Ele não vai mudar por você

(Este texto é para mim, é tão para mim que, quem sabe, pode ser seu… Ele nasceu de meses esquisitos, nasceu de pessoas queridas perdidas e de um curso de vida que não poderia ser outro, e terminou há uma semana, quando ouvi uma pregação do meu pai dizendo que Cristo podia ser ‘uma pedra de tropeço’ e eu só queria sentar no chão da igreja, porque sou dramática.)


{Para ouvir enquanto lê}

Há algum tempo atrás, durante um processo de sair de alguns projetos e entrar em outros, me vi rodeada de escolhas que eu não era capaz de fazer.  E comecei a pedir que Deus abrisse exceções para mim, querendo que Ele mudasse de opinião, querendo que ele fosse como nós.

Mas “Deus não é filho do homem para que minta; nem filho do homem para que se arrependa; porventura diria ele, e não faria? Ou falaria, e não o confirmaria?”.

Deus não mudou. Ele permaneceu como as escrituras dizem que Ele permaneceria. E eu surtei, e escolhi encontrar a solução em mim mesma.

No mesmo período, meus pais escolheram algo melhor: seguir o chamado de Deus com todas as forças. Meu pai se envolveu com sua candidatura política e minha mãe o apoiou como em todas às vezes passadas.

Sem tempo para as minhas picuinhas com Deus, segui. Fazendo as mídias para o meu pai, trabalhando, e vendo o esforço realizado pela nossa família para fazer isso funcionar. E tem funcionado. E irá funcionar.

Apesar de tudo, Deus continua um cara misericordioso. E ele coloca a minha frente todas as chances de entender o que Ele quer de mim, mesmo quando não pode realmente falar comigo, porque meu coração está a milhões de metros, medidos em profundidade marítima. A política foi só uma das formas. Não somente porque ela me mostrou o esforço do meu pai em cumprir um propósito, mas porque me mostrou que as pessoas, a quem eu vinha valorizando mais do que as opiniões fortes e certeiras de Deus, não possuem a fidelidade forte e certeira Dele.

Durante alguns dias eu abri as redes sociais e mensagens como “política e ética religiosa nunca irão combinar!”, e outras mais feias apareciam (e me desculpe se eu não te respondi e você está lendo isso, eu só queria dizer que no momento em que eu me senti machucada fui capaz de ouvir a voz do Espírito, então, de uma forma estranha, obrigada). Porém Deus, de uma forma doida, falava com uma pessoa que estava ainda mais louca com tudo. Porque surgiam na minha cabeça trechos em que o povo orava a Deus por um governo mais humano, um governo que não o massacrasse. Eu pensei durante um tempo que a lembrança das histórias era força do hábito, quando você lê e ouve sobre a Bíblia esse tipo de coisa pode acontecer, certo?

Mas Deus continuava me levando por situações que só podiam ser definidas como: 6 tão de brincadeira comigo, né, migues?!

Até que um belo dia realmente a situação foi com um migue. Sem polêmica e sem discussões. Eu só comecei ouvir o que ele falava e digitava e meu coração começou a pensar: não. Ele não está certo, isso nunca vai acontecer, eu creio. No que eu cria? Como eu podia crer? E ele continuava falando que a culpa de tudo era das igrejas por aí, que nós somos fundamentalistas e eu fiquei tão sem rumo que nem sei explicar.

Mas eu sabia que Deus não mudaria e que aquela pessoa nunca estaria certa sobre o assunto em discussão, não porque ela não tivesse todos os argumentos humanos possíveis, não porque ela não tivesse conhecimento, ou que o seu discurso não fizesse sentido – porque fazia todo o sentido deste mundo, mas simplesmente porque Deus não muda. E este mundo já era.

Deus falou comigo quando uma amiga me disse que confiava que quando o Senhor voltasse fosse diferente do que ela esperava, mas eu sabia: não seria. Deus inspirou a Bíblia e mesmo que não consigamos entender Ele não muda, nem o que a há naquele livro.

E isso para mim era frustrante. Tão frustrante quanto estar duvidando das certezas de Deus, quanto ainda culpá-Lo por um assunto abusivo que aconteceu há 12 anos, quanto perder pessoas queridas porque nós nunca seríamos capazes de concordar em assuntos muito sérios, porque eu vou preferir a palavra do eterno, mesmo a milhares de metros medidos em profundidade marítima. Como eu podia duvidar Dele e ainda sim saber que eu nunca poderia concordar com alguém que discordasse Dele?

PORQUE ELE NÃO MUDA.

Semana passada meu pai pregou sobre ser pedra de tropeço. Quando Jesus é a pedra de tropeço. Quando as suas ideias se chocam contra as ideias deste mundo e nos coloca em um péssimo e necessário lugar: o de escolha.

Aquilo me acertou em cheio. Como uma pedrada no meio da testa.

Nunca é fácil mudar nossa mente, mas não há cristianismo sem renovação da nossa mente. Não é fácil deixar um pensamento que virou um vício, não é fácil deixar o medo, mas o que é o evangelho senão uma segunda chance. Segundas chances são doloridas, a nossa custou sangue, mas porque eu não deveria me dar uma segunda chance e pedir: por favor, renove a minha mente neste aspecto, porque eu quero pensar como Cristo.

Às vezes eu ainda sonho com todas as coisas erradas que já fiz na vida, com todas as oportunidades que eu perdi, com todas as vezes que deveria ter renovado a minha mente, e acordo meio assustada, me arrastando para o banheiro para lavar o rosto. Todas as vezes que eu começo com isso sei que a acusação não leva ao arrependimento e a renovação, mas ao velho ciclo de duvidar e pedir que o Senhor se transforme.

Não, Ele é perfeito, não precisa mudar uma ruguinha sequer de seu rosto de milhares e milhares de anos.

Minha pedra de tropeço – que me lembra que eu nunca poderei ser 100% aceita no mundo, porque minhas ideias são preceitos da eternidade – pode me renovar, porque o novo ciclo sempre nos faz pedir que o Senhor, aquele que nunca mudou ou mudará, nos transforme e nunca o contrário.

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Eu vou te amar mais, leitor

{Para ouvir enquanto lê}

Não tenho respostas de Deus hoje. Não tenho nada de impactante para contar. Não tenho versículos para indicar, livros para você ler, frases para você refletir. Eu só queria que você entendesse logo algo que tem me custado muito: ame mais do que você acha que pode, porque amar pouco é apavorante.

Eu quero te amar hoje, leitor. Quero te dar a minha mão como se eu fosse a sua pessoa favorita e te dizer que se não ficar tudo bem, pretendo fazer doer menos.

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Os 30 anos de fé do meu pai

Meu pai é incrível. Daquelas pessoas que a gente sabe que não vai achar mais nessa vida. Meu pai é aquele cara que me ajudou a fazer um trabalho de 40 páginas sobre dinossauros – eu aposto que a professora nunca leu, mas eu tirei 10 e é isso que importa, rs -, que fez maquetes imensas comigo, que me levava à bibliotecas quando eu fiquei obcecada em terminar um trabalho sobre transgênicos na primeira série.

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Das fotos que dão trabalho de achar <3

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Porque as melhores pessoas tocam bateria, pai ( =

 Ele me ensinou a andar de bicicleta (ok, que ele mentiu dizendo que as rodinhas ainda estavam no chão, mas tinha levantado elas), desembaraçou a linha da minha vara de pescar umas 658 vezes, me ensinou a nunca negar comida para ninguém – lembro que ele comprava carne para as pessoas que passavam necessidades na feira -, ah, falando em feira, ele me ensinou tomar garapa com pastel nos domingos de manhã. Meu pai me ensinou a amar as pessoas. Ele me ensinou que mulheres são fortes e podem se resolver sozinhas. Ele é uma das pessoas mais justas que conheço. Seu Tone raramente reclama. Meu pai sempre resolve tudo. Se você chega com um colar enrolado ou com um problema gigante, ele vai dar um jeito.

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Quando abrimos a igreja de Caldas Novas (GO) no antigo cinema da cidade. SPOTTED: me achei ao lado da minha mãe, tocando teclado, hehe…

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Ordenação de bispos na nossa Embaixada, em Brasília

Mas, acima de tudo, meu pai é um homem de Deus e ele me ensinou a amar o Senhor.

E todas as qualidades acima vieram à tona, mais uma vez, no início deste ano, quando nós fomos para nossa cidade natal, São Miguel do Araguaia, e gravamos um filminho sobre o início da sua vida cristã. Passar tempo com tanta gente que sabia coisas da vida do meu pai que eu nem fazia ideia, ou conhecia mais ou menos, foi uma das coisas mais lindas deste ano. A gente vai fazendo 22 e imaginando… “já pensou se eu conseguir fazer o que ele e minha mãe fizeram?”

Nosso filme: 

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Habemus página!

{Para escutar enquanto lê}

Agora a (você sabe) ficou séria, hehehe! 

No próximo mês, o blog completa um ano (êêê!), e há um ano venho compartilhando os posts em minha própria página pessoal. Confesso que nem compartilho todos, porque encher a TL dos outros tem limite… Várias vezes me peguei no quase-criando-a-página-será-mesmo-meu-Deus, mas eu sempre pensava duas vezes e… deixava para lá.

Por um milhão de motivos, porque eu não tinha tempo de atualizar, porque eu estava cansada de alguns amigos que me enchiam o saco porque eu ando falando mais de Deus do que de comer sorvete (quem nunca?), porque se eu não criasse a página, a (você sabe) não ficaria séria. Pois bem: criei.

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E queria que você curtisse, pode ser? Tá Top Therm, tá se-você-ligar-nos-próximos-5-minutos, mas é que a gente vai conversar bem mais se você fizer isso. Porque, às vezes, não dá para escrever um post, mas dá para postar uma música, ou uma imagem (ou um post mesmo hehehe).

Clica aqui ô – logado no Facebook, né, amigos?! – e tcharam (=

Diário de Bordo: Celebrações de Inverno (ou: Violão, felicidade e Dany)

Minha igreja tem um evento chamado Celebrações – de verão e inverno. Nas Celebrações de Inverno – que acabou de acontecer! – nós vamos para Brasília e reunimos irmãos de diversas partes do Brasil e celebramos nosso Deus juntos.

A prévia do post é essa, pessoas. Agora, o que vocês precisam saber é que vou dividi-lo em duas partes. Na primeira vou falar do que aprendi nesses três dias lindos (17,18 e 19), já na segunda, vou mostrar – vídeo hehehe! – a parte extra-oficial que eu, a Dany – QUE FOI PELA PRIMEIRA VEZ ESTE ANO, UHUUUL! – e o Alê fizemos.

Pois bem, vamos.

1) Diário de Bordo Oficial

As Celebrações sempre me fazem incrivelmente bem, porque aumenta minha fé, me fortalece e me conecta com outras pessoas que estão buscando o mesmo que eu. Este ano senti que tudo o que estava sendo pregado era para mim. Como se a todo momento houvesse um painel luminoso sobre minha cabeça dizendo: caro preletor, fale sobre a vida desta pessoa cujo cabelo passa maior parte do evento bagunçado.

A palavra do Bispo Rodovalho entrou dentro de mim como um furacão. Só que ao contrário. Ao invés de bagunçar, ela passou limpando tudo, colocando no lugar, ajeitando e sorrindo. Eu simplesmente entendi as memórias das minhas células e me senti tão grata pela revelação de Jesus que me enfiou em um mundo novo, que olha… A palavra da Bispa me ensinou a perseverar, a do Peter me fez pensar que mal posso esperar pelo ano do Jubileu (e que caso eu torça o meu pé, eu já sei o que devo perguntar para as recepcionistas hehehe!). A do Bispo Lucas me ensinou o quanto estratégias podem ser apaixonantes e como o Arena é uma ferramente poderosa que temos.

Tudo me mostrou um pedacinho diferente de Deus, maaaaaas acima de tudo eu aprendi sobre felicidade. Aprendi que ela nada mais é do que se sentir completo e, claro, fiz uma lista mental de todas as vezes que não consegui a plenitude por que sabotei tudo o que Deus estava construindo em mim. Aprendi que a felicidade é um plano e que a gente precisa estar ciente de que está o escrevendo, esperar que tudo aconteça simplesmente por acaso é como estar em um filme da Katherine Heigl: não rola. Deus me mostrou como as vezes não estou radiante única e exclusivamente por minha culpa, porque eu não consegui ir até o fim por uma ideia errada de que ser feliz é se sentir bem a todo tempo. Felicidade e prazer ininterrupto não são sinônimos.

Na volta, depois de passarmos pelo Arena da Ceilândia – e meu Deus, ficar de boca aberta e coração derretido -, eu fui pensando sobre o que estou escrevendo agora e escutando um violão – e fingindo não muito bem que não estava escutando, porque eu estava quase virada na direção dele hahaha – comecei a orar em línguas. As músicas mudavam, o violão continuou por cerca de uma hora, e Deus me ensinou que ser feliz é não ter nada em falta. Ter todos os pedaços do coração. Eu não me senti totalmente inteira naquela hora. Mas eu sabia o que estava faltando e isso já é muito bom! Eu sabia o que ainda cabia em mim. E eu me esforcei para não dormir e pensar e orar enquanto o violão ainda estivesse tocando.

 

1) Diário de Bordo NÃO Oficial

Depois que as Celebrações se encerraram, nós fomos andar um pouco por Brasília, antes de irmos para o Arena da Ceilândia. E nós – incluir Dany aqui, alguém pela qual sou tão grata, que nem posso dizer mais do que: eu não queria que ninguém colocasse palavras na boca dos nossos personagens, além de você! – batemos pernas e fizemos nossas Celebrações extra-oficial. E claro, todas as noites, intervalos, sorvetes derretidos e sanduíches na madrugada fizeram o evento ter nossa cara: exageraaaaaada. Alê, também companheiro de viagem: muuuito obrigada. Assim como todo mundo que estava com a gente. Sou grata pela igreja que em que Deus me colocou.

Então é isso, o vídeo fala bem melhor do que eu sobre  a segunda parte do post.

 

 

Pro meu amigo

Você tem um fone por aí? Então, acho que essa é a primeira vez que eu posto uma música que não seja uma versão, daquelas que a gente faz na tarde de domingo… MENTIRA, GENTE, LEMBREI DA MÚSICA DO TODDY HAHAHAHAHAHA! Aiai… 

Voltando a esse post, hehe, ontem cheguei do discipulado, peguei o violão – que não toco – e fui falar para Ele que eu sentia muito por ter duvidado que tudo seria bom, perfeito e agradável. Lembrei a Ele que nunca vai haver um melhor amigo como ele, mesmo quando estou sendo a pessoa mais sem fé do planeta, porque tudo fica melhor com Ele. Até pão de queijo.

                                              Com os usuais desafinos e barulhos inexplicáveis da minha casa (:

 

 

<3 my only sound (ou: Melhor notícia do dia)

{para ouvir enquanto lê}

Jesus é lindo, escrevo procês chorando . O motivo é maravilhoso e se chama: Marcela. Hoje podia ser outra quarta-feira, normalinha que só, mas recebi um link que mudou o final do meu dia!

Primeiro tenho que contar que a pessoa que me enviou esse link tem o coração gigante, fala no diminutivo com bebês e cachorros e tem neuras para cortar o cabelo. Ela é minha sis, minha irmãzona, uma das pessoas que segura minhas barras e divide as alegrias. É com ela que, sem querer – fique claro! rs – , eu aciono o alarme da Fnac e ponho minha cara blasé enquanto uma criança nos julga, hehehe. Marcela, maaaarrr (ondas quebrando) cela: ela prende todos os oceanos do mundo dentro dentro de seu peito.

Sim, é derretimento, é post meloso =)

Porque?

Adoro quando você faz as perguntas certas! Bem, porque eu vi uma pessoa mudar ao longo de quatro anos e se tornar mais do que uma amiga, mas uma sis na fé. Me lembro das nossas primeiras conversas sobre Deus e a receitinha de como orar que eu escrevi para você, rindo da simplicidade da coisa. E é por isso que o link que você me mandou, Ma, quebrou meu coração.

Você que não está entendendo nada acesse o tal do link antes de continuarmos. Sem nem pensar duas vezes, você precisa conhecer o My Only Sound!

ma

 

Viu que lindeza? O PRIMEIRO POST É SOBRE ORAÇÃO E EU NÃO PODIA ESTAR MAIS FELIZ NESSA VIDA!

É lindo ver o Senhor falar com você, Ma. É lindo abrir a internetcha e achar gente que fala de Jesus como de um melhor amigo. A Bíblia fala em João: “Já não vos chamo servos ..mas de amigos ..”<3

Ma, você não podia me dar alegria maior. A distância de São Paulo até essa Goiânia-de-meu-Deus ficou ainda menor, porque agora eu vou te ler. Eu e todo mundo que me lê.

 Amém, porque a gente sempre precisar lembrar muito disso.

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Uma das minhas pessoas favoritas: Seu Keith Green

Do nada, alguém postou o link para uma mensagem de Keith Green, no Facebook. Eu cliquei e alguns dias depois ainda estou impactada.

Uma coisa importante sobre o senhor Green e eu antes de seguirmos o texto: ele é uma das pessoas que mais me enchem de esperança nesse mundo. Mesmo que ele tenha morrido tão tragicamente há tanto tempo. Keith e sua esposa fazem meu coração amolecer ao ponto de finalmente entender o que é buscar o Reino. Keith era tão apaixonado pelo evangelho que me faz rir e chorar  em uma mesma música (se você ouvir seu penúltimo álbum vai entender o sentimento!).

Foi ouvindo suas músicas de novo, seu piano, a maneira com que ele e sua barba sorriam para o Senhor, que encontrei um filme sobre sua vida.

Agora, se você realmente puder fazer algo por você hoje: assista até o final. Serão os melhores minutos do seu dia, porque como Keith diria ele foi só (?) uma caneta para o Reino. Mas foi uma caneta maravilhosa. Que sejamos canetas, lápis e qualquer outra simbologia de papelaria, rs, que perseguem sempre a justiça, a paz e a alegria do Reino.

 

Bônus! Bônus! Bônus!Bônus! Bônus! Bônus! Bônus! Bônus! Bônus! Bônus! Bônus! Bônus!

 

 

 

 

 

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Boa viagem, moço

{Para ouvir enquanto lê}

Pra você que é da madrugada: nooooite! Caso você esteja lendo em outro horário: inserir saudação que combine com seu turno, hehehe…

Gente que é de verdade. Tem coisa mais bonita? Esses dias eu e um bando de velas estávamos em um ponto de ônibus quando um moço começou a falar rápido, muito rápido sobre os últimos meses da sua vida. Eu estava fazendo contas e pensando em floriculturas com pétalas disponíveis – era semana do dia dos namorados – e eu não conseguia me concentrar no homem… Minha cabeça ia e voltava, estava ajudando um núcleo lindo e querido da nossa igreja a fazer um jantar de casais, mas olhei de novo para o cara, os olhos deles estavam a mil,tirei meus dois fones (sim, havia tirado apenas um, me julguem, rs) e prestei atenção nele. Resumo: ele largou o emprego chato, pegou o dinheiro que recebeu da empresa e ia viajar pela primeira vez para a Argentina.

Depois de alguns minutos, estava rindo com o moço, desejando uma viagem incrível e me despedindo dele com tchauzinhos pelo vidro.  Gente que é de verdade sempre tem coisa real para te contar. E isso é, para mim, um dos jeitos mais fáceis de se entender a praticidade da fala de Jesus, do evangelho diário. Quando eu aprendi que mais da metade dos nossos ministérios são vividos na rua e não na igreja, eu comecei a me exercitar para ser Cristo em mim no máximo de ações cotidianas possíveis. Mas isso tudo dentro de quem eu sou. No meu caso, um Jesus, as vezes, sarcástico e que prefira chá a café.

E aprendi a gostar de ser de verdade, porque o evangelho funciona bem assim. Eu desconfio de gente que só fala baixinho, que sempre tenta te agradar, gente de sorrisinhos curtos. Não é nada pessoal – e por favor, não é algo para você passar pra frente hahaha -, mas preciso de alguém que me fale o que acha, que me diga que eu estou errada, que seja de verdade. Que me mostre que ela também luta para seguir a quem eu sigo, mas que no final ficou tudo bem.

Pessoas de verdade me mostram que o Reino é para os doentes que ficaram sarados, não porque eles são calados e aparentemente legais com todo mundo, mas única e exclusivamente pelo sacrifício da cruz.

Isso não é uma ode aos maus modos – hahaha, por favor! – , mas é uma maneira arrastada de dizer: seja o espirito santo em você, não seja você em você coberto por uma mistura de educação que nos esconde da vida.

Espero que você tenha uma boa viagem, moço do ponto. Que Deus te abençoe, realize seus sonhos e te faça se apaixonar por outra profissão. E que não tenha que ser assim forçado não, gostar pela rotina – feito gente que acha que insistir em falar com alguém todo dia vai dar em casamento -, que seja de uma vez e que te faça bem. Que você seja sempre justo, moço, porque assim bençãos sempre estarão sobre sua cabeça.

 

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Dos meus homicídios dolo(ro)sos

{Para ouvir enquanto lê}

Tem sempre um dia em que a gente acha que a humanidade não pode descer mais nem um degrau da cretinice. E lá estava eu para provar que era possível. As pessoas matavam a si mesmas – ou umas as outras, eventualmente as duas coisas durante a noite – e eu precisava fazer minha ronda, ligando para a polícia e descobrindo se havia mais alguma notícia para o dia.

- Hoje está tranquilo. Um homicídio, nada passional, acerto de drogas. – O PM passa algumas explicações, eu escrevo uma nota.

Na noite anterior, um grande caso de estupro envolvendo quatro pessoas da mesma família e uma criança tinha acontecido no interior de Goiás e eu – de uma forma nojenta – me sinto aliviada porque só uma pessoa tinha sido assassinada até agora. Sinto culpa. Lembro do dia anterior, de escrever a matéria sobre a menina que só parou de sofrer os abusos porque a mãe achou o diário que ela mantinha. Lembro que andei em silêncio até a garrafa de café, despejei um tanto em copo de plástico e bebi de uma vez, sentindo a língua queimar. Lembro do meu avô falando que tem gente que não tem resistência para a vida, de Bukowski (altamente não religioso, rs) dizendo que quanto mais ele pensa na humanidade, menos quer pensar nela.

Encaixo tudo isso de alguma forma e, quando dou por mim, estou de joelhos na sala de TV, logo depois de chegar do trabalho e comer alguma coisa. Minhas articulações doem, meus pulmões também. Eu devia estar chorando há algum tempo. Alto. Não porque a idéia de alguém querer cometer um homicídio era tão bárbara para mim que me chocasse ao ponto de me deixar com a cara vermelha no meio dos azulejos congelantes da minha sala. Justamente pelo contrário, as manchas apodrecidas de mim que já quiseram arrancar partes de pessoas muitas vezes. Não físicas, mas tão físicas que doeu na minha alma. E eu estava ali no chão, tentando entender como simplesmente alguém poderia gostar da espécie que se distinguiu das outras com palavras e alfabeto fonético. Como Deus poderia gostar de nós? Como o Espírito pode nos encarar todos os dias?

Eu chorei até não conseguir enxergar. Até dizer pra Ele tudo que estava no meio da minha traquéia. Até explicar que a vida é estranha sem Ele. E, então, ele me disse que eu deveria deixar as coisas irem.

- Quando você não tira o peso do pecado que eu já joguei fora, você carrega um peso que eu não te dei.

Abri os olhos. Eu amo a certeza de que Ele fala. Talvez seja assim que ele nos suporta: nos amando, nos perdoando, retirando de nós o peso de nossas próprias transgressões, nos impedindo de morrer sufocado em culpa, nos permitindo voltar para casa, não cheios de carne e homicídios dolosos, mas cheios do espírito e da liberdade que a vida de Deus nos deu.

Tem sempre um dia em que a gente acha que a humanidade não pode descer mais nem um degrau da cretinice. Para esses dias, há sempre o chão de alguma sala e o nosso Jeová Shamá, Deus que sempre fala.

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