Adoração Profética e Amizades Proféticas (ou: estou pseudo-de-volta)

Este texto é a resposta que estava devendo para a pergunta de uma irmã de célula, Lorrana, a quem eu aprendi a admirar. Obrigada por me ensinar que vulnerabilidade e fortaleza andam, muitas vezes, juntas. Te amo.



{Para ouvir enquanto lê}

Pra mim, profético é tudo que saí de Deus e me alcança. Tudo o que saí de mim, debaixo da vontade Dele e do poder do sangue do seu filho, e alcança um alvo.

Definir profético foi importante na minha vida, pois quebrou a estranheza que isso me causava algumas vezes. Quem tem medo do profético? Eu já tive. E ele estava ligado a ideia que nós temos de alguém colocando o dedo na sua cara e gritando assim-diz-o-senhor de forma pouco lisonjeira. Minha igreja não é familiarizada com esse jeito de ser (eufemismo detected), por isso, sempre que ouvia alguém jogando a carta do assim diz Ele, preferia ter ouvido “você tem sete dias“.

Sim, os profetas no velho testamento sempre eram aqueles que enfrentavam reis, que agiam sem medo de colocar o “dedo na ferida” (de nada pela expressão nojenta), mas me perguntei por algum tempo como é a nossa relação com que o que é profético hoje, quando Deus fala diretamente conosco pelo caminho aberto por Jesus. E se somos encontrados por esse caminho, o quanto do Reino precisamos ter para entender o que ele tem a dizer?

Bem, há alguns muitos meses comecei a cursar a escola de adoração da Bethel, através das aulas online (já falei milhões de vezes sobre o Worship U por aqui, mas não custa dizer de novo: se inscreva e faça, ao menos, o trial!). Foi durante as aulas – adoração espontânea e adoração profética – que um novo momento de entendimento da palavra de Deus se abriu e eu comecei a buscar a glória de uma maneira especial.

Nesse processo, Deus me mostrou duas formas em que o profético pode se manifestar nas nossas vidas diárias e eu quero contar para vocês pela ordem em que eu aprendi.

1) Adoração Profética

Sabe quando você está apenas tomando um banho e começa a cantar e Deus fala com você e a próxima coisa que você vê são os joelhos no chão, shampoo no olho, cadê a toalha, o que é água o que é lágrima? Adorar rompe minha conexão comigo, com meus um milhões de “e agora?!” e me dá um coração eterno. Por aqueles minutos eu entendo como é viver para sempre com o Pai. Portanto, a adoração é um dos meus caminhos mais rápidos para chegar perto de Deus.

Todo mundo foi feito para adorar.

– Ah, mas eu não canto na igreja – você pode dizer.

Nem eu. Mas, por mais que eu ame o culto e as paredes físicas da igreja (já falei sobre isso aqui), o seu relacionamento com o Eterno não pode se reduzir a um ou dois encontros semanais. O que você faz em casa com o Senhor é muito importante e a palavra de Deus está cheia de versículos que nos incentivam a louvá-lo.

Louvarei ao SENHOR em todo o tempo; o seu louvor estará continuamente na minha boca.
Salmos 34:1

A Bíblia traz várias palavras hebraicas para o louvor ( já falei resumidamente sobre todas elas aqui), e minha favorita é tehillah (תְּהִלָּה). Os versículos em que encontramos essa palavra nos mostram que seu significado é adorar com suas próprias canções. E isso, amigos, é incrível. Algumas vezes, chego em casa e não sei o que orar. Eu tive um dia blé e nada do que eu falo para Deus parece de verdade, então, eu desenvolvi a técnica “Pablo, qual é a música?”, versão Espírito Santo. Eu pergunto a Ele o que cantar e em alguns minutos todo o meu coração está sendo derramado sobre sua presença através de uma letra que – de verdade – eu nem vou lembrar amanhã, mas que o engrandece hoje.

Foi por perder o medo de poder cantar QUALQUER  coisa para Deus (exatamente como o dia em cantei sobre Toddy,  vergonha-alheia-de-mim-mesma?), que eu consegui entender que a adoração pode ser profética.

Estava eu cantando no banho – outro dia no escritório – quando comecei a cantar coisas que pareciam sérias sobre mim mesma e aquele estalo “opa, é melhor prestar atenção nisso” aconteceu. Desde então, Deus tem me ensinando a ouvi-Lo. A palavra hebraica para profeta usada várias vezes no velho testamento – acho que a primeira usada, ACHO – é nabi, um dos seus significados é “vindo de uma fonte”, e é exatamente assim que nos sentimos quando o Senhor derrama sobre nós uma nova palavra, através da adoração profética. Sabemos que ela não é nossa, mas veio de uma fonte, da fonte que sempre jorrará água viva.

praise

2) Amizades Proféticas

Ter amigos é uma verdadeira benção. Uma coisa que eu aprendi ao longo da minha caminhada: você não precisa procurar sua palavra profética sozinho.

Meus amigos são, muitas vezes, fontes das palavras de Deus para minha vida. E lá vou eu contar outra história (lidem com isso porque eu não vivo sem exemplos, hehe). Durante uma quarta-feira horrorosa – há um mês e pouco -, eu mandei uma mensagem para uma amiga:

– Ma, vamos na igreja comigo orar depois do trabalho?

Contexto? Ma, a linda, não é da minha igreja e nunca havia ido até lá, mas disse sim. Chegando até a igreja, que não estava tendo culto, ficamos em um canto do fundo, no escuro e com uma música do meu celular. Mazitcha disse algo sobre não saber orar em público e segundos depois nós já estávamos orando. Assim que terminei, a Marcela fez a oração que eu precisava ouvir, uma oração sobre agradecimento. Nós estávamos vivendo um momento em que precisávamos que Deus fizesse algo em áreas diferentes das nossas vidas, mas lá estava ela sendo fonte do profético na minha vida. Eu parei de mimimi, comecei a agradecer, ambas começamos a chorar e nos sentimos lavadas pelo Espírito.

Se você pode contar com alguém para ser fonte de Deus na sua vida, e que pode, ocasionalmente, apelar jogando dança no Wii com você, não dê bobeira, esse é o seu/sua cara. Claudi-buchechiando: Davi sem Jônatas sou eu sem aqueles que o Eterno me deu o privilégio de conviver.

Mas isso é aquela famosa rua que vai e vem. Que Deus possa achar seu coração livre para abençoar seus amigos com uma oração, com uma mensagem, uma ida ao cinema ou uma foto retardada no snapchat. Que você se conecte com a alma das pessoas – soou piegas? mas é assim que a Bíblia descreve, em 1 Samuel 18, a amizade de Davi e Jônatas: “a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma.”

Vamos orar?

Deus, nós entramos em tua presença com ações de graças, com músicas fresquinhas em nosso interior. Nos faça sensíveis para as palavras que o Senhor quer nos dar, expanda nossa definição do que é o profético. Espírito, nós queremos dançar e cantar para ti, como um rio que continua fluindo dia após dia. Espírito, nós queremos amar nossos amigos e sermos o que eles precisam que sejamos. A começar de você, que tem sido o melhor de nossos amigos. Nós oramos no nome daquele que amamos, Jesus, amém.



Esquema de sempre: você pode me encontrar através do email (nataniacarvalho@gmail.com), da página do blog no Facebook, ou no meu Instagram =D

Etiquetado , , , , , ,

Sumiço avisado (fuén)

Oi, padawans (hoje é Star Wars Day não consigo não ficar empolgada)!

Durante essas semanas têm sido complicado postar… mé :/

Tenho uma prova no meio do mês e já quero pedir para vocês desculparem as minhas futuras ausências… Nesse período de postagens mais espaçadas, vocês podem encher minha caixa de entrada (nataniacarvalho@gmail.com) ou conversar comigo pelo Instagram. O blog tem uma página no Facebook, caso o inbox tenha um espacinho maior no seu coração.

Um beijo e may the fourth be with you!

Yoda

Yoda e eu mandamos um ‘até breve’ (ou breve até)

Etiquetado , , , ,

Não sei se você notou, mas eu ando falando sobre amor (ou: Amor x Medo)

{Para ouvir enquanto lê}

loveQuem leu meu último post (que foi um pouco “é-o-quê?”, porque eu queria tentar descrever o que eu estava entendendo da palavra na hora da agitação) e o penúltimo post, pode perceber que eu estou falando de amor neste mês de abril. Esse é um assunto recorrente nos meus textos, e os anos têm me feito acreditar no que o pastor Bill Johnson, sênior da Bethel Church, costuma falar: nós temos uma grande mensagem dentro de nós e vamos a dividindo em milhões de pedaços. A minha mensagem definitivamente se conecta com amor, e quanto mais vou progredindo na fé, e como gente, mais entendo que os assuntos de Deus nunca se acabam, por isso a Bíblia é viva, por isso eu sempre acho que há mais sobre amor para falar.

E bem, vamos começar logo este texto com Peninha: quando a gente ama é claaro que(i) a gente cuuuuidaa. Hoje eu queria falar da face do amor de Deus que nos faz sentirmos seguros, cuidados (agora vou cantar a música do Peninha mentalmente até o fim do dia sem or). A face que nos possibilita ser abrigo para os outros.

A minha tendencia é ser uma pessoa medrosa. Sempre amei ler histórias com heróis badass, mas confesso que não sei como agiria no lugar deles – se eu fosse Frodo, por exemplo, provavelmente jogaria aquele maldito anel Condado abaixo, já na saída de casa. Por isso, aprendi na prática, renegando os meus temores, que o meu Deus é escudo e glória.

Quero dividir o nosso post em dois tipos de medo que nos acometem e que o amor de Deus se faz presente para dissipá-los, e terminar falando sobre assimilar essa característica em nosso caráter.

1) O medo do que ainda não aconteceu (ou: Vidente do “ihhh não vai dar certo”)

Se eu fosse vidente (oi-Natânia-o-quê-está-acontecendo-?), provavelmente você não gostaria nadinha do que eu teria para te dizer. Isso porque eu sempre penso nas 55 coisas que podem dar errado antes de seguir em frente com algo e quando eu presto atenção eu já estou quase colocando minha fé que as coisas realmente não vão dar certo. “Isso é falta de fé e não colocar sua fé”, você pode dizer, mas olha, eu digo que não é não, é uma fé usada para o mau (uma fé Darth Veder). Quer saber porque que digo isso? A Bispa Lúcia Rodovalho (<3) disse, hoje, no twitter:

A fé é crer naquilo que você não pode ver. A recompensa dessa fé é ver aquilo em que você crê!

Bem, isso é maravilhoso se você acreditar nas promessas, na bondade, na resolução e na alegria das coisas novas, no entanto, se você crê que aquilo já está falido antes de se desenvolver, bem, sua recompensa é ver um projeto que nasce morto. Viu só como é possível lançar sua fé para o mau?

Eu já tive e tenho inúmeras conversas com Deus perguntando, falando, pedindo uma explicação para minha insegurança crônica com muitas coisas na vida, mas um dia senti que devia apenas confiar. Confiar sem explicações, pelo menos no início. Decidi aceitar o desafio de não temer depois de algumas decisões erradas, por medo de tomar as certas. Você já fez isso? Jogar uma coisa pro alto com medo de levá-la adiante e ela dar errado? AGORA ME DIZ, QUAL É A LÓGICA DISSO?!

Nenhuma.

E eu decidi que eu não iria ter medo do que ainda não aconteceu. E isso não é fácil. Todos os dias eu preciso me lembrar que o amor do Eterno é tão grande que pode vencer o meu temor. Algumas vezes, Deus, em misericórdia, já me disse: sossega, vai ficar tudo bem, siga em frente com essa decisão. Maaaaas milhares de vezes, Ele não falou. E, conforme você vai ficando mais maduro no relacionamento com o Senhor, vai entendendo que ficar chateado por ter que vencer seu medo não faz o coração de Deus se voltar para você com mais facilidade. Pise na água, mesmo que você pense “caramba tô sentindo que vou descer diretinho para a zona abissal”. Não tema algo de graça, mas peça entendimento.

Muitas vezes, Deus tem planos tão específicos para nós, mas nos desviamos muito deles por medo de insistir em um caminho, por medo de oportunidades que se abrem. Para vencer meu medo, eu oro. Choro. Oro. Grito “Spirit  break ooooooout“. Leio Salmos 3. Assim, não preciso de uma palavra direta de Deus para parar de temer, eu começo a profetizar o que já está na Bíblia: o verdadeiro amor lança fora todo medo. De novo. De novo. E coloco meus pés nos planos futuros.

O medo é algo viciante. Você se vê voltando sempre e sempre e sempre para ele, até o dia que perde algo tão importante que mal pode acreditar. O amor de Deus é capaz de cauterizar a raiz do nosso temor, Ele nos dá segurança e nos reveste de coragem. Não de uma coragem tola, mas de uma coragem com cara, cheiro e gosto do Reino: aquela que nos faz viver o evangelho no máximo.

Se você sente tanto medo do futuro que seus pés e planos congelam-nível-frozen e você se vê conformado com uma realidade horrível, do fundo do meu coração eu te desejo o que eu desejo para mim diariamente: seja livre. Que seus pés encontrem o amor de Deus e que esse amor se choque contra o seu coração, que ele quebre seus ossos e te faça mais resistente, mas, ao mesmo tempo, mais suave e perceptivo para a realidade do céu, que está tão longe do medo, quanto eu, geograficamente, da J.K.

2) O medo das situações terríveis que já estão acontecendo

Muitas vezes, nós vivemos momentos tão ruins na vida que pensamos que é ok temer naquela hora. Sabe o que Deus tem me ensinado? Não é ok, não.

Quando meu pai ficou doente (eu já contei um pouco sobre isso aqui), eu fiquei com medo. Às vezes, eu me pego com medo ainda hoje. Mas Deus me cerca de palavras na Bíblia e me cerca de palavras na igreja que me fazem lutar contra esse sentimento. Me lembro de chegar no culto um dia, quando ele não podia ir à igreja e estava bastante abatido, começar a participar do louvor e ficar tomada de medo. Eu pensei: bem, talvez, eu precise ir para casa, descansar a cabeça um pouco. Mas Deus me disse para ir até o banheiro. Eu me ajoelhei no chão de uma das cabines e comecei a chorar, de repente o sentimento de que Deus era poderosamente maior do que tudo aquilo me invadiu. Você já sentiu que é imensamente minúsculo quando a presença de Deus desce sobre você? Não pequeno como quem não é útil, ou é menor e pode ser esmagado… Mas pequeno do tipo: Filho, você cabe nas minhas palmas e elas irão te proteger.

Eu precisava lutar contra o medo. Não com minhas armas – meu positivismo já foi discutido acima hahaha -, mas com as armas do Eterno. E eu pedia para que ele me falasse sobre amor. E ele ria comigo e me falava sobre seu grande amor. Ele me explicava que não há nada melhor do que quando nós nos derramamos sobre Ele. E o seu amor preenche o que o medo rasgou.

Quantos de nós estamos enfrentando situações realmente apavorantes agora?… Sabe, gentes, nossos ombros podem tentar por algum tempo, mas eles não são e nunca serão escudos.

Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários! São muitos os que se levantam contra mim.

Muitos dizem da minha alma: Não há salvação para ele em Deus. (Selá.)

Porém tu, Senhor, és um escudo para mim, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça.

Com a minha voz clamei ao Senhor, e ouviu-me desde o seu santo monte. (Selá.)

Eu me deitei e dormi; acordei, porque o Senhor me sustentou.

Não temerei dez milhares de pessoas que se puseram contra mim e me cercam.

Levanta-te, Senhor; salva-me, Deus meu; pois feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes aos ímpios.

A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção. (Selá.)

Salmos 3

O amor de Deus o faz levantar do seu trono. Aleluia, nós temos um Deus que se preocupa em cuidar de nós!

>> Cuide de alguém que enfrenta o medo

Sabe o que é brilhante no evangelho? Se você levar a coisa a sério, você fica parecido com Jesus. Dá para pedir algo melhor do que adquirir as características do caráter de Deus? Quanto mais você deixa Deus te ensinar a não temer, a viver abundantemente, mais você pode ensinar alguém. E quando eu falo ensinar, bem, você precisa entender o que eu acredito que seja ensinar: andar perto de alguém todos os dias, de tal forma que o seu coração seja repartido com aquela pessoa pelas palavras, ações e comida que compartilham.

Quando você é um Cristo em andamento, você se preocupa com as pessoas. Você diz coisas que deixem seus corações quentes e longe do medo. Você não precisa dar um sermão – elas não vão lembrar -, mas se você for com elas, exortando, cuidando, amando, alertando sobre a liberdade do Espírito e a prisão do medo, elas verão uma parte do próprio Deus protetor manifesto na igreja.

Paulo (<3) fala diversas vezes sobre seu cuidado com a igreja, e agradece a Deus por Tito também apresentar um coração voltado para seus irmãos:

Agradeço a Deus ter ele posto no coração de Tito o mesmo cuidado que tenho por vocês,
2 Coríntios 8:16

Ande sempre com quem pode alimentar sua fé, com quem profetiza uma vida longe do medo, com quem te abrace no dia mal e te chame para ver Friends no final de uma semana difícil (Friends por minha conta, migs, Evangelho de mim mesmo capítulo 2).

Sempre se lembre do amor de Deus e da igreja por você, onde é que você esteja nesse mundo de meodeos.

Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo.
Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve.
Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro.
Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.
Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.
Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.
Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.
Amados, se Deus assim nos amou, também nòs devemos amar uns aos outros.
Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor.
Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito.
E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.
Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus.
E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele.
Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo.
No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.
Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro.
1 João 4:4-19

Vamos orar?

Pai, quantas vezes nós já conversamos sobre medo? Em todas elas o Senhor foi fiel. Seu santo nome é escudo e âncora para nossos corações e almas. Eu profetizo amor sobre os que estão tomados pelo medo hoje, e que o amor corroa as amarras que nos mantém aprisionados, que o amor dissolva o temor, que ele instaure o Reino em nossos corações. Deus, eu quero apoiar meus amigos e irmãos no momento em que eles não conseguirem crer no melhor de Deus, e que eles também desejem cuidar de outros. Em teu nome nós oramos. Amém!

Etiquetado , , , , , ,

Pacientemente, amor (ou: Pão de queijo quentinho)

{Para ouvir enquanto lê}

paodequeijofinal

Ainda não sei escrever um post sobre a manhã de hoje. Estava eu lendo um livro do Fernandinho – em breve quero falar sobre ele por aqui – no ônibus, em direção ao trabalho, depois de uma longa semana de dengue, exames de sangue e horas esperando minhas consultas, quando eu li 1 Coríntios 13. Eu, sinceramente, não sei quantas vezes já li esse texto, ouvi alguém lendo esse texto, pregando sobre esse texto, e exemplos parecidos…

Inúmeras vezes.

No entanto, hoje uma parte dele pareceu fazer um sentido absurdo pra mim.

O amor é paciente

1 Coríntios 13:4

Sim. Ele é. E sabe, acho que quando a gente descobre um pouco mais sobre o amor vemos que essa é uma característica intrínseca dele. O amor não desiste, ele não joga tudo para cima, ele está ali, todos os dias, esperando e por isso ele tudo suporta, e por isso ele tudo crê, tudo espera, tudo sofre. O amor enfrenta tudo, pois ele é paciente para alcançar o seu fim.

Eu estou apenas repetindo os versículos, amigos, porque ainda não consigo explicar a certeza que invadiu meu coração. Em dias em que nada pode esperar, o amor pode. No mundo em que se não for para agora não serve, o amor é paciente. Eu amo pacientemente, como quem abre um pão de queijo recém assado e espera enquanto uma fumacinha cheirosa sobe até o teto. Uma hora a gente morde o pão de queijo, uma hora o perfeito vai chegar, e o que é imperfeito vai desaparecer.

Etiquetado , , , ,

Porque hoje é dia do beijo (ou: Sobre se apaixonar por Jesus)

{Para ouvir enquanto lê}

beijo_000000

Hoje é dia do que? Sim, você leu o título e sabe que a resposta é do beijo – embora para mim tenha sido dia de descobrir que estou com dengue e o mistério das minhas dores no corpo ser desvendado (Agatha Christie das doenças tropicais).

A Bíblia é um livro dos mais românticos… E eu não estou falando de Salomão e todos os seus elogios peculiares. O evangelho é, para mim, uma declaração de amor. Mateus, Marcos, Lucas e João escreveram, juntos, uma grande carta sobre se apaixonar.

Você já parou para pensar que esses quatro homens eram apaixonados por Jesus? Calma lá, quero voltar mais um pouco: você já parou para pensar que Jesus era um cara normal nessa época? Ele não tinha filmes, fama, quadros… Ele era apenas um nazareno não caucasiano, queimadinho de sol e dono de palavras justas e doces. E foi necessário que esses homens conhecessem a ele. Foi necessário que esses homens fizessem perguntas bobas sobre o reino e sobre ser grande dentro dele – porque ninguém nunca as tinham feito antes. Foi preciso que esses homens dividissem casa, comida e um barco quase naufragando para que algo dentro de seus corações fizesse click e eles pensassem: caramba, eu amo esse cara.

Se apaixonar por alguém não é um processo rápido. Mateus levou 28 capítulos para nos mostrar isso. Eu aprendi que você vai encontrando pequenas trilhas nas pessoas até encontrar, verdadeiramente, seus corações. Eu imagino Jesus fazendo esse tour pelo interior de Pedro, até achar o coração pulsante aonde a igreja iria se apoiar. Jesus faz isso conosco. Ele desentulha nossas estradas para entender o que é o amor. A cada dia que entendemos mais um pouco, tudo muda. TUDO MUDA. O amor de Jesus me fez mudar minha ideia de amor. E amar a Jesus me fez mais amorosa.

Acredito que quanto mais os discípulos conheciam Jesus, mais eles o amavam. Sabe quando você admira alguém a ponto de, sem perceber, decorar a forma com que ela se move ao redor das outras pessoas? Você sabe como ela ri, sabe como ela conversa, você sabe, até mesmo, que ela se mexe de um lado para o outro quando ela ora. Os discípulos deviam ser assim. Saber o sotaque de Jesus, saber a sua comida preferida, saber como era seu sorriso depois de um milagre.

Um dia ouvi que o amor de Jesus era a única coisa que podia colocar nosso interior no lugar. Eu estava em uma fase blé quando me disseram isso, há alguns anos, e por mais que soubesse que a frase era verdade, não entendia como colocar em prática. Bem, acontece que eu amava a Jesus, mas ele queria me ensinar a amar segundo o seu amor. Não apenas para corresponder a Ele, mas para que eu pudesse amar aos outros com o mesmo amor.

Sabe alguém na Bíblia que eu creio que amava a Jesus com o amor que vem do próprio Jesus? A mulher que lavou os pés do Senhor na casa do fariseu:

 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos de sua cabeça.

Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés.

Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento.

Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.

Lucas 7: 44 – 47

Que passagem incrível! Mesmo com a cabeça latejando – dengue é muito divertido, amigos – eu consigo pintar a reação desta mulher diante das palavras de Jesus. Eu consigo vê-la beijando seus pés. E de passagem em passagem, beijo em beijo, vamos nos tornando cristãos no mais íntimo dessa palavra: amor.

Etiquetado , , , , , ,

Leituras de Janeiro, Fevereiro e Março

{Para ouvir enquanto lê}

Este é aquele post em que eu te conto o que eu andei lendo. Sei que este blog não é literário, no entanto continue lendo, quem sabe você não se interessa por um dos volumes? Eu vou dividir o post em duas partes, a primeira são livros que eu chamo de “da vida”, eles não são relacionados a Deus, e a segunda parte livros que leio para a construção dos posts e que, portanto, falam sobre nossas vidas à luz da Bíblia.

PARTE 1

>> Aniquilação, de Jeff VanderMeer

aniquiCARAMBA. É a primeira coisa que tenho para falar sobre esse autor. Aniquilação é uma daquelas coisas da vida que ou você ama ou você odeia. E eu amei! A história, que chamo de horror cósmico, mas que também é classificada como horror barra ficção científica, conta a história de uma expedição que vai até o sul dos Estados Unidos até uma área denominada de X – já deu para entender que a gente não sabe aonde é com a escolha da letra, certo? – um lugar onde uma catástrofe ambiental ocorreu. Porém, essa não é a primeira expedição que é mandada para este terreno, mas a 12ª. E nenhuma delas foi bem sucedida. Alguns não voltaram, outros voltaram, mas não voltaram, e outros, ainda, retornam com câncer. Não é bem para ir para lá que vocês ficam dando F5 em site de passagem, amigos.

A vontade de ler este livro surgiu quando eu descobri que todas as personagens eram mulheres. Sim, sem nenhum romance na área, sem triângulos, sem diálogos que, muitas vezes, aprisionam as narradoras femininas a um universo único de pretensões amorosas. Aquele era um livro sobre quatro profissionais em uma missão. Uma bióloga – nossa narradora curta e grossa -, uma topógrafa, uma psicóloga e uma antropóloga. Todas sem nome durante a história.

O que começou como algo meio girl power, logo nas primeiras páginas se tornou medo dos bons, amigos, quase do tipo lovecraftiano.

“Eu lhes diria os nomes das outras três, se isso tivesse alguma importância, mas apenas a topógrafa vai durar mais um ou dois dias.”

O desconhecido, se mistura a sentimentos universais, e aí o pavor da personagem se torna o seu próprio pavor. Estou tentando não contar muito do plot, porque grande parte da graça de entender um pouco do que está acontecendo na área X é não saber de nada, mas o que posso dizer é que a escrita de Jeff é fantástica. Suas descrições criavam em mim um pânico e uma admiração, muitas vezes. Uma das melhores de toda a obra, pra mim, é a descrição da piscina da biografa, incrível mesmo. Eu, que não gosto de ler horror contemporâneo, cheio de pessoas sendo rasgadas no meio, amei sentir medo não de morrer estripada, mas sentir medo do universo, de seu tamanho, de todo o desconhecido, de qualquer fungo que via pela frente, sentir medo de falar sobre a história das nossas vidas, medo dos nossos primeiros nomes. Lovecraft de novo.

“Quando passamos a ver beleza na desolação, algo muda dentro de nós. A desolação tenta nos colonizar.”

O livro faz parte de uma trilogia, Comando Sul, então há mais coisas para se descobrir… Os outros dois livros ainda não chegaram por aqui e, infelizmente, agora é esperar. Indico com certeza.

Bônus: li uma parte que me deixou tão mais tão absorta na padaria perto do meu trabalho, e agora sempre que entro no lugar procurando pão de queijo, me lembro do livro.

>> Mentirosos, E. Lockhart

106589elockSó digo uma coisa: fiquei com ozói cheio d´água. Eu li esse livro durante a Conferência de Carnaval da minha igreja, na verdade, eu terminei o volume no horário do almoço, entre as palavras da manhã e da tarde. Tinha levado uma toalha vermelha de picnic para comer lendo, deitei na grama, mas o clima não estava bucólico não. Eram as últimas trinta páginas e olha não chorar foi um exercício de muito imagina-civil-wars-lançando-outro-disco. É uma obra YA? É. Mas gente, vale a pena. Tem um romance superestimado? Tem. Mas continua valendo a pena. Tanto que já emprestei para um amigo, porque preciso comentar sobre!

Vamos a sinopse (vai parecer uma leitura blé, mas não confiem em quem escreveu isso, é um livro muito bom e essa sou eu sendo parcial como sempre, aceitem kkk):

“Cadence vem de uma família rica, chefiada por um patriarca que possui uma ilha particular no Cabo Cod, onde a família toda passa o verão. Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat (os quatro “Mentirosos”) são inseparáveis desde os oito anos. Durante o verão de seus quinze anos, porém, Cadence sofre um misterioso acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos, tentando juntar as lembranças sobre o que aconteceu.”

Dona Lockhart tem uma escrita envolvente  – ela te deixa uma trilha de pães sobre o que aconteceu no verão dos 15 – e reflexiva; ela faz a gente pensar em como só vemos parte de nossas vidas pela ótica que nossa emoção consegue lidar/suportar. Você vai chutar algumas teorias durante a leitura de Mentirosos,  vai se lembrar de como odeia alguns tipos de comportamentos elitistas, e, se for um pouco parecido comigo, vai querer chorar no final. E depois rir, pois a última página do livro é um selinho contra spoiler, eles falam que o há um fórum no site do livro para você falar sobre ele e evitar encher suas amizades de spoiler.

>> Batman 66, de Jeff Parker com arte de Jonathan Case, Ty Templeton, Joe Quinones e Sandy Jarrel [mais conhecido como: obrigada, Dany, pelo presente de Natal]

Batman_'66_Vol_1_1_Textless“Santa baboseira maquiada, Batman!”

Você sabe de quem é a frase acima, certo? É do menino prodígio. Bem, a HQ Batman 66 é uma homenagem ao seriado do Batman de 1966.

Conhecido pelo entretenimento inocente, engraçado e cheio de “pufts”, o seriado, sem grandes questões humanas, trazia um batman nada sombrio e cheio de bat-objetos, um Robin sempre disposto a fazer uma piadinha e vilões que queriam dominar o mundo e ganhar muito dinheiro com as maldades das horas vagas. A HQ carrega exatamente o mesmo tom do show de TV.

Vale a pena pelo sentimento de nostalgia (daquele tempo não vivido, quem nunca?) e pelas ilustrações, quem são uma belezura.

>> O Teorema Katherine, de John Green

Pra mim, este é um livro sobre o medo do fracasso. E não, não é o melhor livro do João Verde. Mas antes de tudo, vou deixar a resenha da obra feita por uma booktuber brasileira. Conheça a história de O Teorema Katherine:

Apesar de ser um livro sobre fins de relacionamentos, o que mais me chamou a atenção nele foi a necessidade de reconhecimento do personagem principal. O Colin é como aquele pedacinho do nosso cérebro que nos pergunta todos os dias por que não somos gênios, por que não escrevemos uma teoria nunca vista pela humanidade ainda, por que não somos milionários antes dos trinta? O combate vivido por muitos entre descobrir o que você verdadeiramente é e o que você deveria ser para parar de receber olhadelas pedantes no Natal. O Colin é aquela parte de nós que usa a expressão medonha e nojenta “ser alguém na vida”.

No entanto, há alguns problemas no decorrer da história, como a lentidão da mesma e personagens interioranos cujos sotaques são transcritos para o livro de uma forma não natural – gente “uuhaá sô!” em um diálogo apenas não. É claro que sei que a tradução nesse caso de expressões muda tudo, talvez eu tente ler o livro em inglês para saber se pecamos em nossa edição…

capa_teoremaAmigos, além desses problemas, quando você lê uma obra catalogada como Young Adult deve saber no que está se metendo: romance mais diluído. Mas quem já leu outros livros do John Green sabe que ele balanceia isso com uma escrita super agradável.

Gostei de o rodapé fazer parte da história e de que o teorema matemático foi feito realmente por um matemático. No entanto, a história não nós faz devorar o livro.  Tem road trip no livro? Sim. Tem um personagem muçulmano adolescente engraçado e amoroso (e own)? Yep. Tem pé na bunda? Tem também. Tem personagem principal super inteligente e que faz milhões de referências? Aham. Mas, ainda sim, ela corre tão devagar quanto aquele primeiro dia pós fim de relacionamento. Confesso que empaquei com ele algumas vezes e que, ao contrário de alguns comentários que vi por aí, não achei o livro subestimado, achei mesmo que ele não é tão bom quanto outros que já li do mesmo autor.

Se eu recomendo? Gentes, todo mundo devia ler tudo que puder, nem que seja para me dizer que eu estou louca (beijos, Eduardo).

tumblr_ms9cqas5tl1so3qqao1_500

Além dos livros acima, reli Harry Potter e a Pedra Filosofal, da [maravilhosa] JK. De tempos em tempos, eu volto para Harry. <3 Pretendo reler todos os sete livros neste ano, mas comecei o projeto Victor Hugo, então vamos acompanhar se realmente farei os dois hehe…

PARTE 2

Para apresentar os livros que ajudam a construir os posts do blog nos últimos meses, não irei fazer um resuminho de cada um deles, mas vou colocar um link em que vocês podem conferir o texto em que eu já falei sobre o livro.

>> Super Ocupado, do Pastor Kevin Young

Tem textão resenha dele aqui Ô.

>> Historical Geography of Bible Lands, de Wycliffe

Quem leu algum post antigo sabe que eu não leio este livro de uma vez, e sim dou uma olhada sempre que quero estudar alguma partezinha da Bíblia em especial. Nesses meses eu usei para aprender sobre as viagens missionárias de Paulo e escrever um dos meus posts favoritos de todos os tempos. Qual post? Esse aqui.

>> Atos, de Lucas (aquele Lucas famoso da Bíblia)

Suspiros à postos? Eu absolutamente amo Paulo. Atos não é meu livro favorito da Bíblia, no entanto, ele está na disputa, porque conhecer a rotina da igreja primitiva, de Paulo e seus discípulos, entender quanto amor alguém pode ter pelo evangelho derrete meu coração em um nível maior do que ouvir Billie Holiday, Natalie Cole ou Etta James cantando The Very Thought of You, me derrete em um nível maior do que ouvir gente que sabe tocar violão sem pretensão nenhuma, dedilhando o instrumento quase de forma murmurante…

Múltiplas declarações de amor a parte, leia meu post sobre uma das histórias que encontramos no livro de atos. E por que parar no texto da linha anterior? Leia logo Atos todo!




PS: Tem livro para me indicar? Envie um recado no meu email: nataniacarvalho@gmail.com 

Etiquetado , , , , , , , , , , ,

Você é muito ocupado ou está se ocupando demais? (ou: Falando a verdade sobre nossas rotinas)

Começo esse post com o coração quente e agradecido pelo tempo de quem me manda um recadinho pelo email/comentários. Quando criei este blog, para amigos e conhecidos, não sabia que ele poderia chegar até pessoas totalmente diferentes do meu ciclo social e que essas pessoas teriam interesse em mandar um olá-eu-te-leio-sem-te-conhecer. Por favor, mandem os links dos seus blogs no final dos emails, para que a leitura seja recíproca! <3


rotina

{Para ouvir enquanto lê}

“Para a maioria de nós, não é a heresia ou apostasia que fazem nossa fé sair dos eixos. São as preocupações da vida. Você tem de consertar o carro. O aquecedor de água pifa. A criançada precisa ir ao médico. Você ainda não conseguiu fazer sua declaração de imposto de renda. Sua conta no banco está sem saldo. Você se atrasou em escrever notas de agradecimento. Você prometeu à sua mãe que iria para a casa dela dar um jeito de consertar a torneira. Você está atrasado no planejamento para seu casamento. O concurso ou seu exame da OAB está chegando. Tem de mandar imediatamente mais currículos. O prazo da sua dissertação de mestrado está se esgotando. O tanque está vazio. O gramado precisa ser aparado. As cortinas da casa não estão colocadas. A lavadora de roupa está sacudindo e fazendo um barulho assustador. Esta é a vida para a maioria de nós, e está sufocando nossa vida espiritual.”

Kevin Young

Eu decidi falar sobre rotina neste mês, depois de fevereiro jogar na minha cara, quarto e escrivaninha o quanto eu sou desorganizada. Não é segredo para quem me lê que eu sempre tenho uma jaqueta em cima da cama e muitos alguns livros espalhados na escrivaninha, mas fevereiro me deu um belo chute no traseiro (queria falar chute na bunda, mas achei ofensivo. Procede?). Mais do que desorganizada com minha vida de escolher uma roupa para sair, eu me descobri desorganizada com meu tempo e isso significa aquele velho sentimento “estou muito ocupada para”.

Isso vinha me atrapalhando bastante, porque na hora de descansar, eu estava pensando em alguma coisa que tinha que resolver – não apenas do trabalho, mas nossas obrigações diárias – e na hora de realizar tais obrigações eu estava cansada. E eu não estou sozinha, dei uma olhada em posts por aí, e olha: isso é muito comum. Talvez até mais comum do que suspirar por As Time Goes By, em Casablanca (é como abrir a boca, só falar e já estou suspirando).

– Bem, Deus, talvez isso signifique que você quer me ajudar a ser menos confusa-cheia-de-coisas-pra-fazer.

Com isso em mente,  procurei textos embasados na Bíblia sobre a desculpa favorita de todos os ocidentais relacionadas a sua rotina: EU SOU MUITO OCUPADO. Foi assim que eu tropecei em um livro que, praticamente-literalmente hehe, tem o nome da desculpa ocidental. Super Ocupado, é uma livro do Pastor Kevin Young, como conheço pouquíssimo do que ele tem feito, não posso indicar outras coisas de sua autoria, mas esse livro especificamente fala do tema de forma bastante prática e, sim, creio que você pode tirar proveito dele. Mas, calma lá, antes de você me falar que está muito ocupado para ler o livro, deixa eu te explicar como vou falar dele neste post.

super-ocupado-ve

Super Ocupado possui dez capítulos e eu os agrupei – não de acordo com a forma que foram escritos e apresentados no volume – em três temas que me ajudaram a entender minha rotina. Espero que eles se encaixem com a sua também.

1) Eu sou mesmo tão ocupado assim? 

Esse primeiro tópico barra pergunta parece idiota, mas na verdade ele nos mostra o quanto usamos nosso tempo de forma errada. No primeiro capítulo do livro, Kevin conta a história de uma mulher estrangeira que ao chegar nos Estados Unidos passa a se apresentar como “Very busy”, porque isso era o que ela ouvia assim que tentava se comunicar com outros.

Nós colocamos um super selo de que nosso tempo está totalmente tomado, mas, se pararmos e colocar tudo o que fazemos no papel e em quanto tempo faríamos isso se não nos enchemos de distrações, como o capítulo sete cita (mídias que consumimos e que consomem nossas horas), podemos perceber que, bem, nós podemos sim ir na igreja naquela terça-feira a noite.

Mas não são apenas aqueles quinze minutos que tiramos para olhar o feed do Instagram e descansar a cabeça que rouba TODO o nosso tempo, claramente. Esses capítulos nos mostram que a força da nossa declaração de “não dá, estou ocupado”, não nos faz pensar em formas de otimizar nossas atividades e buscar uma solução. Então, curtindo algumas fotos dos amigos ou não, você já se predispôs a estar cheio de coisas para fazer.

2) Eu realmente sou muito ocupado, não é desculpa, é sério 

Minha gente, isso é uma realidade. Muitos de nós somos INCRIVELMENTE cheios de coisas para fazer. Um exemplo? Você já chegou do trabalho sabendo que absolutamente tudo na sua casa ainda está para fazer e adivinhe? Você ainda tem que checar o email e ver se aquele freela foi aprovado. Pois bem, depois de passar pela pergunta do tópico 1 e ter chegado a conclusão de que você é ocupado-não-é-desculpa-é-sério, agora nós precisamos descobrir novas coisas:

– Porque eu sou tão ocupado?

A) Porque eu sou orgulhoso.

COMO ASSIM, NATÂNIA, O QUE VOCÊ TÁ FALANDO? Sim, segundo Kevin, estar muito ocupado pode ser uma condição de quem é muito orgulhoso. Você já viu aquela pessoa cujos olhos brilham quando ela fala que tem que ir no banco na hora do almoço e nem vai ter como comer? Pois é. Nós nos tornamos viciados na rotina de nunca ter tempo, de estarmos sempre fazendo algo, de descansar apenas no domingo pela manhã e olhe lá. O livro joga essa carta também no meio da igreja. Ele fala sobre aquelas pessoas que estão tãaaao ocupadas com as coisas da igreja que já se esqueceram o porquê fazem isso. “Eu estou tentando fazer o bem ou ser visto?”, ele nos pergunta o capítulo três.

No capítulo 5 ele nos lembra que Jesus podia ter se tornado aquele cara ocupado em fazer milagres, mas o tempo de Jesus não era gasto saciando sua necessidade de aprovação – que calma, todo mundo tem -, mas era gasto seguindo o direcionamento do Espírito Santo.

B) Porque estou fazendo um trabalho que não é meu

Um capítulo depois, Kevin explica que muitos na igreja sofrem da síndrome do “isto é o que bons cristãos fazem”, querendo fazer tudo na instituição, quando, na verdade, nem todo “bem” deve ser feito especificamente por você, por isso a igreja é um corpo, para que cada um faça o bem para que foi designado. O exemplo foi relacionado ao mundo cristão, mas muitas vezes tentamos fazer o trabalho dos outros em nossas empresas e até em casa. Falando em casa, o autor dá a bronca no capítulo 6: você precisa parar de enlouquecer por causa dos seus filhos. Eu ainda não tenho filhos, mas vendo o quanto meus pais fazem por mim e por meus irmãos, sei que isso pode acrescentar muitas horas a mais no seu checklist mensal de horas.

3)  Porque estar muito ocupado é prejudicial?

Sua saúde física, talvez, seja a primeira a responder isso com enxaquecas, dores nas costas e tantas outras coisas que vem da nossa falta de descanso. No entanto, Kevin nos dá outros motivos pelos quais precisamos desacelerar nossa rotina. O primeiro deles é a que ficar ocupado demais nos deixa mais tristes e a palavra de Deus nos chama para exalarmos alegria.

“Esta é a ameaça espiritual mais imediata e óbvia. Como cristãos, nossas vidas deviam ser caracterizadas pela alegria (Filipenses 4.4), com sabor de alegria (Gálatas 5.22) e cheias da plenitude da alegria (João 15.11). Ocupação em demasia ataca tudo isso. Um estudo diz que pessoas que viajam diariamente a serviço experimentam maior nível de estresse do que pilotos de aviões de bombardeio ou policiais. É isso que estamos enfrentando. Quando nossa vida está frenética e desvairada, somos mais propensos à ansiedade, ressentimentos, impaciência e irritabilidade. Enquanto eu trabalhava neste livro, pude perceber em meu interior um espírito melhorado. Não por meus escritos, mas pelo tempo de folga que recebi para fazer o trabalho de escrever. Durante aquelas semanas sem as pressões de viajar, reuniões e constante preparo de sermões, descobri estar mais paciente com meus filhos, mais atento e sensível para com minha esposa, mais disposto a ouvir de Deus. É óbvio que todo mundo tem semanas e meses em que tudo que pode dar errado, e dá mesmo errado. Nesses períodos teremos de lutar com força para ter alegria no meio de muita ocupação. Mas poucos de nós lutarão agora mesmo em prol da alegria da próxima semana, enfrentando os hábitos desnecessários de ocupação atarantada que tornam a maioria das semanas em infeliz perturbação.” (Super Ocupado)

O segundo motivo pelo qual a super ocupação deve ser evitada é porque ela sufoca nosso coração. Fazendo analogia a parábola do semeador (se você não conhece, por favor, leia Mateus 13), Kevin nos explica que as preocupações com este mundo são um dos grandes espinhos capazes de destruir nossa fé por um simples motivo: estarmos ocupados demais para alimentá-la.

“Por mais que oremos contra o diabo e oremos pela igreja perseguida, no pensamento de Jesus a maior ameaça ao evangelho é a mera exaustão. A situação de estar ocupado demais mata mais cristãos do que balas. Quantos sermões perdem seu poder por causa de excessivas preparações de almoços ou jantares e jogos de futebol profissionais? Quantos momentos de dor são desperdiçados porque nunca paramos tempo suficiente para aprender com eles? Quantas vezes o culto particular e familiar foi esmagado por projetos de escola ou jogos de futebol? Precisamos guardar, vigiar o coração. A semente da Palavra de Deus não cresce para frutificação sem ser podada por repouso, calma e quietude.” (Super Ocupado)

O último motivo listado é a capacidade que nós temos de nos esconder em nossas agendas. Quando estamos cheios de coisas para fazer, nós não tiramos o tempo necessário para analisar situações, entender verdadeiramente o que está acontecendo conosco, nós podemos facilmente esconder nossa podridão.

“ ‘Ocupação em demasia serve como uma espécie de segurança existencial, um muro contra o vazio’, escreve Tim Kreider em seu artigo viral, “The ‘Busy’ Trap”, [A armadilha do ocupado] para o New York Times. “É óbvio que a sua vida não pode ser tola, trivial ou sem sentido se você estiver atarefado, de agenda completamente cheia, procurado para atender algo em todas as horas do dia”.O maior perigo com estar ocupado que nem louco é que podem existir perigos que você nunca teve tempo de considerar. “Super ocupado” não significa que você seja um cristão fiel ou frutífero. Só quer dizer que você está ocupado, como todo mundo.” (Super Ocupado)

Kevin termina o livro falando de Maria, irmã de Lázaro, que queria apenas ouvir o Senhor, enquanto Marta se desesperava com o trabalho a ser realizado. Nós devemos aprender a engrandecê-Lo com as horas de nossos dias.  Devemos nos ocupar com o amor sacrificial, devemos ter tempo para descansar, e, claro, tempo para trabalhar, afinal, a palavra diz que quem quer tomar sorvete de pistache deve trabalhar (o versículo de verdade: “Quando ainda estávamos com vocês, nós ordenamos isto: Se alguém não quiser trabalhar, também não coma.” 2 Tessalonicenses 3:10).

Termino o texto com um vídeo do próprio Kevin Young, postado no canal do Ministério Fiel, responsável pela publicação do livro no Brasil. No final do post passado, eu coloquei um link para comprá-lo no site da Editora Fiel, você pode conferir aqui. Maaas, se você é familiarizado com leituras em inglês, a compra do ebook deste livro na língua inglesa  – intitulado na gringa de Crazy Busy – está valendo muito a pena. O link é da Amazon,sugiro que você baixe o aplicativo do Kindle em seu smartphone, caso não tenha o gadget da Amazon para ler (eu faço assim e não acho que a leitura fique prejudicada). Gentes, querem uma dica velha, porém verdadeira? Se o dinheiro estiver contadinho no mês, vale a pena investir em ebooks em inglês. Sério, baixem o aplicativo e tentem.

Vamos orar?

Senhor, a tua palavra diz que todas as estações da nossa vida se encontram guardadas em ti. Não nos deixe viver como se elas não existissem. Deus, não deixe que nós invistamos nosso tempo e nosso coração nos lugares errados. Que nós aproveitemos as oportunidades que o Senhor nos dá, como diz o livro de Efésios. Que a renovação da nossa mente traga também uma ruptura com a cultura de estar sempre atarefado, Pai. Eu quero ter tempo para te conhecer, para te adorar, para rir com você. Eu quero ter tempo para descobrir o que o Senhor está falando, quero ter tempo para amar aqueles que o Senhor colocou na minha vida, quero ter tempo para tua igreja, para servir ao meu próximo. Ensina-nos sobre prioridades e o sobre a maior delas: você. Nós te amamos e te agradecemos pelo dia de hoje. Em teu nome oramos, amém.

“Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus”

Efésios 5.16


PS: Sim, o livro vem com aquele caderno de atividades para você responder, isso não funciona para mim, amigos, por isso não falei sobre no post, mas se funciona para você, por favor, responda :)

Etiquetado , , , , , , ,

Março: vamos falar de rotina? (ou: Planos reais, sérios, de verdade para este mês no blog)

rotina

{Para ouvir enquanto lê}

Se vocês leram meus últimos dois posts (aqui e aqui), podem encontrar um tema comum aos dois: rotina. Rotina? Sim, e este é oficialmente meu tópico para março. No último mês, nós ficamos sem tema – ôô fevereiro empacado, sem or – e foi esse ficar sem tema que me ajudou a construir um novinho para março. Quero conversar com vocês sobre como nossa rotina diária e nossa vida cristã tem mais a ver uma com a outra do que nós prestamos atenção. Aliás, conversar sobre como nós sequer prestamos atenção em nossa rotina.

Além dos posts, neste mês vamos ter #TVHilário, porque apesar da minha vergonha de gravar os vídeos, eles são muito práticos quando o assunto é grande. E, para fechar este post de promessas, eu também vou falar sobre os meus livros de janeiro, fevereiro e março neste mês. Comecei os posts de leitura em novembro do ano passado, contando um pouquinho do que li no mês – o que foge do assunto principal do blog, mas segurem na minha mão, porque adoro essas resenhas e quero continuá-las por aqui.

Planejamento pronto, até o próximo post!


PS: Vou usar algum livro para fazer post este mês? Mas é claro! Caso você queira comprar para me acompanhar, o livro se chama Super Ocupado, do Kevin DeYoung – “Um livro (misericordiosamente) pequeno sobre um problema (realmente) grande”. Você pode encontrá-lo na Editora Fiel por aquele preço legal que te permite não suspender o sanduíche do final de semana.

PS 2: Ca-ram-ba, nunca falei tantas vezes “mês” em um único post.

Etiquetado , , ,

Conversas com meu Beatle favorito (ou: Todas as coisas deste mundo vão passar)

geor

Hoje eu acordei meio George Harrison, meio com cara do disco All Things Must Pass. Você já sentiu aquele estalo na cabeça no meio do dia? Aquele estalo perturbador:

esse tempo não vai voltar

Esse tempo em que estamos nos estressando, gritando por causa do papel que sempre trava dentro da impressora – e da mancha preta que pula para a roupa quando você tenta mexer nela – esse tempo já era. Esse tempo em que passamos fazendo pequenos jogos para não amar quem realmente amamos e não perdoar ou pedir perdão tentando segurar aquele fio da reclamação diária sobre como a vida pode ser injusta, bem esse tempo nunca mais vai voltar.

Nesses dias, o evangelho faz sentido pra caramba. Ele grita na minha cara. Ele me pergunta: em que você tem sido diferente das pessoas que vivem, riem e se desesperam apenas por este mundo? A hipocrisia de cantar que desejo viver para Jesus na noite anterior, na igreja, e a vontade de querer viver por mim na manhã seguinte.

Não, Deus, eu não quero viver por mim. Não quero viver por coisas que vão passar. Aumento o volume e ouço Geor(ge), meu Beatle favorito, me afagando: That is not what you are here for.

– Exatamente, George – confirmo, balançando a cabeça.

Etiquetado , , , ,

Aquele dia que Paulo pregou tanto que um cara literalmente caiu morto de sono

{para ouvir enquanto lê}


Amigos, conhecidos ou pessoas que ainda não conheço, mas me mandam emails amorosos: como estão vocês?!

Sim, desenterrem a morta que ela está falando.

Não morri (muito), estou aqui, com saudades de escrever neste blog e cheia de me-desculpem-pelo-vácuo! Muitos quase posts estão prontos, mas por pura bagunça ao organizar meu tempo, não terminei nenhum deles (fuén). Mas eu vim aqui contar como sou incrivelmente ruim em responder mensagem na hora, terminar checklist, planejar a semana e cumprir minha promessa de só dormir depois de ter terminado tudo? Não, senhores. Eu vim contar a história de um cara que estava sentado em uma janela, dormiu e morreu. Tudo isso enquanto escutava uma pregação.

Não é piadinha sem graça não, é verdade. Aconteceu com Paulo (sim, estou em uma coisa meio não paro de falar de Paulo,  I <3 Paulo, cadê camiseta?). Vou voltar a história, colocar a passagem bíblica e aí a gente começa de novo.

E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à meia-noite.
E havia muitas luzes no cenáculo onde estavam juntos.
E, estando um certo jovem, por nome Ežutico, assentado numa janela, caiu do terceiro andar, tomado de um sono profundo que lhe sobreveio durante o extenso discurso de Paulo; e foi levantado morto.
Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está. E subindo, e partindo o pão, e comendo, ainda lhes falou largamente até à alvorada; e assim partiu. E levaram vivo o jovem, e ficaram não pouco consolados.
Atos 20:7-12

Gente, alguém literalmente morreu de sono ouvindo Paulo pregar. E é sobre isso que quero falar com vocês hoje.
Comecei a pensar sobre Eutico assim que reli Atos, no mês de Janeiro. Desde então, iniciei uma caça a blogs, textos e indicações de livros que pudessem me ajudar a entender o que é que eu ainda não havia enxergado na história desse rapaz… Vou começar listando as duas lições (oi, Esopo) básicas que conseguimos facilmente entender com uma leitura rápida do capítulo e da Internet:

1) Pregadores, peguem leve, as coisas tem horário para terminar por um motivo: ninguém quer um adolescente morrendo no culto. Grata.

2) Caras, prestem atenção na palavra, quem dorme dança (desculpa, gente, o vocabulário de tiozão está saindo e não consigo parar).

Algumas páginas depois no Google, eu vi algumas interpretações bem diferentonas, do tipo os jovens e a janela do mundo, mas quem sou eu para regular a interpretação das pessoas… Vi, também, um livro chamado Saving Eutychus [Salvando Êutico], com foco na homilética, ensinando os pregadores a envolverem melhor o ouvinte (se vocês já tiverem lido, por favor me indiquem ou não). No entanto, eu não sentia que devia escrever um post sobre pregadores exagerados, jovens dorminhocos e sem motivação e muito menos um post sobre homilética… Então, eu fiz o que eu faço de melhor: comecei a ter aquele discurso mental com Deus sobre o que eu acho da história.

– A verdade, Deus, é que eu fiquei bem chocada da primeira vez que li a história e achei que Paulo foi bem indelicado em continuar pregando até a manhã (inserir uma conversa sobre coitado do menino, coitado de Paulo, como ele não se desesperou, e o povo que ouvia a pregação?).

Não satisfeita (aka: ainda sem entender minha veia da história), peguei o versículo e o destrinchei, até ter os pontos:

a. Eutico: jovem. Seu nome era comum a escravos, segundo estudiosos, e, por mais incrível que pareça, tal nome significa afortunado [aquele que tem um bom destino].

b. O lugar estava iluminado. A Bíblia fala que havia muitas luzes no cenáculo. Então, Eutico não dormiu porque estava escurinho e propício.

c. Paulo era um pregador especial, todos estavam animados por estarem com ele, desejando ouvi-lo, provavelmente Eutico também estava.

Pensando nas coisas anteriores, comecei a entender o meu  foco no texto.

– Deus, como Eutico poderia ter morrido com a queda se ele tinha vida em si?

Sim! Esse é o meu tema. Seguindo a linha de pensamento de alguns estudiosos, Eutico era um trabalhador, talvez escravo, extremamente fatigado pelo dia, tomou uma decisão ruim (quem nunca?) de se sentar na janela e a próxima coisa que ele viu foi Paulo na sua frente e todo mundo gritando “tá vivo!”. Mas essa afirmação (que eu apenas imagino que aconteceu, porque a Bíblia não nos fala que eles gritaram “tá vivo!”, né, amigos – eu pessoalmente acho Lucas, o escritor, um cara meio durão para diálogos), bem essa afirmação não podia estar mais correta. Ele estava vivo, porque sua alma estava viva e sua alma estava viva por causa do Evangelho.

Meu ponto é: nós só nos deixamos morrer, quando não temos mais as maravilhas contadas pelo evangelho dentro de nós. Na maioria dos dias – principalmente lá pelas 20h da noite -, eu me sinto um tanto Eutica: morta de cansaço e prestes a cair da janela do ônibus. Eu só quero chegar em casa do trabalho e dormir. Isso acontece com a maioria de nós (abraço, proletariado, que hoje é segunda). Adicione a este cansaço do cotidiano alguns problemas não cotidianos e nós teremos nossa própria equação euticaniana. O sentimento que, muitas vezes, nós temos nestas situações é que a gente não consegue mais. Estamos caindo da janela, estamos muito cansados para isso tudo, mas atenção: NOSSA ALMA VIVE.

Somos enganados pelo mito nada cristão chamado busque ao senhor quando não estiveres cansado e todas as vasilhas estiverem limpas. Nosso dia a dia é estressante, nós vamos estar exaustos na maioria das terças-feiras, mas, calma lá, lembrar que vai tudo bem com minha alma, lembrar que quem me ressuscita deste cotidiano louco não sou eu, não é meu café forte ou minhas oito horas de sono (embora tudo isso seja sempre bom!), me faz entender porque Paulo não pirou quando viu um menino caindo da janela.

“Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está.”, que você se lembre disso quando estiver se sentido morto da silva (tiozão detected) nesta semana. Se sua alma for avivada por Jesus, num culto que você foi mesmo muito cansado, por exemplo, suas forças serão renovadas – assim como as forças daquele jovem foram renovadas e ele foi capaz de ouvir Paulo pregando até a manhã, depois de ter sido ressuscitado dos mortos.

Para terminar, quero lembrar outra passagem da Bíblia, desta vez de João (menos direto nas descrições e mais cheio diálogos amorosos – não que estejamos em uma competição, Lucas):

Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma.

3 João 1:2

Que incrível! Quando nossa alma vai bem, somos ressuscitados de nossos problemas, cansaços e má escolhas. Quando nossa alma vai bem, nossa saúde também vai bem. Que este seja um tempo de nos preocuparmos com o que temos alimentado nosso interior, fortalece-lo de palavras de fé, das maravilhas feitas por Jesus para que estejamos sempre vivos. Que no final de nosso dia, o Espírito possa dizer: não se preocupe não, terça-feira, ele tá meio morto, mas a sua alma nele está.

Etiquetado , , , , , ,
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.