo, não terminei nenhum deles (fuén). Mas eu vim aqui contar como sou incrivelmente ruim em responder mensagem na hora, terminar checklist, planejar a semana e cumprir minha promessa de só dormir depois de ter terminado tudo? Não, senhores. Eu vim contar a história de um cara que estava sentado em uma janela, dormiu e morreu. Tudo isso enquanto escutava uma pregação.

Não é piadinha sem graça não, é verdade. Aconteceu com Paulo (sim, estou em uma coisa meio não paro de falar de Paulo,  I <3 Paulo, cadê camiseta?). Vou voltar a história, colocar a passagem bíblica e aí a gente começa de novo.

E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à meia-noite.
E havia muitas luzes no cenáculo onde estavam juntos.
E, estando um certo jovem, por nome Ežutico, assentado numa janela, caiu do terceiro andar, tomado de um sono profundo que lhe sobreveio durante o extenso discurso de Paulo; e foi levantado morto.
Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está. E subindo, e partindo o pão, e comendo, ainda lhes falou largamente até à alvorada; e assim partiu. E levaram vivo o jovem, e ficaram não pouco consolados.
Atos 20:7-12

Gente, alguém literalmente morreu de sono ouvindo Paulo pregar. E é sobre isso que quero falar com vocês hoje.
Comecei a pensar sobre Eutico assim que reli Atos, no mês de Janeiro. Desde então, iniciei uma caça a blogs, textos e indicações de livros que pudessem me ajudar a entender o que é que eu ainda não havia enxergado na história desse rapaz… Vou começar listando as duas lições (oi, Esopo) básicas que conseguimos facilmente entender com uma leitura rápida do capítulo e da Internet:

1) Pregadores, peguem leve, as coisas tem horário para terminar por um motivo: ninguém quer um adolescente morrendo no culto. Grata.

2) Caras, prestem atenção na palavra, quem dorme dança (desculpa, gente, o vocabulário de tiozão está saindo e não consigo parar).

Algumas páginas depois no Google, eu vi algumas interpretações bem diferentonas, do tipo os jovens e a janela do mundo, mas quem sou eu para regular a interpretação das pessoas… Vi, também, um livro chamado Saving Eutychus [Salvando Êutico], com foco na homilética, ensinando os pregadores a envolverem melhor o ouvinte (se vocês já tiverem lido, por favor me indiquem ou não). No entanto, eu não sentia que devia escrever um post sobre pregadores exagerados, jovens dorminhocos e sem motivação e muito menos um post sobre homilética… Então, eu fiz o que eu faço de melhor: comecei a ter aquele discurso mental com Deus sobre o que eu acho da história.

– A verdade, Deus, é que eu fiquei bem chocada da primeira vez que li a história e achei que Paulo foi bem indelicado em continuar pregando até a manhã (inserir uma conversa sobre coitado do menino, coitado de Paulo, como ele não se desesperou, e o povo que ouvia a pregação?).

Não satisfeita (aka: ainda sem entender minha veia da história), peguei o versículo e o destrinchei, até ter os pontos:

a. Eutico: jovem. Seu nome era comum a escravos, segundo estudiosos, e, por mais incrível que pareça, tal nome significa afortunado [aquele que tem um bom destino].

b. O lugar estava iluminado. A Bíblia fala que havia muitas luzes no cenáculo. Então, Eutico não dormiu porque estava escurinho e propício.

c. Paulo era um pregador especial, todos estavam animados por estarem com ele, desejando ouvi-lo, provavelmente Eutico também estava.

Pensando nas coisas anteriores, comecei a entender o meu  foco no texto.

– Deus, como Eutico poderia ter morrido com a queda se ele tinha vida em si?

Sim! Esse é o meu tema. Seguindo a linha de pensamento de alguns estudiosos, Eutico era um trabalhador, talvez escravo, extremamente fatigado pelo dia, tomou uma decisão ruim (quem nunca?) de se sentar na janela e a próxima coisa que ele viu foi Paulo na sua frente e todo mundo gritando “tá vivo!”. Mas essa afirmação (que eu apenas imagino que aconteceu, porque a Bíblia não nos fala que eles gritaram “tá vivo!”, né, amigos – eu pessoalmente acho Lucas, o escritor, um cara meio durão para diálogos), bem essa afirmação não podia estar mais correta. Ele estava vivo, porque sua alma estava viva e sua alma estava viva por causa do Evangelho.

Meu ponto é: nós só nos deixamos morrer, quando não temos mais as maravilhas contadas pelo evangelho dentro de nós. Na maioria dos dias – principalmente lá pelas 20h da noite -, eu me sinto um tanto Eutica: morta de cansaço e prestes a cair da janela do ônibus. Eu só quero chegar em casa do trabalho e dormir. Isso acontece com a maioria de nós (abraço, proletariado, que hoje é segunda). Adicione a este cansaço do cotidiano alguns problemas não cotidianos e nós teremos nossa própria equação euticaniana. O sentimento que, muitas vezes, nós temos nestas situações é que a gente não consegue mais. Estamos caindo da janela, estamos muito cansados para isso tudo, mas atenção: NOSSA ALMA VIVE.

Somos enganados pelo mito nada cristão chamado busque ao senhor quando não estiveres cansado e todas as vasilhas estiverem limpas. Nosso dia a dia é estressante, nós vamos estar exaustos na maioria das terças-feiras, mas, calma lá, lembrar que vai tudo bem com minha alma, lembrar que quem me ressuscita deste cotidiano louco não sou eu, não é meu café forte ou minhas oito horas de sono (embora tudo isso seja sempre bom!), me faz entender porque Paulo não pirou quando viu um menino caindo da janela.

“Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está.”, que você se lembre disso quando estiver se sentido morto da silva (tiozão detected) nesta semana. Se sua alma for avivada por Jesus, num culto que você foi mesmo muito cansado, por exemplo, suas forças serão renovadas – assim como as forças daquele jovem foram renovadas e ele foi capaz de ouvir Paulo pregando até a manhã, depois de ter sido ressuscitado dos mortos.

Para terminar, quero lembrar outra passagem da Bíblia, desta vez de João (menos direto nas descrições e mais cheio diálogos amorosos – não que estejamos em uma competição, Lucas):

Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma.

3 João 1:2

Que incrível! Quando nossa alma vai bem, somos ressuscitados de nossos problemas, cansaços e má escolhas. Quando nossa alma vai bem, nossa saúde também vai bem. Que este seja um tempo de nos preocuparmos com o que temos alimentado nosso interior, fortalece-lo de palavras de fé, das maravilhas feitas por Jesus para que estejamos sempre vivos. Que no final de nosso dia, o Espírito possa dizer: não se preocupe não, terça-feira, ele tá meio morto, mas a sua alma nele está.

Etiquetado , , , , , ,

“Deus gosta de aventura, mistério, de mudar as coisas ” (ou: último post de Janeiro, que já acabou)

janeiro_000000

 Perdeu algum post de Janeiro? Olha eles aqui: 1, 2, 3 e 4


{Para ouvir enquanto lê}

Marcos é uma pessoa cheia de paciência.

– Calma lá, Natânia, quem é Marcos?

E se eu dissesse que eu também não o conheço pessoalmente? Pois bem! Andando por aqui e ali nessa internetcha de meu Deus, procurando coisas relacionadas ao ministério de missões e as formas de intercâmbio cristão, eis que eu encontro a página dele no Facebook. Curti a página (mas é claro, Natânia, vamos adiante com a história, menina) e sempre corria para lá para saber as atualizações de seu ministério. Um dia, vi que havia como receber uma newsletter com o que ele, juntamente com a igreja local, estavam realizando e eu, é claro, pedi.

Quando resolvi trabalhar com o tema de missões e intercâmbio aqui no blog, eu me lembrei do Marcos e, com o restinho da cara de pau que me sobrou depois de terminar a faculdade, eu pedi para que ele respondesse a uma entrevista. O Marcos não só me respondeu, como me enviou duas vezes, porque por alguma razão desconhecida do destino intergaláctico dos nossos computadores, a foto dele vinha beeem pequenininha e eu não conseguia enxergar nada (e nem era minha miopia). Maaaas, como diria a palavra, “o mistério que esteve oculto durante séculos e gerações, mas agora foi revelado aos seus santos” hahaha, eu mandei para um amigo abrir e era simples: o arquivo parecia ser de mac (tecnologia 2×0 Natânia).

E é por essa paciência do Marcos – de me mandar uma coisa mais de uma vez e esperar anos até dar certo – que vocês vão conferir uma das entrevistas mais legais do blog =)

Se você ainda não clicou na página do Marcos – (na verdade, nem sei se você prefere ser chamado de Marcos Vinicius, Marcos [Vinicius hahahaha]) -, ele colocou a mochila nas costas e foi levar o evangelho para Amarillo, Texas, nos Estados Unidos, através de uma iniciativa chamada Pais Project. Com 23 anos de existência, o projeto oferece treinamento e hospedagem gratuita para missionários jovens irem para Grã-Bretenha, Irlanda, Índia, Alemanha, Canadá, Gana, Estados Unidos (e Brasil). Para ser aceito, existe um processo de seleção, que eu vou deixar para o Marcos [Vinicius] explicar.

Este é nosso último post sobre o tema de janeiro, (gente eu sei que é fevereiro, calma, vou entrar em fevereiro no blog, eu juro!), e eu acho que você devia ler esta entrevista bem devargazinho aproveitando esse ar de missão lindjo que vem de Amarillo.

Nome: Marcos Vinicius Pires Santoromarcos

Idade: 23 anos

Profissão: Estudante

Em que cidade mora no Brasil/ Em que cidade vive atualmente: Vive em Amarillo, Texas, EUA, mas mora em Brasília, DF.

  • Como você conheceu o evangelho? Qual foi sua primeira grande experiência com Deus?

Eu, como muitos, nasci e fui criado na igreja, acompanhando meus pais aos domingos. A minha conversão foi um processo de conhecer e entender a palavra de Deus e o que Jesus fez por mim, por isso, digo que minha primeira grande experiência foi durante um acampamento dos Embaixadores do Rei (uma organização missionária que trabalha com meninos de 9 a 16 anos), no Acampamento Sítio do Sossego, no Rio de Janeiro. Foi um momento impar para mim, porque foi quando me entreguei para missões, foi quando senti no meu coração o desejo de fazer algo mais para Deus. Me batizei um ano depois.

  • E quando foi que você descobriu que queria pegar a mala e viajar para outro país pregando o evangelho?

Deus gosta de aventura, mistério, de mudar as coisas “em cima da hora”. Percebi que Ele fez isso comigo porque desde os 15 anos queria fazer intercâmbio cultural, estudar, trabalhar ou fazer qualquer coisa fora do Brasil. Mas tudo isso foi sendo abafado, ficando um pouco de lado por uns 4 anos; até que eu resolvi entregar meu sonho e desejo de viajar para Deus, e foi quando eu ouvi um “ah, agora sim!” haha. Foi quando comecei a orar para Deus usar isso para o reino Dele, que não fosse apenas para meu próprio benefício. Eu tinha 18 anos.

  • Como você conheceu o Pais Project?

Nesse desejo e procura por intercâmbios, meu pai comentou sobre a CESE Intercâmbio Cristão, mas no início nem dei muita bola, por ser caro, por estar terminando o ensino médio e coisas que aconteceram na vida. Mas aí, quando o fogo começou a arder novamente e estava me incomodando muito, eu voltei para o site da CESE e fui dar uma olhada nos intercâmbios, não deu 5 minutos e eu já vi o Pais Project, fui ler e os olhos já ficaram brilhando. A cada parágrafo eu me identificava mais e mais com o programa. Senti que era perfeito para mim. Tinha tudo que eu queria e tudo que senti que Deus queria me usar.

 

  • Depois de ter conhecido o projeto e sentido o desejo de ir, qual foi sua oração para Deus confirmar tudo isso? Houve um momento em que você sentiu o “caramba, é isso, eu tenho certeza que quero fazer missões” depois de orar sobre?

Já estava com o coração palpitante desde a primeira vez que li sobre o projeto, mas permaneci uns 2 anos em oração, porque a decisão não era fácil e eu teria que abrir mão de muita coisa! Orei para que Deus me mandasse no tempo certo. Eu tinha algumas coisas para resolver com Deus, com algumas pessoas e comigo mesmo. Eu sabia que não estava na hora ainda, eu estava sempre postergando a minha ida.

  • Agora vamos aos detalhes mais práticos que todo mundo que se interessa pelo assunto missões gosta de saber! Para participar do Pais você precisa enviar um vídeo, cartas dos seus líderes locais… Você pode explicar direitinho o que precisou fazer para se inscrever no projeto? (Inclua o que você falou no vídeo, porque a curiosidade é muita hehehe)

Hahaha chegou a parte hilária do intercâmbio. Bom, de começo eu precisei preencher um formulário grande, mas muito necessário, com perguntas pessoais, sobre a família, persguntas sobre minha fé, conversão, relacionamento com Cristo, trabalhos realizados na igreja, experiência em alguma área específica, etc. Junto com isso vem o vídeo (que para mim foi mais difícil que as 3 entrevistas juntas kkkkk), onde eu basicamente resumi o que coloquei no formulário. Eu tomei o gabinete do pastor, coloquei minha camisa do Jeremy Camp e gravei um bilhão de vídeos para juntar as “melhores partes” e fazer um só de 3 minutos kkkkkk. Ouvir o meu inglês quase me fez desistir. Imagine você que não gosta de ser filmado, não gosta da sua voz em vídeo, e ainda com o seu inglês, pronto!  Junta tudo isso! Kkkk Vergonha do meu vídeo!! Por isso não publiquei! Kkkkkk

A carta dos líderes foi muito tranqüila porque ambos me conhecem há muito tempo. Uma delas é a líder do Ministério de Missões da minha igreja, que sempre já fazia minha pré-inscrição em tudo quanto era evento ou viagem missionária, e com quem eu conversei muito sobre meu chamado e sobre o Pais. O outro foi meu pastor, que também acompanhou essa minha caminhada desde o início.

 

  • E a escolha do destino, Marcos? O Pais apresenta diversos países em que o futuro missionário pode atuar, como você decidiu para onde iria?

Acabei de conversar sobre isso com uma pessoa haha

Eu sempre tive vontade de vir para os EUA, a grande maioria dos estrangeiros que conheci e tive a oportunidade de traduzir, de fazer missões junto, eram dos EUA: Então, sempre me senti muito mais próximo e interessado em conhecer a cultura no dia-a-dia. Tive algumas oportunidades de ouvir testemunhos de alguns americanos que tinham algo relacionado ao período do ensino médio como um momento difícil na caminhada cristã. Ouvia também dos interesses e o que chamava atenção no Brasil e nos brasileiros, acho que tenho um pouco do que eles falaram e por isso vim com alegria mostrar isso através da minha vida aqui nos Estados Unidos. Influenciar positivamente os adolescentes do ensino médio para que eles tenham mais confiança e estejam mais preparados para a vida adulta durante a faculdade e pro restante da vida.

 

  • Há algumas pessoas que contratam agências de viagem – como a Cese, uma agência de intercâmbio cristão – para ajudá-las com as passagens, o visto, acomodação… Como foi o seu planejamento ainda no Brasil? Você fez tudo sozinho ou teve ajuda de alguma agência?

A CESE foi a culpada por tudo isso! Haha. Ela começou com a idéia, tinha que terminar! Kkkkk… Desde quando comecei a procurar por intercâmbio, eu estava em contato com a CESE, sempre foram muito atenciosos e dispostos a ajudar. Eles me ajudaram bastante na preparação, no que eu tinha que fazer e quando fazer (já que a ansiedade e o tanto de coisa que tem que pensar em fazer te consomem!). Skype para explicar detalhes do programa, saber como eu estava, como me preparar para viver um ano fora, etc. Eles foram fundamentais durante todo o processo :)

Valeu CESE!! :)

  • Momento-rufem-os-tambores, hehehe… COMO FOI CHEGAR AO SEU DESTINO? O que você ouviu ou percebeu de Deus nos primeiros dias? Eu pergunto, porque acredito que sempre que estamos no lugar em que Deus planejou para nós tudo flui de forma diferente, Ele fala de forma diferente…

No momento em que passei pelo embarque no aeroporto ainda no Brasil eu já pensei: “Eita, já era! Agora não tem mais volta!”. Ao chegar aqui foi aquele êxtase de ver tudo novo, diferente, aquela expectativa… Os primeiros dias foram de treinamento, duas semanas, ali eu estava com outros 25 loucos na mesma situação, então me senti mais tranquilo kkkkkk, mas quando cheguei no meu destino final, que a ficha caiu mesmo! Aí foi aquele mix de sentimento de solidão, de nervosismo, de “não vou conseguir”, com a empolgação, ansiedade pelo que iria acontecer, alegria de estar onde Deus me mandou e a certeza de que Ele estava e está comigo. Porque se não, eu certamente não estaria aqui e não teria feito o que fiz!

  • Sobre a acomodação, você foi recebido na casa de alguma família ou ficou em algum dormitório?

Casa de família. Uma família sensacional. No início aquela estranheza, mas ótima hospitalidade e confiança. E agora, seis meses depois, já me sinto parte da família!! :)

  • Quais os trabalhos você realizou pelo Pais Project em seu novo país?

Trabalhamos em duas frentes: escolas e igrejas. Somos uma equipe pioneira aqui em Amarillo, então o trabalho começou mais devagar do que outras cidades que já possuíam um time [do Pais Project]. Fomos a diversas escolas apresentar o Pais Project e o que poderíamos oferecer de trabalho voluntário. Já realizamos Assemblies, que nunca consigo traduzir para o português kkkkkk, uma espécie de feira do estudante para falar sobre profissões, sobre mercado de trabalho, coisas do tipo. Participamos uma vez na semana de brincadeiras na hora do almoço em uma das escolas. Temos estudo bíblico em outras escolas também uma vez por semana, e pretendemos abrir pelo menos mais  1 ou  2 em outras escolas nesse semestre.

  • Você tem uma experiência que pode ser considerada a melhor da viagem até agora?

Poxa. É difícil escolher uma… mas posso dizer que uma das melhores foi logo no início, ainda durante as duas semanas de treinamento. Fui a Starbucks com meus amigos, depois de um longo dia de treinamento, quando eu entrei para pegar um ar fresco e algo para beber, um cara de 18 anos vem de uma vez falar comigo, me perguntando alguma coisa que não entendi, até que eu percebo que estou usando um crachá do Pais Project com meu nome, e ele vem todo animado me perguntou sobre o projeto, e ele me conta que um grupo do Pais Project esteve na escola de três anos atrás. Fiquei muito animado com isso. Ele não se conteve, chamou todos nós para contar seu testemunho, e sentados do lado de fora ele conta mais ou menos isto: sou de uma família muçulmana, cresci aprendendo e seguindo o Torah, me converti há quatro meses, e tem sido difícil viver com uma família de mais de cinco pessoas, muçulmanas, que descobriram que eu sou cristão… Mas gosto muito de ir para os encontros jovens na igreja, e cultos de adoração e tal e tal…

Esse dia foi muito impactante! :)

Outra experiência que tive, mas a história é muito longa, então, resumidamente, foi quando encontrei um cara bêbado caído na esquina perto da rua onde moro e tive a oportunidade de ajudá-lo a chegar até a casa da mãe, pude conversar bastante com ele, conhecê-lo, compartilhar meu testemunho! Aprendi e fui relembrado de muita coisa que eu acredito ser correto e a não fazer o que também acho que é errado.

  • E quais são as dificuldades de se pregar em um país diferente do seu?

Acho que a maior dificuldade de todas é a barreira linguística. Por não ser nativo no inglês, acaba se perdendo um pouco do significado, da ênfase, que as vezes você quer dar, mas não tem as palavras corretas. A cultura também influencia bastante, principalmente aqui nos EUA, onde a maioria se diz cristão, mas não vivem como tal. Tenho percebido que o exemplo ainda é o “carro-chefe” para as pessoas verem a diferença. Falar, falar e falar pode sim fazer com que as pessoas mudem, mas o exemplo e a nossa atitude tem falado mais alto por aqui.

  • O Pais mudou ou ampliou sua visão de evangelho e de chamado?

Os dois. Acredito que mudou algumas coisas no sentido de ampliar mais a noção de “missões”. A gente só sabe realmente o que é e como é quando a gente vive e definitivamente vai para o campo! Sentir um pouco do que é abrir mão do conforto do nosso país, da nossa cultura, família, amigos, por mais que a gente imagine como será nós só caímos na real quando estamos aqui.

  • Por que você indicaria o Pais Project para quem quer fazer missões?

Para quem tem um chamado missionário para países difíceis de se pregar o evangelho, ou para algum lugar muito diferente culturalmente, o Pais é um ótimo estágio para você sentir de leve como é viver em outra cultura, vivendo o evangelho e pregando para outras pessoas.

É excelente também para quem já é envolvido com evangelismo (todos nós deveríamos estar) em suas cidades e igrejas, visto que é basicamente o que fazemos por aqui, porém com o desafio de fazer isso em horário integral. Tendo aprendizados semanais através de vídeo conferências, reuniões com os pastores, discussões, estudos bíblicos, etc.

  • Você tem algumas dicas para quem tem vontade de pegar a mochila e sair pregando a palavra de Deus?

Minha dica é: pegue a mochila e saia pregando a palavra de Deus!

Alguns versículos que me deram um empurrãozinho: Romanos 10: 1-15; Lucas 9: 57-62; Lucas 10: 1-4

IMG_2024-25 DSC_0481-21 IMG_1386-15

Marcos [Vinicius], muito obrigada pela sua disponibilidade, não só de responder a entrevista, mas de enviá-la duas vezes! Espero que quem me lê por aqui também corra para sua página e confira o seu ministério por aí, no Texas, pois é sempre incrível lembrar como nós podemos apoiar uns aos outros com nossos testemunhos. Que o Senhor te abençoe neste período de intercâmbio (e quando voltar!). PS: aproveita o frio, porque aqui não tá fácil hahaha…


Vamos orar?

DEUS COMO O SENHOR É INCRÍVEL! Como nós te amamos! A série de janeiro, que a gente acaba hoje, me fortaleceu e me ajudou a entender mais do teu reino, eu peço que cada um que passou os dias comigo nesta caminhada também tenha saído mais forte para o “eis-me aqui”. Nosso desejo é estar disponível, Deus. Disponíveis quando tudo o que queríamos era estar fazendo outra coisa, que o nosso amor por Ti seja maior do que todas as nossas vontades, que esse amor traga o senso de que a tua vontade é tão doce que te priorizar é um prazer. Deus, o Senhor é bondoso, amoroso, cheio de graça, de perfume, de tantos adjetivos que queremos apresentar nossos corações para servir, queremos levar o evangelho da maneira que o Senhor escolheu para que levemos. Deus, o evangelho é um só – coeso, capaz de nos tirar de nós mesmos -, mas pode ser apresentado de tantas formas… Amadurece nosso entendimento em Ti, para que nosso evangelismo seja mais eficaz. Em teu nome nós oramos, Jesus. Amém.

Etiquetado , , , , , , , , ,

Um versículo para chamar de seu

A palavra de Deus me completa como nenhum livro que eu já li na vida. Ela me alegra, como um volume de uma distopia sangrenta, me me emociona, quando logo no início do capítulo 21 de Atos, Paulo abraça seus discípulos, sabendo que nunca mais os veria, exatamente como o final do Diário de Anne Frank me faz chorar toda vez que leio. A Bíblia me faz pensar sobre a vida e sobre a nossa cretinice humana, como um livro russo cheio de poeira e de tristeza. Mas só ela é capaz de me fazer nova. Só ela me enche de vida. Só ela abre um rio dentro do meu peito e faz fluir em mim o que sempre precisei, mas nunca fui capaz de ter. Este é só um post para te perguntar: você já achou o versículo que vai te sustentar durante o ano? Pergunte ao Senhor nesta quarta-feira-cadê-final-de-semana.

Enquanto você não encontra o seu, eu te empresto o meu:

Eles se ajoelharam, adorando-o. Voltaram para Jerusalém explodindo de alegria; e passavam todo o tempo no templo, louvando a Deus. Amém.

Lucas 24: 52 e 53


Esse texto NÃO faz parte dos posts temáticos de janeiro.

Etiquetado , ,

Um post dentro do outro (ou: Sem medo do nariz escorrendo)

Este texto NÃO faz parte do tema do mês de Janeiro, que atenção: vai durar mais alguns dias de fevereiro, pois temos mais posts agendados. Mas não é novidade neste blog que o novo mês “comece” no dia 05 (risos). Se você quer ler os textos de janeiro, clique aqui, aqui, aqui e aqui.


a99daa400cdf9390f3892710baa0223a

{Para ouvir enquanto lê}

Uma semana virada do cão, como diria uma amiga.

Aquela que você olha para si e não acredita em nenhuma decisão que já tomou na vida. Desde escolher a cor da sua lancheira no pré, até o que você agendou para o dia. Nada parece certo.

– O que eu estou fazendo, Deus?… – O pensamento corrói meu interior como um vírus novo que vai transformar todo o mundo em zumbis com cabeças que se abrem em uma espécie de flor carnívora nojenta e pegajosa (beijos, Umbrella Corporation).

Eu cancelo os planos de atualizar o blog na semana.

– Não posso fazer isso quando estou virada do cão, Deus. – Eu digo mais para mim do que para Ele.

E aí, eu penso no tipo ralo de confiança que tenho tido em Deus durante a semana. Pensando em quantas vezes imagino que não conseguirei terminar minhas atividades planejadas e escritas na agenda para a parte da manhã, pensando em tudo o que eu planejei para mim há 15 anos.

– A vida é assim com todo mundo, não se ter o esperado não é privilégio meu. – Eu penso, esperando o porteiro do meu trabalho, um senhor simpático e de sorriso aberto, abrir o portão.

Eu marco para almoçar com uma amiga e acabo segurando o peito entre uma mordida e outra, pensando em fantasmas dos passados e futuros já planejados. Sacudo a cabeça e como outro pedaço. O frango já estava frio.

– Você não confia em mim? – Eu O ouço.

– Agora não, Deus…

Eu, audaciosamente, falo, como se fosse possível dar um passo sem que Ele permitisse. Eu peço para que Ele espere, porque imagino, erroneamente, como toda essa conversa é chata demais para alguém tão grande. Corto outro pedaço do frango. Eu penso na quantidade de pessoas que se sentem miseráveis no exato momento em que levo a carne até a boca. Na quantidade de pessoas que imaginam se um dia tudo fica melhor. Na quantidade de pessoas que sentem que desapontaram metade do mundo. Na quantidade de tristeza. Eu engulo tudo, assim como engulo a comida. Pego a conta, abro a carteira, tiro o cartão, passo, e o homem do caixa sorri:

– Obrigado. – Ele diz e eu sorrio de volta, imaginando o que ele está pensando agora.

Ele não sabe, mas eu, enquanto dizia “obrigado você” e procurava seu nome no crachá para completar a frase, pensava em como queria dormir doze anos seguidos.

Saindo do restaurante, eu olho para as pessoas e olho para mim e para as pessoas. Eu abro o meus ouvidos para Deus, eu sei que Ele está ali, agora em silêncio, eu sei que a maioria de nós está na terra em silêncio. Girando. Orbitando. Fazendo planos. Morrendo.

E eu sei que deveria escrever um post nesta semana. Mas digo não.

Esta semana não. Eu vou voltar para casa depois do trabalho, cantar no banho, adorar, chamar pelo Senhor, ler a Bíblia, me manter aberta para as coisas e aí sim, escrever um post.

Todavia, eu sabia que Ele já estava ali. Como chamar alguém que já está na sala?

– Oi. – Ele diz com sua voz doce e forte. Meus olhos se enchem de água e meus pulmões de ar, como se um tornado houvesse me invadido com uma cachoeira de chocolate quente.

Não tão imediatamente, eu escrevo o texto abaixo (um post dentro do outro, é isso):

Eu não tenho que temer o nariz escorrendo

Eu sinto medo de falar sobre você em semanas em que estou virada do cão. Porque eu acho incrivelmente difícil pregar quietude quando eu nem sei se meu barco vai parar de girar. Mas isso é bobeira, Deus, porque o fato de eu não estar usando a âncora, não significa que ela não exista. Você é real. Você existe. Você é minha âncora, e eu decido finca-la na areia. Agora.

Eu decido não ter medo de pregar o verdadeiro evangelho, aquele que nunca esconderá que este mundo não é, e nunca será, sobre minhas realizações. Eu estou satisfeita em ti. Eu não estou satisfeita em ti quando estou satisfeita com o resto da minha vida. Eu estou satisfeita em ti e ponto.

– Davi não tinha medo de chorar e levantar com o nariz escorrendo desde que fosse comigo. – Ele explica.

As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?

Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a multidão. Fui com eles à casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a multidão que festejava.

 Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face.

Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; por isso lembro-me de ti desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas, desde o pequeno monte.

Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim.

 Contudo o Senhor mandará a sua misericórdia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, uma oração ao Deus da minha vida.

 Direi a Deus, minha rocha: Por que te esqueceste de mim? Por que ando lamentando por causa da opressão do inimigo?

Com ferida mortal em meus ossos me afrontam os meus adversários, quando todo dia me dizem: Onde está o teu Deus?

 Salmos 42: 3-10

Davi e seu coração de cinco milhões de GB…

Eu não quero temer. Eu não quero que os outros temam.

Eu quero pregar que se você não está no seu melhor dia e não tem uma selfie com um versículo maravilhoso para postar nas suas redes sociais: ESTÁ TUDO BEM. Pra mim, o evangelho é, também, sobre deixar que nossas dores revelem a glória de Deus, porque, no final, penso que o evangelho é saber que tudo o que nós temos é você, Deus. Nos dias bons e nos dias em que tudo é aquele velho meme “queria estar morta“. Deus, tudo o que nós temos é você. E isso assusta minha geração acostumada a descansar seus planos em uma ideia de felicidade constante, em uma fórmula de prazer absoluto, em uma igreja de atividades.

No entanto, Deus, me ensine a ser como Jesus. Que o que eu penso ou sinto não seja maior do que minha vontade de saber como os outros se sentem. Que não importe como eu quero dormir doze anos, mas que importe mais como o moço do caixa daquele restaurante se sente. A minha vida não é sobre mim, mas é sobre o Senhor e sobre o que Jesus pregava: é melhor servir do que ser servido. Quando meu coração estiver me traindo, que eu me preocupe com o coração do meu próximo. Quando minhas realizações e a falta delas estiverem me incomodando, que eu ajude alguém a realizar seu sonho. Quando eu não encontrar alegria em minha rotina, que eu grite a Bíblia, com o peito aberto, declarando que a alegria do Senhor é a minha força. Quando eu não quiser escrever um post, algo tão simples e que eu amo fazer, que eu escreva dois, um post dentro do outro.

Eu estou satisfeita em ti.

“Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus.”

Salmos 42:11

Etiquetado , , , ,
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.