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Porque mantemos o assunto abuso longe de nossos púlpitos?

 

{Para ouvir enquanto lê}

Durante os últimos dois anos, Deus tem trazido até mim  pessoas que lutam contra pensamentos suicidas ou contra a depressão em geral. E o blog tem um papel importante nesse contato. As pessoas, muitas vezes, se sentem mais a vontade mandando emails do que contando esse tipo de coisa. É aquele momento em que os olhos e a fala – ambos se arrastando para o chão – não conseguem acompanhar ou explicar alguns dos sentimentos mais profundos que temos e a escrita, ao contrário, parece ter um caminho direto e conhecido para aquilo que mais tememos dizer.

Sempre que um email desse tipo chega,  eu – que  não sou terapeuta e não tenho pretensão de agir como uma -oro e falo de um lugar muito pessoal.

Ao longo do tempo, percebi que a maioria dos autores dos emails eram jovens que já conheciam a Cristo há certo tempo e os conflitos, geralmente, nasciam de uma situação abusiva. E eu fiquei me perguntando: como temos ajudado essas pessoas dentro de nossas igrejas?

Muitas vezes, nós não temos.

Minha maior ajuda veio através de uma escritora cristã chamada Christa Black, que descobri através de uma aula da plataforma WorshipU, não veio do púlpito. E saber disso me deixou com raiva. O púlpito aqui é, claro, apenas uma metáfora para a igreja, que nada mais é do que as pessoas que caminham para o alvo junto com você.

– Deus, como nós não temos falado sobre abusos na igreja?!

Então, decidi escrever os que você está lendo. Porque o evangelho necessita que você aprenda que é amável e o abuso quebra essa ponte. Muitos dos emails traziam a mesma carga de sentimentos: “eu me sinto imperdoável, eu não posso ser amado”. A essência do evangelho é que alguém te amou tanto que veio, como uma espécie de segundo Adão, construir as pontes que o pecado abriu. No entanto, lá no fundo, quando nos sentimos deprimidos, ou quando não conseguimos nos sobrepujar sobre situações passadas, não conseguimos sentir esse amor e nos tornamos como cristãos que tem enormes buracos no peito e que se perguntam: Deus não deveria preencher exatamente essa parte do meu coração?

Falar sobre abuso é ensinar sobre culpa e vergonha e sobre como se livrar delas.

Veja, a vergonha é um motivador horrível para a liberdade, e não é a convicção do Espírito Santo. Lembre-se, é a bondade de Deus que nos leva ao arrependimento, não nossos próprias açoitamentos, mesmo se nós merecemos ser punidos. (Romanos 2: 4)

A tristeza segundo Deus produz arrependimento … não vergonha. Deus não recebe nenhuma glória quando você se mutila, mesmo se você realmente fez algo que te machuca, ou mesmo machuca aqueles que você ama. (Não entenda como permissão para o pecado … ..a Bíblia é muito clara sobre isso. Mas a Bíblia também é muito clara sobre a vergonha … e não temos permissão para viver na vergonha como crentes).
Vergonha afasta … ..mas amor aproxima.

Christa Black (tradução livre)

Nosso papel como igreja é ajudar nossos irmãos a ouvirem do Eterno coisas que quebrem este padrão de vergonha e culpa em suas vidas. Em seu blog, Christa conta que ia para o trono de Deus com profunda vergonha, esperando que Ele a recebesse como um juiz pronto para julgá-la da pior maneira possível: com as palavras que ela julgava a si mesmo. No entanto, “com lágrimas escorrendo pelo meu rosto … eu iria começar a ouvir o veredito do juiz: Justa. Piedosa. Sem culpa. Irrepreensível. Querida. AMADA. VIVA. Remida. LIVRE.”

Nosso papel como igreja é ensinar que uma mulher nunca terá culpa de ser abusada sexualmente, não importa a roupa que esteja usando, que um filho nunca será o responsável por ter sido espancado, que uma esposa não deve EM HIPÓTESE NENHUMA ser culpada por um casamento abusivo, e mais: ser aprisionada a ele, antes deve fazer cumprir o direito de denunciar seu agressor.

Nosso papel como igreja é ensinar que namoros abusivos ( em todas as suas formas: seja aqueles que te inferiorizam, que te fazem sentir louca, te fazem trocar de roupa, te fazem sentir que você não deve terminar, porque nunca arrumaria coisa melhor olha-só-pra-você, ou te obrigam a transar) e chefes que abusam moralmente de seus empregados não tomarão lugar em nosso meio! Nosso papel como igreja é tomar a mão de nossos irmãos e ajudá-los a irem a delegacia, é abraçá-los depois de uma sessão com um terapeuta que possa acompanhá-lo, é não deixar o responsável impune e, ainda assim,  ensinar sobre o perdão, é dar casa e leite quente quando houver medo de dormir sozinho.

Nosso papel como igreja é amar.  O mais incondicional amor que conseguimos oferecer. E o mais importante de tudo: nosso papel não é julgar a dor, a doença emocional ou os impulsos depressivos de nossos irmãos, se você não consegue apoiá-los, se torne, primeiro, igreja.

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Seja constante o amor fraternal.
Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem o saber alguns acolheram anjos.
Lembrem-se dos que estão na prisão, como se aprisionados com eles; dos que estão sendo maltratados, como se fossem vocês mesmos que o estivessem sofrendo no corpo.
Hebreus 13:1-3

 



Esquema de sempre: você pode me encontrar através do email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou do meu Instagram =D

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Michelangelo e o espaço irritante entre Adão e Deus (ou: Até mais, Goiânia, e obrigada pelos peixes)

{Para ouvir enquanto lê}

Esses tempos li em algum lugar que o amor só é possível pelo livre-arbítrio. Mas, calma, vamos segurar isso por mais um tempo e (re)começar esse texto de uma nova forma.

O Recomeço:

Quando meus pais contaram que foram chamados para assumirem um núcleo de nossa igreja em outra cidade, nós estávamos na cozinha. Eu não lembro o que havíamos feito para o jantar, mas lembro da cara dos meus irmãos. Eu ouvi e, sem saber o que dizer, fui terminar de ler alguma coisa no computador.

– O que o Senhor quer, Deus? – Eu continuei me perguntando.

Eu me senti diferente da primeira mudança que fizemos por causa da igreja, eu não estava preocupada com meus amigos, com quem estava deixando por aqui, mas com o que era ou não a vontade de Deus para mim, como indivíduo, e não para mim, como membro da minha família.

Aquilo era o que Deus queria que EU fizesse?

Eu resolvi não contar para ninguém, inicialmente, e passei a orar sobre isso de forma insistente (desculpe, Deus hehe).

No meio das orações, o meu coração se encheu de gratidão por tudo o que o Eterno havia nos dado aqui, em Goiânia, como família, e como ministério pessoal. Eu me senti agradecida por ter aprendido a dividir meus sonhos no Reino – Daniel, te amo, migue -, aprendi a ser resiliente, aprendi a amar a casa de Deus mesmo ficando até às três da madrugada tentando colar adesivos no espelho. Eu me senti extremamente grata pela minha célula e minha liderança, capaz de entender o que meu coração ansiava em Deus e me encher de livros e ministrações que me fizessem compreender o que eu não conseguia. Grata por Deus ter me ajudado a entender quem eu sou Nele. E, principalmente, quem eu não sou e não tenho obrigação de ser.

Gratidão, mas não havia respostas sobre a nova cidade.

Mas em um culto, eu me vi revisando tudo o que Deus havia me falado nos últimos tempos, todas as canções que Ele e eu cantávamos enquanto lavávamos vasilha… E… tcharam, ali estava: “o novo de Deus vem”.

Senti suas mãos perto das minhas.

– Deus, mas o novo pode ser um monte de coisas, não só realmente mudar de cidade – retruquei mentalmente.

– Quantas vezes você cantou/escreveu essas coisas nos últimos meses?

Muitas.

Mesmo.

Eu pensei em ignorar o que estava acontecendo dentro da minha cabeça, mas eu sabia que Deus não estava me deixando fazer algo que não fosse incentivado por Ele. Se esse era o meu medo – o caminho da permissividade de Deus e não o da vontade líquida, linda e perfeita do Senhor – eu não precisava temer.

E é aqui que eu volto para o início do texto:

O livre-arbítrio nos faz livre para escolhermos o nosso caminho terreno. Podemos escolher nossas profissões e nosso estilo de vida e, na maioria das vezes, Deus irá permitir que nos o façamos, mesmo que aquilo não seja O plano que ele construiu para nós. Muitos de nós realmente vive assim. E não há nada de errado/pecaminoso/búuuu com isso, mas sinto que não alcançar o plano completo de Deus em nossas vidas nos faz incompletos de uma forma incômoda, como se você precisasse mudar ou conseguir algo grandioso e não conseguisse tocá-la. Como se vivêssemos no eterno espaço entre o dedo de Adão e o dedo de Deus na pintura de Michelangelo.

Contudo, porque eu tenho o livre-arbítrio, eu posso escolher  ouvi-Lo, e amar a sua vontade. Mesmo quando ela não se parece com os meus planos iniciais. Eu posso amar a igreja mais do que eu pensava que poderia.

E entendendo isso, assim como o maravilhoso e TÃO assustador fato de que Deus tem prazer de ir nos ensinando sua vontade ao longo do caminho e não antes de tudo, eu convido vocês que me acompanham por aqui para mudar de endereço comigo – as caixas da mudança estão em TODO lugar hehe – e de aventura, e aprender a amar o novo de Deus, pois como tudo o que Ele faz será perfeito (e mais fresquinho, já que dizem que a cidade é mais fria do que Goiânia Mil Grau).

Deus não é injusto; ele não se esquecerá do trabalho de vocês e do amor que demonstraram por ele, pois ajudaram os santos e continuam a ajudá-los.
Queremos que cada um de vocês mostre essa mesma prontidão até o fim, para que tenham a plena certeza da esperança,
de modo que vocês não se tornem negligentes, mas imitem aqueles que, por meio da fé e da paciência, recebem a herança prometida.
Hebreus 6:10-12

 

Vamos orar comigo?

Deus, que nós não vivamos algo senão sua perfeita vontade. Confia a nós os seus planos. Leva-nos para o exato lugar em que podemos ser como lamparinas sobre as mesas. Nós te amamos e queremos aprender a te amar tanto – tanto! – que o Senhor pergunte sem pestanejar: Você me ama? Apascenta as minhas ovelhas. Nós oramos no nome do teu filho, Jesus, amém.

 



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Das Colisões Automobilísticas (ou: Meu testemunho)

Bem, eu não poderia dar sequência ao post de dois anos do blog (<3) senão falando um tiquinho do meu testemunho, principal motivo pelo qual eu escrevo e sou grata. E eu vou apelidá-lo, gentilmente, de Das Colisões Automobilísticas. Quero comemorar com vocês os dois anos contando algo que, há algum tempo, seria muito difícil, mas hoje significa misericórdia e liberdade que vem do Eterno.

{Para ouvir enquanto lê}

Mas vou começar do começo

Sempre estive dentro da igreja, não apenas no prédio físico, mas consciente de que Deus era alguém que falava, que ouvia, que amava. Nosso relacionamento começou aos meus quatro anos e cresceu com o tempo, contudo por volta dos nove anos de idade um evento traumático mudou a dinâmica da minha vida espiritual, algo que a gente olha com a a cara que faz para uma batida na rua: será que alguém vai sobreviver?

Daquela situação, uma imensa brecha para pecados e inseguranças foi aberta. E a culpa pelo vício de me lembrar do início de tudo machucava meus ossos. Há um tempo, Deus me mostrou que o primeiro contato com aquilo que futuramente iria me arrastar não é, era ou será minha culpa. Também há um tempo, escrevi um rascunho deste texto que posto hoje e mostrei para os meus pais, exultante, porque era a primeira vez que eu me sentia verdadeiramente livre. Eles não ficaram felizes, levaram um susto, foram expostos a uma realidade que não conheciam e que havia acontecido láa atrás. Mas saber que eu podia contar que Deus pode verdadeiramente livrar alguém dos seus traumas esquisitos – baseados em minha própria experiência e não na de outra pessoa – me fez bem.

Esse foi o início da libertação definitiva de Deus. Finalmente eu comecei a entender porque doía tanto. Finalmente eu comecei a entender que não doía mais.

A batida de carro

Anos depois, eu consigo ver que não há como culpar quem liderou o acontecido. Isso, porque éramos da mesma idade. Tudo o aconteceu exatamente como quando você fecha os olhos antes de se chocar contra um carro que freou subitamente, bem na sua frente.

Sequer dá para expressar uma reação, as coisas só aconteceram.

Como não se recuperar de um acidente

Todo trauma abre portas para diversas atitudes malignas, e acredite eu tentei me recuperar delas de todas as formas imagináveis. Eu vou listar as minhas portas-buracos-negros para você entender como não tentar fechá-las:

1 – Culpa

2 – Pecados relacionados a área atingida

3 – Dificuldades de se relacionar de forma saudável com seres humanos e, às vezes, com Ets

4 – Um buraco no meio do coração que parece doer fisicamente

5 – Desesperança no projeto de Deus e, às vezes, na boa vontade Dele

Eu me culpei por anos. E sim, quando você atrai pecado para um ciclo já completamente bagunçado  você é culpado por isso, mas o que eu não entendia é que de maneira nenhuma o fato que começou toda a bagunça descrita podia ser colocado na minha conta e que o mar do esquecimento não é uma metáfora, mas algo para ser usado.

A culpa é uma ponte muito firme para as brechas que o inimigo encontra em nossos corações e caráter, ela torna tudo muito fácil para satanás. Eu facilitei mesmo para ele, construí uma daquelas pontes de concreto e quebra-la, juntamente com meus comportamentos viciosos e meus pensamentos, não parecia nada fácil. Mas eu tentei, amigos. Para mim tudo se resumia a conseguir arrumar o número 2 e 3 da minha lista. Se aquilo estivesse bom, eu também estaria.

Mas se existe uma lista de desgraças na sua vida, me diz porque você escolhe jogar duas coisas foras e manter as outras meodeosdocéu?! Eu tentava me esforçar o máximo, porque afinal, o reino de Deus é tomado pelo esforço (moldando os versículos de acordo com sua vontade, quem nunca?).

– Deus, eu vou ser tão melhor em me relacionar com as pessoas, o Senhor vai ver e… – Daí para frente eu já tinha traçado um plano gigante sobre como EU iria ser melhor e EU conseguiria arrumar o tom das minhas conversas.

Eu tentava até ficar cansada, no menor descuido lá estava eu mandando as pessoas pra lá de novo. Porque? Porque eu não achava que elas eram obrigadas a lidarem com a minha bagunça. “Meus amigos não são obrigados, meus líderes não são obrigados, meus pais menos ainda”.

Quando o problema número 1 da lista cresce [CULPA], ele te transforma em alguém que precisa ser perfeito, porque se você for muito bom em algo ninguém vai realmente saber que você é uma bagunça. Não que a gente pense isso na hora, mas por favor: porque estudar 19 horas no dia para saber de uma coisa que nem te interessa direito? Se tornar perfeito foi também uma solução para tentar fechar as brechas gigantes que o pecado abriu. Se você estiver fazendo muita coisa, a probabilidade de fazer  bagunça diminui.

Resumindo: eu resolvia quase tudo me mantendo ocupada e sendo alguém “relacionável”.

A vida acontece e, às vezes, a gente parece estar bem de verdade. Quero que você entenda que eu não passei toda a minha vida pensando nisso,  Deus me deu presentes incríveis, eu conheci muita gente legal, me mudei de cidade, trabalhei na casa de Deus e me senti realmente bem. Mas o que eu quero dizer aqui é que o passado rondava sempre perto, esperando um momento de tristeza ou de muita felicidade para lembrar: você não pode tanto assim, seu passado não é brilhante.

Eu passei alguns anos totalmente indiferente a toda essa situação, até que sem mais nem menos, eu estava ali, chorando, e dizendo para mim mesmo uma frase absurda:

– Tudo que eu queria na vida era ser realmente alguém capaz de transmitir a sua presença, Deus, mas se não vai dar, eu posso fazer outra coisa, o que o Senhor quer?

EU ESTAVA ORANDO, OUVINDO A DEUS, MAS NÃO ACREDITAVA QUE PODIA SER UM MEIO DE TRANSMITIR TUDO ISSO?!

Nesse dia eu chorei tanto, que parecia adolescente enchendo quatro copos do refil do Burguer King com água salgada. Porque eu sempre desejei ser como meus pais. Eu me lembrava de uma foto dos dois – com ombreiras e cabelões -, de pé, sendo ungidos a evangelistas (o que é tipo um pastor na Igreja de Cristo) junto com dezenas de outros casais, e aí eu chorava um pouco mais, porque aquilo era tão lindo, era como ver o início de suas carreiras cristãs. Eu acreditava fielmente que eu nunca poderia viver essa experiência em toda sua completude, porque eu já tinha estragado meu início. E era horrível.

Resumindo 2: Eu não fazia ideia de como resolver o número 4 e 5.

Resumindo 3: Eu não sabia o que fazer com qualquer um dos números da lista acima, porque meus machucados da velha batida de carro vez ou outra pareciam sempre recém-abertos.

Eu tinha dois cintos de segurança que diminuíram os danos

Eu sei com toda a clareza do meu coração que duas coisas foram absolutamente essenciais no processo da libertação da minha alma: o Senhor e meus pais.

Deus não tirou os olhos de mim por um segundo. Sua presença era minha melhor amiga e Ele era o único que realmente me conhecia. Ele nunca regrou sua graça de me alcançar. O Espírito me encheu de sonhos e de musiquetas para cantar para Ele e para mim mesmo. Ele não me deixou, mas me acompanhou através de um processo de libertação, mesmo quando eu não sentia que estava me tornando o que Ele planejou.

Meus pais também merecem todo o agradecimento que meu coração for capaz de produzir. Quando Deus começou a me mostrar que aquilo não me pertencia mais, há sete anos atrás, eu fiz uma escolha: continuar todo aquele processo sozinha. Eu estava na cama, tinha acabado de ler A Divina Revelação do Inferno (meu timing é ô: uma porcaria hahaha) e falei para Deus que queria sair dessa sozinha, eu e Ele. Hoje não sei se faria a mesma coisa (não faria, NÃO FARIA), mas Deus deve ter suspirado e soltado: long way it is. Contudo, mesmo “sozinha”, todo o alimento que meus pais me deram se transformou em um enorme cinto de segurança.

Meu pai foi meu professor do Instituto de Vencedores, quando eu tinha 8 anos, então, tudo o que eu ouvi dele me fez mais segura no que o Senhor era capaz de fazer por nós (além de me ensinar o que era sepulcro caiado, o que eu absolutamente AMEI, porque eu não entendia aquele versículo). Minha mãe sempre lia histórias da nossa Bíblia ilustrada antes que a gente dormisse e escrevia “já lido” na página acima, para termos certeza de que havíamos terminado. Mas isso são exemplos simbólicos, o que os meus pais mais me ensinaram não pode ser resumido a um evento específico, mas a convivência diária com eles, transmitindo um evangelho capaz de curar, prover, transformar e nos fazer sempre acreditar que Deus pode mudar nossa história.

Mesmo com a segurança dos cintos, vez ou outra a gente acha que não vai sair do carro nunca mais

Sim. Algumas vezes bate o desespero e não dá para acreditar que tudo vai ficar melhor. E foi nesse momento de absoluto terror, de “eu nunca vou me livrar disso”, que fiz uma tentativa de fazer minha vida parar de doer  com um queimadinho perto do pulso esquerdo.

De novo e de novo e de novo…

Deus foi paciente, mas foi enfático: um pedaço de carne queimada não é nada perto do sacrifício perfeito da cruz.

Se eu não parasse de tentar me salvar e me punir, eu nunca seria liberta.

Quando o socorro começou a chegar

Deus começou a me curar me dando relacionamentos que me fizeram entender a sua natureza.  Quando você conhece alguém  que se parece com Deus, é muito fácil ver que é assim que você quer ser todos os dias.

E então Jesus me mostrou que não há culpa no trauma inicial provocado por outra pessoa e que há perdão, mais conhecido por mim como argamassa do céu, capaz de fechar brechas abertas por mim. Ele começou a me dar uma missão. E no meio de tudo isso, Ele me mostrou que eu não seria a menina chata cheia de problemas por expressar tudo o que acontecera de forma audível, então, nos últimos anos, eu contei meu testemunho todo para mim mesma em frente ao espelho. No final, eu estava bem!

E foi aí que eu entendi que se eu sou liberta, é bom gritar isso. Não só porque é maravilhoso, mas porque faz tudo ainda mais real.

No Reino, os machucados passam a não existir por causa do amor

Só houve uma única coisa realmente capaz de me curar de tudo: amor. Talvez você leia o blog e não entenda porque eu falo (e tenho falado muito mesmo!) sobre o amor de Deus… Bem, porque ele é a resposta para os  cinco itens da minha lista acima. Parece vago, então vou explicar: eu aprendi a receber o amor de Deus. Eu entendi que Ele me ama da mesma forma quando eu estou no meu melhor momento e quando eu estava no meu pior momento. Não tem nada que eu faça que irá fazer com que ele me ame um centímetro a mais ou a menos.

Então, quando eu estava me sentindo horrível, eu apenas abria os braços e pedia:

– Me mostre o seu amor, Deus.

E ele começava a falar: você é exatamente o que eu te criei para ser; eu te amo; eu fico te esperando quando você demora para falar comigo; às vezes, eu até gosto das suas piadinhas, menina…

E ouvindo isso, o poder do passado perdeu as forças. Não há como eu me sentir como anos atrás, porque eu sei que eu sou extremamente amada. Porque eu iria querer me sentir diferente? Eu entendi de fato o que significa que Ele nos amou primeiro, por isso nós somos capazes de ama-Lo.

Porque Ele me ama, as brechas não existem e eu não sinto vontade de sair de sua presença. Porque Ele me ama, não há culpa. Porque Ele me ama, não há espaço vazio. Porque Ele me ama, há esperança e desejo constante de servir e pregar sua palavra. Porque Ele me ama, eu posso ser saudável nos meus relacionamentos e pedir que o Espírito me ajude a reconstruir pontes quebradas por desequilíbrio emocional.

Passou? Então passou, não queira contar os cacos de vidro do parabrisa

Deus me disse, através da Christa Black, que eu não deveria ousar tocar no que é dele. Ele colocou na cruz e levou. E eu não vou mexer no que o Senhor já venceu.

[A Christa (íntima) me inspira todos os dias, por favor acesse seu blog e seja abençoado!]

 Você não é aquela pessoa vitimizada que sofreu um acidente, entenda a sua identidade no Reino

Eu me recuso enfaticamente a ser aquela pessoa que tem o rótulo: passou por coisas na infância. Eu sou como eu sou. Não tem nada melhor do que ser você no Reino. Orar como você. Levantar a mão do seu jeito. Cantar como você. Ouvir a Deus como você. Deus sente prazer em cada um de nós e é por isso que não somos iguais. PARE DE TENTAR SER IGUAL A TODO MUNDO E PARE DE TENTAR FAZER OS OUTROS SEREM IGUAIS A VOCÊ. Quando o amor de Deus se derrama sobre nós e nós somos curados, o Senhor mostra o quão legal é ser você. Se você já está por aqui na sua vida, uhuuul, já saiu dos tornozelos e joelhos, você mergulhou! E notícia relâmpago: você não é uma baleia, não precisa saltar no ar para respirar, então mantenha-se de baixo da água. É um ditado da universidade da minha cabeça, mas tem funcionado.

Eu não sou bombeiro, mas quero te ajudar

Se o seu carro bateu e você não sabe o que fazer, eu já te dou um conselho: não tente passar sozinho por tudo, você pode economizar um tempo enorme na vida sendo ajudado por alguém. Você leu um post gigante do blog, então não complique: CONVERSE COMIGO. Esse testemunho só serve para isso, amigo. Esses dois anos por aqui só servem para isso.

– Ok, eu decidi conversar com você, como eu faço?

Esquema de sempre: você pode mandar um email (nataniacarvalho@gmail.com),  uma mensagem através da página do blog no Facebook, mandar um comentário no próprio blog (calma que eu não aprovo ele se você me avisar que só quer conversar, migs!), me grite no instagram ou me mande um sinal de fumaça (um bem grande, porque meus vizinhos são do time queimamos-lixo-e-daí-sustentabilidade? e eu posso confundir e deixar passar).

Mas não precisa conversar comigo não, se sente mais a vontade com um amigo? Com um líder da igreja? Com seu pastor? Caras, vão em frente! Eu garanto que resolver o problema – o que pode parecer inacreditável para pessoas que vivenciaram um longo período de pecar contra sua própria carne – te faz livre e ser livre muda muitos aspectos da sua vida (inclusive aquele em que você era aprisionado hehe). Acredite no poder do Espírito, Ele pode!

Hoje – há uns dois anos, na verdade, desde a criação do blog -, algumas pessoas me perguntam:

-Parece que tem uma coisa tão diferente em você… O que aconteceu, menina?

Eu parei de arrastar o pedacinho de tristeza que eu escondia, bem ali, no canto da alma que a gente quase não limpa, e isso mudou tudo. Eu já tive vergonha de falar sobre as coisas pelas quais eu passei, mas hoje eu peço que o Jesus me mande na direção das pessoas que compartilham de sentimentos parecidos com os que eu tinha antes, porque eu amo encher a boca e dizer: Deus é amor.

Vamos orar?

Pai, lembra quantas vezes nós já tivemos a mesma conversa? Eu queria ser liberta, mas eu não conseguia entender como isso poderia acontecer… Foi aí que o senhor me mostrou que o seu amor e sua adoração eram presentes muito mais poderosos do que eu podia imaginar. Deus, eu luto pelos que leem o blog e carregam abusos, traumas, depressão, vícios, mutilações… Espírito, eu intercedo pelos meus irmãos hoje, e nós conseguimos sentir os tremores dos seus pés se levantando do trono. O Senhor não tem prazer no sofrimento dos seus filhos, levante-se sobre as suas vidas, trazendo libertação, vitória, paz. Cubra-os do amor que imobiliza a culpa e os deixa preparados para a vida abundante. A cruz já venceu tudo. O sangue do teu filho já venceu tudo. Senhor, nós oramos para que os seus anjos venham com a argamassa do céu, tapando brechas e construindo sonhos, ministérios, relacionamentos, novas histórias! Nós profetizamos relacionamentos com Deus, nós profetizamos corações dispostos a ouvi-Lo, faz do seu povo odres novos, porque o Senhor tem ansiado pelo vinho novo que será derramado sobre sua geração. Pai, o Senhor tem levantado uma geração de pessoas que foi machucada em várias áreas de suas vidas, Pai, o maligno declarava vitória sobre eles, declarava que eles não seriam um problema, o maligno enchia de certeza seus corações contra o ide, mas o Senhor tem balançado suas estruturas, derramado o teu amor como remédio e colocado um testemunho em suas bocas. Cuida de nós como herdeiros de Israel, envia-nos com uma palavra como os profetas de Israel. Deus, ninguém irá roubar nossas promessas, nossas futuras famílias e ministérios, nem a culpa, nem o pecado, nem os traumas. Nós oramos no nome do teu filho Jesus, a quem nós amamos e esperamos, amém.

 “Tudo o que o Eterno faz é certo. A marca registrada de todas as tuas obras é o amor.”

Salmos 145: 17 (versão A Mensagem)

Dois anos de blog <3

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{para ouvir – MESMO – enquanto lê}

22 de Agosto, há dois anos atrás, eu escrevia o meu primeiro post por aqui. Eu havia criado o blog alguns dias antes (uma versão cheia de passarinhos) e estava esperando aquele estralo para postar alguma coisa.

E o tal estralo veio e dois anos depois, nós ainda estamos por aqui.

A intenção do blog, como eu vivo dizendo, era conversar sobre Jesus com os meu amigos e conhecidos que não se interessavam tanto assim por Deus, ou para aqueles que sentiam dificuldade em se manterem bem com Ele, mesmo dentro das igrejas. Sempre que alguém criticava o evangelho, na minha faculdade ou na fila do supermercado, o meu coração amolecia feito gema em cima do arroz.  Eu não queria argumentar de forma invasiva, eu não queria ser a pessoa que incita ainda mais o ódio das pessoas contra a maior mensagem que já existiu – a cruz -, então, comecei a contar para os meus amigos o quanto Deus é incrível, e paciente e amoroso, e nossa relação com o que é sagrado mudou. Eles não tinham mais medo de falar sobre Deus, mesmo que ainda discordássemos de algumas coisas.

Voltando de uma das nossas celebrações de inverno de Brasília (já falei sobre uma delas aqui), Deus me colocou para rever uma de minhas pastas antigas e lá estava: um texto com o título que, agora, nomeia o blog. Jesus é Hilário. E eu comecei a escrever, porque eu queria que a mensagem de que o Senhor é maravilhoso pudesse se propagar de uma forma mais especial e mais rápida do que através da minha voz e minhas conversas. Eu queria que as pessoas nas filas do pão pudessem saber quem Ele é, eu queria que todos os meus amigos pudessem encontrar o sobrenatural durante o banho e não, apenas, em um ambiente preparado para ele. E a escrita não veio cheia de complicações, mas como um reflexo natural de tudo o que já falava de bom do Eterno.

Conforme o tempo foi passando, Deus me jogou na maior transformação da minha vida e eu fui contando nos posts e quanto mais compartilhava, mais gente incrível e totalmente fora do meu ciclo social – cidade e até país – apareciam. E eu tive o prazer de dizer calma-Ele-vai-fazer para pessoas desconhecidas. O meu coração não pode ser mais grato, pois sei que enquanto orava por vocês, muitos oravam por mim. Não é isso ser irmão em Cristo? Ter alguém para amar. Ser amado. Por causa da mudança feita por Deus, e de tudo que tive que passar ao deixar o sangue me lavar, eu pude encontrar pessoas que precisavam, também, dessa mudança e eu espero, do fundo do meu coração melado de aniversário, que vocês tenham encontrado o que precisam em Deus para sair do lugar do trauma.

Irmãos, eu sou grata por cada email, comentário, mensagem no whatsapp. Amigos, eu sou grata pela abertura que vocês (ajudados pelo Espírito) fizeram em seus corações e verdades para ouvirem a palavra daquele que eu mais amo. E Jesus… ah, Jesus, amado, noivo, melhor amigo, o cara com quem eu já tive as piores brigas e as melhores risadas: eu não consigo te amar mais, mas sempre quero aprender a te amar melhor. E ser uma contigo. Ter um coração totalmente entendido dos mistérios do reino, um coração que não dá a mínima para a religião, para as polêmicas vazias feitas por ativistas religiosos de Facebook. Jesus, obrigada porque um dia você fez uma piada extremamente idiota enquanto estávamos no carro e eu pude sentar e escrever: Jesus é hilário.

VAMOS ORAR?

Espírito, nós estamos completando dois anos do blog, dá para acreditar?! Eu amo contar nossas histórias aqui! Obrigada pela oportunidade que você me deu de me conectar com tanta gente incrível! O Senhor tem tanto para falar com o seu povo, tantas palavras de suporte, piadas e abraços que não foram dados por falta de conhecimento… Deus ache no blog um espaço para dar todas essas coisas para aqueles que ainda não descobriram como tê-las. Eu te amo, já falei? Provavelmente. Que tudo o que o Senhor fez na minha vida até hoje possa ser derramado sobre quem me lê: todas as pequenas vitórias conquistadas e grandes libertações! Eu creio em um Deus que dá continuidade em sua unção, que o óleo que tem chegado até mim, possa ser derramado através dos meus dedos e do meu teclado do computador [e seu barulho irritante] e chegue em quem acompanha o blog. Libertação! Louvores! Uma nova etapa! Nós profetizamos, no nome daquele que nos faz suspirar, Jesus, amém. 

 “Tudo o que o Eterno faz é certo. A marca registrada de todas as tuas obras é o amor.”

Salmos 145: 17 (versão A Mensagem)

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Eu só preciso te dizer que Deus é muito massa (repetidas vezes)

“Deus é muito massa” – disseram neste fim de semana.

Eu, ajoelhada, algum tempo depois, sentindo uma lágrima descer pelo lado mais baixo da minha bochecha, não pude concordar mais. Deus é muito massa. O cara mais louco que já existiu. O único capaz de me fazer de novo. Deus é incrível.

Até nosso amor, tão falho, tão condicional, consegue entender que Ele deve ser celebrado. Sempre. Nos melhores e piores momentos. E sim, para a maioria de nós são dias de pouco dinheiro e muita correria, mas quem é que vai escolher levar uma vida reclamando quando você pode simplesmente parar alguns segundos, abrir a boca e afirmar: Deus é muito massa.

Ele é. E saber disso faz meu peito se derreter no Dele.

– O pardal encontrou casa – digo.

– E eu te fiz um ninho.

Deus é muito massa.

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O que eu ando lendo, vendo e ouvindo nos últimos dias

{para ouvir enquanto lê}

Esse é um post inspirado pelo blog da Emma Theriault. Um post com um monte de coisas que ando fazendo nesse tempo de faz uma cirurgia, se recupera, faz outra. Quem sabe você está de férias e resolve ler, ouvir ou ver algo da minha lista ;)

>> O que eu tenho lido recentemente: 

Ouro, do INCRÍVEL Chris Cleave;

Eu me apaixonei pelo senhor Cleave em Pequena Abelha (por favor, arrume uma cópia e leia agora!), e comprei Ouro um longo tempo depois do lançamento, em uma promoção da Leitura e paguei uma bagatela de dez dilmas. Mas, como estava lendo outras coisas larguei o coitado por seis meses na estante.

QUE BURRICE.

ouro

Quando comecei a ler tive uns 5 mini infartos, uns 86 nós na garganta e uma vontade infinita de tirar mil fotos para o Instagram, porque era muito bom para não ser compartilhado (mas, segurei a loucura e só postei uma). A gente sempre começa um livro do Chris Cleave não sabendo praticamente nada sobre a história, e ele explica que não gosta de colocar um resumo atrás do livro, o autor acredita que o processo de conhecer a narrativa e os personagens fica mais interessante quando o leitor não sabe do que se trata. Para você se situar, ele diz apenas que é umas histórias entre duas amigas que são atletas e desejam ir para as Olimpíadas.

Daí pra frente, o autor explode a sua mente mostrando a cretinice do mundo e da gente mesmo.

Estação Onze, minha primeira leitura da Emily St John Mandel

estacaoonze

Esse livro não é uma indicação, é quase um pedido desesperado: alguma hora da sua vida, por favor, leia.

O mundo foi dizimado pela Gripe da Geórgia, não existem mais países, nem grandes cidades, nem energia, nem internet (noooo), e por um triz quase a raça humana não foi extinta. No meio de tanta desgraça, alguns atores e músicos se juntam, fazem uma sinfonia itinerante e apresentam Shakespeare em vários vilarejos e cidades. Tudo vai muito bem – bem no limite do bem-levando-em-conta- que-o-mundo-foi-destruído – até que eles chegam em uma cidade legislada por um “profeta”, que acha que quem morreu tinha que morrer mesmo, porque só os puros resistiram.

A autora desse livro simplesmente soube contar essa história – às vezes, a gente tem uma ideia que parece legal, mas não sabemos como colocá-la no papel… Esse não foi um problema para Emily. Achei o livro bem escrito, livre de excessos e altamente capaz de passar o desespero de ver nossa civilização ruindo. Eu sonhei com a doença, e gente FOI ASSUSTADOR hahaha…

– Dicionário da escravidão negra no Brasil, escrito por Clóvis Moura

A escravidão brasileira é algo que me tira a paz. Algo que repercute em nossas vidas diariamente. Nosso país enfrenta um período conturbado, onde muita gente fala muita bobagem – vide “bandido bom é bandido morto” e coisas aí que passam nesses Cidade Alerta da vida -, creio que quanto mais a gente souber do nosso passado e da situação real do nosso presente (não tô falando de mimimi de Facebook), menos repetiremos discursos errados. Recomendo a história dos quilombos de Minas Gerais, me impressionei com a descrição de muitos!

(Livro em andamento: High and Lifted Up, da pastora Jane Lowder)

>> O que eu tenho visto recentemente: 

Basicamente… YouTube. Acho que ele virou minha tv dos anos 90, eu sou inscrita nos mais variados canais que você possa imaginar. De tutorial a review de livros (entrem no canal da Tati Feltrin!), de game play até decoração. Ontem estava vendo tags respondidas por uns youtubers mineiros e não posso com SOTAQUE MINEIRO, MEU <3 NUM GUENTA, hehe. Minha nova coisa favorita são as batalhas de dublagem do Lip Sync Battle:

Além dos 632 canais no YouTube, eu atualizei a série Call the Midwifes e vi a mini série, baseada no livro de mesmo nome, Jonathan Strange & Mr Norrell. Muitssíssississimo legal. Tiveram uns filmes no meio do caminho, mas daquele tipo: mais do mesmo.

>> O que eu tenho ouvido recentemente: 

O que Tua Glória Fez Comigo – Ministério Voz de Muitas Águas

Deus Está Me Construindo – Fernanda Brum

No Longer Slaves – Steffany Frizzell Gretzinger

You’re The One That I Want’ – Lo-Fang

Levanta e anda – Emicida




PS: uma cirurgia e fim, programação normal neste batblog :D

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Links, muchos links (ou: Resumão de 121 textos – CENTO E VINTE E UM!)

{para ouvir enquanto lê}

Quem me lê sabe que eu decidi trabalhar com temas aqui no blog em novembro de 2014. Maas, nos últimos dois meses (hiato *mais* problemas de saúde) eu tenho postado a conta gotas, o que é uma pena, porque amo fazer aqueles textões cheios de passagens da bíblia e opiniões, aqueles que me fazem receber email com xingamentos gospeis hehehe, ou cheio de amor e de experiências parecidas com as minhas (respondo sempre: nataniacarvalho@gmail.com).

Para quem passa por aqui semanalmente (obrigada!) não ficar na solidão – ia fazer uma piada com cascatinha e inhana, mas me senti idosa-datada-tia-do-pavê – eu fiz uma lista dos temas e textos que já apareceram no blog. Clique, dê uma olhadinha e veja se você já leu todos enquanto eu não volto cheia de caracteres para dar.

>> Tema:

Deus AMA se comunicar conosco

>> Textos:

Aquela versão mineira de Deus

Deus é um cara galante (ou: Menina, pare de falar)

É Deus quem está falando? (Ou: TV Hilário e leituras de novembro)

Para salvar e colocar de plano de fundo (Ou: Tozer, migo)

>> Tema:

O Deus que limpa

>> Textos:

Você precisa colocar sua calça leggin feia para fazer faxina

Levantando as mesinhas de centro e tapetes (ou: Batalhas secretas)

Mentiras sinceras não andam me interessando não

Não largue o rodo ainda (ou: Paulo e meus pés vacilantes)

Como saber se minha limpeza não é passageira? (Ou: Leituras do mês de dezembro)

O Deus que limpa – post final (Ou: acabou a faxina, mas não guardem os baldes)

>> Tema:

Evangelho na Mochila

>> Textos:

Tema de Janeiro: Evangelho na Mochila! (Ou: Vamos ler a Bíblia comigo?)

O mochileiro do evangelho: a primeira viagem de Paulo (ou: Atos, o quase diário de viagem de um apóstolo) * Um dos meus posts favoritos <3 *

#TVHilário 3, Vamos para a Hillsong College com a Ev? [POST ATUALIZADO!!!]

Fazendo missões com a Jocum e com a Ilana

“Deus gosta de aventura, mistério, de mudar as coisas ” (ou: último post de Janeiro, que já acabou)

>> Tema:

Rotina

>> Textos:

Março: vamos falar de rotina? (ou: Planos reais, sérios, de verdade para este mês no blog)

Você é muito ocupado ou Pacientemente, amor (ou: Pão de queijo quentinho)se ocupando demais? (ou: Falando a verdade sobre nossas rotinas)

>> Tema:

Amor

>> Textos:

Porque hoje é dia do beijo (ou: Sobre se apaixonar por Jesus)

Pacientemente, amor (ou: Pão de queijo quentinho)

Não sei se você notou, mas eu ando falando sobre amor (ou: Amor x Medo)

Além dos textos citados acima, há alguns mais derretidos e menos explicativos (aqui e aqui) e outros 119, – dá para acreditar que já postei CENTO E VINTE E UM textos?! – que você pode fuçar nesses dias de non-post.


PS: quando você ler isso eu já estarei no hospital, na terceira cirurgia, está acabando =D

Não retire do altar o que você já consagrou

Nós falamos muita coisa para Deus de boca para fora. Muita. Nós levantamos as nossas mãos na igreja e cantamos que somos consagrados totalmente a Ele, que não há nada mais importante do que Ele. Nós batemos no peito e gritamos vem e toma o teu lugar, Senhor. Depois que o momento passa, a gente se esquece, mas isso não é o que acontece nos céus.

No último mês – e ainda por agora – ando em um processo de cirurgias. Sem nenhuma piada besta com o poema da pedra famosa de Drummond, eu descobri que estava com nove cálculos renais grandinhos e, digamos, não tem sido um tempo agradável. Junto com isso, eu comecei a perguntar o porquê de muita coisa para Deus  – sabe aqueles meses combo-da-desgraça? – e a resposta Dele veio como uma tabuada na minha cabeça: as minhas frustrações mostram que eu não tenho cantado e declarado a verdade nas minhas orações. O Evangelho não se resume ao que você sente, mas ao que você já consagrou.

O Eterno é amor, mas ele nunca é coitadismo.

– Ok, Deus, por onde a gente começa?

– Você começa não retirando do altar o que já consagrou.

E isso a gente aprende com a mulher de Mateus 26 (leia o texto se você não conhece), aquela que ofereceu um perfume caríssimo à Jesus. Esse versículo sempre me atraiu muito pelo papel da mulher demonstrado ali. Papel de profeta, de alguém que já havia entendido o novo tempo de Jesus – a preparação do seu corpo para a morte -, papel de mulher intrépida, que não se censura diante das convenções sociais, entrando em um jantar em uma época em que não era bem vinda, papel de quem não coloca o dinheiro acima da adoração, aquele perfume custava um ano todinho de salário, mas o dinheiro estava subjugado ao que era importante na vida dela.

Porém, o que Deus me ensinou nestes últimos dias é que aquela mulher é um símbolo de alguém que não voltou atrás espiritualmente, sua consagração é conhecida ainda nos dias de hoje.

Aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, com ungüento de grande valor, e derramou-lho sobre a cabeça, quando ele estava assentado à mesa.

Mateus 26:7

Assim que ela ofereceu o perfume à Jesus, ela não tentou tomá-lo de volta.

Quantas vezes nós tomamos de volta palavras e promessas que oferecemos no altar… Dizer que o Senhor é a coisa mais importante das nossas vidas é depositar um unguento na presença de Deus, e porque nós nos sentimos no direito de reavê-lo com nossas atitudes e reclamações?

– Eu não quero mais retirar do altar o que já consagrei, Jesus. – Orei. – Mas não sei o que fazer quando tenho dificuldade em te deixar com o perfume…

– Fé e palavras de força. Dê uma olhada na sua vida, em tudo o que você já achou importante e que hoje não ocupa os primeiros lugares…

Sim. Meu coração se alegrou ao perceber isso. Eu já dei tanta atenção a coisas ridículas, como buscar me relacionar com pessoas que seguissem um padrão “leitor desse autor, apreciador desta música”. Deus me virou de cabeça para baixo em três anos e eu olho para minha versão que jogou muita coisa importante fora por besteira e sei que o Senhor foi misericordioso comigo – eu continuaria perdendo e perdendo se eu não deixasse de ser tão importante para mim mesma. Inúmeros posicionamentos também deixaram de ser importantes nos últimos anos, e até minha noção do que é bonito mudou. As coisas secundárias foram sacudidas para os seus lugares devidos: os segundos lugares.

Mesmo com tudo isso já transformado, quando as estruturas principais, como a família, a saúde, começam a mostrar dificuldades (e cólica renal te faz mandar Jó pro buraco, você quer reclamar mesmo) , eu preciso me lembrar que me consagrei ao Rei e que o desespero é olhar tais coisas com os olhos de isso é o mais importante. Quando o Senhor continua sendo minha prioridade, eu tendo a me sentir menos frustrada, menos sem saída e menos coitada-mimizenta, porque, afinal, se o fundamento da minha vida, aquilo que importa mais, continua de pé e rugindo como um leão, as dificuldades secundárias não vão me abalar.

É difícil viver tudo o que cantamos e oramos, é difícil se consagrar, mas a caminhada cristã vai se tornando dia perfeito a cada dia.

praise

Adoração Profética e Amizades Proféticas (ou: estou pseudo-de-volta)

Este texto é a resposta que estava devendo para a pergunta de uma irmã de célula, Lorrana, a quem eu aprendi a admirar. Obrigada por me ensinar que vulnerabilidade e fortaleza andam, muitas vezes, juntas. Te amo.



{Para ouvir enquanto lê}

Pra mim, profético é tudo que saí de Deus e me alcança. Tudo o que saí de mim, debaixo da vontade Dele e do poder do sangue do seu filho, e alcança um alvo.

Definir profético foi importante na minha vida, pois quebrou a estranheza que isso me causava algumas vezes. Quem tem medo do profético? Eu já tive. E ele estava ligado a ideia que nós temos de alguém colocando o dedo na sua cara e gritando assim-diz-o-senhor de forma pouco lisonjeira. Minha igreja não é familiarizada com esse jeito de ser (eufemismo detected), por isso, sempre que ouvia alguém jogando a carta do assim diz Ele, preferia ter ouvido “você tem sete dias“.

Sim, os profetas no velho testamento sempre eram aqueles que enfrentavam reis, que agiam sem medo de colocar o “dedo na ferida” (de nada pela expressão nojenta), mas me perguntei por algum tempo como é a nossa relação com que o que é profético hoje, quando Deus fala diretamente conosco pelo caminho aberto por Jesus. E se somos encontrados por esse caminho, o quanto do Reino precisamos ter para entender o que ele tem a dizer?

Bem, há alguns muitos meses comecei a cursar a escola de adoração da Bethel, através das aulas online (já falei milhões de vezes sobre o Worship U por aqui, mas não custa dizer de novo: se inscreva e faça, ao menos, o trial!). Foi durante as aulas – adoração espontânea e adoração profética – que um novo momento de entendimento da palavra de Deus se abriu e eu comecei a buscar a glória de uma maneira especial.

Nesse processo, Deus me mostrou duas formas em que o profético pode se manifestar nas nossas vidas diárias e eu quero contar para vocês pela ordem em que eu aprendi.

1) Adoração Profética

Sabe quando você está apenas tomando um banho e começa a cantar e Deus fala com você e a próxima coisa que você vê são os joelhos no chão, shampoo no olho, cadê a toalha, o que é água o que é lágrima? Adorar rompe minha conexão comigo, com meus um milhões de “e agora?!” e me dá um coração eterno. Por aqueles minutos eu entendo como é viver para sempre com o Pai. Portanto, a adoração é um dos meus caminhos mais rápidos para chegar perto de Deus.

Todo mundo foi feito para adorar.

– Ah, mas eu não canto na igreja – você pode dizer.

Nem eu. Mas, por mais que eu ame o culto e as paredes físicas da igreja (já falei sobre isso aqui), o seu relacionamento com o Eterno não pode se reduzir a um ou dois encontros semanais. O que você faz em casa com o Senhor é muito importante e a palavra de Deus está cheia de versículos que nos incentivam a louvá-lo.

Louvarei ao SENHOR em todo o tempo; o seu louvor estará continuamente na minha boca.
Salmos 34:1

A Bíblia traz várias palavras hebraicas para o louvor ( já falei resumidamente sobre todas elas aqui), e minha favorita é tehillah (תְּהִלָּה). Os versículos em que encontramos essa palavra nos mostram que seu significado é adorar com suas próprias canções. E isso, amigos, é incrível. Algumas vezes, chego em casa e não sei o que orar. Eu tive um dia blé e nada do que eu falo para Deus parece de verdade, então, eu desenvolvi a técnica “Pablo, qual é a música?”, versão Espírito Santo. Eu pergunto a Ele o que cantar e em alguns minutos todo o meu coração está sendo derramado sobre sua presença através de uma letra que – de verdade – eu nem vou lembrar amanhã, mas que o engrandece hoje.

Foi por perder o medo de poder cantar QUALQUER  coisa para Deus (exatamente como o dia em cantei sobre Toddy,  vergonha-alheia-de-mim-mesma?), que eu consegui entender que a adoração pode ser profética.

Estava eu cantando no banho – outro dia no escritório – quando comecei a cantar coisas que pareciam sérias sobre mim mesma e aquele estalo “opa, é melhor prestar atenção nisso” aconteceu. Desde então, Deus tem me ensinando a ouvi-Lo. A palavra hebraica para profeta usada várias vezes no velho testamento – acho que a primeira usada, ACHO – é nabi, um dos seus significados é “vindo de uma fonte”, e é exatamente assim que nos sentimos quando o Senhor derrama sobre nós uma nova palavra, através da adoração profética. Sabemos que ela não é nossa, mas veio de uma fonte, da fonte que sempre jorrará água viva.

praise

2) Amizades Proféticas

Ter amigos é uma verdadeira benção. Uma coisa que eu aprendi ao longo da minha caminhada: você não precisa procurar sua palavra profética sozinho.

Meus amigos são, muitas vezes, fontes das palavras de Deus para minha vida. E lá vou eu contar outra história (lidem com isso porque eu não vivo sem exemplos, hehe). Durante uma quarta-feira horrorosa – há um mês e pouco -, eu mandei uma mensagem para uma amiga:

– Ma, vamos na igreja comigo orar depois do trabalho?

Contexto? Ma, a linda, não é da minha igreja e nunca havia ido até lá, mas disse sim. Chegando até a igreja, que não estava tendo culto, ficamos em um canto do fundo, no escuro e com uma música do meu celular. Mazitcha disse algo sobre não saber orar em público e segundos depois nós já estávamos orando. Assim que terminei, a Marcela fez a oração que eu precisava ouvir, uma oração sobre agradecimento. Nós estávamos vivendo um momento em que precisávamos que Deus fizesse algo em áreas diferentes das nossas vidas, mas lá estava ela sendo fonte do profético na minha vida. Eu parei de mimimi, comecei a agradecer, ambas começamos a chorar e nos sentimos lavadas pelo Espírito.

Se você pode contar com alguém para ser fonte de Deus na sua vida, e que pode, ocasionalmente, apelar jogando dança no Wii com você, não dê bobeira, esse é o seu/sua cara. Claudi-buchechiando: Davi sem Jônatas sou eu sem aqueles que o Eterno me deu o privilégio de conviver.

Mas isso é aquela famosa rua que vai e vem. Que Deus possa achar seu coração livre para abençoar seus amigos com uma oração, com uma mensagem, uma ida ao cinema ou uma foto retardada no snapchat. Que você se conecte com a alma das pessoas – soou piegas? mas é assim que a Bíblia descreve, em 1 Samuel 18, a amizade de Davi e Jônatas: “a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma.”

Vamos orar?

Deus, nós entramos em tua presença com ações de graças, com músicas fresquinhas em nosso interior. Nos faça sensíveis para as palavras que o Senhor quer nos dar, expanda nossa definição do que é o profético. Espírito, nós queremos dançar e cantar para ti, como um rio que continua fluindo dia após dia. Espírito, nós queremos amar nossos amigos e sermos o que eles precisam que sejamos. A começar de você, que tem sido o melhor de nossos amigos. Nós oramos no nome daquele que amamos, Jesus, amém.



Esquema de sempre: você pode me encontrar através do email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou no meu Instagram =D